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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

ANKITO
publicado em: 06/01/2016 por: Netty Macedo

 
Matéria publicada em 18/06/2006

Nascimento: 26/11/1924
Falecimento: 30/03/2009

Ankito, dotado de uma agilidade corporal rara e mestre na arte de fazer rir nas chanchadas do Cinema Nacional. Nasceu no Brás, em São Paulo, no dia 26 de novembro de 1924, e ficou conhecido como o famoso ator Ankito. Sua arte está no sangue: é filho do palhaço Faísca e sobrinho de Piolim, outro palhaço famoso. Esse gênio de quase 82 anos, casado com Denise Casais, vitorioso nos palcos, cinema e TV, concedeu-nos a alegria de contar um pouco da sua vida.

LOU: Qual o seu nome todo? E o nome dos seus pais?
ANKITO: Anchizes Pinto. O nome do meu pai também é Anchizes Pinto e minha mãe é Thomazina Stella Pinto.

LOU: Como foi a sua infância? Você era muito travesso?
ANKITO: Maravilhosa! Nasci no circo e entrei em cena aos quatro anos de idade. Vivia no picadeiro. Meu pai era o palhaço Faísca e meu tio o Piolim.

LOU: Como e quando você descobriu sua vocação de artista de circo?
ANKITO: Não me lembro, acho que nasci com ela. Dediquei-me à acrobacia. Eu fazia de tudo um pouco e gostava muito.

LOU: Li na Internet que você era um exímio equilibrista...
ANKITO: Nunca fui equilibrista. Na Internet tem muita coisa sobre mim que não é verdadeira... (risos). Eu era acrobata, além de ser o palhaço Espoleta, saltador, ciclista, barrista e ator.

LOU: Como você saiu do circo e chegou aos palcos?
ANKITO: Queria aperfeiçoar-me como acrobata. Aos 17 anos de idade, depois de conquistar cinco títulos de campeão sul-americano de acrobacia, voltei ao Rio a fim de trabalhar no Cassino da Urca. E o que parecia um sonho tornou-se realidade na mesma noite do dia da minha chegada. Como acrobata, eu era Anky e, após uma audição de acrobacia, fechei contrato com o Cassino da Urca, no show "Canta Brasil", fazendo um grilo.

LOU: Como surgiu a dupla "VICK E ANKY" de acrobacia?
ANKITO: Mais tarde, na montagem de novo show, uma dupla de acrobacia clássica, também contratada pelo Cassino, VICK AND JOY, estava se desfazendo porque Joy havia sido recrutado para a guerra. Então, eu o substituí. A dupla passou a se chamar VICK E ANKY. Quando Joy voltou da guerra, encontrei numa outra família circense, meu novo companheiro de trabalho, Omar Savalla Baxter. E formamos a dupla ANKY E MORY, de acrobacia clássica.

LOU: E essa dupla conquistou os palcos de outros países...
ANKITO: Em 1946, com o fechamento dos Cassinos, a nossa dupla, Anky e Mory volta a S.Paulo. De lá fomos contratados para trabalhar no TABARIS, de Buenos Aires. Daí ganhamos os palcos da Europa, sempre como acrobatas. E, durante aquele período, fomos contratados para voltar ao Brasil e fazer um show no Copacabana Palace.

LOU: E como surgiu o nome artístico de Ankito?
ANKITO: Enquanto trabalhávamos no Copacabana, fomos convidados como atração para o show que iria inaugurar o Teatro Folies, também em Copacabana. A parte cômica era feita pelo grande Misquitinha, que numa matinê adoeceu. De brincadeira, atendendo ao pedido de Ruan Daniel, dono do Teatro, substituí Misquitinha. E a crítica fez de mim um cômico.
Fiz as micagens de palhaço de circo que me agradou demais e também ao público. E foi Ruan Daniel que me deu o nome de Ankito.

LOU: E como chegou às telas do cinema?
ANKITO: Com o sucesso no teatro, fui convidado para fazer três dias de filmagem no filme É FOGO NA ROUPA, mas o sucesso foi tanto durante as filmagens que os 3 dias passaram a ser 39, e ganhei o primeiro nome do filme, em 1952.

LOU: Quais os filmes de maior sucesso que você participou?
ANKITO: Graças a Deus foram todos. Num total de 56 filmes protagonizados por mim, todos foram recordes de bilheteria. OS TRÊS RECRUTAS, MARUJO POR ACASO, O REI DO MOVIMENTO, O FEIJÃO É NOSSO, O GRANDE PINTOR, ANGU DE CAROÇO, O BOCA DE OURO, SAI DESSA RECRUTA. Então, Herbet Richers contratou GRANDE OTELLO, que havia desfeito a dupla com OSCARITO. E nós dois formamos a dupla ANKITO E GRANDE OTELO no filme METIDO À BACANA, que foi o primeiro de muitos outros.

LOU: Que programas você fez na TV?
ANKITO: Na TV fiz muitos programas humorísticos. Fui parte do elenco da TV TUPI, RECORD e BANDEIRANTES. Mais tarde, na TV GLOBO, além das participações nos humorísticos, fiz parte das novelas GINA, com a Cristiane Torloni, MARINA, com Edson Celulari e A SUCESSORA, de Manoel Carlos; em 2005, fui o Falecido em ALMA GÊMEA. Fiz inúmeras mini séries. No SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO, primeira versão, fui O SOLDADINHO DE CHUMBO e O CURUPIRA. Naquele tempo não havia gravação. Era tudo ali, ao vivo, diante do público. A gente tinha que trocar de roupa durante os intervalos comerciais!

LOU: Você foi sucessor de Oscarito, fazendo dupla com Grande Otelo. Conte pra nós, como foi a sua resposta ao ser acusado de imitar Oscarito, e como foi que você conviveu com essa eterna comparação?
ANKITO: Dei esta resposta: "Tentar imitar, bem que tentei, mas não consegui." Convivi muito bem com esse julgamento. Afinal, ser comparado a um gênio é muito bom.

LOU: E a vida amorosa? Você teve muitos amores na juventude?
ANKITO: Muitos. Exatamente quantos eu não sei. Como profissional, obtive um grande sucesso. Mas a vida pessoal foi meio confusa: tive 18 casas montadas e 3 casamentos. Espero que com a Denise seja o último. Somos casados há 22 anos e nos amamos muito até hoje.

(Lou: Como não poderia deixar de ser, convidei pra entrar na conversa a encantadora Denise Casais, mulher que com personalidade e carinho, trouxe a felicidade conjugal e a tão sonhada tranqüilidade para Ankito.)

LOU: Quando vocês se conheceram e como é essa história de amor?
DENISE: Nos conhecemos quando, depois de afastada há alguns anos do palco, em 1985, fui convidada a fazer parte do elenco da peça TEM PIMENTA NA ABERTURA, no Teatro Rival. Lá nos conhecemos, iniciamos um namoro e acabamos indo viver juntos. Quinze anos depois, nos casamos. Trabalhamos juntos algumas vezes. Ele costumava escrever peças apenas para nós dois, e nos revezávamos no palco, ora com entradas cômicas, ora cantando ou dançando. Fizemos, apenas os dois, as peças A INFLAÇÃO ARROXA E O POVO AFROXA, ELA NUA ELE DURO; ELE E ELA, além de comédias com elenco. Gostávamos de trabalhar juntos, nos entendíamos muito bem em cena, improvisávamos e nunca tivemos problemas.
ANKITO: Nossa vida em comum é muito tranqüila.
DENISE: Embora haja 36 anos de diferença de idade entre nós dois, isso nunca nos trouxe problemas. Quando resolvemos vir morar aqui na chácara, decidi não voltar aos palcos.

LOU: E como ficou a sua vida profissional?
DENISE: Me dediquei durante anos a escrever a biografia dele, que finalmente terminei e será lançada em breve. Escrevo peças para os amigos e cuido do meu maridão e dos contratos deles. Virei uma espécie de agente dele.
Somos felizes, nos amamos, nos respeitamos..

LOU: Afinal, quem é Ankito?
ANKITO: Sou um jovem de 82 anos, com 74 anos de carreira, onde tudo na minha vida é curiosidade e história. Já fiz tanta coisa que, se eu parar para ficar falando tudo, vão pensar que eu tô inventando! Ainda tenho um grande vigor físico que chega mesmo a impressionar os mais jovens. E dou a receita: "Eu sempre ficava dando saltos mortais! Por isso, de tanto fazer, ainda me sinto em forma!".

LOU para DENISE: E qual é o segredo pra se manterem assim felizes depois de tantos anos de casados?
DENISE: Somos companheiros um do outro, amigos e amantes.

LOU para ANKITO: Mande um recado pros nossos "velhosamigos".
ANKITO: Que tenham muita fé em Deus, sempre, e também muita confiança em si mesmo.

Correção: Anna Eliza Fürich
aefuhrich@gmail.com

Autor(a): Lou Micaldas

 

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