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LIVROS / FEIA

CAPÍTULO VI
publicado em: 21/08/2017 por: Lou Micaldas

"Lúcia continuava no seu joguinho de se deixar admirar e flertar por todos, sem descer, contudo, do pedestal. E não eram poucos os que formavam a sua corte. Só dois pareciam indiferentes à sua atração: Rui e Luís."

Vieram as domingueiras, e vieram as primas.

O casarão modificara-se. Ele que era severo e triste comigo e vovó, agora estava sempre rindo pelas janelas abertas.

Vinham moças, rapazes que, com música e risos, enfeitavam a vida da casa e a minha própria vida.

Como anfitriã, eu tinha muito serviço.

Desde a véspera, vinha fazendo doces e biscoitos para o lanche e me sentia bem paga quando, à mesa, todos elogiavam as coisas gostosas que eu havia feito. Algumas vezes, porém, tia Dudu comentava:

- Estão bons, sim, mas da outra vez estavam melhores.

Eu pensava então que, da outra vez, ela havia dito a mesma coisa. Mas o amargo de suas palavras não dava decerto para amargar o doce, e todos comiam com prazer.

Enquanto dançavam, eu me distribuía, multiplicando-me em mil afazeres pela casa toda: receber os que chegavam, tomar-lhes os chapéus e bolsas; arrumar a mesa para que nada faltasse, dar uma olhada na copa e provar os refrescos.

Nessas idas e vindas, dava um pulinho à sala. Uma palavrinha daqui e dali, e era tudo, até que o lanche fosse servido.

Depois disso, sim, estava livre e, muitas vezes, ia para o piano e tocava tudo o que me pediam, de ouvido, emendando as músicas, sem dar tempo a que parassem de dançar. Tocava em compasso de samba o que fosse valsa ou tango e vice-versa; em seguida corria o polegar, de princípio a fim, pelo teclado, numa escala doida.

Ficavam animados com este baticum maluco e faziam uma gritaria infernal, acompanhando o "Zé Pereira" batendo com os pés no chão. E eu dava-lhes uma surra de piano. Era então difícil deixar a banqueta.

Mas às vezes a algazarra se interrompia e Flora, uma colega de Lúcia, pegava o violão e cantava com sua doce voz:
"Ai Ioiô, eu nasci pra sofrê,
Fui oiá pra ocê,
meus oinho fechô..."

Eu a observava e bem que me parecia que ela olhava para Rui e fechava os "oinho".

Faltava pouco para o carnaval, e já combinávamos as fantasias, corsos, bailes. Tia Dudu não perdia domingo. Vinha com as filhas, e quase sempre dormiam, só voltando no dia seguinte para Niterói.

Tia Clara retornara à Bahia com o marido, mas Luís ficara. Pretendia abrir escritório.

Rui também não faltava às domingueiras. Morava num hotel no Flamengo desde que se formara e tinha um consultório na cidade.

Corriam animados os dias, e eu, assim arrastada pelo prazer de todos, me sentia feliz.

Luís era, em tudo, um bom amigo. Perto dele a gente estava à vontade. E talvez ele fosse a única pessoa nesse mundo que conhecesse um pouco da minha alma. Enquanto conversávamos, seus olhos me pareciam duas verrumas parafusando meus pensamentos.

Certa vez perguntou-me:

- Você não vai nunca à missa; por quê?

- Não tenho tempo... não sabe que sou eu quem dirige a casa? - respondi meio gaga.

- Lúcia vai... eu a vejo sempre na Igreja de São Francisco Xavier...

- Pois é, Lúcia vai, mas eu não posso, tenho sempre tanto que fazer... domingo, então... e agora estas festinhas...

Ele só olhava, e esse olhar que me trespassava me inibia.

Acrescentei meio irritada:

- Não tenho tempo... Luís.

- Chega, chega. Não pense que me ilude. Dizer que não vai à missa por falta de tempo...

Perguntei para desviá-lo:

- E você, vai sempre?

- Todos os domingos. Marta, eu sou religioso. Você não imagina como gosto das igrejas! A música de órgão, o canto suave, o cheiro de incenso, são coisas que mexem com a minha sensibilidade.

- Eu não tenho fé, Luís - disse de um impulso.

- É sério isso? E quem fez você perdê-la?

- Ninguém me fez perdê-la; eu a perdi sozinha, nem sei quando, nem o porquê.

- É incrível - disse, pensativo; e acrescentou, sublinhando as palavras: - Educada em colégio de freiras!

- Pois é...

- Mas, no colégio, acreditava, não?

- Decerto. Lá eu acreditava em tudo: nas pessoas, nas coisas... era criança - acrescentei sorrindo.

- Mas o que é que você pensa agora?

- Que isso não é conversa para domingueiras. Vamos ao lanche?

Na mesa eu pensava: por que tinha dito aquilo? Devia ter guardado comigo. Agora ele talvez me achasse má. Em geral, são desprezadas as mulheres sem religião. Tinha até a impressão de que, quando diziam sem religião, era como se dissessem sem honra.

Lembrava-me de que vovó sempre dizia: "A mulher deve ser religiosa e chorona." Duas coisas que não sabia ser. As lágrimas nunca me correram fáceis, e procuro Deus por toda parte e não O encontro. Mas para que dizer isso a alguém? Há segredos que parecem não caber dentro da gente. Que iria meu primo pensar de mim?

Certamente não diria nada a ninguém, era tão camarada, tão discreto... mas eu daria anos de minha vida para não lhe ter dito nada.

Do outro lado da mesa, ele me observava, e quando nossos olhos se encontraram, vi que era compreendida.

Servia a todos maquinalmente. Meu pensamento, longe, voejava em torno do que será sempre um mistério para a inteligência do homem. Luís havia de pensar que eu era uma tola, que talvez quisesse resolver com a minha inteligenciazinha de minhoca o grande problema universal.

Teria sido exata em dizer que não tinha fé? Talvez fosse mais certo dizer que duvidava. E desde quando? Desde que comecei a indagar: por quê? Como? Ah! Se eu pudesse crer! Crer simplesmente, como uma criança! Deus é um apoio! Deus é uma esperança! No colégio, nos ensinavam a amá-Lo. As orações são feitas de palavras de adoração.

Mas agora, como posso amá-Lo se a dúvida me assalta? Eu suporia amar uma ilusão. Algo que o homem criou para dar finalidade à vida. Vaidoso, o homem. Não se conforma em acabar podre. É preciso que haja um Deus, um céu, um inferno que seja, mas que ao menos não se acabe sordidamente.

- Você não come?

Era vovó ao meu lado, que, com essas palavras, me arrancava da abstração.

Luís chegou-se pedindo-me um pedaço de bolo.

- Marta, não pense tanto; gasta miolo - murmurou; e sua voz tinha um tom carinhoso.

Deixamos a mesa, e ele deu-me o braço, enquanto segredava:

- Viva a vida como ela é, e é tão curta! Valerá a pena pensar na outra?

- Luís, por favor; nem Lúcia nem ninguém sabe disso. Até nem sei como contei a você...
- Muito agradeço então, sua confiança. Claro que não falo à ninguém, mas você promete explicar melhor? Podíamos conversar e, quem sabe, esclarecemos alguma coisa?

- Está bem, está certo, havemos de conversar...

Voltamos à brincadeira, e a tarde passou alegre, de conversas ligeiras, sobre modas, músicas, flertes.

Vera flertava com Tônio. Era ele um tanto baixo e gordinho e não muito novo, mas o rosto irradiava simpatia, e parecia mesmo preso pelos olhos japoneses de Verinha. Tia Dulce rodava como uma perua em torno deles, para apertar o cerco. Era ridículo como gabava a filha a torto e a direito, e tão ocupada se achava em arrumar aquela que até se havia esquecido da outra.

Lúcia continuava no seu joguinho de se deixar admirar e flertar por todos, sem descer, contudo, do pedestal. E não eram poucos os que formavam a sua corte. Só dois pareciam indiferentes à sua atração: Rui e Luís.

Eu gostava de observar os flertes de todos e, algumas vezes, pensei que acertava em achar o de Rui. Via-o conversar bastante com Flora, a coleguinha de Lúcia que tocava violão, que gostava de músicas românticas e tinha uma voz tão doce, tão meiga:

"Era meu lindo jangadeiro de olhos da cor verde do mar..."

E o "jangadeiro" Rui tinha de fato os olhos verde-mar.

Eu os vinha observando e, às vezes, chegava a pensar
- achei. Mas depois via-o desinteressado, conversando com outras, sem sequer olhar para ela. Outras também, e interessantes como essa, me fizeram pensar que acertava, mas a todas ele deixava, indiferente.

É que tinha para com todo o mundo, e até com vovó, um modo de conversar tão cheio de atenção, como se bebesse as palavras, e seus olhos envolventes davam-nos um banho de verde.

Era assim que, decerto, ouvia seus clientes no consultório, e com esta atenção havia de angariar toda a confiança, a espécie de confiança ilimitada que os infelizes precisam ter em seu médico, para suportarem a dor, o sofrimento, o horror da morte. Era este meu primo o médico nato. A vocação.

Mas os pares iam-se formando. Lourdes apenas esperava que seu namorado recebesse a espada de guarda-marinha para ficar noiva, e também adiantados estavam Vera e Tônio, o que fazia minha tia delirar. De fato, o rapaz era um bom partido. Boa família, bem colocado e nem lhe faltava dinheiro.

Também, já que tanto mal disse delas, preciso esclarecer que Vera era boa moça, muito educada, muito delicada. Ruborizava facilmente, o que fazia o enlevo dos homens, em geral, e o de Tônio, em particular. Era algum tanto instruída e teria dote, com certeza, e tia Dulce, sem nenhuma delicadeza, já o havia anunciado.

Creio que ainda não disse nada do marido de minha tia, ou, se disse, foi muito pouco, mas ele merece aqui algumas linhas. Boa e afável criatura, o tio Carlos. Gordo, barrigudo, tinha sempre um cansaço de quem subira apressado uma ladeira íngreme. Era como massa mole na mão de mulher. Dele, por certo, as filhas tinham herdado aquele ar submisso, aquele jeito de dizer amém a tudo quanto a mãe fazia ou dizia.

Às vezes eu pensava que deviam ser trocados os casais. Que aquela boa criatura estaria melhor com o gênio agradável de tia Clara. E o que seria do casal tia Dulce azeda com o urubu velho que era o tio Afonso?

Não, eu me convencia, tudo estava mesmo certo. A errada era eu.

Além das domingueiras, ainda a semana toda era de passeios, visitas e festinhas em outras casas, aos quais eu já não ia, deixando que Lúcia fosse, em companhia das amigas. Mas preocupava-me aquele seu modo de viver, só em festas e passeios, cheia de flertes. À noite, na cama, conversávamos algumas vezes. A luz apagada, eu ouvia o murmúrio indistinto de suas orações; depois, o silêncio.

Logo em seguida, a sua voz cheia de interesse:

- Marta, está acordada?

- Estou.

E ela começava a relatar, um por um, todos os seus sucessos.

Sentia-lhe o orgulho, a vaidade na voz. Assim, na sombra, onde eu não podia pisar-lhe a fisionomia, sua voz crescia em expressão, e eu já lhe conhecia as tonalidades.

Eu admirava como era hábil em fazer morrer qualquer conversa que não lhe dissesse respeito. Não se interessava por nenhum assunto em que não fosse ela a razão. Estava se tornando, a meu ver, um monstro de egoísmo e vaidade.

Como estavam estragando aquela menina, com tantos mimos e elogios! Em verdade, já em criança, havia este egocentrismo, embora tímido, mas agora isso crescia assustadoramente, exacerbava-se, e era preciso que alguém lhe falasse. E quem, senão eu, a irmã mais velha, a que tantas vezes ela havia chamado de mãe?

Uma noite, deixei-a falar, enquanto, com o pensamento longe, buscava palavras meigas com que amenizar o "pito".

- Amanhã - dizia ela - vou sair com a Lourdes. Há um campeonato na Escola Naval. O namorado dela tem um primo, também aspirante, que pediu para me levarem.

Fomos apresentados anteontem, na cidade, e já está ficando apaixonado, imagine. Sabe o que foi que ele disse? Que eu era a moça mais bonita que ele já viu - e ria. - Mas não é absolutamente o meu tipo, Marta. Tem tanta espinha na cara! Creio que sem isso ficaria mais atraente... E que farda linda! Ah! Marta, veja se dá um jeitinho no meu chapéu verde. Você tem tanto gosto! Aquele meu chapeuzinho vermelho, de palha, ficou um amor...

"Eu", "eu", "eu", "meu"... puro narcisismo.

E foi então que falei:

- Lúcia, acho que você... quero dizer... Há tempos que venho querendo lhe falar... Mas, o que quero dizer é que você anda se excedendo; e eu não aprecio... não acho bom como você faz. Penso que está se pertindo demais... parece fútil, leviana! Você sabe que eu só quero o seu bem. Sou mais velha... sou como sua mãe...

Silêncio.

Continuei:
- Gostaria de ver você se interessar por outras coisas... coisas que tivessem valor e não fossem tão frívolas...

Silêncio.

- Eu não estou gostando dos seus modos - acrescentei meio áspera, por causa do silêncio dela, que tomei como malcriação.

- Por quê? - perguntou num tom seco.

- Porque... ora Lúcia, você bem vê que só pensa e só faz pertir-se. A vida não se resume nisso. Vai viver sempre assim em festas, campeonatos, cinemas, teatros e dança aqui, dança ali, pão-de-ló de toda festa? Pensa que os rapazes apreciam isso? Acho que você devia se refrear um pouco, ser mais comedida.

Ela estava calada, e, na escuridão, eu não podia ver-lhe a expressão do rosto. Estaria zangada? Eu nunca a censurava; estava sempre admirando-lhe as graças e os encantos.

Era, pois, também culpada. Passava a limpo o meu discurso para ver se havia dito algo de ofensivo. Não; não tinha dito nada de mau, mas já estava arrependida de ter falado.

Era uma fraqueza minha, desde criança, não podia ver Lúcia aborrecida e triste, por isso curvava-me, sempre, a todos os seus caprichos.

- Está dormindo? - perguntei docemente.

- Não... estou mastigando o seu sermão.

- Não, não é sermão, meu bem. Procure compreender...

- Não há nada que compreender, você falou bem claro. Está me achando sem modos, fútil, leviana, que mais? Frívola, namoradeira... no entanto, duvido que apontem um namorado meu. Só faço é me pertir. Não vejo mal nenhum nisso. Você é que é "choca". Nem parece que é moça, não faz diferença nenhuma de vovó...

- Espere, Lúcia, eu não quero que você se pareça comigo. Sou outra pessoa. Tenho gênio diferente, penso de outro modo, tenho outros interesses. Gosto que você passeie, se pirta, mas não assim, sem descanso. Alimentando tantos flertes... Você diz que não tem namorado, mas deixa-se namorar por todos, não é a mesma coisa?

- Todos, não... Luís e Rui não me namoram.

- Por quê?

- Ora... sei lá? Luís está sempre pilheriando... e, além disso, ele prefere você. E Rui, não sei, não o entendo; ele me olha como se eu fosse de vidro transparente, querendo ver dentro de mim e, quando fala, é cheio de ironias e segundas intenções...

- Quer dizer que você lamenta não ter mais esses dois?

Irritada, gritou: - Não lamento nada! Eles não me interessam, não me interesso por ninguém! Só quero viver, não faço mal a ninguém!

- Pois viva. Passeie e pirta-se dentro de uma certa medida. As outras moças pertem-se, mas não têm tantos flertes...

- Nem todas podem... - disse ela, e havia um tom sarcástico em sua voz.

"Nem todas podem..." aquilo me ficou cantando no ouvido.

Decerto, "eu" não podia. Teria dito Lúcia essa maldade para mim?

Não tinha a sua beleza, a sua graça, os seus encantos... Não, não podia ser. Com certeza referiu-se às outras, que não eu. Ela, melhor do que ninguém, sabia quem eu era, como eu era. Que jamais invejei sua beleza; era, antes, sua maior admiradora. Ela sabia, devia saber quanto eu a estimava e que só falara para seu bem. Bem?

Saberia eu o que era "bem"? Estaria Lúcia errada? Ela ou eu? Eu, que tudo levava a sério, e sentia e sofria na carne as menores coisas, ou ela, que se pertia e encarava a vida com o descaso que a vida bem merece? "A vida é curta, Marta, e é preciso aproveitar..." dissera ela, certa vez. Aproveitar de que modo? Rindo e brincando, ou pesando e medindo cada coisa?

Ela era bonita, alegre, querida. Para mim ficassem as regras e as medidas.

Quantas vezes, contemplando-a embevecida na perfeição de seu corpo, no encanto que emanava de toda a sua pessoa, pensava com amargura: "Por que me fizeram irmã dela?" "Por que a natureza se compraz em criar contrastes?" Se eu tivesse nascido em outra casa, de outra gente, talvez não me sentisse infeliz por ser feia. Mas em toda parte a que íamos, lá estávamos as duas, para a comparação tão pouco caridosa do mundo. Eu apinhava em cada olhar, em cada gesto, o espanto que causava a nossa diferença flagrante.

E eu mordia o meu despeito, e recalcava o ódio que tinha a essas situações. Era por isso que não gostava de sair, e de sair com Lúcia. Preferia os trabalhos de casa a ir com ela exibindo essa estúpida pilhéria da natureza. E me escondia, fugia para que não me apontassem: "Olhem como a irmã de Lúcia é feia!"

Não era inveja. Era pudor.

Lúcia dormia, já fazia tempo, e eu estava ali remoendo aquilo, apalpando sadicamente as minhas feridas.

Lembrei-me, então, do último domingo em que Lúcia, de vestido branco, apareceu na sala onde já se achavam algumas pessoas. O cabelo, em ondas douradas, contornava-lhe o rosto, onde o calor da tarde punha um tom de maçã madura. E Vera havia dito:

- Que bonita você está, Lúcia!

- Ora, Vera, tirando de você para me dar? - respondeu galante.

- De mim? - retrucou Vera - Só queria ter o seu rosto, para um dia de festa.

Eu arrumava a mesa e pensei: que bom se isso fosse possível. Que nossas cabeças fossem aparafusadas no pescoço e eu pudesse pedir emprestada uma bem bonita, para ir a uma festa. Mas só que tem que a outra teria de ficar com a minha cara feia para toda a vida, pois sei lá se eu a destrocava? E havia de ter muita graça, ela correndo atrás de mim:

- Quero minha cabeça, me dá minha cabeça!

Todos já tinham deixado a sala e eu estava sozinha quando comecei a rir alto. Carola, entrando, me apanhou:

- Que é isso, menina, rindo aqui, sem ninguém?

- Mas se eu estou rindo é de mim! - respondi.

Autor(a): Magdalena Léa

 

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