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LIVROS / FEIA

CAPÍTULO III
publicado em: 17/08/2017 por: Lou Micaldas

"...desde que li o primeiro romance de amor, Pa, de José de Alencar. Andava aí pelos quinze anos, e foi ao lê-lo que, pela primeira vez, me senti mulher. As doces palavras de amor faziam percorrer-me o corpo arrepios de prazer..."

A casa era própria, pertencera a papai como legado de família.

De estilo apalacetado, antigo, com quatro sacadas de frente. Eu gostava de seu ar senhoril, toda branca, as grades prateadas brilhando ao sol.

Ao lado, a escadaria de mármore e a comprida varanda ladrilhada. Em volta, o jardim, o orgulho de vovó. Tufos enormes de samambaias crespas - as minhas samambaias - como ela dizia. Vasos de tinhorão de largas folhas de veludo em volta do caramanchão de madeira gradeada, por onde subiam torcidas e teimosas trepadeiras.

Nos canteiros, margaridas e rosas de vários tons e o jardim cheiroso, tão cheiroso que atraía a quem passava.

E, debruçando seus galhos, em pencas de ouro, sobre a grade, a acácia.

Casa grande, sala quadrada e amplos quartos que davam para o comprido corredor ao centro. A sala de visitas abria para o jardim em três sacadas gradeadas. Eu a achava tão bonita, com seu lustre de pingentes de cristal e imponentes cortinas pregueadas de veludo cor de ouro velho.

Um espesso tapete de desenhos orientais em arabescos multicolores forrava quase toda a sala. Poltronas e banquetas de estofo chamalotado, no mesmo tom de ouro das cortinas, espalhavam-se por ali, duas a duas, como se conversassem sozinhas.

Mas o que mais aguçava a nossa curiosidade infantil era o porta-bibelôs, peça rica de entalhe, todo ele de dourados e cristais que deixavam ver as mais encantadoras figurinhas de porcelana e biscuí, que o fundo dos espelhos multiplicava.

A quarta sacada era a do gabinete de papai, pequena sala forrada de estantes, pesados livros, sombria e severa no tom verde-musgo das cortinas e no couro dos estofados, na luz mortiça coada através dos vidros foscos das janelas. Ali, mergulhada no mundo da ficção, li apaixonadamente, criando para mim um ambiente de irrealidade através das estórias, longe de todos e ausente de mim.

O corredor, ao centro, levava à sala de jantar, peça grande, que abria, em largas portas, para a varanda ao lado. Forrada com papel cor de cereja, tinha, no alto, uma barra pintada de frutas coloridas: pencas de bananas maduras, pêras e maçãs rosadas, cachos de uvas roxas, grossas fatias de melancia.

Mas era na copa que passávamos quase todo o dia e tomávamos as refeições, com os passarinhos cantando nas gaiolas. Era uma sala espaçosa e clara, de móveis pintados de branco, cortinas de cretone bordadas e entremeadas de largas rendas de filó. Uma porta larga, envidraçada, ligava-a à cozinha, onde o brilho das panelas e caldeirões era o orgulho de Carola.

Por uma escada de pedra descíamos para o quintal. Lá no fundo, junto ao muro, o galinheiro, outra paixão de vovó. Era toda cuidados em deitar galinhas, e os pintinhos, recém-saídos da casca, eram uma festa para nossa infância.

- Venha ver, vovó, está bicando...

Vovó segurava a galinha pelas asas enquanto contava os pintos já nascidos.

- Eu quelo o amalelinho! - gritava Lúcia quando pequenina.

E eu sempre escolhia o mais feinho, de pescoço pelado, e amava-o com ternura até que ele se punha frango e ia cumprir seu destino na panela.

E dezembro chegou quente e azul. Cheio de promessas de festas para o Natal e Ano-Bom. Saíamos pouco, por falta de companhia. Vovó andava com certa dificuldade por causa das pernas inchadas, e era uma pena arrastá-la para nosso pertimento. Mas nós nos arranjávamos.

Lúcia, cheia de amigas, passeava às tardes na calçada. No domingo, íamos à missa e à matinê no cinema do bairro.

Durante a semana, enquanto Lúcia se pertia com seu grupo, eu preferia ler, paixão que se enraizara em mim desde que li o primeiro romance de amor, Pa, de José de Alencar. Andava aí pelos quinze anos e foi ao lê-lo que, pela primeira vez, me senti mulher. As doces palavras de amor faziam percorrer-me o corpo arrepios de prazer. À noite, sonhava com o romance, que era eu assim bonita... que era amada...

Também brincava de faz-de-conta. Dizia: faz de conta que sou bonita, e que há um rapaz apaixonado por mim. Então, enquanto dançamos, ele me diz lindas coisas e, embalados pela música, deslizamos ternamente enlaçados, tontos de felicidade. Uma felicidade que eu não conhecia, mas que apinhava imensa, completa, única... Fechava os olhos, e era como se estivesse de fato vivendo aquele instante.

Deixava o livro marcado nas páginas mais amorosas e, sozinha em meu quarto, relia-o em voz alta, com entonações apaixonadas, saboreando cada palavra, como se fossem ditas para mim.

Depois desse, vieram outros, muitos outros.

Hoje nem poderia contar quantos livros li. Mas os romances são como os amores: o primeiro deixa sempre em nós qualquer coisa que não se esquece mais.

Não me lembra a data, mas me lembro do dia, um lindo dia, cheio de sol.

Os passarinhos cantavam lá fora, e nós cantávamos, cá dentro, alegres cantigas de carnaval.

Vovó veio e foi logo dizendo:

- Um baile para vocês... querem ir?

- Baile para nós? Fale, vovó! Quem foi que convidou? Que bom, uma festa... e eu que adoro festas...

- Cala a boca, Lúcia, deixa a vovó falar.

- Foi dona Hortênsia quem convidou - disse vovó - É aniversário da Lourdes e dão uma festa...

- Com quem vamos? - Lúcia perguntou aflita.

- Comigo, ora essa! Pensa que não presto mais para nada?

Demos um beijo estalado em sua face de rugas e, cantarolando, lá fomos para a copa tomar café.

Lúcia falou o tempo todo na festa: queria apinhar quem havia de ir e lembrava-se de uma porção de gente que seria tão bom se fosse. E, depois, falou-se nos vestidos: o meu decidi que seria rosa, e ela disse que queria um verde-jade, cor que ia maravilhosamente bem com o tom de seus cabelos.

O tempo seria pouco para a confecção dos modelos, e ainda tínhamos que ver sapatos, enfeites, tudo... Mas tudo fazia parte do gostoso da festa. Essa agitação, esse corre-corre para as lojas era já uma festa para nós. Além do mais, era esse o nosso primeiro baile de verdade. Antes, só tínhamos ido a chás de aniversário, quase infantis.

Lúcia não cabia em si de contente e extravasava-se pondo na vitrola discos barulhentos enquanto ensaiava passos novos de dança. Era muito crescida para a idade. Tinha um porte que facilmente se lhe dariam quinze ou dezesseis anos, ao invés dos treze.

Comigo era o contrário, davam-me sempre dois, três anos de menos. "Não faz mal - eu pensava - há de me servir quando chegar à velhice."

Vovó dizia-lhe - seja criança, minha filha, senão você fica velha depressa.

E acrescentava com uma voz nostálgica:

- Bom tempo é esse...

Sobre as nossas camas estendiam-se os vestidos da festa.

O de Lúcia era de um tom verde para pistache e descia de um lado da saia uma cascata de babados godê, muito em moda. O meu era rosa quase salmão, a blusa toda bordada de miçangas leitosas.

Diante do espelho, de combinação, Lúcia fazia piruetas. Tirando um por um os grampos com que havia arranjado as ondas do cabelo, assobiava as músicas da época. Vovó ralhava:

- Parece moleque, Lúcia, assobiando!...

- Ora vovó, não vou assobiar na festa, vou?

- Mas o hábito, minha filha... o hábito é tudo, a gente se acostuma e depois faz sem sentir.

- Não me ralhe, vovó, estou tão feliz!

E vovó dizia-lhe então, toda meiga:

- Como você está bonita! Gostaria que sua mãe a visse. As mães é que devem acompanhar as filhas. E como ela havia de gostar de levar vocês... Ela era assim como Lúcia, adorava bailes, festas... coitada! Mas Deus sabe o que faz, e nós é que não sabemos o que dizemos...

Virou-se para mim:

- E você, Marta, pensa em quê?

- Em nada...

Tão embevecida estava em Lúcia, que me tinha esquecido de mim.

Tirei meus grampos lentamente, um por um, e sentei-me à penteadeira para empoar o rosto. Lá, no fundo do espelho, espiei a Marta que eu conhecia muito bem. Seus olhos brilhavam com uma luz de ansiedade que não me enganava: o medo da festa. E se ninguém me tirasse para dançar? E se ficasse lá, a festa toda furando cadeira? A ansiedade nos olhos era agora quase angústia. Não quis olhar mais. Vesti-me às pressas e fui ajudar minha irmã a abotoar as pulseiras. Como estava bonita! Os grandes olhos cintilavam faiscando verde.

Na cabeleira castanha, a luz punha reflexos dourados.

Compreendeu minha admiração e ficou vaidosa.

- Estou bem? - perguntou faceira.

- Está muito feia - respondi.

Risos, flores, música...

No alto da escada, Lourdes recebeu-nos com um sorriso amável. Era alta, morena; um conjunto harmonioso e uma certa graça natural de seus gestos salvavam-na de ser feia. Era nossa prima em terceiro ou quarto grau, não sei bem; além do aniversário, comemorava o diploma de um colégio qualquer.

- Como Lúcia está crescida! Pensei que ainda fosse uma menininha... E que linda!
Vovó achou logo poltrona e amiga. Lúcia chegou-se para mim, de olhos faiscantes:

- Ih! Marta, você acha que estamos bem? Bem vestidas? Em casa achei tudo lindo, mas aqui, não sei... tanta gente chique!

- Não seja tola. Você está linda, e aqui não há menina nem moça nenhuma que seja mais bonita do que você. Não sei como foi, esqueci-me de mim, de meus sustos. No meio de tanta gente e tanta animação eu me senti pequenininha e... desapareci. Um fox barulhento invadiu a sala e Lourdes veio para nós com dois cavalheiros.

Instintivamente os dois se inclinaram para Lúcia, mas o que estava mais próximo dela enlaçou-a. O outro voltou-se então para mim:

- Vamos dançar, senhorita?

- Não, obrigada... eu não danço - gaguejei.

Desapontado, ele ia afastar-se, mas tive a súbita revelação de que estava sendo idiota. "Por que esse orgulho?" - pensei - "Essa sensibilidade à flor da pele?" Era tão natural que ele preferisse Lúcia... Fiz um gesto.

- Espere aqui, o senhor dançará com minha irmã.

Sentiu-se recompensado e ficou.

Conversamos. Era alegre e revelava espírito crítico próprio das pessoas inteligentes. Já me ria à vontade quando, em dado momento, ele perguntou:

- Não dança porque não gosta ou porque não sabe?

- Não... não quero, prefiro ver os outros... - respondi encabulada, como se ele pudesse ver o verdadeiro motivo.

Sem se importar com o que eu dizia, sem cerimônia mesmo, arrastou-me para o centro da sala e dançamos. Quando o jazz parou afinal, num grito estridente de saxofone, fomos para a sacada. Uma aragem fresca envolveu-nos.

Olhei o céu. Lá estavam as minhas estrelas, que eu nunca me cansava de contemplar. Aquela multidão de pequeninos pingos de luz fascinava-me. Pensava que esse mundo fosse um circo imenso, cuja lona, toda furadinha, deixasse passar a luz que havia além...

- Bonita noite! - disse meu par.

- Pois é... - respondi.

Que tola sou, pensei, podia ter feito uma frase interessante, mas saiu-me esse "pois é". Como pude resumir num "pois é" tão idiota tudo o que sinto ao ver uma noite tão bela! Procurei ver se remendava, mas nada me ocorria. Distraído, ele olhava para fora.

Que adiantava fazer frases ou outra coisa qualquer, se ele estava era esperando Lúcia?

Eu bem vi como a tinha fitado o tempo todo enquanto dançava comigo.

Lúcia, por trás de mim, segurou-me a cintura e perguntou baixinho:

- Está gostando?

- Naturalmente! E você?

Sem me responder o que estava, aliás, escrito no seu rosto afogueado, e em toda ela que encarnava a alegria, voltou-se e encarou o rapaz.

Eu ficava admirada como podia ela, tão criança ainda, manobrar com tanta mestria a arte da faceirice. Sabia apertar os olhos nos cantos, o que os tornava maiores, e mais longos os cílios, emprestando ao olhar algo de doçura e de mistério. Sabia sorrir com um jeito de aprofundar as covinhas das faces, e eu achava impossível alguém resistir a essas gatimonhas.

- Está um calor aqui, não é Marta? Estou louca por um sorvete. - disse graciosa.

No vão de uma sacada, reunimo-nos os quatro e saboreamos os sorvetes coloridos, servidos em taças de cristal. O assunto girou em torno de festas, modas, música e estas conversinhas de salão que nada dizem. Lúcia falava como se já fosse acostumada à sociedade, com um desembaraço que me deixava atônita.

Entre uma e outra colherinha de sorvete, eu olhava a sala. Dançavam alguns pares, na cadência de um samba lento. As damas, elegantemente vestidas, havia-as para todos os gostos: baixotas, gordinhas, altas, magras, loiras, morenas, feias e belas.Havia-as, também, desde as que ainda usavam meias curtas até as já maduras. Pareciam todas felizes, dançando, conversando e rindo.

Vi Lourdes passar com um rapaz da Marinha, mais baixo que ela e um tanto gordo, com cara de menino bom. Mais outra vez que passaram e ganhei a certeza de que se namoravam.

Em volta da sala, rapazes se repartiram em grupos pelos cantos. As fardas vistosas dos cadetes chamavam a atenção, e eles vendiam-se caro, encostados a um portal, com ar displicente. E havia grupos de moças, arrumadinhas, enfileiradinhas, uma ao lado da outra, facilitando a escolha.

Não conversavam e, de vez em quando, lançavam discretamente um olhar ansioso e ao mesmo tempo hostil para o grupo de rapazes parados.

Era fácil traduzir o que sentiam:

- Dançarei? Não dançarei?

Eu apinhava o alvoroço delas, preparando-se para a festa, empoando o rosto, arranjando os papelotes, escolhendo com cuidado o vestido: "Será que esta cor me assenta?" "Esse modelo não me deixará muito magra? Ou gorda?" "Ponho uma flor ou uma fita na cintura?" "Não ponho a flor... não... ponho a fita..." Por fim, a última olhada aprovadora no espelho: "Estarei bonita?" "Estou mais bonita do que nos outros dias... vou fazer sucesso... Quem sabe se encontrarei hoje o meu príncipe encantado?"

E ali estão, como se estivessem em vitrina para a escolha caprichosa dos homens.

Desvio o olhar, sinto que vou ficando amarga, e volto ao meu grupo, animado, que conversa e conta coisas engraçadas, rindo-se às gargalhadas.

Outro intervalo das danças e os pares vêm para a varanda, em busca da fresca.

Eu apanho aqui e ali retalhos de conversas:

- Que calor...

- Uma festa linda...

- Viu a Lourdes?

- O "pequeno" é alinhado...

- Marinha... minha filha!

- Tem um bocado de cadetes...

- É... mas não se arredam.

- Pena...

E as vozes morrem no zunzum...

Os violinos gemiam agora uma valsa, a valsa da Viúva alegre. Cantarolei baixinho:
"Tua mão está fria e tem um tremor..."

Fechava os olhos e deslizava com delícia. Havíamos trocado os pares e este rapaz dançava pinamente. Nesse momento, como era feliz!

Só me lembrava de que esse era o meu primeiro baile e de que dançava uma valsa maravilhosa. E dançamos outras músicas, os quatro, sempre nos revezando. Já não me importava que fosse só por Lúcia que eles dançassem comigo, não me importava nada, dançava e era feliz.

Foi quando me feriram os ouvidos estas palavras:

- Dança bem... mas é feia. A irmã, sim, é que é linda!

Uma onda de sangue me subiu à cabeça e creio que fiquei atordoada, como se tivesse levado uma paulada.

Pensava: "Nunca me tinham dito isso assim tão cruamente. Sabia que era feia, mas assim, concretizado em palavras... Deus meu! Como se pode dizer tão alto uma coisa dessas? Como se não soubessem como dói!"

Procurei o grupo que ainda conversava em cochichos. Eram senhoras, inspecionando a sala. Tive vontade de descobrir-lhes as filhas. Seriam bonitas? Mas nunca haviam de ser como Lúcia, e isso me dava um pueril prazer de vingança.

Ri-me então:

- O meu primeiro baile...

Fugi dali, de todos e de tudo, mas não de mim. Procurei vovó. Estava lá no vão de uma sacada. Sentei-me no braço de sua poltrona.

- Cansou-se? - perguntou.

- Sim, um pouco... dançamos muito, a senhora não viu?

- E Lúcia? Aquela não se cansa nunca, ainda não parou um instante. Quando acabará isso? Já é bem tarde...

- Lúcia não sairia agora, está se pertindo tanto!

- É... - respondeu pensativa - mas ela é muito menina, acho que não devia...

Eu olhava a sala e a alegria de todos. De fora assim, o barulho dos instrumentos era atordoador em suas vozes: agudos uns, roucos outros... Giravam os pares febrilmente, e parecia loucura tudo aquilo. A minha mágoa transformou-se em escárnio. Eu me comprazia em pôr a ridículo todos os que me cercavam:

Por que está aquele gorducho dançando? Não sente que é ridículo? Tão sem jeito que mais parece estar fazendo um serviço: longe da dama de asas abertas, vermelho, suado, arquejante, e cisca daqui, cisca dali, dando encontrões.

Desejei, de repente, que ele caísse em plena sala. Como havíamos de rir dele! E aquela que se requebra toda, magrinha que nem tem feitio de mulher e se desengonça esquisita? O braço do cavalheiro podia bem dar duas voltas que nem cipó na exígua cintura dela...

Olha esta que pisou o pé do rapaz e, vermelha, procura acertar o passo. Ele se inclina para ela e diz qualquer coisa; que será? "O de baixo é meu, e o de cima é do zebedeu..."

Lá adiante, um ajeita o colarinho, como se o estivesse sufocando. Quem sabe é cacoete? Quem sabe está encabulado? Sempre que a gente encabula, não sabe o que há de fazer e acaba fazendo qualquer gesto idiota.

O Luís, nosso primo, dava para coçar o canto do olho, como se tivesse um argueiro. E nós ríamos, pois sabíamos que estava disfarçando. Lúcia ficava se remexendo na cadeira, e tão vermelha que a cor se espalhava até os braços. E eu? Não sei, a gente nunca sabe de si. Queria fazer toda essa gente encabular para ver o que faria.

Esse eu sei, endireita o colarinho. E os outros? Lá está uma sirigaita, suada e vermelha, com o cachinho fabricado a papelote desmanchando-se e escorrendo para dentro do olho. E ela dá, de vez em quando, uma soprada, disfarçada... Ah, ah, ah...
- Está falando sozinha? - perguntou vovó.

Acordei. Voltei ao mundo e tornei a olhar para tudo, com os olhos cheios de mágoa e... d'água também, por certo.

Autor(a): Magdalena Léa

 

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