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Dona Elvira foi a primeira mulher a usar calças compridas em Curitiba
— Foto: Reprodução/RPC

'Na Rua XV, paravam e ficavam olhando pra gente', contou a paranaense que lutou pelos diretos das mulheres em um tempo que era preciso ainda mais coragem para enfrentar o machismo e os privilégios masculinos.

Com 104 anos, Dona Elvira Kenski relembrou como foi ser a primeira mulher a usar calças compridas em Curitiba – na década de 40. A paranaense lutou pelos diretos das mulheres em um tempo que era preciso ainda mais coragem para enfrentar o machismo e os privilégios masculinos.

"Na Rua XV, paravam e ficavam olhando pra gente", afirmou.

Na época, comprou duas calças em São Paulo. Era a última moda em Paris. Ao voltar para a capital paranaense, ela contou que foi com uma amiga passear no Centro. "Não tava fazendo nada de mal. Eu tava fazendo umas coisas bem modernas, né?".

Histórias das décadas de 30 e de 40

Ao encontrar com a equipe de reportagem da RPC, Dona Elvira falou sobre as histórias que viveu nas décadas de 30 e de 40. Nos anos 30, entrou na faculdade de odontologia. Dona Elvira disse que, durante um ano, ninguém conversou com ela.

Dona Elvira fez faculdade de odontologia nos anos 30 — Foto: Reprodução/RPC

"Eu fui me inscrever na faculdade. Ficamos num grupo, uma fileira. E era só eu. O rapaz da frente começou a conversar comigo. Eu a única em 30 e poucos lá. O de cima, o de baixo falava comigo, o de cima chegou e falou assim: 'não fale com ela! Porque ela é polaca, você está vendo que ela é mulher, além disso ela é polaca, além disso o pai dela é operário", disse.

Dona Elvira lembrou ainda no dia em que foi dar um cheque, depois de ter se casado, e descobriu que precisava da assinatura do marido, para que fosse aceito: "Eu fiquei tão brava".

Ela também contou sobre uma situação em que ergueu a voz, depois de ouvir um homem lhe falar um comentário inapropriado no Centro de Curitiba.

"Um rapaz mexeu comigo e me disse umas coisas bem feias. E eu parei. Eu entrei no meio deles. Eu disse: 'Quem foi que disse umas coisas pra mim? Ah, foi você? Você tem mãe, você tem irmãs? Coitadas! Os senhores têm todos os direitos, todas as coisas, e nós nada! E eu tenho um curso igualzinho aos dos senhores na universidade. Os senhores podem fazer a sua vida... E nós não temos direitos, os direitos que os senhores têm. Então, a nossa luta não é contra os senhores, é contra os seus direitos que nós também queremos iguais aos seus".

Caminho a percorrer

Daquela época até os dias de hoje, algumas coisas já mudaram, mas números mostram que há uma caminho a percorrer na luta pela igualdade. De acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, o salário médio pago às mulheres foi apenas 77,5% do que foi pago aos homens.

Hoje, as mulheres votam. Porém, ainda é preciso ter mais representatividade. As mulheres são apenas cinco entre os 54 deputados estaduais. Das 30 vagas paranaenses no congresso, cinco são ocupadas por mulheres.

Autor(a): Ana Zimermann, RPC Curitiba
Fonte: g1.globo.com
Colaborador(a): Loreta Sbarra

 

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