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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

EDER JOFRE
publicado em: 12/01/2016 por: Netty Macedo

 
Matéria publicada em: 07/05/2014

BIOGRAFIA

Pugilista brasileiro nascido em São Paulo, Estado de São Paulo, único brasileiro a conquistar o título de campeão mundial de boxe, em duas ocasiões e, assim, foi o maior pugilista brasileiro de todos os tempos, tendo conquistado os títulos mundiais de pesos galo e pena.

De família de pugilistas, destacou-se inicialmente como amador na categoria peso-mosca. Invicto, passou para a categoria dos galos (1956), representou o Brasil no campeonato latino-americano de Montevidéu e participou dos Jogos Olímpicos de Melbourne, Austrália (1965), onde chegou às quartas-de-final na categoria peso galo, sendo eliminado pelo chileno Cláudio Barrientos. No ano seguinte, começou sua carreira profissional. Conquistou o título brasileiro de galos (1958), profissionalizou-se e apareceu no ranking mundial da World Boxing Association (1959).

Conquistou o título sul-americano (1960) e pouco tempo depois, o cinturão do título mundial dos pesos-galo (1960) ao derrotar o mexicano Eloy Sánchez, por nocaute, no sexto assalto. Mudou-se (1961) para os Estados Unidos com um retrospecto de 24 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota e neste ano, conquistou o título mundial dos pesos galo pela National Boxing Asociation. Um ano depois, unificou os títulos dos galos ao vencer o irlandês Johnny Caldwell, e tornou-se o único campeão do mundo na categoria, e manteve-se invicto até perder o título em Tóquio para o japonês Masahiko Fighting Harada, numa polêmica decisão por pontos (1965), após defender seu título sete vezes consecutivas, vencendo todas as lutas por nocaute.

Mudando de categoria voltou ao boxe (1969) na categoria dos pesos-pena. Novamente ranqueado (1970), conquistou o título mundial dos penas (1973) ao vencer, por pontos, em Brasília, o cubano naturalizado espanhol José Legra, Venceu todas as 25 lutas que realizou como pena, conquistando o título do Conselho Mundial de Boxe (1973). Continuou a carreira por mais três anos, vencendo todas as lutas. Após a morte do irmão Dogalberto, resolveu se aposentar (1976) com 81 lutas: 77 vitórias (52 nocautes) 2 empates e 2 derrotas.

Assim perdeu o título por não o ter posto em jogo dentro do prazo previsto. Abandonou definitivamente o boxe (1976) e ingressou na política e elegeu-se vereador na cidade de São Paulo em três pleitos. Foi eleito entre especialistas para ingressar no Hall of Fame do boxe mundial, em Nova York, EUA (1992). A revista The Ring, a mais prestigiada publicação do setor, também colocou o pugilista brasileiros entre os maiores e foi eleito entre os 50 melhores boxeadores da era moderna, ficando em 9º lugar.

Fonte: www.sobiografias.hpg.ig.com.br

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O ÚLTIMO NOCAUTE DE EDER JOFRE

Os estudos do cérebro do lendário pugilista de 78 anos podem fornecer o argumento que faltava para tomar-se a decisão de que os profissionais do esporte passem a lutar com protetor de cabeça.

Em Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, o patriarca José Arcadio Buendía inventa um engenhoso método para compensar uma peste, sucedânea da insônia, que engole o povoa¬do de Macondo e apaga a memória dos cidadãos. Com um pincel começa a marcar em etiquetas o nome e a utilidade de cada objeto. No pescoço de uma vaca, uma placa informa: “Esta é a vaca que deve ser ordenhada todas as manhãs para produzir leite e o leite deve ser fervido para poder ser misturado ao café”. E seguia a vida, com mais de 14000 bilhetes e a euforia da reconquista das lembranças. Na Macondo particular de Eder Jofre, um quarto tão simples quanto bem arrumado, de 2 por 4 metros, na casa da filha, no bairro de Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo, uma folha de papel A4 colada na porta do armário de madeira compensada avisa com letras femininas e carinho: “Eu, Eder Jofre, moro com a minha filha Andrea, o marido, Oliveira, e os filhos Lanika, Axel, Babi e Sidney. Moro aqui há nove meses.Quem cuida das minhas coisas são os meus filhos Marcel e Andrea. Estou morando aqui desde que minha esposa, Maria Aparecida Jofre (Cidinha), faleceu, em 10 de maio de 2013. Aqui sou lembrado dos meus remédios e compromissos. Pela manhã, após o café, tenho que me exercitar, desenhar e escrever. Depois do almoço, descanso e desenho, com a mão esquerda. Depois do lanche, me exercito e assisto TV. Depois do jantar, volto a assistir TV até a hora de dormir”.
É — ou deveria ser — leitura diária a caminho de jornadas árduas, de recuperação da consciência de quem é ou foi.

Eder Jofre é o maior pugilista brasileiro de todos os tempos, campeão mundial em duas categorias (galo e pena), reverenciado por especialistas em boxe de todo o mundo — a capa da edição número 500 da revista americana de referência para o esporte, The Ring, em outubro de 1963, tinha foto de Eder e a pergunta que pressupunha uma única resposta, incontornável: “O maior boxea¬dor do mundo?”. Aos 78 anos, Eder foi à lona pela primeira vez na vida com a morte repentina da mulher, em maio do ano passado, de infarto. “Ela era a cabeça e meu pai, o corpo”, resume Andrea Jofre. Funcionaram perfeitamente nessa combinação durante os 52 anos de casamento.

No relato dos filhos, Eder era um homem até 10 de maio do ano passado, virou outro a partir do dia 11. Parou de comer, chorava copiosamente. Enfraquecido, começou a apresentar episódios de confusão mental. Há pelo menos nove anos já dava sinais, silenciosamente enganadores, de perda de memória — a chave do carro que punha todos os dias no mesmo móvel e já não conseguia encontrar, os sinais vermelhos ultrapassados, o esquecimento das listas de compras de supermercado que não passavam de cinco itens, as diversas vezes que indagava “que dia é hoje?”. Mas nada comparado ao estado de prostração no qual mergulhou. A morte da mulher alterou o funcionamento do seu cérebro. Eder ficou grogue com o desequilíbrio dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina, responsáveis por sensações de satisfação e bem-estar.

Deprimido, foi internado na Santa Casa de São Paulo. Era incapaz de realizar mesmo as sinapses cerebrais básicas, quanto mais as que o fizeram famoso no auge da carreira de 81 lutas e apenas duas derrotas por pontos. Seu corpo jovem obedecia com exatidão às ordens emanadas do cérebro, uma sinfonia química e elétrica que fazia dele no ringue uma casamata de músculos contraídos de onde surgiam sem aviso punhos rápidos como o raio e duros como o aço. O cérebro do jovem lutador liberava cortisol no momento certo e na dose exata e o fazia contrair o abdômen, rearmar a guarda, recolher os punhos quando o adversário ainda estava avaliando o castigo que acabara de levar.

Em Eder Jofre se combinaram admiravelmente a habilidade, a velocidade, a força, o sacrifício, o coração, a inteligência e os reflexos, qualidades que fazem do boxe, se não a única maneira civilizada de liberar a violência inata do homem, com certeza a forma esportiva mais pura de atender ao instinto de domínio sobre o outro. Eder encarnou a expressão máxima dessa arte. O Brasil sabe disso. O mundo reconhece. A tragédia é que o próprio Eder Jofre, aprisionado no porão de um cérebro que decai, não compreende mais as alturas que galgou.

Fonte: veja.abril.com.br
Autores: Fábio Altman e Natalia Cuminale

 

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