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INTERAÇÃO / E AÍ, BICHO?

OS GAMBÁS SÃO PREDADORES DOS CARAMUJOS-AFRICANOS
publicado em: 15/03/2018 por: Lou Micaldas

Nome Científico: Achatina fulica
Nomes Populares: Acatina, Caracol-africano, Caracol-gigante, Caracol-gigante-africano, Caramujo-africano, Caramujo-gigante, Caramujo-gigante-africano, Falso-escargot, Rainha-da-áfrica
Ordem: Stylommatophora
Classe: Gastropoda
Filo: Mollusca
Reino: Animalia
Partes Afetadas: Caule, Flores, Folhas, Frutos
Sintomas: Partes das plantas roídas, rastros de secreção sobre as plantas e vasos

O caramujo-africano é uma espécie considerada praga em diversos países no mundo todo. Foi introduzido ilegalmente no Brasil na década de 80, com o intuito de oferecer um susbtituto mais interessante economicamente e de maior peso que o escargot verdadeiro (Helix aspersa). Em pouco tempo de criação se verificou que o animal não tinha boa aceitação pelo mercado consumidor brasileiro, o que provocou a desistência da maioria dos criadores, que se desfizeram dos animais de forma errônea: liberando os caramujos em jardins, matas ou simplesmente colocando-os no lixo.

Estes caramujos não encontraram predadores naturais à sua altura e se multiplicaram rapidamente, invadindo diversos tipos de ecossistemas brasileiros. Como são hermafroditas (possuem os dois sexos em um mesmo animal) e realizam a autofecundação, basta apenas um indivíduo para que a praga se alastre, afinal são cerca de 400 ovos ano ao por caramujo.

O caramujo-africano é um molusco grande e escuro, com até 15 cm de comprimento e 200 gramas de peso. Sua concha é alongada e cônica, com manchas claras. Ele não deve ser confundido com os moluscos brasileiros. Os nativos aruás-do-mato (Megalobulimus sp) têm importante papel ecológico, além de servirem de alimento e como matéria prima no artesanato dos índios. Eles têm a borda da abertura da concha espessa, enquanto que o caramujo-africano tem esta borda cortante.

Os caramujos-africanos são conhecidos por serem hospedeiros de duas espécies de verminoses que acometem os seres humanos. A angiostrongilíase meningoencefálica, causada pelo Angiostrongylus cantonensis e angiostrongilíase abdominal, cujo agente é o Angiostrongylus costaricensis. Apesar da angiostrongilíase abdominal ser ocasionalmente diagnosticada no Brasil, geralmente ela está relacionada com outros hospedeiros, entre caracóis e lesmas, que não incluem o caramujo-africano. No entanto, estas doenças são bons argumentos para que o controle do caramujo-africano seja mais efetivo.

A invasão do caramujo-africano é atualmente muito mais relevante no aspecto ecológico do que no agrícola ou sanitário. Este caramujo está invadindo ecossistemas e ocupando um lugar que não é seu. Reduzindo assim a diversidade de espécies. Além de devorar folhas, flores e frutos, causando um enorme estrago em plantas de importância agrícola, ornamental e ecológica ele também é canibal, alimentando-se de ovos e jovens caracóis de sua mesma espécie, como forma de obter cálcio para sua concha em ambientes com escassez deste elemento.

Este caramujo é resistente a períodos de seca, além de ser bastante ativo no inverno. Como outros caracóis, ele aprecia a umidade e a sombra, se locomovendo e se alimentando mais à noite e em dias nublados e chuvosos. É capaz de escalar muros e árvores e desta forma transpor de um terreno a outro.

Ao se depararem com infestações de caramujo-africano, as pessoas logo pensam em venenos para controlá-los. Infelizmente os caracóis e lesmas em geral são muito resistentes a venenos e os únicos produtos comerciais disponíveis que se mostram um pouco eficientes (metaldeídos), demonstram elevada toxicidade para os seres humanos e outros animais, de forma que a utilização de pesticidas não é o método de controle atual mais indicado para estes moluscos.

A pesquisas de substâncias eficientes têm se revelado muito importantes neste sentido. A cafeína por exemplo, estudada pelos americanos Robert Hollingsworth, Jonhn Armstrong e Earl Campbel apresenta resultados interessantes. Assim como o látex da coroa-de-cristo (Euphorbia splendens hislopii), que está sendo testado no combate ao caramujo-gigante-africano pela equipe coordenada pelo pesquisador Maurício Vasconcellos.

O controle do caramujo-africano consiste na catação e destruição dos caramujos. Jamais coloque-os no lixo, pois estará disseminando o problema. Também não coloque sal nos animais pois assim contaminará o solo. 

O preconizado é o seguinte:

 Utilize luvas descartáveis para pegar e manusear os animais
Proteja a pele e as mucosas: não coma, fume ou beba durante o manuseio do caramujo
Coloque os caramujos em dois sacos plásticos e quebre suas conchas, pisando em cima
Enterre-os em valas com pelo menos 80 cm de profundidade, longe de cisternas, poços artesianos ou do lençol freático
Aplique cal virgem sobre os caramujos quebrados (cuidado, a cal queima a pele)
Feche a vala com terra
Retire as luvas e lave muito bem as mãos após isso

É possível também utilizar iscas atrativas, que facilitam a catação. Papas de farelo de trigo com cerveja atraem caramujos a metros de distânica. Cascas de frutas e legumes, estopas embebidas em cerveja ou leite, assim como simples pedaços podres de madeira que lhes servem de abrigo. Verifique as iscas diariamente e não esqueça de protegê-las da chuva e do sol. Coloque-as em locais úmidos e frescos. Preferencialmente sobre a terra. Manter o jardim limpo de folhas mortas e frutos caídos também irá afastar os bichos, e desta forma ainda estará prevenindo outras doenças e pragas, como podridões de origem fúngica e bacteriana, moscas-das-frutas, etc. Não esqueça: as pragas só vivem e se multiplicam onde lhes é oferecido abrigo, comida e água.

*Editado: Como contribuição ao artigo, a leitora Eucinéia Antunes de Souza, de Magaratiba, RJ, relatou que os caramujos-africanos estão sendo vorazmente predados por um gambá em sua propriedade. É a natureza encontrando o caminho para o controle desta praga invasora.

Nota do Site "VelhosAmigos": A "velha amiga" Maria Isabel, nos envio a mensagem abaixo:
"Sobre o gambá descobri que ele é predador do caramujo-africano, aqueles que infestam nossos quintais em dias chuvosos e no inverno. Moro onde tem o gambá e o caramujo e descobri que durante a noite se não encontram frutos, em meu quintal, eles atacam os caramujos! E, pela manhã, só encontro a conchas vazias. Eu protejo os filhotes de gambás até ficarem adultos e sei que os caramujos estão se extinguindo".

O Instituto Oswaldo Cruz disponibiliza atendimento e informações sobre o caramujo-africano pelo telefone (21) 2598-4380 ramal 124.

Autor(a): Raquel Patro
Fonte: www.jardineiro.net/pragas/caramujo-africano.html

 

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