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INTERAÇÃO / E AÍ, BICHO?

Elefante Semba salva centenas de pessoas do fogo no circo em Niterói, em 1961; vira-lata alerta família em SP em 2018. Nos EUA, gato é premiado por defender menino de ataque

Ao longo da história, animais inesperadamente acabaram salvando vidas humanas em situações extremas. Entre eles estão os famosos cães farejadores que buscam sobreviventes em grandes desastres, como o do incêndio do Edifício Wilton Paes de Almeida, no Centro de São Paulo, em 2018, até casos em que os bichos agem por puro instinto, como o do elefante Semba, na tragédia do Gran Circo Norte-Americano, em Niterói, em 1961.

Existem pessoas que, de certa forma, podem dizer que devem suas vidas a estes seres de quatro patas. No mais trágico incêndio no Brasil, em que mais de 500 pessoas morreram na então capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, Semba evitou a morte de centenas de pessoas.

A seguir, o Acervo O GLOBO selecionou sete histórias de "animais heróis" que aconteceram no país e no mundo.

1) O elefante Semba (17-12-1961)

Um dos casos mais impressionantes que já aconteceram no país envolvendo animais é o do elefante Semba. No incêndio do Grand Circo Norte-Americano, em Niterói, no dia 17 de dezembro de 1961, o animal, movido puramente por seu instinto evitou que o número de mortos — mais de 500 — fosse ainda maior. Ao ver o fogo começar a lamber a lona do circo, ele se desesperou e, “numa arrancada impressionante para uma espécie daquele tamanho”, como descreveu o jornalista Mauro Ventura, colunista do GLOBO, em seu livro "O espetáculo mais triste da terra", abriu um rasgo que permitiu que muitos conseguissem se salvar. A nota triste é que, durante o trajeto, Semba foi herói, mas também vilão para alguns: pesando toneladas, o animal acabou provocando mortes em seu caminho. Na edição de 19 de dezembro de 1961, O GLOBO destacou que “o elefante abriu uma brecha na lona,onde puderam salvar-se muitos espectadores". Ele escapou com poucas escoriações.

2) Cão salvou família no incêndio do Edifício Wilton Paes de Almeida, em SP (1-5-2018 )

O vira-lata Bernardo inquietou-se ao perceber a agitação das pessoas e o calor das chamas que rapidamente se espalhavam pelo prédio em que morava, no Largo do Paiçandú, no Centro da capital paulista, na trágica madrugada do dia 1º de maio de 2018. O desespero do bichinho seria fundamental para salvar a si e à sua família. "Eu estava dormindo, ele começou a latir e minha esposa acordou. Achávamos que era uma briga e, quando olhamos pela janela, vimos o fogo subindo. Foi o tempo de saírmos correndo com ele no colo", contou o dono do cão, não identificado, em entrevista publicada no Instagram, classificando-o como "herói da família". Pouco tempo após a fuga, o edifício de 24 andares viria abaixo.

3) Vira-lata Catita salvou menino de 6 anos (1999)

Em fevereiro de 1999, na cidade de Campos, a cadela Catita roubou a cena ao salvar a vida do menino Lucas Tavares, que tinha apenas 6 anos de idade na época. Lucas brincava na rua quando foi atacado por dois cães da raça pitbull, que escaparam do controle do dono, Rodrigo Vasconcelos, então estudante de direito. Ao perceber o ataque, Catita interveio e conseguiu afugentar os cachorros após uma briga de dois minutos, evitando o pior: a criança quase tivera o rosto desfigurado, e seu irmão, de 13 anos, havia sido mordido na mão ao tentar ajudá-lo. Um ano após o ocorrido, O GLOBO noticiou que “Catita virou heroína”, explicando ainda que “veterinários atribuíram a reação de Catita ao instinto materno: ela tivera uma ninhada de sete filhotes 20 dias antes da luta”. A cachorra ainda seria condecorada com uma medalha de honra ao mérito pela Sociedade Internacional Protetora dos Animais, além de um patrocínio de um ano oferecido por uma empresa fabricante de rações caninas. A cadelinha heroína, que ainda apareceria no Domingão do Faustão, dando início a uma discussão sobre a raça pitbull, morreria em janeiro de 2001, aos 10 anos de idade, de causas naturais.

4) Gata se tornou “Cão Herói” nos EUA (2014)

Em maio de 2014, a gatinha Tara foi valente ao lutar com um cachorro que atacava Jeremy, menino autista de apenas 6 anos, em Bakersfield, na Califórnia. A criança andava de bicicleta na calçada de sua casa quando foi atacada pelo cão do vizinho, Scrappy, que chegou a morder sua perna e sacudí-lo de um lado para o outro. A gata afugentou e perseguiu o cachorro, que seria sacrificado posteriormente, até que ele voltasse para casa. Tara, por seu ato heróico foi premiada com o inusitado título de “Cão Herói”. Em depoimento à Associated Press, no dia 19 de junho de 2015, Madeline Bernstein, presidente da Sociedade de Prevenção de Crueldade contra Animais de Los Angeles comentou a condecoração: "Ficamos tão impressionados com a coragem de Tara e como ela agiu rápido que o comitê de seleção decidiu que um gato tão espetacular como esse deveria ser o Cão Herói Nacional".

5) Cadela encontrou e devolveu ao dono carteira com R$ 300 (5-9-2002)

Em Campinas, no interior de São Paulo, uma cadela chamada Feiticeira encontrou uma carteira com R$ 300 e devolveu ao dono, o catador de papelão Henrique Massato, que tinha acabado de sacar o dinheiro do Fundo de Garantia. Em entrevista ao GLOBO, em 5 de setembro de 2002, o dono da cachorra, Wilson Pereira comentou seu ato heróico: “Massato deixou a carteira cair enquanto estava trabalhando. A cadela viu. Quando os trabalhadores se afastaram, ela pegou a carteira e seguiu o dono. Ela andou chacoalhando a carteira para chamar a atenção das pessoas”.

6) Filhote de elefante salvou menina durante tsunami na Indonésia (2005)

Durante o horror da tsunami que atingiu a Indonésia, em 2005, um herói improvável salvou a vida da pequena inglesa Amber Mason, de apenas 8 anos. A menina passeava montada em Ningnong, um filho de elefante de apenas 4 anos de idade, na ilha de Phuket, quando as ondas começaram a invadir a praia. Mesmo submerso até os ombros, o elefante conseguiu seguir até uma colina, deixando Amber em segurança. Em entrevista à BBC, publicada pelo GLOBO no dia 12 de janeiro de 2005, a menina contou: “Ele percebeu que algo estava errado e tentou sair da praia. Minha mãe começou a gritar porque achou que eu tinha me perdido”. A família ficou tão agradecida que, na ocasião, prometeu uma mesada de US$ 50 por mês para o dono do animal.

7) Cães farejadores dão esperança em três tragédias (22-7-2007, 17-1-2011 e 8-5-2018)

No Brasil e no mundo, estes cachorros treinados são protagonistas nas buscas por pessoas em grandes tragédias, salvando vidas ou, ao menos, dando alento às famílias das vítimas fatais. Em 22 de julho de 2007, O GLOBO noticiava o auxílio de Anne, Dara e Dora, duas labradoras e uma gold retriever, que auxiliavam no resgate a possíveis vítimas nos escombros da tragédia do vôo JJ-3054, da Tam, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo — a maior da história da aviação brasileira. No GLOBO de 17 de janeiro de 2011, dois pastores holandeses e dois pastores alemães eram destaque: “Já encontraram 30 soterrados na Região Serrana”, dizia a manchete. No dia 8 de maio de 2018, a imprensa paulista noticiou, também, a importância de Vasty, Sarah, Wiki e outros dois cães do Corpo de Bombeiros de São Paulo que auxiliavam os oficiais na busca por desaparecidos no desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, que não resistiu a um incêndio uma semana antes. Até então, dois corpos haviam sido encontrados com o auxílio dos animais, entre eles, o de uma criança.

* com edição de Gustavo Villela, editor do Acervo O GLOBO

Autor(a): Arthur Leal
Fonte: acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/de-caes-elefantes-animais-viram-herois-em-incendios-tsunami-nas-ruas-22663616
Colaborador(a): José Carlos

 

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