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PINTORES COM A BOCA E OS PÉS TÊM SUAS OBRAS EXPOSTAS PELO MUNDO
publicado em: 05/03/2018 por: Lou Micaldas

O artista plástico, jornalista e palestrante Luciano Alves pinta com a boca desde a adolescência e fez sua primeira exposição internacional em 2009, em Buenos Aires | Antonio Scorza

Para o artista plástico Luciano Alves, a arte é uma ferramenta de libertação. A partir dela, ele se transporta para mundos novos e não percebe as limitações de seu corpo. Alves, que também é jornalista, ficou tetraplégico aos 15 anos, quando sofreu uma lesão medular ao mergulhar na praia do Arpoador e cair em uma pedra. Durante uma sessão de terapia ocupacional pouco tempo depois do acidente, ele experimentou usar a boca para pintar. Deu certo. Hoje com 31 anos, já expôs suas obras em diversos países, como a Argentina:

— Estava internado para reabilitação e continuei pintando como hobby. Um dia, um médico viu um quadro meu e perguntou quanto custava. Ali comecei a vislumbrar a arte como profissão.

O artista plástico é um dos bolsistas da Associação de Pintores com a Boca e os Pés (APBP), instituição com sede na Suíça. Os artistas associados recebem uma bolsa mensal, o que viabiliza a compra de material, o investimento em capacitação e também ajuda na rotina financeira. Os bolsistas não têm o movimento das mãos — podem ter nascido com uma deficiência ou tê-la adquirido ao longo da vida.

No caso de Daniela Caburro, a falta de movimentos nos membros se deu por conta da poliomelite que teve aos 8 meses de idade e a deixou tetraplégica.

— Pelas pinceladas, passo a ter os movimentos que na vida real eu não tenho. Quando pinto uma bailarina, estou dançando com ela. Ao pintar um cavalo, sinto a liberdade dele. É um sonho de criança. Desde a minha entrada na associação, em 2004, tenho tranquilidade financeira para pintar — observa a artista plástica de São Carlos, no interior de São Paulo, que pinta com a boca.

Venda de cartões e calendários

Daniela começou sua trajetória na pintura aos 23. O início de aprendizagem e adaptação foi marcado por dificuldades. Como pintava sem proteção, uma ferida se formou no céu da boca. Por coincidência, uma dentista também fazia parte da classe de pintura. Depois de perceber o problema, ela desenvolveu um dispositivo bucal exclusivo.

— Eu segurava o pincel entre os dentes e apoiava a ponta no céu da boca. Isso gerou um machucado sério, o que me deixou desesperada porque eu não podia parar de pintar. O dispositivo encaixa nos dentes e tem um tubinho de alumínio, onde encaixo o pincel. Uso para pintar e digitar no computador — explica Daniela.

Membro da APBP, Marcelo Cunha, que participa das decisões da instituição, explica que a associação vive basicamente da venda de cartões e calendários que são estampados com as obras dos artistas. Os produtos são enviados duas vezes por ano aos clientes.

— A APBP tem transformado a vida desses artistas. Todos recebem uma bolsa que possibilita não só crescimento como artista, mas inserção social de forma digna — afirma Cunha, que é escritor, palestrante e artista plástico. 

Ele ficou tetraplégico em 1991, aos 21 anos, ao bater a cabeça em um mergulho numa cachoeira. Antes do acidente, era desenhista gráfico. Continuar desenhando e começar a pintar foi uma mera questão de adaptação.

— Ao ver uma reportagem sobre pintura com a boca, comecei a tentar. E nunca mais parei. Em 1997, fiz minha primeira exposição — diz ele, que explica o papel da instituição. — Ela não quer funcionar de forma paternalista. Não é ajudar por ajudar. O artista precisa ter qualidade técnica, para que a associação possa avaliar se ele vai crescer e para que nossos clientes tenham um material de qualidade. O bolsista passa por uma avaliação a cada três anos. 

A APBP organiza periodicamente exposições com obras de seus artistas, reunindo de 150 a 200 trabalhos. 

Autor(a): Ana Paula Blower
Fonte: blogs.oglobo.globo.com/to-dentro/post/pintores-com-boca-e-os-pes-tem-suas-obras-expostas-pelo-mundo.html

 

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