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Há certa pompa até no nome do compositor e poeta maranhense Catulo da Paixão Cearense (8 de outubro de 1863 – 10 de maio de 1946), criador de músicas líricas e/ou brejeiras que traduziram a alma do homem do sertão brasileiro no fim do século XIX e início do século XX. Com capa assinada pelo ilustrador Elifas Andreato, grife da indústria brasileira do disco, o álbum A paixão segundo Catulo chega ao mercado fonográfico neste mês de março de 2018 pelo Selo Sesc com o registro de 15 números – gravados no estúdio carioca Radamés Gnattali entre setembro e outubro de 2017 – do ciclo de quatro shows idealizados pelo músico Mário Sève e apresentados na cidade do Rio de Janeiro (RJ) entre março e abril de 2016, sob direção do próprio Sève.

Intitulado A paixão segundo Catulo – Um olhar sobre a modinha e a canção brasileira, o ciclo de shows reuniu elenco formado pelos cantores Alfredo Del-Penho, Carol Saboya, Claudio Nucci, Joyce Moreno, Leila Pinheiro, Lui Coimbra, Mariana Baltar e Rodrigo Maranhão. Reverente à arquitetura do cancioneiro do Poeta do sertão, o disco A paixão segundo Catulo mostra que a obra do compositor vai muito além de algumas famosas obras-primas.

Entre as músicas mais conhecidas do compositor, há o choro Flor amorosa (Joaquim Antonio da Silva Callado e Catulo da Paixão Cearense, 1880), a dolente canção Ontem ao luar (Choro e poesia) (Pedro de Alcântara e Catulo da Paixão Cearense, 1917) – ouvida no CD na voz de Joyce Moreno com o toque lírico da flauta de Mário Sève, arranjador da faixa – e, claro, Luar do sertão (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, 1910), clássico caipira revivido por Claudio Nucci com Mariana Baltar, intérprete solista de Tu passaste por este jardim (Alfredo Dutra e Catulo da Paixão Cearense).

No disco, produzido por Sève, Leila Pinheiro joga luz e técnica sobre Os olhos dela (Irineu de Almeida e Catulo da Paixão Cearense, 1905) – faixa arranjada pela artista somente com o toque do piano da própria Leila, em tom mais distante do universo original do compositor – e a valsa Por que sorris? (Juca Kallut e Catulo da Paixão Cearense), além de abordar o já mencionado choro Flor amorosa em dueto com Rodrigo Maranhão, intérprete dono da voz mais opaca entre o elenco de cantores, como evidencia o pálido registro solo de Talento e formosura (Edmundo Otávio Ferreira e Catulo da Paixão Cearense, 1904).

Bem mais talhado para a arte de cantar, Claudio Nucci acerta o tom buliçoso de O sertanejo enamorado (Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, 1905) e canta Cabocla de Caxangá (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, 1914) com o reforço do coro formado por todas as vozes solistas do disco. Já Carol Saboya reitera a técnica exemplar ao solar a belíssima Você não me dá (Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, 1910) com delicadeza e ao entrar com Lui Coimbra no clima brejeiro de Sertaneja (Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense).

Única música assinada somente por Catulo, a modinha Amenidade (1913), ouvida na voz de Alfredo Del-Penho, é uma das pérolas guardadas no baú deste poeta compositor que tinha mais o dom da palavra do que o da arte de criar melodias. Dono de obra seresteira que totaliza cerca de 150 composições, Catulo deixou cancioneiro que retrata bem o lirismo apaixonado de época marcada por canções compostas e cantadas à flor da pele. O disco A paixão segundo Catulo é bonito retrato dessa obra.

Autor(a): Mauro Ferreira, G1
Fonte: g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/post/cantores-iluminam-obra-lirica-de-catulo-da-paixao-cearense-em-cd-derivado-de-show.ghtml
Colaborador(a): Valéria Marques

 

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