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Para manter as informações em sigilo, o app Rede Óvulo Doação usa um avatar que ajuda a identificar e combinar características em comum

O médico Bruno Scheffer, especialista em reprodução assistida, criou um aplicativo para conectar doadoras e receptoras de óvulos no Brasil. Para manter as informações em sigilo, de acordo com a legislação nacional, o app Rede Óvulo Doação, disponível para Android e IOS, usa um avatar que ajuda a identificar e combinar características em comum. A iniciativa é inédita na medicina mundial e promete ajudar mulheres em todo o Brasil, onde, a cada 20 casais que tentam ter filhos, 8 a 12 apresentam quadro de infertilidade ou dificuldade para engravidar.  

A doação de óvulos é indicada a mulheres que não possuem óvulos ou que têm óvulos de má qualidade. Para usar a ferramenta, as mulheres preenchem um formulário com características físicas e sociais e a partir das informações enviadas é criado um avatar para cada perfil. Ao navegar no aplicativo, a receptora recebe a informação de quantas doadoras se aproximam de suas características e seleciona as que mais lhe agradam. O próximo passo é a marcação da consulta e a escolha. Quem faz esse encontro (match) entre receptora e doadora, seguindo à risca a regulamentação da Anvisa, é o médico, profissional qualificado para isso. Após a seleção de doadora e a receptora, o médico realiza as consultas individualmente com cada uma. 

Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, o médico Bruno Scheffer também teve especialização na Espanha, no mais conceituado centro de reprodução humana do mundo, na Universidade de Valência e no Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI). Ao voltar para o Brasil, em 2003, inaugurou a IBRRA – Instituto Brasileiro de Reprodução Assistida, tendo um currículo extenso no Brasil na assistência a mulheres que desejam ser mães. A criação do aplicativo, para Bruno, irá ajudar mulheres a conquistar seu maior sonho.

— Muitas mulheres que sonham em ser mães precisam de óvulo. Estimo cerca de 25% das mulheres em tratamento. A ideia de criar o aplicativo surgiu para reduzir a burocracia. Mensalmente, as mulheres perdem óvulos naturalmente, dos quais poderiam ser doados. A ideia é aumentar as doações, para melhorar a saúde de todos, já que no processo realizamos todos os exames necessários — explica o médico.

De acordo com regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), publicada em 2017, existem duas maneiras de doar óvulos gametas femininos no Brasil. A primeira é a doação compartilhada, na qual duas mulheres compartilham (uma, a carga genética; a outra compartilha os gastos, parcial ou totalmente). E existe outra forma que é a doação pura, quando a pessoa se oferece espontaneamente para doar. Em ambos os casos, a doação é anônima e não tem caráter comercial. 

Para firmar o acordo, é necessário que doadora e receptora assinem um documento de consentimento informado, obrigatório na área de Medicina, que confere embasamento legal ao acordo entre as partes. Primeiramente, a doadora precisa saber como funciona todo o procedimento, bem como os riscos envolvidos e as leis impostas pelo Conselho Federal de Medicina (como ter menos de 35 anos, fazer todos os exames etc). 

No formulário preenchido pela doadora, é preciso que ela relacione o histórico familiar de doenças pois, caso ela ou algum familiar de primeiro grau tenha diabetes tipo 1, hemofilia, entre outras patologias crônicas, a doação do óvulo é contraindicada. Por fim, a doadora assina esse consentimento.

Em caso de doação pura (espontânea), a receptora custeia todos os exames, os medicamentos e o custo do tratamento. No caso da doação compartilhada, a doadora já está fazendo o tratamento, então ela paga os exames e a receptora paga os medicamentos e, em alguns casos, custeia o tratamento também. Segundo estudos, de todas as mulheres que fazem tratamento, cerca de 50% engravida. Isso já é previsto no consentimento informado, assinado pela receptora. 

Colaborador(a): Camila Acatauassú Xavier - www.approach.com.br

 

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