Logomarca Velhos Amigos
INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

DONA CANÔ
publicado em: 12/01/2016 por: Netty Macedo

 

Chamada carinhosamente por “Dona Canô”, a mãe do compositor e cantor Caetano Veloso e da cantora Maria Bethânia, morreu aos 105 anos (25/12), em sua residência na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, nasceu em Claudionor Viana Teles Velloso em Santo Amaro da Purificação, no dia 16 de setembro de 1907. Ficou conhecida não somente por ser mãe do casal artista famoso, mas pela simpatia, carisma, religiosidade e liderança.

Preocupada com a preservação da sua terra natal, tanto com a cultura tradicional, Dona Canô lutou para não deixar acabarem eventos como os “Ternos de Reis”, que sempre organizava na sua cidade, bem como a tradicional Reza de Santo Antônio, espécie de novena, antes do dia 13 de junho. Ela também era uma ativista do meio ambiente, principalmente reivindicando a despoluição do Rio Subaé.

Sobre a sua fama, Dona Canô simplesmente afirmou: “Apenas fiquei conhecida por causa de meus dois filhos que nunca se esqueceram de onde vieram nem da mãe que têm”.

Ela foi casada 53 anos com José Teles Velloso, o Seu Zeca, funcionário público dos Correios, falecido em 13 de dezembro de 1983, aos 82 anos, sendo que os dois tiveram, além dos já citados, os seguintes filhos: a escritora Mabel Velloso (Maria Isabel), Clara Maria, Rodrigo, Roberto, Irene e a já falecida Eunice, conhecida por Nicinha, que era filha de criação.

Já foi publicado um livro com suas memórias: “Canô Velloso, lembranças do saber viver”, escrito pelo historiador Antônio Guerreiro de Freitas e por Arthur Assis Gonçalves da Silva, falecido antes do término da obra. No livro consta que a matriarca dos Veloso passava as férias na casa grande de um engenho durante sua infância e uma parte da adolescência. Nesta fazenda, ela teria desenvolvido grande sensibilidade para as artes.

Dona Canô recebia da dona da fazenda uma boa formação cultural, música, aprendeu a tocar piano e cantar, teve aula de teatro e de francês. E não ficou só na instrução porque ainda criança atuava em peças e sempre gostou de canto. Ela fez grandes cantos religiosos. Aparece em alguns vídeos na internet, cantando com os filhos.

Com toda esta sensibilidade e aptidão para a arte a fez observar que o filho Caetano seria um artista, antes mesmo de o compositor perceber que tinha aptidão para a música.

A família e o social

Durante toda a sua vida, Dona Canô deu exemplo de educação, cultura e sabedoria aos filhos, metade deste tempo ao lado do marido Zeca, a quem recordava com ternura ao afirmar “Quando conheci Zeca. Ele era a única pessoa em que eu me perdia”. Antes de seu Zeca falecer, na década de 80, o casal podia ser visto pelas ruas de Nazaré, onde residiam em direção ao bairro do Tororó, onde morava a filha Mabel para visitá-la, sempre de mãos dadas, sorrisos e cumplicidade de um par feliz e ciente da boa criação aos filhos.

Perto de completar 100 anos, Dona Canô não pensou em comemoração a centenário, mas queria sim a missa. Muito menos presentes para ela, aliás, fazia questão de que as pessoas doassem alimentos ou material de higiene para serem encaminhadas às instituições carentes.

O mesmo amor para os filhos ela deu às duas filhas adotivas: Nicinha e Irene e para ela o dever tinha sido cumprido porque “soube criar meus filhos, todos são os mesmos da época em que eram crianças”. Na comemoração dos seus 105 anos, Dona Canô falou ao G1 o segredo de sua longevidade: ”A fé é tão importante que eu tô viva, não é?
Acho que cheguei até essa idade porque acredito em Deus e porque sempre vivi com a minha família, com pessoas do meu lado, com casa cheia. Acho que esse é o segredo”.

A veia artística e a religiosidade

Dona Canô cantando Meu Último Desejo

Com toda esta musicalidade da infância, Dona Canô criou os filhos desta forma, pois costumava cantar para todos e afirmava para eles que a música é a melhor coisa do mundo. Desta forma, toda a família tem um pé na arte e literatura, pois os oitos filhos tocavam um instrumento musical, sendo que dois dos netos também são compositores e cantores, Jota Velloso e Belô Velloso.

Muito religiosa, uma pessoa que todos os dias assistia à missa pela TV e uma vez por semana ia à igreja, a casa não poderia ser diferente: possui um altar com várias imagens de santos que ela nunca esqueceu as datas de festejos de cada um deles, lhes rendendo homenagem no dia dedicado a eles. Considerada por muitos a “embaixatriz” de Santo Amaro por sua atuação em defesa da cidade e por sempre se envolver em mobilizações para o bem-estar da população, D. Canô já angariou fundos para reforma da principal igreja de Santo Amaro, mobilizou a população em apoio aos pescadores locais e em prol do Rio Subaé.

E como não poderia deixar de ser, reviveu as antigas festas juninas interioranas, começando com a Reza para Santo Antônio. Desta forma nunca abriu mão das festas tradicionais, a exemplo do São João que festejava com a tradicional fogueira na porta de casa, com esta toda enfeitada de bandeirinhas e motivo juninos.

Nesta festa, com a mesa farta de comidas típicas como canjica, amendoim, milho cozido, bolo de fubá e licores, em especial o de jenipapo, a porta permanecia aberta para receber os vizinhos e amigos na residência onde morou por mais de 60 anos, sem esquecer também o festejo tradicional para São Pedro. No dia de São Cosme e São Damião (no sincretismo são os ibejis, ou seja, crianças), 27 de setembro, nunca faltou com o tradicional caruru. Em relação, especificamente a esta data, de suma importância para a religiosidade de Dona Canô, no ano de 1983, nasceu o seu bisneto, o jornalista Jorge Veloso (ex-repórter da Tribuna da Bahia), neto de Mabel Velloso, filho de sua filha Clara, fato que foi muito significativo para toda a família religiosa. Ao todo são seis netos e sete bisnetos.

Os Ternos de Rei é sempre um sucesso na cidade com o Reisado Filhos do Sol, da família Veloso, liderado pela matriarca D. Canô. Outra festa que atrai turista é a tradicional lavagem da escadaria da Igreja Nossa Senhora da Purificação, também comandada pela matriarca dos Veloso, fazendo com que o evento passasse para o calendário oficial do estado.

Fonte: www.tribunadabahia.com.br
Colaborador(a): Laura Lellis

 

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUA OPINIÃO SOBRE ESTA MATÉRIA

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA