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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

JORGE SELARÓN
publicado em: 26/01/2016 por: Netty Macedo

1947/2013

Jorge Selarón, pintor autodidata, nasceu no Chile em 1947.
Sempre aventureiro, viajou para vários países. Durante um período, para se sustentar, foi professor de tênis. No entanto, nunca abandonou a pintura, tendo participado de inúmeras exposições na Europa, México, Nova York, Índia, Panamá e outros lugares.

Sua obra pictórica é representada por milhares de quadros. Uma de suas particularidades é retratar "mulheres negras grávidas", (por um problema pessoal, diz ele).

Um dos personagens mais conhecidos do bairro da Lapa, Selarón, desde 1983, vive no Brasil. Seu grande sonho é manter e completar a decoração, com mosaicos, da escadaria, com 215 degraus e 125 metros de comprimento, que liga a Lapa ao bairro de Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro - escadaria do Convento de Santa Teresa, também conhecida como Escadaria Selarón, situada no final da Rua Teotônio Regadas (rua lateral à Sala Cecília Meirelles).
Observe-se que o artista mora em uma das casas do local. (Rua Manoel Carneiro).

Tudo começou como uma homenagem ao povo brasileiro de quem tanto gosta e tão bem o acolheu.

Por estar a longa escadaria abandonada e suja, o artista, usando cores da bandeira brasileira, "verde, amarelo e azul", deu início à colocação dos azulejos por ocasião da Copa do Mundo de Futebol de 1994.

Foram fixados azulejos inteiros, ou em cacos, originários de muitos países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia, Bélgica, Bolívia, Chile, China, Equador, Escócia, Estados Unidos, Egito, Espanha, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Inglaterra, Iraque, Irã, Irlanda,Israel, Itália, Japão, Líbano, Marrocos, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, Rússia, Suíça, Turquia, Uruguai, Venezuela e do Brasil, totalizando cerca de 2.000 peças.

Foram presentes de turistas estrangeiros, de amigos brasileiros ou obtidos em demolições e, também, adquiridos no comércio ou criados pelo próprio artista.

O trabalho na escadaria é habitualmente renovado. O artista troca alguns azulejos de vez em quando.

Uma peça nova, de seu agrado, toma o lugar de outra, já fixada, que, por sua vez, vai para outra posição.

No começo, Selarón embelezou o local fazendo um jardim suspenso. Plantou flores dentro de antigas banheiras.

O artista fez tudo sozinho. Nunca se importou com os calos e a dor nas mãos. Obcecado, no auge da obra, só parava quando não tinha mais recursos para comprar os materiais. Aí voltava a pintar quadros para ganhar dinheiro. Feito isto, continuava a obra montando seu mosaico num ritmo alucinante, sem pensar em outra coisa. Dedicação total e absoluta.

A fama de Selarón já correu o mundo. Foi entrevistado  no famoso programa da National Geographic Channel (uma corrida de táxi por 100 dólares) e em muitos outros importantes veículos da imprensa ligados à área cultural. Sua escadaria já serviu de cenário para comerciais de variados produtos. Até videoclipes de famosos cantores foram gravados no local. Recentemente, os cineastas brasileiros José Roberto Mesquita e Renata Brito fizeram um documentário sobre o artista "Selarón, a grande loucura".

A relação do artista com sua obra continua vibrante. Diariamente Selarón varre e limpa a escadaria. Cuida da sua "escultura" com muito apreço como se fosse uma extensão de sua casa.

O artista também monta seus mosaicos em outros lugares da Lapa como, por exemplo, nas cercanias dos Arcos da Lapa - um dos cartões-postais da cidade. 
E diz: "só acabarei este sonho louco e inédito no último dia da minha vida".

Outra particularidade do Selarón se refere ao intensivo uso da cor vermelha em seus mosaicos, na sua roupa e sandália e até na sua inseparável bicicleta.

Recentemente a Prefeitura da Cidade tombou a Escadaria, tendo o artista recebido, em maio de 2005, o título de Cidadão Honorário do Município do Rio de Janeiro, recebendo a Medalha Pedro Ernesto.

No dia 10 de janeiro de 2013 o artista plástico foi encontrado morto sobre os degraus de sua mais famosa obra, a escadaria do Convento de Santa Teresa.

Autor(a): Renato Wandeck

 

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