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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

ARY FONTOURA
publicado em: 06/01/2016 por: Netty Macedo

Matéria publicada em 18/06/2007

Ary Fontoura descobriu cedo, aos quatro anos de idade, seu dom para o teatro, imitando as pessoas e criando cenas teatrais. Ele cursou até o último ano da faculdade de direito, mas decidiu atender ao chamado de sua vocação de ator.
Enquanto muitos estavam fugindo, ele veio na contramão bater aqui, no Rio de Janeiro, no dia 31 de março de 1964.
Pelo menos, duas revoluções aconteceram naquela data marcante: a conquista do poder pelos militares e a mudança de rumo na vida do jovem Ary, ex-estudante de direito, que se tornou um astro na arte de representar.
Para alcançar seu objetivo, ele engraxou sapatos e se empregou como cozinheiro numa lanchonete. Viva ele!
Ator versátil, ele mostra seu talento tanto na arte dramática como em personagens cômicos. Todos os papéis que já representou se tornaram inesquecíveis. Em 2008, ele completou 40 anos de atuação na TV Globo, em novelas que marcaram época, entre elas: "Dancing Days", "Gabriela", "Guerra dos Sexos", "A Indomada", "Dancin' Days", "Guerra dos Sexos", "Roque Santeiro" e muitas outras.
Encontrei com ele, em 2007, na fila do elevador no Shopping da Gávea. Isso mesmo! O grande ator respeita filas!
Um grande ator, uma celebridade, um simples cidadão que sabe viver.
Ele me deu seu e-mail, para que pudéssemos entrevistá-lo para o nosso Site.

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Lou: Quando e onde você nasceu?
Ary: Nasci em Curitiba, Paraná, em 27 de janeiro de 1933.

Lou: Como foi sua infância? Você era muito travesso, aprontava na escola? Conte pra nós sobre o tempo do Colégio Estadual do Paraná e do professor William Butter, o “Mordomo Manteiga”.
Ary: Foi das mais felizes, embora a família passasse por uma série de dificuldades.Afinal, meu pai era professor de curso primário, hoje primeiro grau, e como todos os professores, igual aos de agora, ganhava mal. Mas nunca nos faltou nada. Sabedores das reais dificuldades, eu e meus irmãos íamos à luta e, ao mesmo tempo que estudávamos, trabalhávamos para ajudar no sustento da casa. Fazíamos com muita alegria. E dividíamos nosso tempo . Algumas horas para estudar, outras para trabalhar, e o que sobrava, brincar. Eu, desde os oito anos, trabalho e me sustento. E vejo que trabalhar é coisa de Deus. Afinal, cabeça vazia é oficina do diabo. No colégio, meu primeiro professor de inglês se chamava William Butler! Ele sempre fazia um trocadilho com as palavras butler (mordomo) e butter (manteiga). Dizia que por pouco não tinha sido batizado como William Butler Butter. E, enquanto traduzia, ria, divertindo-se muito - “William Mordomo Manteiga!” Que figura, que tipo inesquecível e que excelente caráter. Deus o tenha!

Lou: Quando e como foi que você descobriu sua vocação artística?
Ary: Desde criança. Para lhe ser preciso, aos quatro anos de idade eu já imitava os outros e transformava tudo num teatrinho. Só mais tarde, aos dez anos, comecei a cantar em programas infantis da Rádio Clube Paranaense. E daí, ninguém me segurou mais.Tomei consciência que seria um artista.

Lou: Você comemorou seus 55 anos de carreira dirigindo e atuando como protagonista na peça “Marido de Mulher Feia tem Raiva de Feriado”. Fui conferir e adorei. Foi impressão minha ou você também se divertiu trabalhando nessa peça?
Ary: Nada que faço em teatro, TV, cinema ou show me desagrada. Procuro entender que cada trabalho novo é um desafio e me preparo para isto. É como se eu fosse um operário! Mas não brinco em serviço! Acho que o público merece o melhor de mim! Quando você faz alguma coisa por amor, isto não se constitui em nenhum sacrifício. Na comédia, quanto mais bem humorado você estiver, maior rendimento para o seu trabalho. Foi isso que você detectou em mim - meu bom humor! Quanto à comemoração, foi uma coincidência. A data dos 55 e a peça!

Lou: Você foi premiado com o Troféu Imprensa/1985, no papel do impagável Florindo Abelha, em “Roque Santeiro”. Em 1999, você foi eleito o melhor ator do ano e, num discurso emocionado, disse que, em 40 anos de carreira, era o primeiro prêmio que havia recebido. A partir de então, você recebeu outros?
Ary: Minha querida, vamos corrigir a pergunta. O troféu Imprensa veio depois que fiz a novela “A Indomada”. Ela foi apresentada em 1997. Fui considerado o melhor ator do ano por esse trabalho. (Na foto: Kristie é Mishiko e Ary Fontoura o deputado Pitágoras Williams Mackenzieem na "A Indomada")
Anteriormente, já havia recebido outros troféus no teatro , sobretudo. O papel do Florindo Abelha deu-me o Destaque do Ano. E por aí afora.

Lou: Você fez parte de uma comissão de artistas que foi ao Senado para reivindicar mais investimentos para o teatro do Rio e de São Paulo, assim como a criação de uma subcomissão de Teatro na Comissão de Educação e de uma Agência Nacional do Teatro. A iniciativa rendeu resultados?
Ary: Estas incursões só trazem resultados satisfatórios a partir da união de uma classe. E nós, atores e atrizes, somos muito descuidados. É um processo bastante demorado, não impossível. Só que, igual a todo o povo brasileiro, nossa classe ainda não descobriu que a união faz a força.

Lou: Qual foi o grande momento de sua vida profissional?
Ary: Na década de 80, fiz excelentes trabalhos em teatro, quando pertencia ao elenco fixo do Teatro dos Quatro que, na época , era subvencionado pela Shell. Esta subvenção permitia
grandes trabalhos. Foi aí que fizemos ótimas peças com elencos excelentes. “O Rei Lear”, “Assim é se lhe Parece”, “Sábado, Domingo e Segunda” e“A Ópera do Malandro” foram títulos que, sem dúvida, engrandeceram o meu currículo. Foi na TV Globo, na época de Roque Santeiro, uma novela que no seu último capítulo foi assistida por 90% do povo brasileiro. Foi o maior público que já tive. Se tiver que somar todas as pessoas que me viram no teatro nesses 55 anos- e olhe que fiz muitas peças! - não igualaria em número o que o último capítulo do "Roque” conseguiu. Costumo sempre dizer que estar na televisão é também importante para um ator expandir o seu trabalho e firmar sua qualidade junto ao público. Teatro e TV são uma dobradinha infernal! ( Na foto: Ary Fontoura é Florindo Abelha e Eloísa Mafalda a Dona Pombinha)

Lou: Há alguns atores/atrizes com os quais você prefere atuar? Por quê?
Ary: Dialogar e não monologar. Não há nada melhor do que trocar interpretações com colegas eficientes. Não há uma idade estabelecida. Não há esse ou aquela. Existe a capacidade de realizar um trabalho!

Lou: Fez algum trabalho do qual se arrepende?
Ary: Não é propriamente arrependimento! Seria uma vontade de regredir para compensar certas falhas havidas. Mas, como ninguém é caranguejo pra andar pra trás, é melhor se colocar em termos de agora e corrigir o que não foi feito. Apesar disso, sempre ficarão arestas para serem preenchidas. Na arte como na vida, ninguém é perfeito!

Lou: Você prefere fazer teatro ou televisão?
Ary: Só não me agrada fazer as duas coisas ao mesmo tempo. E dificilmente eu consigo fazer uma coisa de cada vez. Só resta o conformismo e colocar no trabalho um pouco mais de energia, para dar conta de tudo da melhor forma possível.

Lou: Como você se sente trabalhando com os jovens atores? Você acha que eles ajudam, pela renovação, ou atrapalham, pela falta de experiência?
Ary: Dar as costas para a renovação das coisas e pessoas é um profundo desconhecimento do que é viver. Aos mais experientes compete expandir seus conhecimentos , usar ao máximo a generosidade e respeitar o próximo com suas limitações. As pessoas, com real inclinação para aquilo que desejam se dedicar, merecem isso. Às vezes, prematuramente, rotulamos futuros colegas como incapazes. É preciso entender, para não cometer injustiças, que as pessoas têm tempos diferentes de assimilação. Uns demoram mais, outros menos. Para isso, ter paciência me parece louvável. Não existe nada melhor do que assistir o progresso de quem você acreditou e deu a mão.

Lou: Você tem um fã clube enorme. Alguns deles se tornaram amigos pessoais?
Ary: Certas pessoas se intimidam diante da fama dos atores e perdem, por causa dessa timidez, a possibilidade de ampliar seu rol de amigos. Eu estou sempre pronto a acolher aqueles que de mim se aproximam.

Lou: Você é muito querido pelo seu público e sua vida artística é muito rica. Você gostaria de acrescentar mais alguma história interessante para os nossos “velhos amigos”?

 


Ary: Na verdade, eu tenho muitas histórias para contar. Afinal, são tantos anos de trabalho, não é? Nossos “velhos amigos”... Aliás, gostaria de acrescentar que, se fosse possível, tiraria do dicionário essa palavra “velho”, usada no sentido pejorativo, com relação às pessoas. Eu acredito que enquanto se tem vida , saúde e se raciocina consideravelmente bem, somos sempre jovens. A matéria pode ser falível, mas o espírito não! Ele é o nosso grande aliado e abre um caminho extraordinário para a esperança!

 

 

 

Lou: Muito obrigada. Pra encerrar, peço que você mande um recado pros “Velhos Amigos”.
Ary: Não se entreguem! Vivam cada segundo que lhes foi dado , usufruindo dele tudo o que for possível! E lembrem-se: "o futuro é hoje!"

• Sete Pecados (Rome), 2007
• Chocolate com Pimenta (Ludovico Canto e Melo), 2003
• Porto dos Milagres (Deputado Pitágoras Mackenzie), 2001
• Vila Madalena (Seu Menêz), 1999
• Meu Bem Querer (Delegado Neris), 1998
• A Indomada (Pitágoras William McKenzie), 1997
• Vira-Lata (Aurélio), Lata (Aurélio)
• A Viagem (Tibério Campos), 1994
• Agosto (Ipojuca), 1993
• Deus nos Acuda (Félix), 1992
• Araponga (General Perácio), 1990
• Tieta (Coronel Artur da Tapitanga), 1989
• Bebê a Bordo (Nero Petraglia), 1988
• Hipertensão (Romeu), 1986
• Roque Santeiro (Prefeito Florindo Abelha, "Seu Flô”), 1985
• Amor com Amor se Paga (Nonô Correia), 1984
• Guerra dos Sexos (Dino), 1983
• Paraíso (Padre Bento), 1983
• Jogo da Vida (Celinho), 1981
• Plumas e Paetês (Raul), 1980
• Marron Glacê (Ernani), 1979
• Dancin' Days (Ubirajara Martins Franco), 1978
• À Sombra dos Laranjais (Tomé Caldas / Estopim), 1977
• Nina (Fialho), 1977
• Saramandaia (Aristóbulo), 1976
• Gabriela (Dr. Pelópidas Clóvis Costa), 1975
• O Espigão (Baltazar Camará), 1974
• O Semideus (Mauro), 1973
• Bandeira 2 (Apolinário), 1972
• O Cafona (Profeta), 1971
• Assim na Terra Como no Céu (Rodolfo Augusto), 1970
• Passo dos Ventos (Professor de Equitação de Vivien), 1968

Minisséries
• Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados (Atendente do bar), 1995

Seriados
• A Diarista (Herodoto, no episódio Mata o Véio), 2004
• Sítio do Picapau Amarelo (Coronel Teodorico), 2001
• Sai de Baixo (Geraldo Berrante, no episódio Auto da Compadecida), 1999

Filmes
• Se Eu Fosse Você 2 (Padre Henrique), 2008
• A Guerra dos Rocha (Dina), 2008
• Xuxa Gêmeas, 2006
• Terra Incógnita (Diego), 2006
• Se eu Fosse Você (Padre Henrique), 2006
• Ed Morte (Nogueira), 1997
• Beijo 2348/72 (Alvarino), 1990
• O Torturador, 1981
• O Sósia da Morte, 1975
• Banana Mecânica, 1974
• Motel, 1974
• Os Mansos, 1973
• Um Uísque Antes, um Cigarro Depois, 1970
• Os Paqueras, 1969
• Os Raptores, 1969
• O Agente da Lei, 1969
• Até Que o Casamento nos Separe, 1968
• As Sete Faces de um Cafajeste, 1968
• O Vigilante Rodoviário, 1962

 

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