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JOSÉ ALBANO DA NOVA MONTEIRO
publicado em: 22/01/2016 por: Netty Macedo

 
Matéria publicada em 14/10/2001

José Albano da Nova Monteiro, 83, é considerado o Papa no campo da ortopedia. Foi o fundador do Serviço de Ortopedia do Hospital Miguel Couto. Angariou títulos de honra da "Legião de Honra da França" e de "Grande Oficial da Ordem do Mérito Militar do Exército Brasileiro". E, ainda, conquistou vários cargos de destaque na área esportiva do país.

Como os grandes personagens que ficam pra sempre na história, o mundialmente conhecido e respeitado Doutor Nova Monteiro é um homem simples.

Nesta entrevista concedida ao "VELHOS AMIGOS" ele nos fala com bom humor e muita disposição de sua trajetória de vida, desde seus primeiros passos, quando tinha 1 ano de idade.

LOU: Qual é o nome dos seus pais?
NOVA MONTEIRO: Meu pai se chamava Zacarias da Nova Monteiro e minha mãe, Maria de Carvalho da Nova Monteiro, ambos filhos de portugueses que vieram para o Brasil e seguiram para a Bahia onde foram trabalhar.

Meu avô chegou ao Brasil com dez anos de idade e com 10 mil réis no bolso. Foi um homem que se fez sozinho! Trabalhou a vida toda e chegou a ser presidente da Associação Comercial da Bahia e presidente do Banco Comercial da Bahia. Era um português ilustre, inteligente e muito bem educado. A minha avó era baiana da Feira de Santana e filha de Chico Diabo. Ele teve oito filhos, e a minha avó era a mais velha.

LOU - Como era o nome dos seus pais?
NOVA MONTEIRO - Zacaria da Nova Monteiro e Maria de Carvalho da Nova Monteiro, Zazá.

LOU: Aonde você nasceu?
NOVA MONTEIRO: Na Bahia, no Bairro do Rio Vermelho, na casa que hoje é a sede da "Codevasp".

LOU: Em que dia, mês e ano?
NOVA MONTEIRO: 6 de janeiro de 1918. Tenho 83 anos.

LOU: Você perdeu seus pais muito cedo...
NOVA MONTEIRO: Perdi meu pai com três anos de idade e minha mãe, quando tinha 1 ano. Ela estava grávida do segundo filho. Numa noite, sentiu-se mal e foi dormir... de madrugada piorou e meu pai saiu para buscar um médico. Mas quando voltou, ela já estava morta.

LOU: Antes de começarmos a gravação, você estava contando como foi que você deu seus primeiros passos...
NOVA MONTEIRO: Há um dado trágico na vida de minha família. Eu fui o neto mais moço de todos. Meu avô era o meu padrinho e tinha um dengo tremendo por mim.
Ele me viu andando como cachorrinho em volta do caixão de minha mãe.
Foi ali que dei meus primeiros passos... Então, ele pirou e me mandou para a casa de minha tia. Isso foi uma coisa trágica, muito marcante. Eu tenho muita pena de não ter convivido com meus pais... de vez em quando, isto me vem à cabeça.

LOU: Você foi criado por quem?
NOVA MONTEIRO: Por minha avó e pelo meu padrinho e avô.

LOU: Pelo menos, você contou com esta sorte! Eles o encaminharam nos seus estudos?
NOVA MONTEIRO: Fui alfabetizado em casa. Tinha aulas particulares. Depois fiz exames e cursei o admissão no Colégio Padre Antônio Vieira na Bahia. Fiquei lá só um ano. Minha avó achou que a Bahia não era suficiente para mim e resolveu vir para o Rio. Metade da família já estava aqui.

Meu avô já tinha morrido. Ele era meu tutor e passou a tutela para minha avó. Ela, então, resolveu trazer-me para o Rio. Eu tinha dez anos de idade. Não havia vaga para mim no Colégio Santo Inácio. Eu era recomendadíssimo, tinha parentes jesuítas e houve pistolão de todas as maneiras, mas não conseguia. Finalmente, aconteceu um fato que criou uma vaga pra mim. O Padre Ávila era da turma para onde eu deveria ingressar; ele foi ser seminarista lá em Friburgo. Então, eu pude ingressar naquele colégio.

LOU: Você era muito levado, dava muito trabalho pra sua avó?
NOVA MONTEIRO: Não, eu era sereno, uma criança expansiva, muito alegre, gostava de brincar, mas não era levado, não dava trabalho. Era muito estudioso.

LOU: E como foi que você escolheu a carreira de medicina e especialmente a Ortopedia?
NOVA MONTEIRO: Eu sempre gostei de medicina, e meu principal amigo e vizinho era filho de um Médico Clínico, que era nosso médico. Eu andava sempre atrás do pai dele perguntando tudo sobre medicina. Finalmente, resolvi ser médico.

LOU: Você nem chegou a pensar em outra profissão?
NOVA MONTEIRO: Eu gostava também muito da Marinha, de praticar esporte e cheguei a pensar em ingressar na carreira militar. Mas a disciplina militar era muito rígida e o meu temperamento não combinava com aquele regime da Escola Naval. Decidi ser civil.

LOU : E como foi feita a escolha pela especialidade de Ortopedia ?
NOVA MONTEIRO: Foi ocasional. Fui trabalhar com o Dr. Castro Araújo. Lá, eu vi que todo mundo só queria fazer ginecologia, obstetrícia e ninguém queria fazer cirurgia geral. Nos hospitais, só havia atendimento de urgência. Os pacientes eram atendidos e, depois, não tinham pra onde ir. Então, eu pedi ao Castro Araújo que me deixasse ficar lá fazendo cirurgia geral. E foi assim que tomei conta disso. Chegava gente de todos os hospitais, de tudo quanto era canto da cidade pra ser atendido ali, porque era o único lugar que fazia este serviço.

LOU: Como era o nome do hospital?
NOVA MONTEIRO: Hospital Estácio de Sá, dentro da Faculdade de Medicina. E foi aí que eu ingressei na Faculdade de Medicina como interno. Fiz concurso e passei. Ganhava 150 mil réis por mês. Era esse o meu salário.

LOU: Quantos anos você tinha nessa época?
NOVA MONTEIRO: Tinha 16 anos.

LOU: E como você chegou ao Miguel Couto?
NOVA MONTEIRO: Demorou muito! Porque, logo depois, foi criada a lei da desacumulação. Nem mesmo os velhos cirurgiões não podiam acumular, ninguém podia acumular dois empregos. De modo que eu tive que pedir demissão de um emprego e fiquei só na municipalidade. Fui trabalhar em Campo Grande pra poder operar. Fiquei lá dois anos e sete meses. Ia de trem, não tinha automóvel. Saía de casa, todo dia, às 5 horas da manhã, pra chegar às 7 e meia no Hospital Rocha Faria. Não havia anestesia... Você vê como são os ossos do ofício?

LOU: "Ossos do Ofício"- este é o nome do livro que você está escrevendo...
NOVA MONTEIRO: Se der tempo vou acabar de escrever...

LOU: Lógico que vai dar tempo!
NOVA MONTEIRO: Já tenho minhas anotações...

LOU: Agora, me conta sobre o Hospital Miguel Couto. Sei que é uma paixão sua....
NOVA MONTEIRO: Quando cheguei ao Miguel Couto, não havia um serviço de ortopedia. Aliás, este tipo de atendimento não havia em nenhum hospital. Implantei o "Serviço de Ortopedia" que ficou conhecido mundialmente. Vem gente de todos os lugares pra ser tratado aqui. Também chegam médicos estrangeiros para estagiarem. Dirigi o hospital por três vezes, no governo do Carlos Lacerda e do Chagas Freitas.

LOU: Tem alguma idéia de quantas cirurgias você já fez?
NOVA MONTEIRO: É difícil calcular, me formei no dia 5 de dezembro de 1941, cheguei ao Miguel Couto em 49. Vou fazer 60 anos de formado e 52 anos de Miguel Couto. N ão dá pra saber. O Hospital atende de 800 a 1000 pessoas por dia.

CUIDADO COM O CORPO

LOU: Como devemos tratar nossos ossos, músculos e articulações? Que conselhos você pode dar aos idosos?
NOVA MONTEIRO: O problema é o seguinte: idoso deve não só tratar da coluna, mas tratar de tudo, porque o corpo humano é uma coisa só, porque as patologias de um setor vão atacar outros departamentos, de modo que o idoso deve cuidar de seu estado geral, corrigir tudo que estiver errado.

LOU: É importante fazer o exame que mede a densidade dos ossos, a densitometria?
NOVA MONTEIRO: Isto é puro comércio. No final do laudo vem escrito: volte daqui a 6 meses para novos exames... com isso está garantindo o "pinga"...

LOU: As pessoas devem tomar cálcio pra combater a osteoporose?
NOVA MONTEIRO : Não adianta nada tomar cálcio. O excesso sai na urina....

LOU: Não se deve tomar cálcio na terceira idade?!
NOVA MONTEIRO: Pode ser que sim, mas não é uma coisa matemática: "contra a osteoporose tome cálcio!"

LOU: E casca de ovo moída no liquidificador?
NOVA MONTEIRO: Não adianta nada!

LOU: E os exercícios físicos?
NOVA MONTEIRO: Ah!, isso sim! Qual é o melhor remédio pra osteoporose? Exercício físico!!! Eu andava 5km todo dia: daqui do posto 2 até ao forte de Copacabana e voltava. Agora não posso, porque quebrei o fêmur, fiz uma operação e, pelo menos por enquanto, estou impossibilitado.

LOU: Como foi que você caiu?
NOVA MONTEIRO: Porque na Inglaterra fazia 1 grau de temperatura, estava chovendo, tinha um gelinho no chão, escorreguei e caí.

LOU: Você tem uma letra muito bonita, por quê? Você fez muita caligrafia?
NOVA MONTEIRO: Quando eu fazia alguma coisa errada, meu tio Alfredo Kendall, que participava muito da minha educação, escrevia uma crônica sobre o que eu tinha feito e, de acordo com a gravidade, ele mandava eu copiar 10, 15, 20 vezes. Isso me ajudou muito nas provas escritas na faculdade... porque eu ganhei muita facilidade pra redigir...

LOU: Agora, conta um caso especial na sua profissão, alguém que você tenha operado, que tenha salvado a vida...
NOVA MONTEIRO: Um dos casos foi com um parente meu. Fizeram uma barbeiragem nele. Ele foi operado na Suíça e lá colocaram uma prótese indevida. Hoje em dia não se põe mais aquele tipo de prótese. Então eu tive que operar e trocar a prótese...

LOU: Nos ossos de seu ofício, que ossos importantes você tratou?
NOVA MONTEIRO: Operei quatro Presidentes da República: Juscelino, General Dutra, Médici, General Bignone, que foi o último Presidente Militar da Argentina. Ele veio aqui só pra se submeter a esta operação comigo.

LOU: Qual deles deu mais trabalho?
NOVA MONTEIRO: Todos tinham bom temperamento. O Médici era um amor de pessoa, o Juscelino Kubitscheck gostava de dançar. À noite, na casa dele, ele tirava os sapatos e dançava descalço.

CASAMENTO FELIZ

(Geysa é a simpática mulher do Dr. Nova Monteiro. Uma bela senhora, dona de uma elegância simples e esportiva. Atenta a tudo e a todos, participou ativamente da vida do marido e também da entrevista, buscando fotos e lembrando reminiscências da juventude.)

Geysa foi buscar o porta-retratos para mostrar a foto com a dedicatória que o presidente Juscelino escreveu para o Doutor Nova Monteiro. Está lá escrito: "Para Nova Monteiro das legítimas expressões da medicina Nacional, um dos valores mais nobres da inteligência brasileira e sobretudo pela bondade de seu coração e pela ilimitada solidariedade humana, homenagem sincera e afetiva de Juscelino Kubitscheck"

NOVA MONTEIRO: Todo este tempo, muito antes de ingressar no Miguel Couto, eu já estava casado. Estamos casados há 62 anos e com bom comportamento.
LOU: E quando rapaz, você era namorador?
NOVA MONTEIRO: Namorei muito, aproveitei a minha juventude. Quando conheci a Geysa, namorei, casei e, então, sosseguei.

NAMORO

LOU: Como foi que vocês se conheceram?
GEYSA: Eu sou flamenguista. Nós fazíamos esporte. Eu ia treinar na piscina do Botafogo, porque, naquela época, o Flamengo não tinha piscina. Ele também ia lá treinar, e foi assim que nos conhecemos. Sou recordista de nado livre do Flamengo e ele Botafoguense.

CASAMENTO

LOU: Quando foi que vocês se casaram?
NOVA MONTEIRO: Em maio de 1940... Não era formado. Tem aí um detalhe: minha avó facilitou tudo. Ela não queria morrer sem me ver casado.

LOU: Sua avó queria ter a certeza de que você seria bem tratado. E vocês tiveram filhos?
NOVA MONTEIRO : Tivemos dois, aliás três, porque um morreu logo na primeira semana.

LOU: E como é essa convivência flamenguista versus botafoguense.
GEYSA: Sou membro nato do Conselho Deliberativo do Flamengo, estou na Calçada da Fama do Flamengo e ele é Grande Benemérito do Botafogo.
NOVA MONTEIRO: Foi um casamento esportivo...

LOU: Então, nos fale da sua atividade esportiva.
NOVA MONTEIRO: Sempre gostei muito de esporte. Meu pai foi campeão suíço de remo. E eu sempre estive ligado ao esporte. Fui jogador de Water Polo e remador do Clube de Regatas Botafogo, que mais tarde se incorporou ao Botafogo Futebol Clube. E, durante muitos anos, fui diretor do Botafogo. Houve uma ocasião em que exerci quatro cargos diferentes lá, mas hoje sou sócio Benemérito.

LOU: Você teve importante participação na FIFA. Como foi essa trajetória?
NOVA MONTEIRO: Desde que cheguei ao Rio, com 12 anos mais ou menos, João Havelange se tornou meu amigo e companheiro de esporte. Jogávamos Water Polo juntos. Antes de João Havelange ir pra Fifa, ele era da CBF e tudo que ele precisava na parte de ortopedia, ele me chamava. Quando ele assumiu a presidência da Fifa, o primeiro decreto dele foi me nomear Membro do Comitê Médico da Fifa.

Quando o João saiu, porque não se candidatou, eu também saí. Mas passei 24 anos da minha vida indo às reuniões da Fifa e viajando para todos os países, acompanhando o time brasileiro.

VIDA SOCIAL

LOU: E no Jockey Club Brasileiro? Sei que você é profundo conhecedor do turfe.
NOVA MONTEIRO: No Jockey, sou o vice-presidente. Todos os fins de semana vou pra lá, na Gávea, almoço e venho pra casa no final da tarde. Às terças, almoço no Jockey da Cidade.

LOU: Você parece viver uma vida bem equilibrada: trabalho, lazer, vida social...
NOVA MONTEIRO: O trabalho é muito importante pra nossa vida, mas a vida social também é importante, como a esportiva e como a alegria também é de suma importância.

LOU: Vocês continuam levando uma vida social bem ativa?
NOVA MONTEIRO: Moderada; agora fico cansado, porque estive operado, machucado...

LOU: Todos os anos vocês costumam ir às corridas de cavalo, na França e na Inglaterra?
NOVA MONTEIRO: Nós temos assistido todos os anos, nesta época, em outubro, ao Ascot e ao Derby de Epson, na Inglaterra. Também íamos ao Grande Prêmio "Arc du Triomphe", na França, que é perto.

LOU: E como é o tão célebre chá de cartola em Buckingham?
NOVA MONTEIRO: Todo mundo pra ir a esse grande prêmio tem que ir de fraque e cartola.

LOU: E você, Geysa, vai vestida como?
GEYSA: Vou com um vestido chic, mas simples, e de chapéu. Tem um almoço pros convidados e, quando chega às 5 horas, vem aquele chá inglês clássico, com geléia de morango, um creme especial que é semelhante à manteiga, com aqueles muffins, uma delícia. Hoje, nós deveríamos estar em Paris. Anteontem foi o grande prêmio "Arc du Triomphe". Se ele não tivesse sofrido essa fratura, hoje nós estaríamos lá.

LOU: No próximo ano vocês estarão lá. Foi até melhor vocês estarem aqui, no Brasil, agora que o mundo está passando por esse momento de tensão pelo terrorismo.

FESTAS

LOU: Vocês costumam dar muitas festas?
NOVA MONTEIRO: A maior festa era o Revéillon. Os amigos vinham passar o Revéillon aqui. Às vezes, aqui dentro desse apartamento tinha 120 pessoas. Imagine como isso aqui ficava...
GEYSA: Os convidados eram 80, mas cada um trazia não sei quantos mais... Aí ,ficava muito apertado!

VIAGEM AOS EMIRADOS ÁRABES

NOVA MONTEIRO: Eu fui representar o Jockey Clube em Dubay; foi na volta dessa viajem que eu caí em Londres. Conhecer Dubay foi uma experiência fantástica. É uma gente civilizada, educada na Inglaterra. E os quatro príncipes que regem Dubay, que é um dos Emirados, são pessoas de educação finíssima. É um país pequeníssimo, riquíssimo, muito bem dirigido.
GEYSA: É um lugar lindo...

LOU: Você falou que caiu em Londres e sofreu uma fratura, mas preferiu vir pro Brasil pra ser operado aqui. Você confia mais nos médicos brasileiros?
NOVA MONTEIRO: Eu não operei na Inglaterra, pelo seguinte, eu estava com 83 anos. Todos os médicos da minha idade, todos eles, ou morreram ou já estão no campo, com uma belíssima aposentadoria. Nenhum médico trabalha depois dos 65 anos. Não tem na Inglaterra nenhum ortopedista de 83 anos operando. Se fosse há dez anos atrás, eu conhecia os melhores de lá, mas os atuais craques eu não conhecia nenhum.

Após a queda, eu me examinei e vi que havia uma fratura, mas vi que podia esperar 24 horas.
Não queria operar com alguém que eu não conhecia, então vim pra minha terra operar com um que eu conheço. Vim pro Rio, apoiado numa bengala e operei com meu assistente, Eduardo Malcher.

LOU: Seu relacionamento com sua mulher é tão bom, tão jovial e tão cheio de humor! Como se consegue isso depois de tantos anos de casado?
NOVA MONTEIRO: Mas, no momento, estou muito deprimido com esse atentado, nunca pensei que alguém pudesse fazer uma coisa dessas, cortar um edifício com um avião e matar todo mundo que estava dentro do avião e do edifício.

LOU: E quanto a reação dos Estados Unidos?
NOVA MONTEIRO : É natural, ninguém pode esperar que não se faça nada! Mas é preciso que seja feito com certo cuidado, pra não trazer prejuízo a quem não tem nada com isso. É preciso que, se houver alguma retaliação, que seja dirigida exatamente ao culpado e não atinja ao povo em geral.

LOU: Pode provocar mais ódio...
NOVA MONTEIRO: Mais ódio não! É uma injustiça! Você ir tirar uma forra em quem não tem nada com isso é outra criminalidade. É preciso moderar.

LOU: Mas essa depressão que você está sentindo foi ocasionada pelo momento atual. Toda a sua postura, sua maneira de ser é de uma pessoa positiva, de cabeça jovem, com seus 83 anos. A que você atribui estar assim tão lúcido, participativo, tão bem? Qual o seu recado pras pessoas que estão caminhando pro envelhecimento?
NOVA MONTEIRO: O que eu tenho a dizer é o seguinte: é preciso que todo mundo se conforme com o passar do tempo. O envelhecimento é uma coisa implacável. Então, o que é preciso fazer é a pessoa não se entregar. Parar de trabalhar é besteira. Tem que se manter em atividade. Eu chego ao hospital, todos os dias, às 7 horas da manhã. Se deixar isso, estou perdido. Eu dirijo o serviço, tenho 20 assistentes e 46 residentes, 46 rapazes que estão lá pra aprender, tenho ainda 582 ex-residentes.

LOU: Quer dizer que o importante é continuar trabalhando. É isto que mantém esse seu entusiasmo pela vida?
NOVA MONTEIRO : A pessoa deve continuar trabalhando até não poder mais. Todos que fazem isso têm o mesmo resultado. Não há aquele que continue trabalhando que se dê mal, todos se dão bem. Realmente é a maneira de se evitar a velhice, porque não é a idade... é a velhice. Ser idoso... o sujeito pode ser idoso, sem ficar velho cansado... Se você se deixar envelhecer, ficar parado em casa, aí é o desastre! Aí, morre antes. Precisa se manter ativo, não só no trabalho, mas também procurar diversão e alegria.

LOU : Agradeço imensamente a acolhida de vocês dois...
NOVA MONTEIRO : Bonito fecho.

LOU: Também achei. Foi você quem deu! Muito obrigada pela entrevista e pelo seu recado final, por esse bonito fecho.

Autor(a): Maria de Lourdes Micaldas

 

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