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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

BILLY BLANCO
publicado em: 07/01/2016 por: Netty Macedo

 
Matéria publicada em 30/03/2003

Um caboclo brasileiro, filho de português com mulata, chamado Almerindo Cipriano de Trindade, casou-se com Rosália Blanco Trindade, espanhola, nascida em Vigo, na Galícia. Tiveram oito filhos. No dia 8 de maio de 1924, nasceu um taurino cheio de bossa, o caçula dos oito irmãos. É ele que nos concede esta deliciosa entrevista, recheada de ironia e de bom humor.

LOU: Como é o seu nome todo?
BILLY: William Blanco Trindade. Nome estrangeiro, produto nacional.

LOU: Como foi a sua infância?
BILLY: Bonita. Nós éramos 8 irmãos. Agora somos 5. Eu era menino de rua, vivia jogando bola de meia, soltando pipa, vivia numa Praça da Bandeira de lá, onde eu me criei, em Belém do Pará. Minhas amizades, minha convivência e a minha criação foi entre judeus.
Na praça, havia uma família Trindade, a família Martins Viana e as oito famílias restantes, lá da praça, eram todas israelitas, de maneira que sou considerado aqui, na colônia, um falso judeu, porque conheci os costumes deles, as orações deles, me criei com eles, aprendi e também ensinei muita coisa.

LOU: Verdadeira união entre as raças e os povos. E as namoradas? Também namorou alguma judia?
BILLY: Não tive a oportunidade, porque as idades não combinavam. Não tive oportunidade de namorar as irmãs dos amigos da época. Mas as namoradas eram necessárias e suficientes para aquela juventude tumultuada. E eu, com o violão em baixo do braço, correndo para tudo quanto é lado, desde 10 anos de idade, sempre procurando tocar, aprender, fazer rima. No colégio, no ginásio, eu já fazia as provas de Português, onde a minha redação era sempre toda rimada e isso aí começou desde muito cedo.

LOU: Você era um menino que já tinha um dom pra compor, começou fazendo paródia, né?
BILLY: É. Fazia paródias sobre assuntos com músicas conhecidas e letras que eu ia pondo a respeito de fatos pitorescos. Coisas que realmente, com sinceridade, eu não me lembro mais.

LOU: E você estava em que pedaço dessa família?
BILLY: Eu era a raspa do tacho.

LOU: Era o temporão?
BILLY: Não chegava a ser temporão. O meu irmão mais velho tinha diferença de 4 anos, acima de mim.

LOU: Seus filhos herdaram esse dom?
BILLY: Ah! Principalmente o mais velho, que hoje é maestro. Ele estudou em Nova York, na Juliard School, uma escola de música. Nem se pode dizer que é semelhante à Berkley, também nos Estados Unidos, que é uma escola, vamos dizer, ginasiana, em termos de música, enquanto a Juliard School é uma escola de nível superior. Ele já tem 6 filhos. Acho que ele e a mulher não têm é tempo de vestir a roupa.

LOU: Mas ele arranja tempo pra tocar violão... A mulher dele também é um violão?
BILLY: Ela toca teclado e canta pra burro, toca violão também. E os filhos todos cantam. Tá ali a família... (mostra uma enorme foto da família). O gato foi adotado...

LOU: E eles, tirando o gato, fazem parte do seu show?
BILLY: Às vezes, quando estou fazendo show, que permite e que, vamos dizer, tá de acordo com o texto, com a engrenagem do show, então, eles participam. Participaram agora desse disco. A última música se chama "O Boto Falou". Tem um pequeno coro com a intervenção de cinco deles, menos o mais velho, a pequenininha também cantou.

LOU: Você se lembra qual foi a primeira música que você compôs?
BILLY: Eu me lembro que "Outono", gravada pela Dolores Duran, está entre as minhas primeiras músicas.

LOU: Você sabe cantarolar, lembra?
BILLY: Sei, mas será que cabe cantarolar?

LOU: Claro! Só para saber um trechinho.
BILLY: "Outono, sopra o vento/ Folhas mortas vão ao chão/ Para se erguer em poeira que volta errante/ numa brisa de verão/ Outono da minha vida, sem o calor do teu amor/ Sou uma folha caída/ Poeira perdida num vento de dor."

Eu não estou cantando com o violão porque o meu não está em casa. Meu empresário, no último show que fiz, levou-o pra casa dele. Não sei se ele já vendeu, mas se já vendeu fez ele muito bem.

LOU: Botou no prego... (risos)
BILLY: Olha, eu tava com todos os violões vendidos e no prego. Tava sem poder fazer show. Um dia, o Mielle me chamou pra fazer uma gravação na Estácio de Sá. Eu disse: "Mielle, mas eu tô sem violão." E ele me disse: "Cadê seu violão?" Eu disse: "Tava na pior e passei na ..." Ele disse: "Vem pra cá." Fui. Quando eu cheguei lá, tinha esse violão. Aí, eu toquei e disse "Puxa! Ótimo esse violão..." Então ele disse: "Pode levar pra casa quando terminar o show, porque esse violão é seu." Aí eu perguntei: "Mas como? Você comprou o violão pra mim?". Ele disse: "Não. Foi 'Nossa Senhora' que mandou." E daqui a pouco chegou a 'Nossa Senhora', que não queria que soubesse que era ela, mas quando eu vi ela entrar, desconfiei e disse: "É ela... Wanda de Sá!!!"

LOU: Ah! Que maravilha!
BILLY: Me deu um violão, que só não vendi, na semana passada, porque Deus ajudou e não precisei vender, mas já ia passar na moeda.

LOU: É verdade? Isso é brincadeira!
BILLY: Não. Eu to falando sério, uma coisa que parece até que é piada, né?

LOU: Não dá pra entender uma coisa dessas... É com isso que eu fico espantada no Brasil! Como pode um grande compositor, com tanta fama e ...
BILLY: Com tantas músicas gravadas!

LOU: Mas a melhor coisa que você tá fazendo agora é que você está cantando as suas músicas, não é?
BILLY: Eu tô fazendo qualquer papel. Eu só não faço strip-tease porque a minha bunda é muito feia.

LOU: Mas podia fazer... Você não viu aquele filme em que os homens, já maduros, desempregados, fizeram strip-tease e ficaram ricos?
BILLY: Você não quer beber algo? Toma whisky?

LOU: Eu prefiro beber água.
BILLY: Veja água pra ela; e pra mim, já tem um copo preparado com mate. Este cara faz tudo pra mim: passagem, bagagem, leva violão prá cá, pra acolá. Cuida de tudo, faz os contratos, enfim, é uma pessoa muito útil na minha vida.

LOU: É do seu empresário que você está falando? Qual é o nome dele?
BILLY: Sogildo Augusto da Silva.

LOU: O Sogildo acabou de falar que você é o anjo da vida dele. Mas me conta: você está precisando cantar, trabalhar seu show pra poder sobreviver. Você é aposentado pelo INSS?
BILLY: Sou.

LOU: Então deve ser por isso...
BILLY: Eu sou um coitado do INSS. Mas eu não me queixo...

LOU: Quanto você descontava pra se aposentar, dez salários mínimos?
BILLY: Pelo teto máximo. Porque eu fui aposentado como engenheiro de um banco. Eu era do quadro técnico. Então, era o último grau de desconto da minha folha de aposentadoria. Hoje,minha aposentadoria só dá pra eu ter a chance de correr atrás para conseguir a complementação. É assim ó... (fazendo o gesto de pouquinho).

LOU: Desse tamaninho.
BILLY: É. Mas não me queixo. Posso não ir como desejo, mas vou melhor do que mereço.

LOU: Por que você tem essa baixa-estima? Você merece muito, muito mais! Você é um nome que eleva o Brasil. Suas músicas são cantadas no mudo inteiro!
BIILY: Não é baixa-estima. É porque eu acho que Deus tá me dando demais. Ele me deu nove netos. Deu amigos. Me deu esse empresário que me ajuda pra burro. Enfim, tá tudo bem. As músicas estão sendo gravadas.

LOU: E você tem feito muito sucesso com esses shows?
BILLY: É. Mas é relativo, porque o sucesso que o povo e a plebe ignara consideram é a grande venda de disco, entendeu? E como a minha música não toca na rádio...

LOU: Porque não tem jabá?
BILLY: Não é só o jabá, porque também tem isso, né? Eu não tenho condição de jabacular ninguém. Eles preferem tocar aquilo que a mocidade gosta. A mocidade está sempre com a razão. Então eles tocam reggae, tocam xoxó, tocam xixi, xuxu, tocam, como é que chama?

LOU: Funk
BILLY: O funk. Tocam Pocotó. Não sei nem como é que se chama aquele negócio.
SOGILDO: Tocam aquelas músicas que só falam em bunda, né?

LOU: Agora eu acho que a juventude, coitada, nem tem muita escolha. É só o que a mídia oferece.
BILLY: Ela escuta, aprende e... fica naquilo.

LOU: Se a mídia pusesse coisa boa... Os jovens também sabem admirar o que é de boa qualidade, como Altamiro Carrilho.
BILLY: Mas aquilo é música, né?

LOU: É, e não se escuta nas TVs, nem nas rádios...
BILLY: Mas tá cheio de Pagode, né? Tem pagode bom. O Zeca Pagodinho é um bom compositor. De vez em quando dá umas resvaladas pelas minhas músicas, pelas minhas melodias, mas não quer dizer que ele não seja... isto é uma coisa que acontece até com gente importante, que já foi processada por causa disso. Eu não me preocupei em fazer esse tipo de coisa.

LOU: Quando a música é boa e tem divulgação, o público jovem comparece, adora e aplaude de pé e depois quer comprar o CD. A grande saída é mesmo fazer shows pra poder vender os discos.
BILLY: Saiba que eu fico feliz, também, porque evejo que no meu show vai muito espectador da minha idade, mais velho do que eu. Noutro dia, tinha um de 97 anos de idade, tranqüilo, subindo e descendo escada: Dr. Aldo, mora aqui, no oitavo andar. Fez questão de ir lá! Ele foi jogador de basquete, esguio, tá inteiro.

LOU: Onde você tem dado seus shows?
BILLY: Engraçado, os quatro primeiros foram quatro terças-feiras, de janeiro; foram todos gratuitos, lá no Paço Imperial da Cidade. E havia briga pra entrar! Saiu até porrada.

LOU: Mas show de Billy Blanco, já era de se esperar por isso!
BILLY: Logo a seguir, teve um show meio fora de mão. Foi lá na Barra, num sábado, na Casa de Cultura Estácio de Sá.

LOU: Divulguei seu show no nosso site.
BILLY: Ficou entupido. Entupido! Muita 3ª idade, muita 4ª idade. E muito jovem. E era pago! Isso me deu um certo alento, porque eu pensei que só iam quando era de graça.

LOU: E quando é de graça, você não ganha nada? O Paço Imperial te pagou?
BILLY: Pagou.

LOU: O seu CD é independente ou foi gravadora?
BILLY: O meu é dependente.

LOU: Ah! É dependente da gravadora.
BILLY: Dependente das minhas queridas amigas Kátia Almeida Braga e Olívia Hime, que são as donas da Biscoito Fino, que é uma gravadora que é novíssima e já está no topo, junto com as grandes.

LOU: Ah! Que maravilha! Então se ela divulgar bastante, vai vender muito. Aí você vai recuperar tudo que você tem direito e merece.
BILLY: Pelo que me disse o empresário, nesse principiozinho de vinte e poucos dias, mais ou menos, já vendi 2.000 discos.

LOU: Você é casado, né?
BILLY: Eu sou o cara mais casado de Copacabana. Aquela senhora, que mora comigo, viajou hoje. Então eu tô com uma folga, como é que se chama, tô com uma colher de chá na sexta, sábado, domingo e segunda, porque ela só vai chegar segunda à noite.

E você vai curtir essa folga, cheio de saudade, garanto. Há quantos anos vocês são casados?
BILLY: Nós só somos casados há 48 anos. Nós brigamos há 48 anos... (risos)

LOU: Mas a pessoa sente falta das brigas também, né?
BILLY: Ah, sim! Mesmo porque ela já está acostumada a apanhar. Eu lhe parto a cara, pelo menos duas vezes na semana. Aí, vejam só: 48 anos. Eu não vejo mérito nenhum o cara ficar com a mesma mulher 48 anos. Eu tenho amigos que em 48 anos já casaram umas quatro ou cinco vezes.

LOU: Estão felizes?
BILLY: Xabe que eu não xei?

LOU: Porque dizem que trocar de mulher é trocar de defeito.
BILLY: Sai do mau cheiro, cai no fedô. E quando a mulher vai embora, vai levando uma grana. E a que tá ficando, tá querendo mais do que ele deu pra titular.

LOU: Quantas músicas você tem gravadas?
BILLY: Eu tenho umas quatrocentas e tantas, quase quinhentas.

LOU: Que coisa! Eu te ouvi a vida inteira. Sou fã das suas composições. Mas, também, o que acontece no Brasil é que as pessoas cantam e não dizem o nome do autor.
BILLY: Vejo muita gente cantando música de minha autoria, apresentando como sendo de outra pessoa.

LOU: Porque não sabe.
BILLY: "Não tenho certeza não, mas me parece que essa música aqui é do Geraldo Pereira." Tô eu lá. Graças a Deus, o Geraldo era meu amigo.

LOU: E os direitos autorais, como é que ficam nessa hora?
BILLY: Não. Aquilo só fica na palavra daquele imbecil, tá certo? Porque os direitos autorais (não entendo) tudo certinho, tudo o que entra nos proclamas, entra tudo catalogado.

LOU: É o Ecad?
BILLY: É... tem que arranjar uma significação para essa sigla, não é?

LOU: Como assim?
BILLY: Não tem uma sigla chamada Varig? Viação Aérea Riograndense, né? Mas o significado mesmo é: Vários Alemães Reunidos Iludindo Gaúcho... (risos)

LOU: Ecad significa o quê?
BILLY: Escritório Central de Arrecadação de Direitos.

LOU: As suas músicas são bem românticas! Você é um romântico?
BILLY: Xabe que eu não xei?

LOU: Como não sabe? Você não se sente romântico?
BILLY: Não. É porque a música pra mim é fruto de uma idéia. Você já é viciado em fazer música desde 10, 12 anos de idade. É fruto de uma idéia que você desenvolve bem ou mal. Não tem inspiração. Inspiração é papo furado.

LOU: É papo furado?
BILLY: Não tem inspiração, tem idéia. Se é um profissional, te chamam e dizem: "Olha, eu quero esse jingle aqui para semana que vem. É sobre o Café Capital e você tem que me dar isso semana que vem, no máximo segunda- feira." Isso duma segunda pra outra. Aí você vai pra casa, já vai com o jingle pronto quando sai da agência. Já vai com o jingle pronto na cabeça; é só escrever... Aquilo vem na cara. Na cara mesmo.

LOU: Mas isso é inspiração.
BILLY: Não, não é inspiração. É idéia. Idéia.. Eu tenho uma música que se chama "Pistom de Gafieira". Eu conhecia os andamentos e a vivência da gafieira, porque toquei em gafieira. Sempre freqüento, até hoje. Sempre eu ia às 6h30 da tarde descontar cheque com meu amigo Antônio Sadi, na "Sadi Sedas", uma loja aqui em Copacabana. Certa vez cheguei às 6h30 e tava baixando aquela grade de ferro. Aí, ele fez pra mim um gesto assim: baixou. Depois, abriu aquela portinha menor e disse: "Entra". Mas antes ele olhou e disse: "Quem tá de fora não entra." E eu disse: "Quem tá dentro não sai." E ele disse: "Ah! Isso dá samba..." e eu disse: "Vai dar". Saí dali, fui para o balcão, peguei o papel de embrulhar fazenda lá e fiz a letra. Quer dizer, aproveitei a idéia. E entraram várias coisas. Era tempo de vestido saco, de bambolê. Botei tudo isso.

LOU: Dá pra cantarolar só um pouquinho?
BILLY:

"A gafieira segue o baile calmamente/ Com muita gente dando volta no salão/ Tudo vai bem, mas eis porém que de repente/ Um pé subiu e alguém de cara foi ao chão/ Não é que o Doca, um crioulo comportado/ Ficou tarado quando viu a Dagmar/ Toda soltinha dentro de um vestido saco/ Tendo ao lado um cara fraco/ E foi tirá-la pra dançar?/

O moço era faixa preta simplesmente/ E fez o Doca rebolar sem bambolê/ A porta fecha, enquanto dura o vai-não-vai/ Quem está fora não entra/ Quem está dentro não sai/

Mas a orquestra sempre toma providência/ Tocando forte pra polícia não manjar/ E nessa altura como parte da rotina/ O pistom tira a surdina/ E põe as coisas no lugar/ Fará, fafá, fafá, fará, fafá..."

LOU: Bárbaro, bárbaro! Que bossa! Você é um dos precursores da bossa nova, né isso?
BILLY: Devo ser.

LOU: Você fez parte daquele grupo todo da bossa?
BILLY: Sim, de antes, de durante e de depois.

LOU: Acho uma coisa fenomenal, você está inteiraço, lutando pra sobreviver, pra pagar as suas contas e mantendo sua atividade de trabalho! Mesmo que não fosse pra sobreviver, você me parece empolgado, uma pessoa que tem gosto de trabalhar, não tem?
BILLY: Eu tenho. Quanto menos melhor... (risos)

LOU: Mas você preferia estar parado? Viver sem exercer suas atividades musicais?!
BILLY: Não.

LOU: A vida perderia a graça... Eu sempre termino as minhas entrevistas pedindo um recado para os Velhos Amigos.
BILLY: Para os velhos amigos, novos amigos, principalmente para os jovens. Prestem bem a atenção: Haja o que houver, não parem de cantar!

LOU: Falou.
BILLY: E disse.

LOU: O "VelhosAmigos" agradece esta oportunidade, esta honra de você abrir a sua porta, a porta da sua casa pra falar da sua vida e, ainda, ensinar isso aos jovens. Aliás, vamos estender seu conselho aos idosos. É preciso cantar e muito! O canto é uma terapia! E a sua música nos faz bem pra saúde! Muito obrigada, Billy Blanco.
BILLY: Eu que lhe agradeço. Me dá um beijo. Você é muito bonita.

Autografando um CD pra "Velha Amiga" Lou.


Revisão: Anna Eliza Führich

Billy Blanco faleceu no Rio de Janeiro em 8 de julho de 2011.

Autor(a): Maria de Lourdes Micaldas

 

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