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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

HUGO CARVANA
publicado em: 21/01/2016 por: Netty Macedo

O cineasta e ator, que despontou no cenário artístico com um quê de malandragem, nasceu a 4 de junho de 1937 e seu sobrenome, Carvana, parece pseudônimo. Mas não é. É filho da costureira Alice Carvana de Castro e do comandante da Marinha Mercante Clóvis Heloy de Hollanda. 

Ilustre suburbano de Lins de Vasconcellos, vivia atualmente na Zona Sul, mas nunca renegou sua origem simples. Com forte personalidade, passou a infância na Zona Norte, entre os bairros Catumbi, Rio Comprido e Tijuca. O menino brincalhão cresceu ouvindo que era um palhaço e foi imprimindo seu estilo carioca de ser.

Autodidata, abandonou o antigo ginasial e foi office-boy dos laboratórios Sidney Ross Company. Viveu fases inesquecíveis com o melhor amigo, o também ator Joel Barcelos, disputando as melhores garotas do Tijuca Tênis Clube. A vida era uma festa. Cinéfilo por natureza e sem grana, Carvana logo arranjou uma forma de entrar de graça nos cinemas. Adentrava de costas, devagarzinho, e ia se misturando ao público da porta de saída, até alcançar uma poltrona na plateia. 

Carvana tinha 18 anos quando foi selecionado pelo produtor Watson Macedo, do estúdio Brasil Vita, para figurante do filme "Trabalhou Bem Genival", dirigido por Luiz de Barros. O figurino era smoking e o sucesso na clap foi tanto, que a essas alturas pediu demissão do emprego de office-boy.

No auge das chanchadas, surgiu um papel importante, em 1961, no episódio "Noite de Almirante", do filme "Esse Rio que eu amo", de Carlos Hugo Christensen. A decepção foi no primeiro teste para figurante do teleteatro "A Vida de Cristo", na extinta TV Tupi. Carvana avisou a toda família e amigos que iria aparecer na telinha. Foi rejeitado pelo diretor Jacy Campos e voltou para casa decepcionado.

Em 1954 Carvana se inscreveu no teste do Teatro Duse, o badalado Teatro do Estudante, dirigido por Paschoal Carlos Magno. Obstinado, decorou "Os Lusíadas", de Camões e "Ora direis, ouvir estrelas", de Olavo Bilac, surpreendendo o ator e diretor José Maria Monteiro, da banca examinadora.

Estudou o método (Constantin) Stanilavski de interpretação com a professora Nina Raveski. A primeira peça foi em 1957, quando excursionou pelo nordeste com "Falta um pedaço em meu marido", de André Roussinal, da Companhia Burlesca de Milton Carneiro. 
Na Companhia de Teatro Aurimar Rocha, em 1958, encenou "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna.

Em 1960, com o grupo do Teatro Arena, atuou em "A revolução na América do Sul", de Augusto Boal e direção de José Renato, ao lado de Agildo Ribeiro, Odwaldo Vianna Filho e Fregolente.
Fez "O Pagador de Promessas", de Dias Gomes e "Boca de Ouro", de Nelson Rodrigues, da companhia do Teatro Nacional de Comédia, TNC.

Em 1966, fez José Porfírio e mais dois personagens em "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", de Ferreira Gullar e Odwaldo Vianna Filho, com direção de Gianni Ratto.

Em 1967 fez sua última peça, "Meia-volta vou ver", de Odwaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa.

Em 1962 Hugo Carvana conheceu o diretor moçambicano Ruy Guerra, recém-chegado de Paris, que veio filmar "Os Cafajestes". Carvana fez uma pontinha valiosa, que resultou em novo convite de Ruy Guerra com quem fez "Os Fuzis".  A partir dos trabalhos com Ruy Guerra, Hugo Carvana se tornou um dos atores mais atuantes e solicitados do cinema novo.

Com Gláuber Rocha, filmou "Terra em Transe", em 1967; "Câncer", em 1968 e "O dragão da maldade contra o santo guerreiro" em 1969 e "O leão de sete cabeças", rodado em Brazzaville, no Congo, em 1969.

De 1962 a 2004, foram 61 atuações. Entre elas, "O Bravo Guerreiro", de Gustavo Dahl; "A Grande Cidade"; "Os Herdeiros"; "Quando o carnaval chegar" e "Deus é Brasileiro", de Cacá Diegues; "Tenda dos Milagres", de Nelson Pereira dos Santos; "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade e "Pindorama" e "Toda nudez será castigada", de Arnaldo Jabor.

Espirituoso e alegre, o jovem Hugo se virava para entrar nos jogos do seu querido fluminense. Vendedor de balas e ambulante eram alguns dos personagens que criava para driblar a dureza e acompanhar os jogos.

Figura obrigatória nas mesas dos bares da noite carioca, cultivou amizade com grandes nomes da boemia e das artes – Roniquito, Ary Barroso, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, foram alguns. Através dessa vivência, criou personagens que povoam o universo carioca, como o malandro Dino em "Vai Trabalhar Vagabundo" e o repórter policial Valdomiro Pena em "Plantão de Polícia".

Depois do golpe dos militares, que assumiram o poder em 1964, Carvana começou a freqüentar as reuniões do grupo de teatro Opinião, de resistência à ditadura, encontrando uma turma politizada e descobrindo que a arte tinha uma função social.

O amadurecimento dessa participação política foi na década de 1980, quando atuou intensamente na campanha Diretas Já. Como presidente da Fundação de Artes do Rio de Janeiro, Funarj, durante o governo Leonel Brizola, realizou projetos revolucionários, como festas populares e religiosas, promovendo animação cultural na Baixada Fluminense e interior do Estado.

O último papel de Carvana na TV foi na minissérie "O Brado Retumbante", da TV Globo, em 2012, depois de sua participação como Olegário na novela "Insensato Coração".

Ele também atuou, em 2003, na novela Celebridades, como Lineu, o pai de Maria Clara Diniz, interpretada por Malu Mader. A novela instigou o público até o último capítulo com a frase inesquecível: "Quem matou Lineu?".

Em 27 de setembro de 2014, o ator e cineasta foi homenageado na atual edição do Festival do Rio, com uma exibição especial de "Vai Trabalhar, Vagabundo", no Cinépolis Lagoon, na Zona Sul da cidade. Dentro da programação do festival, o filme volta a ser exibido neste domingo, às 18h, no Ponto Cine, em Guadalupe , na Zona Norte do Rio. Hugo Carvana era casado com a jornalista Martha Alencar, com quem teve quatro filhos.
Carvana nos deixou em 04/10/2014 devido a um câncer de pulmão.

Fonte: Pesquisa em diversos Sites
Colaborador(a): Lika Dutra

 

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