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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

BIDÚ REIS
publicado em: 07/01/2016 por: Netty Macedo

 
Matéria publicada em 23/03/2004

A cantora, compositora e pianista Bidú Reis nasceu no Méier em 5 de março de 1920. Filha dos pianistas, Antônio Ferreira dos Santos Reis e da professora de piano Doralice Pimenta Reis, só começou a estudar piano aos 50 anos. Com muita jovialidade e simpatia, ela nos concedeu esta entrevista.

LOU: Seu nome de batismo é Edila Luísa Reis, como surgiu o apelido de Bidú, assim com acento no "u"?
BIDÚ: Quando eu era pequena, meu pai andava comigo no colo e ficava falando: bidúbidú(sic), bidúbidú, fazendo cosquinha no meu queixo, provocando o meu riso. Aí, o meu pai começou a me chamar de Bidú e o apelido pegou.
Eu escolhi Bidú Reis como pseudônimo, porque tive tudo de bom neste mundo por causa desse apelido. Sou muito agradecida a meu pai por causa disso.

LOU: Conte-nos sobre seus pais.
BIDÚ: Meus pais são Antônio Ferreira dos Santos Reis, que também tocava piano, e Doralice Pimenta Reis, professora de piano, que tocou no cinema mudo em Nova Iguaçu, o cinema Verderosa.

Lá, eu ganhei um prêmio com 8 anos porque eu cantei também no palco uma musiquinha muito bonitinha, que fizeram pra mim, chamada "Eu sou Zequinha", vestidinha de menino com uma bengalinha na mão e ganhei uma boneca linda. Foi meu primeiro prêmio, com 8 anos.

LOU: E você se lembra da música?
BIDÚ: (cantando) "Eu sou Zequinha, engraçadinho.... não me lembro mais não... risos....Depois, aos 14 anos, eu estava ouvindo uma rádio, a Cruzeiro do Sul, aí tinha umas meninas cantando, rapazinhos, garotos, juventude mesmo. Achei bonito e disse: - Papai, deixa eu ir cantar neste programa? E meu pai disse: - Deixo! Aí, minha irmã mais velha me levou na Cruzeiro do Sul, eu fiz um teste e então comecei a cantar individualmente. Lá estava a Emilinha. Então tinha uma pianista que nos acompanhava a Carmem Eugênia, que disse: - Vocês são tão engraçadinhas, porque não fazem uma dupla? Aí fizemos a dupla.

LOU: Emilinha também era novata.
BIDÚ: Era. Ela tinha 13 anos e eu 14. E começamos a ensaiar no programa juvenil. Ela foi lá pra minha casa, porque ela morava com a avó na Piedade e ficava longe pra ela. Então, ela conviveu na minha casa, com as minhas irmãs, com meus pais. Mamãe ensaiava a gente, minha irmã fazia a nossa roupinha e da minha irmã Eunice, que eu adoro e então, ficávamos igualzinhas sempre. O Ary Barroso também estava na Cruzeiro do Sul...

LOU: Onde ficava a Rádio Cruzeiro do Sul?
BIDÚ: Na Cinelândia. Ensaiávamos lá e fomos contratadas pra Mayrink Veiga, porque o Ary Barroso gostava muito das moreninhas e nós éramos muito parecidas. Ele nos levava pra tudo quanto era show. Nós fomos pra Mayrink Veiga e o César Ladeira fez um contrato conosco.

UMA BALA MATOU A DUPLA

Fizemos muito sucesso e até fomos convidadas pra cantar num teatro, o Teatro Fênix, me parece. Fazíamos a nossa temporada, chegou no último dia, tudo muito bem, um sucesso! Umas músicas muito bonitinhas feitas pra nós (canta): "Eu sou marinheiro, mestre de mergulhar.... as duas vestidinhas de marinheiro. "Uma gracinha", dizia o pessoal. Então, a Emilinha, no último dia, conheceu o filho do coronel que era dono do cinema e aí ele disse: - Vamos dar uma voltinha, vou te mostrar o teatro. Eu falei: - Não Emilinha, não vai não porque daqui a pouco nós vamos entrar. Aí ela disse: - Eu vou um pouquinho e não demoro não. Aí ele foi com ela mostrar o teatro. Ah, minha filha! E o meu nervosismo? Eles estavam demorando e tava quase na hora de entrar; e eu tinha um senso de responsabilidade já com 14 anos. Gostava das coisas muito certinhas. E ela demorou a chegar. Então, nervosa, peguei uma bala. E quando ela chegou, eu disse: - Emilinha, mas você demorou e já vão te chamar. Aí, eu peguei a bala botei na boca e ela disse: - Você vai entrar com a bala na boca? E eu que já estava zangada com ela disse: - Vou sim. Sabe como é criança pirracenta. Minha filha, eu vou te contar. Anunciaram e nós entramos e eu com a bala na boca (risos) e começamos a cantar: "Eu sou marinheiro .....De repente, eu engoli a bala, engasguei, saí correndo, deixei-a sozinha, coitadinha, mas ela foi profissional; a garota foi formidável! Sabe o que ela fez? Eu fazia a 1ª voz e ela fazia a segunda. Quando eu corri engasgada, o pessoal até morreu de rir, bateu muita palma também, ela passou pra minha voz. Quer dizer, foi inteligente, profissional. Mas aí, eu fui pra coxia, fiquei lá sentada, muito aborrecida porque tinha acontecido aquilo e ela chegou perto de mim, zangada também, e disse: - Olha Bidú, essa bala matou a dupla. Eu disse: - Tá bem. Então, eu vou estudar, vou pro colégio de freiras, que eu tinha vontade mesmo de ir. E fui. Aí desmanchamos a dupla. Ela seguiu, foi pra Rádio Nacional, e eu fiquei só estudando. Depois, em 1939, voltei pra Rádio Nacional, pro programa "Picolino", com Barbosa Junior e fiquei na Rádio Nacional por 30 anos.

AS TRÊS MARIAS
LOU: Quanto tempo você ficou no colégio de freiras?
BIDÚ: 3 anos. Depois é que eu comecei a estudar mais. Mas aí, quando voltei, comecei a cantar sozinha. Fui crooner da Orquestra Tabajaras, a primeira cantora, fui rádio-atriz, trabalhei também na Tupi, com o "Quarteto Tupã", com a Helena Cardoso de Menezes, atuei em diversos conjuntos vocais como "As Três Marias", na Rádio Nacional.

LOU: Além de você, quem integrava o grupo das "As Três Marias"?
BIDÚ: Era a Marília Batista, eu e a Regina Célia. O grupo foi formado em 1942, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, pelo diretor artístico José Mauro. E o nosso primeiro disco foi lançado também em 1942, acompanhando Linda Batista nos sambas "Bom-dia" (Herivelto Martins e Aldo Cabral) e "Aula de Música" (Haroldo Barbosa e Herivelto Martins). Cantamos até com o Francisco Alves no segundo disco, que saiu em 1943. Tinha um programa chamado "Um Milhão de Melodias" que era um sucesso. Eu quase dormia na rádio. Ensaiávamos o dia inteiro. Também participamos do filme "É Proibido Sonhar", de Moacir Fenelon.

LOU: Era a sua paixão.
BIDÚ: Era. Mas nós éramos o cartão de visita da rádio, porque o superintendente gostava muito da gente. Nós não gastávamos um tostão de roupa. A Rádio Nacional dava tudo pra gente, pras "Três Marias", tudo. Depois, a Marília casou e ficamos eu, a Regina Célia e a Edinar Martins, irmã do Herivelto. Aí nós viajamos, fomos pra Tupi. Fizemos uma temporada, fomos para o Norte, cantamos, fizemos muito sucesso também. Depois nós voltamos e eu fui convidada pra voltar pra Rádio Nacional. Então, eu saí das "Três Marias".

LOU: E você já era maior de idade?
BIDÚ: Já, eu tinha uns 20 anos.

LOU: E você ficou de bem com a Emilinha depois?
BIDÚ: Ah, ficamos! Ela foi me visitar no colégio e depois começou a rir de mim, porque eu estava com aquela saia comprida. Ah, Bidú, vamos voltar, volta, volta! Eu disse não, agora eu quero estudar. E fiz muito bem. Estudei muita coisa e hoje eu sou escritora, escrevo livro pra crianças, sou poetisa, ganhei até um prêmio "A Poetisa do Século", uma das dez mais poetisas do século e tenho recebido muitos prêmios.

LOU: E livros de crianças?
BIDÚ: Publiquei um chamado "A Inteligência dos Animais". É um livro didático, ecológico e agradou muito. Cinco mil livros. Mas eu não vendi, eu doei, pra todo mundo. Eu ia nos hospitais, dava pras crianças; não vendi um livro.

LOU: Que maravilha! E agora me diz, você disse que começou a compor fazendo paródia.
BIDÚ: Paródias. Depois, quando eu estava na Rádio Nacional, eu fiz uma adaptação numa música estrangeira e botei o nome "Lili Bolero" e era assim: (cantando) "Eu sou Lili Bolero...
Foi a primeira música que eu gravei. Foi um sucesso. A Marion fez um sucesso tremendo. Então, o Haroldo Barbosa, que foi um grande letrista da Rádio Nacional, um rapaz inteligentíssimo, chegou perto de mim e disse: - Ô Bidú, você tem muito jeitinho, tá fazendo sucesso com essa música. Eu vou dar uma letra pra você fazer a música. Eu disse: - Pois então me dá. Eu tava fazendo dupla com a Marília. Ele me deu a letra do "Bar da Noite" que eu levei pra casa. Então, peguei meu violão, que eu tava doida pra fazer a música mesmo, fazer parceria com ele. No dia seguinte, fui ao bar; nós estávamos sempre no bar e falei: - Ô Haroldo, vem ouvir, dá uma ouvida aqui. Aí ele disse: Ah, Bidú, mas que beleza, mas tá muito bonita essa música, mas eu lancei primeiro na Rádio Nacional cantando. Aí ele, mostrou pra Nora Ney e ela quis gravar.

LOU: E fez aquele sucessão!
BIDÚ: Ganhei medalha de ouro com essa música.

LOU: Você aprendeu piano com a sua mãe, não é?
BIDÚ: Não, eu tinha uma noção, porque eu tocava piano de ouvido. A mamãe tinha uma porção de alunos e quando saíam, eu ia pro piano e ficava tocando. Mas, depois que eu fui pra Rádio Nacional, eu não tinha tempo pra nada, não podia estudar música. A minha mãe era uma grande pianista, uma grande professora também, mas sabe como é, eu não parava em casa, não podia. E tinha que estudar 8 horas por dia de piano. Então, eu só fui aprender a tocar piano por música em em 1970, com 50 anos. Contratei uma professora pra me ensinar, a Maria José, e foi uma beleza. Estudei 8 anos com ela. Teoria, tudo, tudo. Você vai ver pelo CD.

LOU: E como surgiu o CD com os canarinhos... me conta essa história...
BIDÚ: Ah, sim. Você sabe que eu tinha uma criação de canários. Então, aos domingos, o João de Oliveira ia lá pra casa, com o César Cruz e nós tocávamos juntos. Eu toquei e gravei diversas coisas com o João, ele no violão e eu no piano. E os canários ficavam cantando, ficavam cantando... eles se acostumaram. Então, eu comecei a tocar piano e eles cantavam junto comigo. Aí eu fui gravando, e engraçado, parece que eles têm ritmo, você vai ver. Enquanto eu ia gravando , eu pensava assim: quando meus canarinhos estiverem mortos, eles vão ser imortalizados, porque eu vou passar pro CD e fiz isso. Colquei no CD:"Os canarinhos da Bidú"

OS CANARINHOS DA BIDÚ

LOU: Que lindo! Agora, conta pra nós a história do Murilo Latini, que foi seu parceiro em várias músicas.
BIDÚ: Exatamente. Eu era assistente musical do Floriano Faissal, na Rádio Nacional. E, um dia, trabalhando na minha sala, interfonou o diretor comercial: - Bidú quer dar um pulinho aqui? Fui lá; quando cheguei, vi um rapaz bonito com ele. Louro, alto, bonito mesmo. Ele disse: - Bidú, quero te apresentar aqui um amigo. É o Murilo Lattini. Ele está chegando de São Fidélis e quer tentar a vida aqui. Ele era fotógrafo lá em São Fidélis e quer continuar o trabalho dele aqui. Você, como é muito popular por aqui e todo mundo gosta de você, eu queria que ajudasse a ele pra fotografar as pessoas, os artistas e tal. Eu disse: - Com muito prazer. A primeira pessoa que ele vai fotografar é a minha filhinha, com 3 anos, porque eu queria tirar a foto dela ao lado de uma árvore de Natal que eu já armei. Era época de Natal. Aí, combinei com ele e num domingo ele foi. Tirou uma porção de retratos com a menina e ficaram muito bonitos. Depois de lancharmos, ele tirou do bolso um papel e me perguntou, bem humilde: - Bidú, será que você poderia dar uma olhada nessa letra? Eu disse: - Pois não. Quando eu olhei, eu tenho visão, né, eu disse: - ih isso aqui vai dar um bolerão! Você vai ver, vou fazer agora mesmo. Aí peguei meu violão e comecei: "Interesseira......" e fui embora...; e a música saiu toda de uma só vez.

Ele ficou entusiasmado, ficou contente à beça. Pegou outra o "Apesar dos Pesares" e disse pra mim que tinha outra ali. Eu disse: - hoje, não vou fazer mais porque minha inspiração agora passou, mas vai 5ª feira à rádio que eu levo tudo direitinho, levo as duas. Vou te dar uma cópia e vou ficar com as outras na minha gaveta, porque eu vou colocar essas músicas. Isso foi perto do Natal, em dezembro. Ele tava sempre lá, na Rádio Nacional, quando chegou março, era dia do meu aniversário, dia 5 de março. O pessoal todo gostava muito de mim e estava fazendo uma festa pra mim. Mas antes eu pedi ao diretor artístico, que era o Floriano Faissal pra dar um contrato pro Anísio Silva. Disse-lhe: - O Anísio só canta como visitante e canta tão bem, tá fazendo sucesso... Mal sabia eu que ele ia gravar música minha. Aí, o Floriano me atendeu, deu o contrato a ele. Esse meu pedido foi feito há uns quatro ou cinco meses. E quando ele viu aquela festa toda, entrou e perguntou que festa era aquela. E alguém disse que era aniversário da Bidú. Aí, ele ficou assim e disse: - Ah, Bidú, que pena, se eu soubesse que era seu aniversário, teria trazido um presente pra você. Não faz mal, vou gravar agora um LP e eu quero uma música sua. Eu disse: - eu tenho duas aqui; me lembrei do Murilo pra ajudá-lo né, e quando acabar a festa, eu vou ao piano e vou te mostrar, vamos lá. E acabou a festa e tal e ele doido pra ouvir. Chegamos lá no estúdio, mostrei "Interesseira" e ele adorou. Quando eu mostrei a outra, que na minha opinião, é mais bonita que a "Interesseira", ele disse: - Vou gravar as duas! Aí, incluiu no LP aquelas duas.

O "Apesar dos Pesares" foi na onda, mas quem estourou mesmo foi "Interesseira". E o Murilo ficou tão bem, tão bem, ganhou tanto dinheiro, que comprou um apartamento. Aí saiu da casa da mãe dele com as meninas e foi morar ali na Rua Guapemi. Depois, eu arranjei um emprego pra ele na Rádio Nacional, que a esposa dele me pediu. Fui ao superintendente, que me atendeu, e deu emprego pro Murilo Latini. Ajudei-o de toda forma.

LOU: Quer dizer que quando a sua estrela subia, você levava um monte de gente junto?
BIDÚ: Eu ajudei a tanta gente Lou, que você nem imagina. Mas, é o meu hobby. Eu adoro ajudar as pessoas.É por isso que eu me sinto uma pessoa muito feliz. Olha, na Rádio Nacional eu ajudei a tanta gente que você não imagina. Os compositores tinham aquele concurso na televisão de músicas e eles iam lá e falavam: - Ah, Bidú, quer passar na máquina pra mim? Eu ajudava e se tinha erro de português, eu consertava tudo e depois levava no mimeógrafo, passava, dava pra eles e eles levavam as letras corretas. Sempre ajudei. E alguns ganharam prêmio também e era sempre assim.

LOU: Você teve um grande amor na sua vida. Como é que foi isso?
BIDÚ: Um grande amor e o único amor. Durou 30 anos esse amor, muito grande mesmo. E quando ele morreu, não quis saber de mais ninguém. Casei-me com a minha arte.

LOU: E você adotou uma criança.
BIDÚ: Adotei uma criança. Eu adotei quando o meu amor estava vivo...

LOU: Você enxutérrima desse jeito e já fez 84 anos. Me dá aí a sua receita de saúde, de beleza, tudo.
BIDÚ: Pois não. Em primeiro lugar, eu acho que a pessoa não deve pensar em idade. Idade é uma coisa que tem quer ser mesmo. Enganar a idade, também não acho certo. Mas, eu tenho uma receita. Todo mundo acha que eu não aparento a idade. Eu realmente tenho uma saúde maravilhosa e agradeço muito a Deus. Olha, eu não fumo, não bebo. Aconselho a todo mundo que não beba, não fume, que não passe noites em claro, porque isso acaba com a pessoa. Outra coisa que acaba com a pessoa é praia. Eu nunca vou à praia, nunca fui nem mocinha, porque queima, esturrica a pele e envelhece muito rapidamente. Olha, eu tomo muita coalhada e suco de abacaxi pra evitar o colesterol, eu tenho uma alimentação sadia, eu como muito bem, mas nada de gorduras, nada de frituras e é por isso que eu acho que sou forte.

LOU: E também porque você tem essa alegria de viver. A música é o melhor alimento da alma?
BIDÚ: É uma terapia a música. Eu sempre vivi no meio de música. Meus irmãos são todos musicistas, tinha um irmão pianista que tocava em boates, o Luís Reis, mas o apelido dele era Reizinho, o cabeleira, era amigo do Frazão também. O Frazão o conheceu no Navona e o Frazão ia lá escutá-lo tocar piano.

LOU: Navona é nome de boate?
BIDÚ: Não, Navona é um bar.

LOU: Você é muito amiga do Frazão, da mulher dele, da família toda.
BIDÚ: É minha família. Nós nos consideramos irmãos. Ele é um irmão maravilhoso que eu tenho. Sabe, eu tinha 3 irmãos homens e meus irmãos eram muito agarrados comigo; eu os perdi e então eu adotei o Frazão como irmão e entrosei-me na família dele. A Sandra também me considera uma irmã e os meninos me chamam de Tia Bidú.

LOU: E você também é muito amiga da Lygia Maria Lessa Bastos.
BIDÚ: De anos. A Lygia foi que me ajudou a ganhar o concurso de primeira rainha dos músicos. Ela me ajudou muito.

LOU: Ela já era deputada?
BIDÚ: Ela era. Levi Neves, que também era de lá da Câmara, foi quem me coroou.
Eu também fui amiga sabe de quem? Do Dr. Café Filho. Eu tinha um sítio muito bonito ali... eu até troquei pelo meu apartamento. Ele era meu vizinho. Ele ia lá em casa com a senhora dele e dizia: - Bidú, nem como presidente eu comi um feijão tão gostoso como o seu (risos). Ele tava sempre almoçando comigo. O Dr. Café era uma beleza. Eu fiquei muito triste quando ele morreu porque lá no meu sítio eu não tinha piscina, eu não quis por causa da minha filha e crianças que pulavam pra brincar lá. Eu tinha uma charrete bonita e eu nadava na piscina do Dr. Café.

LOU: É muito gostoso lembrar dos velhos amigos.
BIDÚ: Você sabe que meus amigos são muito queridos. Haroldo Barbosa, Mário Lago me escolhiam pra fazer a música. E eu me sinto muito honrada porque são pessoas de nome, são pessoas maravilhosas como o Frazão.

LOU: Ter amigos também prolongam a vida; quem tem amigos nunca se sente sozinho.
BIDÚ: Eu, por exemplo, não sou muito de festas em boates. A pessoa pode me convidar pra ir a algum lugar. Mas se tiver negócio de bebida, boate; jamais gostei de boate. Eu cantei, fui crooner da Orquestra Tabajara, mas em bailes de formaturas, era uma orquestra de elite. Mas eu não gosto de dançar.

LOU: Você não gosta de dançar?
BIDÚ: Não. E fui professora de sapateado. Cursei com o Mr. Brown; ele tinha academia. Eu e a Éster Tacitano. Depois, aquela menina, uma artista que morava perto de mim, a Agnes Fontoura. E a minha irmãzinha que tinha 4 anos, eu ensinei. Nós trabalhávamos no circo o, Circo Dudu. A Cacilda, uma senhora que era nossa vizinha e minha amiga, nos convidou e fizemos uma temporada de um mês no circo. Eu cantando e ela sapateando com 4 aninhos, no Circo Dudu.

LOU: Nessa família grande de 11 irmãos, você ficava em que lugar?
BIDÚ: No meio. E eu sou a mais alta. As minhas irmãs saíram a minha mãe, que era baixinha também. E eu saí ao meu pai. Meu pai era baiano, um baiano bonito que veio pra cá ainda muito criança, muito pequenininho.

LOU: Você continua em plena atividade. Você trabalha aqui na UBC?
BIDÚ: Eu sou do conselho da UBC. E segui uma carreira política. Primeiro eu fui vogal; depois, eu fui trabalhar no departamento internacional; depois passei à diretora administrativa e, em 1990, acabou o meu mandato; fiquei 8 anos como diretora administrativa. Então, eu descansei. No ano passado eu voltei para o conselho. E na ADAF-Associação dos Defensores dos Direitos Autorais Fonomecânicos, venda de disco. Então o Dalton Vogler foi pra ADAF e eu fui como secretária dele. Trabalhei muito tempo com ele e depois saí, como funcionária e ele me chamou pra ser diretora. Entrei na chapa e estou até hoje como diretora.

LOU: Isso também é uma coisa muito boa. É um bom recado pros "Velhos Amigos". Porque, às vezes, a pessoa se aposenta e fica em casa sem fazer nada, esperando o tempo passar.
BIDÚ: Tem que ter atividade. Você vê, eu não paro...eu tenho uma facilidade pra escrever, porque eu não paro. Eu continuo fazendo músicas novas. Tem as músicas antigas por aí, mas eu estou produzindo músicas novas.

LOU: Isso é muito importante. Os Velhos Amigos agradecem imensamente essa honra...
BIDÚ: Você não queria que eu desse a receita? Já dei. Quando criança, nadava muito. Com 9 anos eu já nadava e fazia barra também e tomava muito suco de laranja, vitamina C. Acho que isso é que conserva. Porque eu não sou mole, não sou mole de jeito nenhum. (mostra as pernas, beliscando-se...risos)

LOU: Agradeço imensamente. É uma honra pro Site.

BIDÚ:
Quem agradece sou eu, a honra é minha. Você me convida e ainda mostra minhas pernas, meu Deus! (risos)

LOU: Vai ser um sucesso!

 

 

 

(Faleceu no dia 26 de junho de 2011)

Autor(a): Maria de Lourdes Micaldas

 

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