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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

JOHANNA SCHELLEKENS DRUMMOND
publicado em: 21/01/2016 por: Netty Macedo

Matéria publicada em 25/04/2006

Johanna Schellekens Drummond nasceu na cidade de Einhoven, na Holanda, no dia 22 de abril de 1923. É uma mulher fora do comum: desde criança morou em vários países e, depois de adulta, tem viajado por diversos campos da arte, sempre alcançando sucesso em tudo o que faz.

LOU: Conta sua história pra nós.
JOHANNA: A cidade de Einhoven é a cidade dos rádios e das lâmpadas Philips. E meu pai, como diretor da Philips, era sempre mandado pro exterior para visitar empresas, ver o que estava errado e, assim, melhorar as vendas. Eu tinha uma irmã. Nosso pai nos levava sempre junto com ele. Por isso, freqüentei 13 colégios de idiomas diferentes. E, então, aprendi, na brincadeira, os idiomas no próprio país.

LOU: Como você veio parar no Brasil?
JOHANNA: Morávamos em Berlim e meu pai foi mandado pro Brasil em 1931. Conheci o Rio de Janeiro, onde só havia a confeitaria Colombo e a Praça da Cinelândia com o cinema. Era uma cidade completamente diferente.A gente morava na Marquês de Olinda. A praia de Botafogo era praia mesmo. Não era só aquele pedacinho, não.

LOU: Era a própria natureza.
JOHANNA: Eu tinha 5 anos. No princípio, fui para um colégio alemão, o Santo Amaro Irmãs de Caridade, em Botafogo, porque eu havia chegado de Berlim. Foi a primeira vez que comi arroz com feijão (risos).

LOU: E como é que você entendia o que falavam nas aulas, numa língua totalmente desconhecida pra você?
JOHANNA: Olha, a gente entrava na aula com outras crianças e elas tinham boa vontade comigo. Eu ficava boiando, não entendia nada. Mas aí começavam: - Oi, tudo bem? Eu falava: Oi, tudo bem? Criança aprende muito rápido essas coisas.
Assim, o meu primeiro colégio foi em Berlim, onde aprendi alemão. Daí, passei pro colégio brasileiro. Meu pai viu que era muito ruim e nos passou pra outro colégio alemão, lá na Praça Hermê. Meu pai foi transferido de novo e fomos pra Bélgica.
Foi a hora de aprender francês. Ficamos numa escola francesa. E, então, fomos para o colégio interno em Bonn, na Alemanha. Fiquei dois anos lá. Foi quando começou a era de Hittler. Meu pai ficou preocupado, pegou a gente de volta. Inclusive, eu vi o Hittler ao vivo, falando que éramos obrigadas a assistir os discursos no colégio. Bom, aí papai nos tirou e levou pra Bélgica e entrei logo no colégio francês. Eu tinha 12 anos e fiquei no científico.

Era um colégio profissionalizante. A minha irmã foi aprender a fazer chapéu e eu entrei no desenho de moda. Nem estávamos no meio do ano e papai foi transferido pra Argentina. Decidimos fazer mais cursos. Eu fiz pra secretária, corte e costura, Aliança Francesa e inglês também.

LOU: Mas, que eu saiba, seu sonho era aprender balé.
JOHANNA: Morava perto de nós uma bailarina chamada Victória Tonina, da Rússia. Eu e minha irmã sempre quisemos fazer balé. E entramos. Adorei. Como morávamos na Argentina, perto do Teatro Colón, na Casa Libertad, tudo que era ópera e balé a gente acabava assistindo.
Papai foi transferido de novo e viemos outra vez pro Rio. Aí, eu passei a fazer aula de balé com a professora russa Alexandra Schidolovski.

LOU: Você chegou a estudar pra ser enfermeira durante a guerra, mas acabou sendo dançarina?
JOHANNA: Eu dava aulas pra crianças pequenas. Aí, como era período de guerra, meu pai e minha mãe disseram: faz um curso de enfermeira de primeiros socorros urgente pra ser mandada pra guerra. Eu não tinha vontade alguma, mas me obrigaram a fazer o curso na Praça da Cruz Vermelha. Tudo em inglês, em um ano. Era um curso preparatório. A guerra já estava quase acabando. Mas tivemos que fazer estágio no Miguel Couto. Minha irmã até desmaiou.

LOU: E o balé?
JOHANNA: A bailarina Nina Thelada, que tinha sido contratada pelo Copacabana Palace, chegou ao Brasil. A embaixada deu uma festa de recepção pra ela. Eles estavam precisando de gente que soubesse dançar. Dissemos: estamos aqui mesmo.
- Então, passem amanhã no Copacabana Palace; queremos ver o que vocês sabem fazer.
Fomos contratadas. Eu fazia o show de meia-noite do Copacabana Palace e, de manhã, fazia o curso de enfermagem no Miguel Couto.

LOU: E você arranjava tempo pra namorar?
JOHANNA: Acabei conhecendo o meu marido no Copacabana Palace. Ele era de Minas, Maurício Drummond. Era poeta e escritor e, como isso não dava dinheiro, ele foi obrigado a ser corretor. Toda noite ele me mandava poemas no camarim e eu não sabia de quem eram. Eram poemas bonitos. Eu os tenho guardados até hoje. No final do show, a gente sentava e tomava um lanche. Uma vez, ele pediu pra sentar, perguntou se eu havia gostado das poesias e se apresentou. Acabei casando com ele lá em Minas, tive 4 filhos e entrei na vida doméstica.

LOU: Pela sua expressão, me parece que você não foi feliz no casamento.
JOHANNA: Não fui feliz, não fui mesmo. Porque mentalidade de mineiro é fogo. Ciumento, eu não podia chegar à janela. Eu não estava acostumada com isso porque fui criada muito livre. Ele não era má pessoa. Mas tinha um jeito de destruir as pessoas que amava. Eu dizia: "não goste tanto assim de mim que me faz mal..." Mas segurei por dezessete anos, quando ele morreu. Fiquei viúva com 36 anos.

LOU: Naquele tempo só mesmo a morte podia separá-los...
JOHANNA: Sorte! Olha, eu nem acreditei. Acordava de manhã e pensava será que é verdade mesmo? Ou estou sonhando? (risos)

LOU: Quer dizer que você foi viúva alegre?
JOHANNA: Fui. A única coisa boa do casamento foram os filhos. Tentei fazer o desquite, mas desisti por causa da reconciliação, e ele continuava me perturbando do mesmo jeito. Resolvi ir pra Belo Horizonte e comprar uma fazenda e sair do Rio de Janeiro. Quando estava no meio do caminho, recebi a notícia de que ele havia morrido na nossa casa aqui na Barra, porque ele bebia muito. Peguei meus bagulhos e voltei correndo pro Rio de Janeiro. Ele deixou propriedades e foi tudo dividido entre os filhos. E eu comecei a trabalhar. Abriu o Hotel Leme Palace e, por causa de meus idiomas, me arranjaram pra trabalhar como recepcionista. Fiquei 6 anos na recepção. Conheci até Robert Kennedy. Tenho fotos com ele. Aqueles artistas italianos ficavam hospedados lá. Conheci Roberto Carlos. Acontece cada coisa em recepção de hotel!

LOU: Conta uma, vai.
JOHANNA: Bom, uma menina chegou à noite, em lua-de-mel e, no dia seguinte, desceu chorando. Ligou pra mãe e disse que não queria mais nada com ele. E os pais vieram apanhá-la. E a gente não sabia o que havia acontecido. Uns diziam que ela nem chegou a transar... Tem também a história do cara de da embaixada dos Estados Unidos que vinha num carro da embaixada e passou a se hospedar com a mulher dele. Maravilhoso! Quem pagava a conta era a embaixada...
No dia da saída, quando eles desceram, a governanta e a copeira disseram que estava faltando o bule de café de prata, açucareiro e leiteira. Roubaram. E a minha situação? Pra gente não falar nada, apresentamos a conta, cobrando as coisas.
O secretário da embaixada falou:
- Gostamos muito da cafeteira, mas ninguém levou nada. Eu não vou pagar. É mentira!
Chamamos o gerente, Mr. Jordan, explicamos os fatos e ele sugeriu:
- O único jeito é levar a mala lá pra cima e abrir pra acabar com esse mal entendido.
- Lógico!, respondeu o cara da embaixada.
Quando abriram a mala, ele viu que a mulher dele havia posto tudo aquilo dentro da mala.

LOU: E a mulher caladinha...
JOHANNA: Que nada! Ela tava no barzinho com as amigas, tomando seus aperitivos de despedida. O homem ficou branco, roxo. E pediu pra tirar tudo.

LOU: Você precisou sair do hotel pra cuidar de seu filho, né?
JOHANNA: Aí, meu filho caiu muito doente, foi operado, quase morreu. Eu pedi licença sem vencimentos. Mas eu fiquei um caco. Envelheci uns 20 anos. Quando voltei ao hotel, fiquei sabendo que a minha cara, pra ser recepcionista, não prestava mais! Aí, abri uma loja na Olegário Maciel, na Barra, que se chamava Kasaí. Eu comprava coisas antigas e vendia lá. Eu viajava muito pra fazer compras e vendia artigos de macumba também. Mas aquele negócio não deu certo, porque eu chegava com muita coisa linda pra vender e minha filha Anabela pedia tudo e acabava levando. Resolvi fechar a loja.

LOU: Você ficou viúva muito cedo. Você namorava?
JOHANNA: Demais. Isso é outro assunto...
Aquela época era boa pra namorar porque você não tinha medo de Aids, de nada. Era tranqüilo. Arrumei um namorado, fiquei 5 anos com ele. Ele acabou fazendo carreira política, eu ajudei, mas depois acabamos.

LOU: Sua vida é muito intensa. Você também é escultora e pintora.
JOHANNA: Ao lado da minha casa tinha o circo do Carlos Machado. Minha casa era conhecidíssima, saía até no jornal: "Hoje tem uma feijoada na casa da Johanna"... o povo, todo sábado, tava lá. Eu tinha uma empregada que só cozinhava sábados e domingos, pra fazer feijoada, cozido, rabada. Minha filha Teresa foi casada com o Baden Powel e moraram muito tempo comigo. Tenho o livro dele e eu estou nele. A composição da famosa música Lapinha foi feita lá em casa. Ele trazia os artistas Carlos Imperial, Tom Jobim, Vinícius, Toquinho. Lá era o point. Tinha uma árvore enorme e eles ficavam a noite toda tocando. Depois, eles compraram uma casa no Itanhangá e eu resolvi morar em Botafogo, no apartamento do meu cunhado, para poder construir um edifício no meu terreno. Decidi: agora vou pensar na minha vida artística porque eu gosto de pintar. Cheguei no Parque Laje e disse: quero fazer pintura.

LOU: Naquela época, você já estava entrando na idade madura?
JOHANNA: Foi em 1976, eu tinha 53 anos. Eles disseram que não havia vaga. Eu pedi pra fazer qualquer coisa. Disse: me põe na escultura e, quando abrir vaga na pintura, me avisa que eu vou pra pintura. Aí, entrei na escultura e o professor Jayme Sampaio mandou eu pegar no barro e fazer alguma coisa. Comecei a sentir o barro e me apaixonei pela escultura.

LOU: Você ganhou dinheiro com suas esculturas?
JOHANNA: Minha filha Anabela estava namorando uma pessoa ligada a um leiloeiro e conseguiu pôr no leilão a peça "Solidão", que todos achavam lindíssima. Logo, ele me ligou e disse que havia vendido por 3.000 para Adalgisa Teruskin. A Adalgisa Colombo, ex-Miss Brasil. Era uma escultura de bronze. Eu fiquei toda feliz e comecei a trabalhar com mais entusiasmo.
Minha filha Teresa tinha se separado do Baden e foi morar nos Estados Unidos. Ela se casou de novo. Como lá ela era diretora do LLoyd, sugeriu que eu fizesse uma exposição no Jacowick Center, em Nova York, que é mundial - onde você aluga seu stand e tem compradores de todos os países.
- E como eu vou fazer?, perguntei.
- Bota num navio que eu consigo o frete pra você e vem junto. Ela alugou um stand. E foi em 1988 que eu fiz minha exposição em Nova York. Vendi quase tudo e o resto coloquei numa galeria da 5ª Avenida.

LOU: E aqui no Brasil, você também teve sucesso?
JOHANNA: Antes de fazer essa exposição, a cidade de Cuiabá completava 356 anos. Aí, um amigo da TV Cuiabá me convidou pra fazer a exposição do Festival, com tudo pago. Fiz e foi muito legal. Depois, fiz a primeira exposição no Rio, no Aktuell, no Cassino Atlântico, e vendi bem. Conheci uma galeria em São Paulo cujo dono me convidou pra expor e vender minhas obras.
Algumas galerias fazem seu nome e ficam com as suas obras guardadas pra, quando você morrer, eles subirem os preços. Elas ficam guardadas 20, 30 anos.
Aí, eu fiz 4 exposições seguidas: em 87, 88, 89 e 90. Depois fiquei esgotada. Eu tava trabalhando 28 obras por ano. Não tem santo que agüente! A cada ano apresentava uma diferente, com pedras. Americano adora pedras! Eu ainda estava montando a terceira exposição, chegou alguém e me perguntou: quanto custa este stand? Eu quero o stand todo, quanto é? Aí, minha filha, até me perguntei: será que estou ouvindo bem? E ele confirmou: é isso mesmo. Eu compro tudo, te pago, e terminada a exposição, o caminhão vai levar pros Estados Unidos. Vendi tudo.
Na quarta exposição, eu estava cansada. Estava morando numa cobertura e comecei a bater pedra, mármore italiano. O Agostinelli era meu amigo e sugeriu que eu trabalhasse com mármore. E me deu mármore. É trabalho duro. Mas comecei a trabalhar pra fazer uma coleção grande, pelo menos 20 peças. Mas parei na oitava. O Agostinelli morreu e eu fiquei sem mármore italiano. Desisti.

LOU: Então, você voltou a dançar?
JOHANNA: Comecei a fazer aulas com Reynaldo Lyma. Eu disse a ele que a dança de salão estava meio cansativa, eu preferia um negócio mais jogado, dinâmico, tipo show. Aí, passamos a fazer este tipo de aula, com coreografia. E fomos convidados pro evento "Os Dez Mais Elegantes da Terceira Idade", no Scala. Fizemos apresentações em vários lugares pra mostrar que gente na terceira idade pode fazer de tudo.

LOU: O Reynaldo é idoso?
JOHANNA: Não, na época ele tinha 24 anos e agora tem 34. Aí, me pegaram e disseram: velho é sucesso! O Reynaldo falou: - Johanna, por que você não faz teatro? - Mas eu estou com 78 anos, respondi. - O que é que tem? Faz teatro lá na Universidade de Ipanema, ele me animou.

LOU: Você se apresentou em algumas peças, né?
JOHANNA: Ele me levou na Ítala Nandi e fizemos um show lá. Entrei no curso da Universidade. O Reynaldo fazia o 2º ano e eu fazia o 1º. O Bruno Ferraz, o Guilherme Gimenes, eram todos meus colegas e, no final do ano, fizemos uma pecinha. Mas não estava dando pra mim. Era muito sacrifício ir a Ipanema e voltar pra Barra. São horas de carro. Então, decidi entrar na Faculdade Estácio, aqui perto, e fazer o curso com Roberto Sanches.

LOU: Você não pára, nem física nem mentalmente.
JOHANNA: Vou te dar um conselho. Eu acho que, depois dos 65 anos, não é pra você ser artista, não é pra você ser famosa, é pra você ser você mesma. Isso tudo é pra você usar sua cabeça. Porque na aula de teatro você tem que aprender a fazer monólogo, tem que exercitar a memória o tempo todo. Usar expressão triste, etc...
É muito importante para as pessoas na terceira idade fazer um curso de teatro. Você tem que responder, perguntar, decorar seu papel. É um curso que eu aconselho pra todos. Você tem aula de expressão corporal, de ginástica facial...Isso tudo é muito bom!
É um conselho pra terceira idade. Você vai fazer amizade, se divertir.

LOU: E quem se ocupa com atividades prazerosas não tem tempo de sentir solidão.
JOHANNA: Eu não sinto solidão. E um conselho que eu ainda posso dar é: se você chegou a uma certa idade, é viúva, solteira, separada, procure amigos e tenha seu grupo, não dependa dos seus filhos.
Os filhos têm o grupo deles, a vida própria. Ah, coitadinha, tem que levar mamãe não sei aonde. Não, não tem que me levar pra canto nenhum; eu vou com minhas amigas. Eles têm a vida deles. Eu não sou um peso pra eles. Eu criei meu neto que morou comigo, ele casou, tem filho, aumentou a casa e eu continuo morando na casa com ele. Mas eu não atrapalho. Sou completamente independente. Saio com minhas amigas; chego a hora que quero. Não é por maldade, é pra dar liberdade a eles e a mim.

LOU: Você dirige seu carro, sai de noite sozinha, não tem medo?
JOHANNA: Não. E a Lenita e a Virgínia são minhas colegas e a gente pega cineminha, a gente toma lanche. Se tem uma festinha, a gente vai junto.

LOU: Vocês se conheceram em aulas de dança?
JOHANNA: Foi. Nós saímos pra tudo quanto é lugar. É muito gostoso.

LOU: Você pinta também.
JOHANNA: É a melhor coisa que existe. Eu pinto desde os 14 anos. Parei, e depois de ficar tanto tempo fazendo escultura, eu cansei e agora voltei a pintar. Mas continuo fazendo minha aula de dança, de alongamento, com o Reynaldo, porque já levei três tombos e fraturei a coluna. Mas já estou boa.
Tudo tem conserto. É só não deitar. Dança e musculação são muito importantes pra mim, porque eu tenho osteoporose há mais de 5 anos. Consegui recuperar 2,5% de massa óssea, fazendo exercícios, dançando e tomando cálcio.

LOU: Por que você não põe o rosto das pessoas nas suas obras?
JOHANNA: Porque minhas obras são assim: você consegue se transportar na obra. Se você põe uma fisionomia personifica uma certa personagem. Eu só transporto alegria, tristeza, sentimentos da gente- e sentimento é pra todo mundo. Se você compra uma obra, você se vê nela. Não é uma pessoa específica; é um sentimento que todo mundo tem. Amor, paixão, ansiedade, tormento, tudo que a pessoa sente. E o sentimento não tem rosto, concorda?

Isto é mais ou menos um resumo da minha vida.

LOU: Uma rica vida! Muito obrigada.

Autor(a): Lou Micaldas

 

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