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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

ARACY GUIMARÃES ROSA
publicado em: 06/01/2016 por: Netty Macedo

 

Aracy Moebius de Carvalho, filha de pai português e mãe alemã, nasceu em 1908, no Rio Negro, Paraná.
No Brasil, o divórcio era proíbido e as mulheres separadas eram malvistas.
Talvez por isso, ela tenha se mudado pra Alemanha,
pra morar com uma tia, após a separação do primeiro marido, Johan von Tess, também descendente de alemães, com o qual teve um único filho, Eduardo Tess.

Como falava português, inglês, francês e alemão, conseguiu uma nomeação para trabalhar no consulado brasileiro em Hamburgo.

Aracy foi a segunda mulher do grande escritor João Guimarães Rosa, autor do livro Grande Sertão: Veredas, mas se tornou famosa por sua própria história de vida.
 
Em 1938, quando era chefe do setor de vistos do consulado de Hamburgo, Aracy ajudou os judeus a conseguir vistos pra fugir da Alemanha e entrar legalmente no Brasil. Ela decidiu ignorar as ordens do Itamaraty, que no governo de Getúlio Vargas, em Carta Secreta, proibira a migração de judeus para o Brasil.

Aracy, que ficou conhecida como o “Anjo de Hamburgo”, despachava com o cônsul geral e utilizava a artimanha de não colocar a letra J, que identificava quem era judeu, nas solicitações e, depois, misturava os  papeis para obter a aprovação dos vistos. 

João Guimarães Rosa, que era o cônsul adjunto, soube do truque, apoiou a sua arriscada decisão, deu-lhe ajuda e ampliou o número de atendimentos no setor. Graças ao nosso jeitinho brasileiro os judeus receberam os vistos assinados pelo Cônsul Geral.

Ela e Guimarães Rosa tiveram que ficar quatro meses sob custódia do governo alemão, até serem trocados por diplomatas alemães. Em 1942, quando governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com a Alemanha e passou a apoiar os Aliados, eles voltaram ao Brasil e se casaram, por procuração, no México, porque aqui o divórcio ainda não era permitido. Eles ficaram juntos por cerca de trinta anos  até a morte dele, em 1967.

Em seu livro “Grande Sertão: Veredas”, considerado sua obra-prima, Guimarães Rosa, um dos maiores fenômenos da literatura mundial, postou a seguinte dedicatória na primeira folha: “A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro”. João Guimarães Rosa.

Aracy teve em seu poder os direitos integrais desse livro e das demais obras literárias publicadas até sua morte. Ela e cada uma das filhas passaram a receber um terço dos direitos autorais. E, na produção inédita, Aracy ficou com 50% e cada uma das filhas com 25%.

Existe ainda uma obra que ainda não foi publicada, por falta de autorização das filhas do primeiro casamento: o diário de Hamburgo, escrito por Guimarães Rosa, quando era cônsul-adjunto em Hamburgo, o qual descreve a sua indignação com as atrocidades cotidianas cometidas, entre 1938 e 1942, contra os judeus e cita alguns episódios sobre a sua mulher Aracy.
 
Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, viúva do escritor João Guimarães Rosa (1908-1967), morreu com 102 anos, no dia 3 de março, de causas naturais, em São Paulo.

Fontes: Wikipédia, e outros Sites.
Lou Micaldas

Publico, abaixo, o comovente texto que recebi de Marlene Soares intitulado "Velhas amigas"
de autoria de Carla Sasso Laki e Débora Nogueira do estadao.com.br.

Segundo informações de uma representante da família, Dona Aracy ficou muito próxima de uma das famílias que ajudou a resgatar da Alemanha. Quando voltaram ao Brasil ela e Maria Margareth Bertel Levy, ou Dona Margarida - como era conhecida, se tornaram quase inseparáveis.

A amiga alemã ficou viúva cedo e acabou sendo 'adotada' pelos Tess. "Quando uma ficava doente, a outra também ficava. Parecia que eles sentiam as mesmas coisas. Em 2003 as duas caíram, uma em casa, outra na rua, e acabaram ficando de cama até hoje", afirmou a fonte.

Dona Margarida faleceu no último dia 21 de falência múltipla dos órgãos e, três dias após o ocorrido, Dona Aracy começou a passar mal e foi internada novamente.

De acordo com a representante da família, é evidente que ela não tinha conhecimento do falecimento da amiga, mas é curioso como elas passaram por muitos problemas semelhantes em períodos próximos.

 

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