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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

ANA ARRUDA CALLADO
publicado em: 06/01/2016 por: Netty Macedo

"Hoje, eu não conheço ninguém que acredite que vai melhorar o mundo com a sua ação e nem sei se estão interessados nisso. Nós queríamos melhorar o mundo, queríamos acabar com o analfabetismo, com a pobreza."

Matéria publicada em 17/12/2004

Em 19 de maio de 1937, no bairro de Apipucos em Recife, Pernambuco, nasceu Ana, a décima segunda filha do casal Eloísa Araújo e José Arruda Albuquerque.(foto)

A menina que conheci em 1959, trabalhando como repórter do Jornal do Brasil, é hoje a conceituada Ana Arruda Calado: jornalista, escritora, professora universitária, Conselheira da Associação Brasileira de Imprensa e membro do Pen Clube do Brasil.

Ela abriu sua casa em Botafogo, pra nos conceder esta entrevista. Foi um feliz reencontro que divido com vocês.

LOU: Conte-me dos fatos mais marcantes de sua vida desde pequenininha.
ANA: Bom, eu nasci em Recife, numa família gigantesca, pernambucana, e fui a décima segunda filha. Éramos 15 irmãos. Em Recife tive uma infância muito feliz, porque não precisávamos de nada. Em casa já tinha tudo, muita gente, diversidade muito grande... Eu sempre digo que a família grande educa muito a gente, porque você já tem ali uma sociedade inteira representada. E, ali, você se socializa naturalmente desde muito pequena, tem as irmãs mais velhas que ficam um pouco de segundas mães, enfim...

LOU: Quando você se mudou pro Rio de Janeiro?
ANA: Vim para o Rio com 7 anos, (pouco antes de fazer 8 anos), no final da 2ª Guerra Mundial. Viemos num avião da FAB com aqueles bancos de metal de carregar soldado. Muito engraçado. Porque a família era grande, precisava vir pra cá, e não havia possibilidade de dinheiro para avião comum. Então, a FAB colocou-o à disposição do meu pai, que era funcionário do Ministério da Agricultura e tinha sido requisitado para trabalhar no Rio. Agora, o que foi deslumbrante foi o seguinte: nós vínhamos pra onde?

Meu pai disse ao Ministro da Agricultura que não poderia trazer a família, porque o salário do Ministério não dava pra ele alugar uma casa no Rio pra abrigar a vasta família. E o Ministro disse: "- Pode vir, que eu arrumo uma casa." E nós fomos morar dentro do Jardim Botânico, numa casa de propriedade do Ministério da Agricultura. Esta foi a minha primeira casa no Rio. Um deslumbramento! Isto pra mim, que estava sofrendo muito (chorei muito no avião, porque achava horrível, ... que horror! Não quero largar minha casa, não quero largar Recife). Mas quando eu vi a casa que tinham dado pra gente: aquele Jardim Botânico inteiro , meu quintal, aí parou a saudade de Recife.

LOU: Que sonho! Morar naquele paraíso...
ANA: Não foi muito tempo. Depois fomos pra uma fazenda, porque o meu pai tinha mania de ser fazendeiro e nunca conseguiu porque não tinha dinheiro suficiente. Mas sempre tinha uma fazendinha. Tinha uma em Pernambuco, que eu não lembro. Não cheguei a conhecer, porque era muito pequena e aqui no Rio ele adquiriu uma em Araruama. Da casa do Jardim Botânico, nós fomos pra Araruama, com uma professora que ele tinha contratado em Recife, pra preparar pro exame de Admissão. Que antigamente tinha isso: exame de Admissão! Era um vestibularzinho horroroso...Foi outro momento maravilhoso porque essa professora preparou duas das minhas irmãs para o exame de Admissão. Eu ainda não tinha idade, mas, de xereta, assistia todas as aulas. Quando a professora foi embora pra Pernambuco, disse: "- Olha, Ana está pronta. É só fazer manutenção neste ano, que ela tem que esperar pra ter idade." Então, eu passei um ano na fazenda sem fazer nada, brincando adoidado. Brincadeira de fazer horta, andar a cavalo, eu e meu irmão José e as pequenininhas Lucia e Helena, que eram as caçulas. De vez em quando minha mãe falava: "- Minha filha venha cá, vamos estudar um pouquinho." Aí fazia um ditado, mandava somar umas frações e eu lia desesperadamente.
Toda sexta-feira à noite, meu pai chegava na fazenda com um livrinho pra mim; ele sabia que eu adorava...

LOU: Que tipo de livros você lia?
ANA: Lia gibi, lia livro que não podia, porque tinha livro lá na estante de adulto, foi uma fase de muita liberdade e com isso eu aprendi o gosto da leitura. Depois foi outro grande momento, quando eu entrei pro Colégio de Aplicação, que ainda tinha o nome de Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro e fiz o Científico. O colégio era magnífico, tive grandes professores inesquecíveis. Nesse tempo também entrei na Ação Católica, eu era muito católica e nós tínhamos um grupo maravilhoso. Era um grupo muito ligado a cinema e nós íamos muito ao cinema, cineclubes, discussões.

LOU: Você era primeiríssima aluna de Matemática e Física e resolveu ser jornalista.
ANA: Resolvi fazer Jornalismo, pra desgosto de duas pessoas. Meu pai, que disse: "- Minha filhinha, Jornalismo não dá pra nada!" Ele ficou muito triste, mas não se meteu. Disse isso e pronto. E minha professora de Matemática, D. Eleonora, ficou enfurecida e falou que eu tinha vocação matemática. Eu disse: - D. Eleonora, eu não quero ser professora de Matemática, nem Engenheira, nem ser Matemática. Ela queria que eu fizesse Engenharia, que, aliás, agradaria muito a meu pai, que também era engenheiro e já tinha uma filha engenheira. Fui fazer Jornalismo.

Já havia curso de Jornalismo. Apenas não havia obrigatoriedade do diploma. Eu fui fazer o curso de Jornalismo, porque quando eu saí do colégio eu sabia um monte de coisa, mas não tinha conhecimento de vida nenhum. Não podia entrar num jornal, eu tinha 17 anos. Eu digo que o curso serviu mesmo mais pra maturação de espírito. Eu me formei. Mas ser formada em Jornalismo não era grande coisa, porque o curso de Jornalismo que existia no Rio era na Faculdade Nacional de Filosofia de Ciências e Letras. Eu costumo dizer que foi a primeira e talvez a melhor universidade que eu conheci no Brasil, porque ela era chamada de faculdade, mas tinha todos os cursos e nós convivíamos com pessoas de Geografia, História, Física, Sociologia, era uma grande escola. Quando houve o Golpe de 1964, os militares resolveram implodir. Porque era um grande centro de efervescência cultural e política. Nós tínhamos cineclube, debates políticos.

LOU: Você já escrevia alguma coisa?
ANA: Eu fiz um jornalzinho em casa, que se chamava "Repórter 1907", que era o número do apartamento. Era um exemplar só, que corria a família inteira. Fazia junto com Graça, um irmão um pouco mais velho e José, mais novo, fazia história em quadrinhos nesse jornal. Era um jornal de fofocas da família. Estava no Científico. Quando eu entrei na faculdade, era outro mundo. Você sabe, na faculdade é aquela fase onde nos achamos gente adulta, embora eu tivesse entrado muito nova.

Enquanto estudava fiz um rápido estágio na Tribuna da Imprensa e foi ótimo. Inclusive, assisti a umas aulas de Carlos Lacerda, inesquecíveis, porque por um tempo, ele disse que ia largar a política e ia cuidar só do jornal. Esse entusiasmo dele durou só 2 meses, mas, eu tive a sorte de, durante um mês, conviver e escutar as aulas dele. Muito interessantes; interessantes não, fantásticas!

Eu tive outra prática de jornal, que era o jornalzinho da Ação Católica, que se chamava "Roteiro da Juventude". Era dirigido pelo Cícero Sandrone, a secretária era Laura Austragésilo de Athayde. Eles eram namorados nesse tempo. Estão casados e agora ela é Laura Sandrone. Hoje têm netos. E um dia o Cícero foi numa reunião e disse: "- Quem quer ajudar? A gente tá precisando de gente pra ajudar'. Eu disse: - Eu. E aí trabalhei um tempo nesse "Roteiro da Juventude", que hoje acho cômico. Naquele tempo eu achava o nome lindo.

Procurei o Cícero e ele disse: "- Ana, eu saí do Jornal do Brasil porque arranjei outro emprego melhor. Mas acho que pra você o melhor é o Jornal do Brasil. Tá começando uma reforma formidável e tá na hora. Eu me formei no final de 57, comecinho de 58, e bati no Jornal do Brasil pra procurar Wilson Figueiredo. Só havia conhecido a redação da "Última Hora", porque lá a gente rodava o "Roteiro da Juventude". Aí cheguei lá com a cara e a coragem e, segundo depoimento de Wilson Figueiredo, "com cara de filha de Mariano". Não acreditou quando chegou aquela menina com a cara de beata, com uma saiona, dizendo que queria trabalhar naquele jornal. Olha, Sr. Wilson Figueiredo, meu nome é Ana Arruda, o Cícero Sandrone falou pra eu procurar o senhor, porque eu quero muito trabalhar nesse jornal. Ele me olhou espantadíssimo e perguntou, porque eu queria trabalhar lá. Eu respondi que havia me formado em Jornalismo e sempre pensei que o que eu queria na vida era trabalhar naquele jornal. Ele disse: "- Um momentinho, deixa eu ver sua redação." E foi lá, atravessou a redação e falou com um senhor, que eu não sabia quem era. Depois eu soube que era Odilo Costa Filho e eu vi os dois olhando pra mim, vindo e voltando. E aí ele disse: "- Tudo bem, segunda-feira você começa aqui." E eu fiquei 4 anos lá. Eu fui repórter geral. Fiz reportagens locais, como grandes reportagens. Inclusive me especializei nisso, porque as pessoas tinham esquecido um pouco o jornal, um pouco a reportagem de profundidade de pesquisa, de arquivo.

LOU: Você sabia que quando eu também me apresentei lá, eu estava com o uniforme do Instituto de Educação? E fui lá com a mesma cara-de-pau. Decidi que queria trabalhar no Jornal do Brasil. Fui "foca" do Cesário Marques, você se lembra dele?
ANA: Lembro. Grande Cesário!

LOU: Perdi o contato. Você tem notícias dele?
ANA: Faleceu.

LOU: Ele fumava muito. O Firmo era o fotógrafo que saía no jipe com a gente. E hoje é o grande fotógrafo Walter Firmo.
ANA: Grande fotógrafo! Saí muito com ele também.

LOU: E o Wilson falou pra mim, você quer aprender? Eu disse: muito. Então, procure ler o que a Ana Arruda escreve. Ela já é uma excelente repórter.
ANA: É mesmo? (risos). Mas aí, realmente, eu fui repórter com grande entusiasmo, adorei aquela fase. Mas comecei a me interessar muito por política e houve a greve em 1962 por salário em todos os jornais do Rio. Eu embarquei com entusiasmo nessa greve e resolveram demitir todo mundo que tinha aderido à greve. Foram mais de cem jornalistas demitidos, uma coisa horrorosa, e no Jornal do Brasil foram doze. O Wilson Figueiredo, que era o chefe de reportagem, ainda tentou me livrar e disse: "- Ana, diga que veio um dia desses três dias, que eu falo e você fica. Eu disse: não posso fazer isso com meus colegas. Eles me viram esses três dias no sindicato. Não vou mentir.

E saí do Jornal. De certa maneira foi bom porque eu não gosto de ficar parada no mesmo lugar e eu tive experiências diferentes no Jornal do Brasil. Eu já estava com todo o prestígio. Era repórter especial. E eu fui enfrentar um novo desafio e fui pra "Tribuna da Imprensa". Porque essa greve teve conseqüências terríveis pra classe jornalística no Rio. Os donos dos jornais fizeram um pacto. Quem tivesse sido demitido por causa de greve não era admitido em jornal nenhum.

O único dono de jornal, que não entrou no pacto, foi o Hélio Fernandes. Então, ele abrigou na Tribuna alguns poucos. Eu fui pra Tribuna fazer Economia e eu não entendia bulhufas de Economia. Quer dizer, tinha feito algumas grandes reportagens sobre Reforma Agrária, mas a Economia, o dia-a-dia da Economia, eu não entendia. Mas, foi muito bom porque jornalismo é isso, é aprender. A cada dia você tem que saber como chegar às fontes. E eu tinha informantes maravilhosos, tanto no Ministério do Planejamento, da Fazenda, da Indústria e Comércio.

LOU: Naquele tempo, escrevia-se muito pouco sobre economia...
ANA: É, Economia não era tão importante pra ter caderno inteiro, era só uma página, não tinha esse negócio de petróleo, Bolsa. Mas isso mudou muito no Brasil nas últimas décadas. Hoje todo mundo quer saber a cotação da Bolsa. Dá na televisão. Naquele tempo só os grandes empresários, mas foi muito bom. Depois eu fiz uma passagem no "Correio da Manhã", que era um grande jornal na parte internacional. Aí foi um outro aprendizado, pegar telegramas, ainda no tempo do Telex. A gente pegava aqueles telegramas imensos, e que iam sendo mandados à medida que os acontecimentos evoluíam. Você tinha que pegar 20, 30 telegramas e resumir para uma notícia de 15, 20 linhas. Era um exercício de redação fantástico. E eu já tinha essa preocupação com o texto. Então, eu fiquei plenamente realizada como jornalista.

Saí, quando houve o golpe de 64 e achei que o Brasil tinha acabado, que o jornalismo não fazia mais sentido, porque estava tudo muito fechado. Eu fiz até um concurso público, entrei na burocracia estadual.

LOU: Você chegou a trabalhar em TV...
ANA: Eu tive uma experiência em TV, depois de tentar ser funcionária pública e não agüentar. Pedi demissão e fui pra TV Rio, com o Fernando Barbosa Lima. Fazíamos o "Jornal de Vanguarda". Foi um outro aprendizado ótimo, outra linguagem. Aliás, tem uma história engraçada. O Cid Moreira era o locutor do jornal, como a gente dizia, antigamente. Não era âncora, era locutor e ele estava em início de carreira, mas já era um profissional muito firme, seguro. E ele me ajudou tremendamente. Porque eu escrevia os textos de emendas, de uma notícia pra outra, e o Cid chegava meia hora, 40 minutos antes do jornal ir pro ar, que é ao vivo, e ele dizia: "- Ana, o texto está pronto?" Eu entregava, ele lia, olhava e dava pra mim. E pedia pra eu mudar uma palavrinha, essa frase aqui fazer menor, porque eu ainda não tinha prática da televisão; essa palavra ele poderia tropeçar, não usar ela não. E foi um tempo bom. Mas foi pouco também, porque veio 68, e o Jornal foi muito espremido e acabou.

LOU: E você foi pra onde?
ANA: Tive uma vasta experiência depois em muita coisa. Fiz o jornal experimental "Sol" em 1967 onde fui redatora-chefe. Antes disso, fui chamada para o "Diário Carioca", para ser chefe de reportagem. Aí fizeram um escândalo porque mulher chefe de reportagem, era um espanto. Aliás, até hoje mulher chefe é muito raro. As mulheres são maioria nas redações mas não na chefia.

LOU: Você coordenou a edição da Enciclopédia Delta Universal...
ANA: Fui chamada pela Editora Delta pra organizar a enciclopédia. Aí, eu disse: bom, é outro desafio. E foi muito curioso, porque eu descobri que o jornalismo é um treinamento fantástico, a coisa de você resumir, de você ver o que é fundamental, de redigir com objetividade e a Enciclopédia era rigorosamente a mesma coisa. Então, claro que eu tinha uma equipe grande de tradutores, pra fazer a adaptação de uma enciclopédia americana, com muito verbete. Mas o texto final todo era olhado por mim.

LOU: Demorou quanto tempo pra fazer?
ANA: Três anos. Foi curioso porque foi o primeiro trabalho. E o trabalho de enciclopédia é fantástico, e eu não tinha idéia de como seria. Aprendi na prática. Porque havia a enciclopédia americana e tinha que começar pela nominata. Quais são os verbetes que deviam ser feitos? E antes de mim, tinha trabalhado lá um senhor, não vou nem dizer o nome, porque é uma pessoa de muita cultura, um homem formidável que, aliás, já faleceu, e que ficou um ano inteiro e que não conseguia fazer a nominata porque ficava com dúvidas. Então, ele tinha tantas dúvidas que não conseguia sair da nominata. O Abrahão Koogan, que era o dono de lá, disse assim: "- D. Ana, em quanto tempo a senhora resolve isso?" Peraí, deixa eu pensar, não posso resolver assim, não vou prometer não. Está aqui a enciclopédia americana, temos que fazer disso uma enciclopédia brasileira, não é isso? Eu vou passar uma semana examinando a enciclopédia e marcando o que vai traduzir, o que vai jogar fora e o que vai adaptar e, em três meses, eu lhe dou a nominata. E em 3 meses ficou pronta a nominata.

LOU: Que vitória!
ANA: É claro que pedi uma pessoa pra me ajudar, mas era rigorosamente isso: era pegar, por exemplo, a letra A. Que temos? Como é a palavra no Brasil? Os Estados brasileiros todos tinham que entrar, os presidentes brasileiros, todos tinham que entrar. E realmente não vou dizer que não houve dúvidas. Houve. E eu diria que em 2 meses fiz o básico. Eu com essa amiga que fez a tradução. No outro mês foram exatamente as dúvidas e a interferência da editora, que é claro que tinha que ter, em certas... por exemplo, tinha um conselho consultivo que dele fazia parte o Houaiss, Antônio Houaiss, que tinha feito antes, aquela grande enciclopédia Delta Larousse. Então Houaiss disse que tinha que ter todos os acadêmicos. Tudo bem, ordem é ordem, eu obedeço, mas não vão ter o mesmo tamanho os verbetes. O tamanho do verbete, decido eu. Então, é um trabalho fascinante e repare, como é semelhante a jornal, porque você põe qual notícia em cima? Você dá mais destaque pra qual notícia? Mesma coisa, só que não são notícias, são coisas permanentes, verbetes.

E outra coisa boa foi fazer revisão da tradução, ver a linguagem. Nossa! Dezenas e dezenas de pessoas passaram e tiveram que ir embora. O trabalho de tradução é muito difícil e as pessoas pensam que podem traduzir porque conhecem a língua. Ah, eu sei Inglês, posso traduzir. Não é verdade. Tem toda uma técnica especial. E foi outra grande experiência. E aí, não sei exatamente quando, não me pergunte as datas, porque eu não estou com as datas todas na cabeça.

LOU: Jamais faria isso. (risos)
ANA: Quando ainda estava fazendo a enciclopédia, a Amélia Lacombe resolveu fundar um curso de Jornalismo e fez uma faculdade que tinha curso de Jornalismo, Turismo e Letras. Ela tinha trabalhado muito tempo na PUC, como diretora de departamento e saiu e fez a própria faculdade. E eu fui chamada pra dar aula. Aí, fiquei assombrada. Aula? Pelo amor de Deus! Professora, eu? Não, não tenho jeito de professora.

LOU: Outro desafio.
ANA: Outro desafio. Mas como, Ana? Você está habituada a chefiar a redação, qual é o problema de dar aula? E meu Deus do céu, você termina virando um professor quando chefia uma equipe, porque você tem que passar, orientar. Então, eu fui ser professora e, quase mudei de profissão, no sentido que durante muito tempo eu nem dizia que era jornalista. Porque, se eu dissesse que era, perguntariam em que jornal eu trabalhava, e eu não trabalhava em nenhum. Então comecei a dizer que era professora. E fiquei nesse Centro Unificado Profissional Amélia Lacombe - CUP um tempo e depois ela vendeu. O nome era muito ruim, Centro Unificado e todo mundo pensava que era uma coisa técnica e era universitário. Mas ganhou muito prestígio, porque Amélia tentou uma experiência formidável que não podia dar certo. Ela tinha que falir.

Lou: Por que?
Ana: Porque todos os professores eram tempo integral, todos tinham muita liberdade, os laboratórios eram muito bem equipados e era uma escola exemplar, mas também experimental. Mas eu tinha pegado esse vício de professora (risos). A faculdade da Amélia virou a Faculdade da Cidade, que agora é "UniverCidade", que já não me interessava mais. Aí a PUC me chamou e, quando estava na PUC, abriu o concurso pra Federal Fluminense e eu fiz. Passei. Nunca tinha feito concurso pra professor. Foi outra novidade na minha vida. E fiquei na UFF, dois anos. Mas, aí, abriu o concurso pra Federal do Rio de Janeiro e eu disse: vou fazer. Nessa altura já estava casada e meu marido ficava indignado: "- Ana, numa altura dessa da vida, atravessar a Baía pra dar aulas aos sábados de manhã." E aí eu, atendi não só a ele, mas a mim também, que estava cansada de ir à Niterói. Aliás, tenho que fazer um parênteses: ontem eu fui ao Far-Up, ali na Cobal. Imagina que uma das turmas que eu dei aula na UFF me convidou para uma celebração de 25 anos de formatura. Bonitinho não? Fiquei tão contente! Fui lá ontem. Mas fiquei esse pouco tempo na UFF porque fui pra UFRJ e fiquei 14 anos. E, além da aula, e como sempre fui muito metida, em três anos eu estava me candidatando à vice-diretora. Fui vice do Muniz Sodré. Depois fui Coordenadora de Graduação e fiquei lá até me aposentar. Quando me aposentei, coincidiu quase com a morte do meu marido. Também o pessoal da PUC, com muita gentileza, outra vez me chamou. Porque sabiam que eu estava num momento desagradável da vida, quando sentimos o mundo desabar, quando se perde alguém. E voltei pra PUC, onde ainda sou professora, embora esteja há um ano de licença porque cansei de dar aula.

LOU: Com quantos anos você está?
ANA: Estou com 67 anos. Dei aula mais de 20 e quero mudar mais uma vez. E, por mais que a gente se esforce, sei que tenho um diálogo com qualquer pessoa, mas tudo vai ficando muito diferente: o mundo, a linguagem... E eu sei que a tendência de dizer que as coisas pioraram e dizer que no meu tempo era melhor, parece saudosismo e velhice. Pode ser que seja, mas eu acho que os alunos estão chegando cada vez menos preparados à universidade. Então, você está mais velha e, a cada semestre, você pega alunos da mesma idade, um pouquinho menos preparados. No outro semestre, um pouquinho menos preparados...

LOU: E menos interessados.
ANA: Também.

LOU: Acho que eles entram na faculdade pra obter o diploma, mas não têm um mínimo de esperança na profissão.
ANA: Mas claro que eles estão desesperançados! Por isso que eu digo: fui muito feliz e estou sendo com todas as pedras e todos os sofrimentos que todo mundo passa na vida. Mas tenho sido muito feliz, porque eu vivi um tempo de muita intensidade. Eu fiz faculdade num tempo em que ela fervilhava de idéias, de atividades e a gente acreditava na ação católica e na ação política contra a ditadura, a gente acreditava que ia melhorar o mundo. Hoje eu não conheço ninguém que acredite que vai melhorar o mundo com a sua ação e nem sei se estão interessados nisso (risos). Nós queríamos melhorar o mundo, queríamos acabar com o analfabetismo, com a pobreza ....

LOU: Nós tínhamos idealismo, tínhamos esperança de que as nossas idéias fossem dar certo, que valia a pena lutar por elas.
ANA: Isso! Exatamente. E que nós íamos vencer. E nós fomos derrotados. Eu digo que eu fui derrotada em mil guerras já. Então, a gente é obrigada a se adaptar, a se conformar. Mas eu não me conformo. Não vou ser uma pessoa conformada e nem conformista.

Lou: Mas não perdi o espírito de luta. Hoje no Site trabalho por um mundo mais amigo, onde as pessoas idosas sejam valorizadas.
ANA: Mas, mudando.. durante esse tempo que eu saí da PUC e mesmo antes, eu comecei a dar algumas aulas em casa. Mas eu digo que não dou aula, nem curso. Eu faço terapia. Chega ex-aluno, amigo de ex-aluno que me indica. "- Ah, Ana eu tô com dificuldade, eu tô no trabalho mas meu texto é ruim." Eu digo: ruim como?....

LOU: Aulas de Literatura?
ANA: Não, de Redação. Técnicas de Redação. Dois, três meses, eu dou aula e depois digo: pode ir embora que você não tem mais problema. As pessoas que procuram se aperfeiçoar, em geral já são boas, porque gente ruim não procura aula particular. Então, já são bons profissionais, mas novatos que têm certas inseguranças. Por isso é que eu chamo de terapia. Dou um empurrão, dou umas dicas e isso eu faço com muito prazer; outra coisa que eu faço é copy-desk. De vez em quando, eu pego teses, livros para reescrever. Uma experiência recente muito boa foi no ano passado, com um livro de um amigo meu americano, Ed Teles, Edward Teles, ele tem esse sobrenome Teles, porque é neto de português, mas é americano de nascimento e formação. Ele dirigiu a Ford Foundation, aqui no Rio, um tempo. E a Ford estava com essa política de auxiliar muitos movimentos da sociedade civil e ele auxiliou principalmente o movimento negro no Brasil, associações e outras coisas do movimento negro. Então, ele ficou um expert em problemas de racismo e fez esse livro, que eu acho admirável, que chama "Racismo à Brasileira". Ele escreveu, pediu a uma amiga dele, lá em Los Angeles, para traduzir o livro para o Português, para publicar aqui. É claro que ficou aquela linguagem macarrônica, ninguém sabia o que era Português, o que era Inglês. Ele me pediu e, vamos dizer que limpei o livro. Esse tipo de trabalho me dá muita alegria. Faço muito em teses. Às vezes, seminários que eles querem publicar.

LOU: Qual a nova empreitada que você tá pretendendo fazer? Você disse que está querendo fazer uma nova coisa...
ANA: Voltei a ser jornalista. O CEBELA - Centro Brasileiro de Estudos Latinos Americanos, que edita a revista que você deve conhecer Lourdes, que é a "Comunicação & Política", uma revista acadêmica que já tem mais de 20 anos, foi fundada pelo Antônio Houaiss e o Roberto Amaral, que são os fundadores do CEBELA. Só que agora o Roberto está sozinho, o Houaiss morreu e eles resolveram publicar uma revista pra ir à banca que não fosse acadêmica. Pensei: eu, fazer uma revista agora, nessa altura da vida. Não, eu quero sossego, vou pra roça, vou sossegar. Mas o nome da revista me conquistou. A revista se chama "Pensar Brasil". Já fiz o 1º número, que deve estar saindo segunda ou terça. É o número outubro/ novembro. Depois, vamos rodar dezembro/ janeiro e é bimestral. E realmente foi delicioso, inclusive voltar a fazer entrevistas. E eu fiz entrevistas pela Internet, por e-mail, e ao vivo. E recomendar as matérias, reescrever, dar título e editar. Eu voltei ao meu tempo de jornal.

LOU: Percebo que não morreu em você o sentimento da esperança, do idealismo.
ANA: Eu sempre digo que se pode fazer um pouco. Mas aquelas ambições revolucionárias que eu tinha não têm sentido hoje. Mas, a gente pode tentar mexer um pouquinho com a cabeça das pessoas.

LOU: Mas me fala da Revista.
ANA: A revista tem um projeto fascinante, ao qual aderi com entusiasmo que é o seguinte: "Pensar-Brasil". Então, pensar hoje e também relembrar quem pensou antes. São os perfis. No primeiro número tem o perfil do André Rebouças que é uma figura admirável. Negro, patrono da engenharia brasileira, um grande engenheiro, abolicionista, amigo de D. Pedro II. É muito bonita a história de Rebouças e, o próximo número vai ter o perfil do Josué de Castro, porque vai ter uma grande matéria sobre o problema da fome, da alimentação no Brasil, os diversos programas já acontecidos de combate à fome. Os desvios, os erros e os acertos de cada um e a figura de Josué de Castro, que foi o primeiro brasileiro a falar nesse assunto.

Tem uma grande entrevista com Stédile no primeiro número. É curioso, porque a chamada na capa... Até o Roberto disse que podíamos colocar uma coisa mais forte, e eu disse que pra mim o mais forte era dizer o seguinte: "Na agricultura podem conviver tanto a grande propriedade quanto a propriedade familiar". Quer dizer o Stédile dizendo isso. Eu achei que isso é que era forte. Porque essa idéia de que o Stédile quer arrebentar tudo está desmentido ali. Quer dizer, a possibilidade da convivência de todo o tipo de propriedade agrícola, da agroindústria até a pequena propriedade familiar. É isso que eu estou fazendo, editando uma revista. Pro futuro nem quero falar muito. Mas, estou pensando em ir pra roça daqui uns dois, três anos. Ir pra fazenda, voltar a fazer horta com meu irmão Zé, que era o meu companheiro.

LOU: E os amores? Você sempre foi muito bonita.
ANA: Nunca fui a chamada namoradeira. Era muito metida a coisas muito sérias e coisa e tal. Mas, claro, namoricos vários. Eu era de paixões, paixonites, ficar apaixonada loucamente. Tive uma paixão durante o tempo que comecei no jornal. Namorei um jornalista durante anos e fiquei viúva - entre aspas - dele no sentido em que depois que acabou, fiquei um tempão não querendo saber de namoro, de homem. Eu não queria saber de nada e foi uma história bastante desastrosa. E não queria casar pelo seguinte: eu via, por exemplo, que as jornalistas que se casavam, quase sempre se afastavam um pouco, por causa de filho.

Quando a gente diz que não tem mulher na chefia, é porque não pode mesmo. De repente, o filho do chefe de reportagem ou de redação está com febre... Ainda hoje, a sociedade obriga que seja a mulher que fique com ele e não o marido. E eu pensava nisso tudo e tinha muito medo da vida a dois. Meu pai, talvez, tenha me influenciado nisso. Um dia, no casamento de umas das minhas irmãs mais velhas, meu pai chegou e disse: "- Ih minha filhinha, olha que boba essa sua irmã, está toda contente. Vai virar escrava de um homem."

LOU: E pernambucano geralmente é muito machista. Mas ele não queria saber de filha dele escrava de homem...
ANA: Meu pai tinha uma mente fantástica. É claro que como pai de família, era todo rigoroso com a gente, mas as idéias dele eram fantásticas. Inclusive, um dia, conversando com uma das minhas irmãs mais velhas, ela me disse: Olha Nita, me chamam de Nita, eu tenho certeza que painho resolveu essa vinda pro Rio porque ele achava que o ambiente de Pernambuco era muito tacanho para nos educar e ele queria um ambiente mais aberto para nossa educação. E eu não pensava em casar. Sabe, Maria de Lourdes, as minhas irmãs todas casando, porque dos 15 filhos, 12 eram mulheres e 3 homens. (Agora são 2 homens e 11 mulheres.) Mas, a idéia de casamento não me atraía porque eu não queria prisão, eu queria viver a minha vida. E eu dizia uma brincadeira que se tornou uma absoluta realidade. Só caso se encontrar um homem mais feminista do que eu.

LOU: Então você encontrou no Antonio Callado a pessoa certa, que você imaginava ser um sonho impossível?
ANA: Realmente, quando encontrei Antônio ele era mais feminista do que eu. Era um homem que tinha um imenso respeito pelas mulheres. Eu até brinquei, quando fiz o discurso lá no Pen-Clube sobre ele, quando fui eleita na vaga dele. Ele era um homem apaixonadíssimo, ele tinha várias paixões. Então, eu enumerei as paixões dele: a paixão pelas mulheres. E as pessoas até riram. Mas era a verdade total. Não só ele curtiu as mulheres, do ponto de vista de namoro, de sexo e coisa e tal. Você pega os livros de Antônio e tem sempre uma personagem feminina fantástica. A gente, às vezes, discutia quando eu dizia: - ah, por favor, também estas feministas tão exagerando. E ele dizia: "- Ana, como você diz uma coisa desta? As mulheres são oprimidas a vida inteira, os homens são uns horrores! Olha o que eles fazem com as mulheres e as mulheres têm todo o direito de às vezes exagerar." Ele era realmente um defensor.

LOU: Você casou tarde, pros padrões daquela época, né?
ANA: Eu já estava madura, eu tinha mais de 30 anos, quando conheci Antônio. A gente namorou, sem morar juntos, sem casamento legal, que veio um tempo depois. Ficamos, cada um na sua casa, 6 anos. E isso era muito bom. Quando chegou o momento que a gente viu que estava chato esse negócio de "cadê meu livro"? "Cadê minha roupa" e tudo. E a despesa, ter que pagar duas contas de gás, duas de luz. (risos) Aí, resolvemos casar. Quer dizer que experimentamos as duas formas. E as duas foram muito boas! Ficamos 20 anos casados no juiz e morando no mesmo apartamento e foi uma experiência formidável por isso, porque nós tínhamos vidas independentes e ao mesmo tempo...

LOU: Tinham afinidades.
ANA: Muito grandes. E outro dia mesmo eu disse num depoimento, que passa na Bandeirantes, sobre o livro "Bar Don Juan", que a gente começou a namorar por causa desse livro. Quando li esse livro, chorei muito. Então um amigo disse que eu tinha que dizer isso a Callado, porque tinha tanta gente criticando o livro, tão metendo o pau no livro. Eu disse que tinha vergonha. Como eu ia ligar pro Antonio Callado? Eu já era vidrada nele, mas considerava aquela pessoa meio inatingível, meio distante...
Depois achei que ele tinha razão, tomei coragem e liguei: Eu disse: olha só, queria dizer que eu amei o "Bar Don Juan", me emocionou muito. Ele disse: "- Ah, gostei muito, adorei esse telefonema e vamos fazer o seguinte: você vai me contar essa história melhor, vamos marcar. E marcamos um jantar onde conversamos muito sobre o livro e nunca mais paramos de conversar. (risos)

LOU: Mas ele já te conhecia.
ANA: Conhecia de reuniões, de casas de amigos. Tereza Cesário Alvim era muito minha amiga e amiga dele. Nós circulávamos no mesmo meio, já nos conhecíamos, tínhamos nos encontrado muitas vezes.

LOU: Só faltava dar a partida.
ANA: E foi aí com esse livro e esse telefonema.

LOU: E era "Don-Juan".
ANA: (risos) Mas foi uma vida de muita conversa, muito diálogo, muitos silêncios juntos. Sempre conto que uma das coisas que eu mais gostava com Antônio era quando nós estávamos trabalhando, eu preparando minhas aulas de um lado, e ele tomando notas para um livro do outro, em absoluto silêncio e era como se nós estivéssemos juntos um do outro.

A gente gostava de viajar juntos e também não éramos agarrados. Ele viajou sozinho algumas vezes, eu viajei sozinha outras vezes. Não tínhamos exigências um com outro, nem cobranças, e talvez não muita intimidade. Fica esquisito dizer isso, né?

LOU: Não acho nada de esquisito...
ANA: Intimidade de corpo sim, total. Agora, cada um preservava a sua cerimônia. Eu sempre tive isso. Eu quero guardar alguma coisa minha e ele respeitava isso. Antônio tinha pavor de pessoas que falavam das suas doenças: "- Ana, tem coisa mais feia do que você jogar sua doença pro outro?" Então, ele era uma pessoa que quando tinha entrevistas, debates sobre literatura, vinha aquela pergunta. Como você faz, quando, assim, assim, o personagem tal, tal. Invariavelmente ele respondia assim: "- Bem isso varia com um personagem. Foi assim, outro foi assado, mas é curioso que eu lembro que o Thomas Mann falou. Aí ele desligava dele, falava de outros escritores. Ele falava muito pouco dele mesmo, quando ele lembrava. Pra você ter idéia, até hoje temos cadernos em que ele tomava notas. E eu dei pra "Casa Rui Barbosa" alguns, mas depois disse: meu Deus, eu tenho que ver o que tem dentro pro olho alheio não ler. E comecei a ler. Eu tive a sensação de estar invadindo a privacidade dele. São notas que Antonio tomava, eu nunca tinha lido. Ele nunca abriu uma carta minha, havia um respeito muito grande e eu sei que havia muito amor e, ao mesmo tempo, respeito. E isso foi muito bom.

LOU: Isso é bom pra gente acreditar que se pode viver uma segunda paixão.
ANA: Essa foi muito bem sucedida.

ANA: Eu acho que você tem que saber viver em comum. Talvez o casamento que começa cedo seja mais complicado, porque são pessoas imaturas, e conviver a dois precisa de certa maturidade. Agora, maturidade pode ser adquirida também pelo jovem casal.

LOU: Aos trancos e barrancos?
ANA: É, vão aprendendo. E eu tive muita sorte, mas também tinha uma decisão de construir uma vida a dois boa. E o fato do casamento ter sido tão bom e Antônio ter sido tão grande companheiro pra mim, eu acho que muito da coragem que eu tenho de continuar é pela admiração que ele tinha por mim. Ele gostava muito do meu jeito atrevido, como ele dizia: "- Eu gosto porque você é atrevida, Ana." (risos)

LOU: E você está viúva há quanto tempo?
ANA: Há 7 anos. Claro que no primeiro momento tomei um susto. Você acha que vai cair, se abater, mas estou aqui sozinha, mas firme.

LOU: Fale-me um pouco da sua grande família.
ANA: Minha mãe era Eloísa Araújo, família Araújo. Meu pai era Arruda Albuquerque, José Arruda Albuquerque. E meu avô paterno ficava muito aborrecido porque a família ficou toda conhecida como Arruda. E nós, todas as filhas, quando casamos, ficamos com o Arruda e botamos o nome do marido, com exceção de uma que é Albuquerque Porto Carrero, minha irmã Ida. Ela quis fazer a coisa tradicional até porque casou com um rapaz que tinha essa coisa da tradição. Mas somos conhecidos como Arruda, família Arruda, meu irmão é o Arruda e o meu pai era Arruda, pra desgosto do meu avô, porque Arruda era a mãe dele, porque ele era Albuquerque, mas é um nome muito grande. Muito solene. Arruda é muito mais simples, mais simpático. A foto registra um momento fantástico dos dez irmãos reunidos.

Em pé da esquerda para a direita: José, Sira, Fernando, Ida, Ana, Maria da Graça e Zita. Em pé: Marta, Lucia e Helena.

LOU: Muito obrigada. Quero fechar essa matéria com uma foto sua ao lado do seu retrato pintado por Farnese.
ANA: Eu é que agradeço.

Retrato de Ana em óleo de Farnese.

Maria de Lourdes Micaldas
Revisão: Anna Eliza Fürich

 

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