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Por trás de diversos produtos, há uma quantidade da bebida bem maior do que a gente, muitas vezes, imagina. É possível reverter isso?

A importância da economia de água discutida intensamente nesta quinta-feira, dia 22, quando celebramos o Dia Mundial da Água, já é, há muitos anos, uma realidade na vida de milhões de brasileiros. No entanto, o gasto desse recurso precioso não fica somente dentro de nosso território: ele ultrapassa nossas fronteiras por meio da chamada exportação de água virtual – e o Brasil é um dos campeões mundiais nesse quesito, segundo a Water Footprint Network, rede criada com objetivo de resolver as crises de água do mundo.

Mas, afinal, o que significa isso? Como e por que estamos enviando tanta água para fora? A resposta pode estar bem no seu prato. Muita gente nem imagina, mas, segundo a Water Footprint Network, para que um quilo de carne bovina seja produzido, são necessários cerca de 15.415 litros de água. Uma simples xícara de café de 125 ml tem por trás o consumo de 132 litros desse líquido e um quilo de açúcar da cana leva junto a ele mais 1.782 litros, ou seja: a nossa água vai embutida (daí o nome virtual) e, dada à natureza dos produtos exportados pelo país, fica fácil entender por que somos destaque no assunto.

“O Brasil é um dos principais exportadores de produtos agropecuários. Exportamos uma grande quantidade de água, mas que geralmente não está contabilizada. Cobramos só pelo produto final. Temos de pensar a respeito do que estamos fazendo com os nossos recursos. Ainda não existe uma definição sobre o tema e a respeito das ações que devem haver em relação a ele, mas esse pensamento tem se desenvolvido com o intuito de ajudar as pessoas a terem uma maior consciência sobre o consumo”, afirma Ricardo Ojima, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Dia a dia

Mas, afinal, o que pode ser feito, já que a exportação é importante para o Brasil? Se, por um lado, pode ser assustador pensar que em um quilo de carne bovina – que mal dá para um churrasco de domingo – há tantos litros de água embutidos, por outro, nem sempre essa precisa ser a realidade. Isso porque o gasto de recurso hídrico depende muito da forma como a produção de alimentos é realizada. Conforme explica Guilherme Karam, coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, há como mudar esses números.

“É importante aumentar o uso da boa tecnologia já existente, realizar um bom manejo do pasto, cuidar melhor da alimentação do gado. Muitas vezes, as pessoas somente cercam um local e o animal come tudo o que brota. É preciso pensar na lógica do plantio, remanejar o gado para um determinado lugar regenerar”, salienta ele. “Na agricultura, ainda há muita perda de água desde a captação do recurso até a sua utilização. Além disso, nem sempre se observa a aptidão agrícola de um local e, nesse caso, se você quiser fazer tudo superprodutivo, precisará de muita água”, afirma ele.

No caminho

Embora ainda haja muito o que melhorar para diminuir a exportação de água virtual realizada pelo Brasil, de acordo com Ricardo Novaes, especialista em Recursos Hídricos do WWF-Brasil, a agricultura e a pecuária do país ainda estão mais avançadas quando comparadas a alguns países da Europa, por exemplo. “Os setores envolvidos têm toda uma percepção dessa questão, o que nem sempre acontece com quem mora nas grandes cidades”, salienta.

Por isso, de acordo com o profissional, não se pode tratar os segmentos como os grandes vilões da história – afinal de contas, as pessoas que estão na ponta também precisam ter consciência daquilo que precisa ser enfrentado. “Algo que talvez possa ser realizado é incorporar o valor da água no preço do produto, já que há muitos alimentos que são mais fáceis de serem produzidos no país, por termos recursos para isso. Valorizar quem faz direito e penalizar quem age de maneira errada também é um caminho”, finaliza.

Autor(a): Juliana Siqueira
Fonte: Jornal O Tempo

 

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