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INFORMAÇÃO / FIQUE POR DENTRO

Mostra no Oi Futuro é primeiro evento do Brasil dedicado a histórias em que participar é preciso

RIO — Imagine que você decida ver no computador uma série documental sobre privacidade na web. Logo no início, surge na tela um pedido para você inserir seu email. Pronto. A partir daí, seus dados reais servem como matéria-prima dos episódios. Logo aparecem seu nome, a cidade onde se conectou e até sua operadora de banda larga. Você começa a ser rastreado, hackeado e pesquisado como se vivesse de fato esse pesadelo.

É exatamente isso que acontece quando se assiste ao (ops... interage com o) documentário “Do not track”, do canadense Brett Gaylor. O filme é um representante típico da Narrativa Interativa e Imersiva, gênero que ganha força no mercado audiovisual internacional e também no Brasil. Quer conferir? “Do not track” estará entre as atrações da Mostra BUG + BUG Lab, o primeiro evento dedicado exclusivamente a narrativas interativas, imersivas e transmídia realizado no Brasil, de 14 de agosto a 9 de setembro, no Oi Futuro do Flamengo.

O evento reúne obras diversas, mas a proposta é a mesma: o espectador deixa de ser passivo e mergulha na narrativa, escolhendo como consumir a obra. “Assistir” será mesmo um verbo do passado.

Narrativas interativas e imersivas são como bebês de proveta. São filhas do CD-ROM com o videogame, mas também com a navegação web, os mapas digitais, os aplicativos mobile, a performance... Precisamente como mostra o vídeo “Historia del Documental Interactivo”, de Arnau Gifreu, do Open Documentary Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Ô DA POLTRONA

Elas podem tomar a forma de webdocumentários (os web docs) ou documentários interativos (I-DOCs). Também podem ser vídeos em 360°, animações em realidade virtual e narrativas em realidade aumentada. Ou ainda mapas sonoros e instalações transmídia em qualquer suporte, com ou sem óculos 3D.

De olho nisso, grandes festivais de cinema como Berlim, Veneza, Sundance e Tribeca também terão mostras e eventos de mercado exclusivos para as novíssimas fronteiras do storytelling, cruzamento do cinema com arte e cultura da interface.

Enquanto isso, investidores como o canadense National Film Board e o canal francês Arte financiam projetos na área. E universidades no hemisfério norte criam laboratórios para o desenvolvimento de ferramentas e narrativas ainda mais ousadas. Preparado para levantar da poltrona?

— As novas narrativas transformaram a recepção em experiência física. O espectador renasce como “interator”, por conta de sua interatividade. E ele precisa ir além das interfaces para acessar o conteúdo, deixar sua zona de conforto. Se não se mexer, nada acontece. Nem a obra original é exibida — diz André Paz, coordenador da Mostra BUG e do BUG Lab.

Mas será que o meio determina a experiência? Ler um livro isolado e em silêncio parece combinar mais com reflexão do que entrar numa sala escura com um headset e sofrer uma overdose de estímulos. Para Antônio Xerxenesky, autor dos romances “F” e “As perguntas” e doutorando em teoria literária pela USP, esse raciocínio não é necessariamente verdadeiro:

— Veja os games. Há muita coisa interessante sendo feita, e eles mal começaram a explorar as possibilidades de contar uma história. Assim como no cinema temos “Transformers 7” e filmes independentes, nos games há tanto títulos de tiroteio quanto jogos de autor, com propostas narrativas ousadas.

Xerxenesky, que dá cursos sobre narrativas interativas e literatura, cita “Spec Ops — The line”, jogo de guerra com ênfase no sofrimento das vítimas, e “Paper’s please”, em que o jogador lida com dilemas morais ao patrulhar a fronteira de um país totalitário.

Mais recentemente, houve até a emergência do gênero walking simulator (“simulador de caminhada”), termo que começou como piada mas foi apropriado pelos criadores de jogos em que não há um objetivo claro: você caminha, interage e controla sua versão da história.

— Imersão não é tudo, mas é muito interessante — diz o escritor. — No mais, não dá para pensar em antagonismo. Velhas e novas narrativas são complementares. Rival é o Facebook, onde você perde tempo e não tem nem reflexão nem experiência marcante.

UM NEGÓCIO DE US$ 80 BI

Imersão parece mesmo ser a palavra da vez. E o banco de investimentos Goldman Sachs já prevê que o negócio da realidade virtual valerá US$ 80 bilhões em 2025.

Sempre atento, Steven Spielberg lançou neste ano o filme “Jogador número 1”, uma fantasia futurista que explora o tema da virtualidade. E faturou US$ 580 milhões pelo mundo. No lançamento, o cineasta disse ao GLOBO:

— Penso nos meus filhos e naquilo a que eles terão acesso. Elas poderão inventar o impossível. Mas precisamos refletir: universos digitais saem da cabeça de gente real, com idiossincrasias e imperfeições.

* Colaboraram Eduardo Graça e Emiliano Urbim

CONFIRA ALGUMAS ATRAÇÕES

My Africa" (2018)

Categoria: Realidade Virtual

Duração da experiência: 9 minutos 

Classificação etária: Livre

Site: www.conservacao.org.br/myafrica

Produção: Passion Planet e Vision3

Países: Brasil e Quênia 

My Africa é um filme em realidade virtual em meio ao Santuário de Elefantes Reteti, no Quênia, primeiro caso de uma instituição criada e gerenciada por uma comunidade local. A história é narrada pela jovem Naltwasha Leripe, que conduz o participante em uma experiência imersiva no dia a dia do povo Samburu, retratando as maneiras que encontram para garantir o próprio sustento e a sobrevivência dos animais que se encontram no território – há o registro, por exemplo, do resgate de um elefante das mãos de caçadores.

Highrise: Out My Window (2010)Categoria: Documentário Interativo

Duração da experiência: Indeterminada

Classificação etária: 10 anos

Site: www.outmywindow.nfb.ca

Produção: National Film Board of Canada (NFB)

País: Canadá

Fla da vida urbana por meio de pessoas que habitam arranha-céus e observam o mundo de suas janelas. As 49 histórias vindas de 13 cidades ao redor do planeta e relatadas em suas línguas nativas compõem um trabalho que trata do poder de indivíduos e de núcleos comunitários em dar sentido a vidas imersas em gigantescas torres residenciais de concreto.

Zero Days VR (2017)

Categora: Realidade Virtual

Duração da experiência: 21 minutos

Classificação etária: Livre

Site: www.zerodaysvr.com

Produção: Scatter

País: EUA

Zero Days VR é a versão em realidade virtual do premiado curta-metragem de mesmo nome. A história gira em torno do vírus Stuxnet, considerado a primeira arma cibernética do mundo capaz de causar danos físicos no mundo real. O participante experimenta o mundo invisível da guerra cibernética da perspectiva do vírus, projetado pelos EUA e Israel e enviado em uma missão clandestina para sabotar uma instalação nuclear iraniana subterrânea.

Autor(a): Rosane Serro
Fonte: oglobo.globo.com/cultura/novas-narrativas-interativas-imersivas-trocam-espectador-por-interator-22948152
Colaborador(a): Eugenio

 

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