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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

CANDEIAS JOTA JR.
publicado em: 07/01/2016 por: Netty Macedo

 
01/11/1923  -  19/1/2009
Entrevista concedida em setembro de 2006, durante a aporesentação da peça "Sassaricando".

Compositor e violonista

Ainda menino, ele costumava fazer pequenas canções, com quadrinhas que falavam do seu dia-a-dia. Aos 12 anos, compôs o primeiro samba, "Agora é Tarde". Nunca estudou música formalmente. Aprendeu a tocar violão sozinho.

Seguiu carreira militar e, em 1945, formou-se na Academia Militar de Agulhas Negras, Resende - RJ. Encerrou a carreira como coronel-professor. Participou da diretoria da Socimpro, sociedade arrecadadora de direitos autorais, durante vários anos. Foi um prazer e uma honra conhecê-lo.
Lou: Qual o seu nome de batismo?
Candeias: Joaquim Antonio Candeias Jr., porque eu tenho o nome igual ao do meu pai.

Lou: Você nasceu em que ano?
Candeias: Nasci em 1923, assim dizem. Mas, eu não me sinto com 83 anos, porque isto é uma piada de mau gosto do tempo. Eu me sinto embalsamado pela música e com uma jovialidade muito diferente da idade cronológica que eu tenho.

Lou: Olha, Candeias, você não devia dizer que isso é uma piada de mau gosto do tempo. Você, com a idade que tem, vendendo saúde e se sentindo jovem, é porque você tem a música dentro de você e também porque você tem o amor da Brigitte. Eu vi vocês dois e fiquei encantada. Não tem coisa que rejuvenesça mais, que faça a alguém mais feliz do que viver com essas duas coisas: com a música e com o amor. O amor de uma mulher linda, um amor gostoso. Então, uma pessoa que chega a essa idade assim, curtindo o amor, a vida, não vai envelhecer nunca. A idade é cronológica. Agora fale da sua música preferida, "Confete".
Candeias: Bem, o "Confete" é uma música que não foi incluída na peça e foi a única reclamação que eu fiz para os produtores do espetáculo, o Sérgio Cabral, pai, e a Rosa Maria Araújo. Foram eles que omitiram o "Confete". Mas, me disseram que deixaram de botar também mil músicas lindas.
Realmente eu reconheço isso. Mas doeu em mim não entrar o "Confete" e só entrar o "Sassaricando".

Lou: Canta um pedacinho de "Confete".
Candeias: Não tenha dúvida. "Confete são pedacinhos coloridos de saudade. Ai, ai, ai, ai. Ao te ver na fantasia que usei, confete, confesso que chorei. Chorei porque lembrei o carnaval que passou. Aquela Colombina que comigo brincou. Ai, ai, confete. Saudade do amor que se acabou."

Lou: Que maravilha! Isso marcou mesmo uma época e até hoje as pessoas cantam. Essa música não tem idade e nunca vai deixar de ser sucesso.
Candeias: É como você diz: - não tem idade! Embora tenha sido lançada no carnaval de 1952. Ela é minha e do David Nasser.

Lou: Agora tem uma música muito bonita, que eu acho que também é um poema "A Favela Amarela". Eu gostaria que você me contasse o enredo da história dessa música.
Candeias: Ela surgiu porque o Mário Saladini, muito amigo meu, (depois ele brigou comigo), era secretário de turismo do então Estado da Guanabara e, pra enfeitar a cidade, resolveu pintar as favelas que a rodeavam, uma de cada cor. Então, eu achei que aquilo era uma colocação completamente absurda e fiz uma gozação com ele.
"Favela Amarela, ironia da vida.
Pintem a favela, façam aquarela
Da miséria colorida.
Vamos ter no "melhoramento",
A dor, como tema de ornamento.
Procure compreender, seu doutor
A felicidade não tem cor,
Não tem não, senhor."
Ele brigou comigo, depois fez as pazes e ficou sendo meu grande amigo até pouco tempo.

Lou: O que eu acho interessante nas marchinhas é que elas falam de maneira crítica das coisas, mas com uma beleza, uma poesia e não deixa de falar das coisas que estão erradas.
Candeia: Como você vê. Eu e o Luís Antonio temos uma linha que pega flagrantes da vida, como "Sapato de Pobre".
"Sapato de pobre é tamanco. Almoço de pobre é café. Maltrata o corpo como o quê, por quê? Pobre vive de teimoso que é."
Tem também a "Lata D'água na Cabeça". Nós vimos uma mulher no morro com uma lata d'água na cabeça, depois de enchê-la na bica, que é sempre na parte baixa do morro, por causa da pressão da água que não sobe. Estava com um garotinho. Ela andava com uma mão na lata e outra no garotinho.
"Lata d'água na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria. Sobe o morro e não se cansa, pela mão leva a criança, lá vai Maria..."

Isso foi exatamente o que vimos e traduzimos em música, como um recado que nós queríamos sempre dar nessas músicas de fundo social. Eu e o Luís Antonio queríamos transmitir para a sociedade esse sentimento.

Lou: Você não gosta de ser chamado de Candeias?
Candeias: Adoro! Sou conhecido pela família e amigos por Candeias, mas em termos de público, Candeias confunde com o Candeia, compositor, que já está lá no céu, ouvindo a gente. Ele era da Portela e muito bom compositor.
Pra evitar essa confusão, eu tirei o Candeias e me escondo atrás do pseudônimo de J. Jr. e o Luís Antonio é quem aparecia. Depois que fiquei mais velho, fiquei sem-vergonha. Mas eu não gostava de aparecer porque dava aula no Colégio Militar e fazia uma porção de outras coisas, e as atividades eram completamente diferentes. Mas isso não impedia da gente fazer música.

Lou: O Luís Antonio também era militar.
Candeias: Era. É o meu companheiro, que mexeu os pauzinhos para me trazer de Recife pro Rio de Janeiro para fazermos música juntos. E deu certo!

Lou: E o programa "VelhosAmigos" tem o prazer de trazer essa alegria pra casa de vocês. Agora eu quero falar com a Brigitte, esse amor que dá cor, alegria e brilho a sua pele.
Candeias: Nós somos casados, mas ela continua sendo a minha namorada.
Brigitte: Dizem que esposa é chatinha. Então, eu continuo sendo a namorada que não é chata.
Candeias: Eu quero dizer que nós estamos morando em Conservatória, uma cidade linda, maravilhosa e estamos promovendo eventos de carnaval de antigamente por lá. Fiz até uma música: "Não tente, meu amor, não tente, esquecer o carnaval de antigamente. Não tente, porque eu vou lembrar pra toda gente, aquele carnaval de antigamente."

Lou: Que beleza! Que maravilha! Obrigada.
Candeias: Obrigado aos seus assistentes, aos seus telespectadores e aos "velhosamigos", que já os considero assim, porque eles são seus "velhosamigos" há mais tempo. Beijos.

Comentário do "velho amigo"
Zé Maria Ferr

Zé Maria Ferr e Candeias Jota Jr.

Jota Jr e Brigitte são especiais entre nós. Em Conservatória, eu tive a felicidade de conhecê-lo. Mas o tempo é assim, retira amigos da presença e coloca-os no relicário das lembranças, para que outros possam desfrutar a presença do agora. Gostei muito da entrevista com o Jota Jr.

Autor(a): Lou Micaldas

 

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