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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

LADY FRANCISCO
publicado em: 26/01/2016 por: Netty Macedo

Matéria publicada em 21/08/2002

Tenho a honra de receber a grande atriz, a maravilhosa Lady Francisco no nosso site "Velhos Amigos".

Esbanjando sensualidade e simpatia, foi assim que Lady Francisco chegou para a entrevista. Sua alegria contagiou toda nossa equipe, fazendo com que tivéssemos uma tarde muito agradável.

Lou - Lady, como é seu nome todo?

Lady - Lady Chuquer Volla Borelli Francisco de Bourbon. Esse Chuquer é o nome brasonado de minha mãe, do meu avô. E o de Bourbon é o nome de minha mãe que tem um sanguezinho azul (rsrs), azul meio aguado, mas é.

Lou - Vem cá, em que dia, mês e ano você nasceu?

Lady - Não, o ano eu não dou. Só no ano em que eu morrer, vai sair em vários jornais, cada um com uma data, porque, cada vez que eu dou uma entrevista, eu dou um ano. Eu nasci no dia 07 de janeiro, fui registrada no dia 27, mas eu comemoro no dia 07, de mil novecentos e muitos anos. Sou capricorniana, porque eu não tenho nada, nada de aquariana.

Lou - Você é tão jovem, você...

Lady - Eu sou, mas não dou não. Todo mundo pede, todo mundo imagina, deixa as pessoas imaginando. Falo não.

Lou - Sem preconceito de idade, temos muitos jovens "Velhos Amigos".

Lady - Ah, mas não adianta que eu não vou falar. Acho a velhice um sacanagem.

A INFÂNCIA

Lou - Então, me fala da sua infância.

Lady - Minha infância foi maravilhosa, em termos. Porque eu fui a primeira filha do meu pai e a terceira da minha mãe, porque ela era viúva. Fui tratada assim com muito, muito amor pelo meu pai e minha mãe. Depois, entrou na rotina, por que vieram outros. Mas fui uma pessoa levada. Eu fui uma das filhas mais levadas que minha mãe teve.

Lou - Quando você descobriu sua vocação pra ser artista?

Lady - Desde cedo, desde os nove anos, comecei a mexer com o mundo artístico que eu amava. Comecei cantando e declamando numa rádio. Depois, fui interna porque era muito levada. Primeiro, no Colégio Batista. Depois, no Sacre Coeur de Marie, e continuei muito levada.

Lou - O que você aprontava na escola de freiras?

Lady - De noite, eu amendrontava as crianças no dormitório. Eu era sonsa! Fingia que não tinha nada, jogava papelzinho, porque lá tinha muita aranha caranguejeira, e era uma gritaria por causa das aranhas. E era eu... Numa época, a diretora botou o colégio inteirinho de castigo até a pessoa se denunciar. Depois de 3 dias foi que eu vi como que o murmúrio tava ruim, todo mundo maldizendo a tal pessoa, aí eu fui e me apresentei, sabe?

Mas, então, eu tive uma parcela que ficou do meu lado, me achou a líder, poderosa e a outra que metia o pau em mim. E lá, eu virei noviça durante um ano. E o primeiro padre, por quem eu me apaixonei, foi o de lá. Mas valeu como experiência e eu tô contando tudo no meu livro.

Lou - Depois você vai nos falar do teu livro. E esse padre que você se apaixonou? Você foi correspondida?

Lady - Não. Não. Esse padre, eu era menina, era no colégio e ele nem soube. Esse padre foi aquela paixão que você tá fazendo retiro espiritual, ele vai todo dia lá, pregar... você acaba apaixonando... Aí, eu saí porque, realmente, não tinha tendência para ser religiosa.

Lou - Você era mais chegada a ser miss. (risos)

Lady - Entrei em todos os concursos que tinha em Belo Horizonte de miss: miss silhueta, miss perna bonita, miss busto, miss, tudo que tinha de miss. Miss Belo Horizonte, Miss Minas Gerais, até entrei em concurso de Miss Brasil.

CASAMENTO

Lou - Você casou cedo?

Lady - Arranjei um casamento, foi uma grande merda, mas tive dois filhos lindos. Separei logo. Com cinco anos de casada, eu já tinha separado. Vim morar no Rio.

Lou - Pra fugir dos fuxicos?

Lady - Meu pai era um dos homens mais ricos da minha terra, mas perdeu tudo na Bolsa, em jogo. Meu pai era compulsivamente viciado em jogo. Tudo que ele ganhou, ele jogou fora. Minha mãe dizia: - É dele, ele faça o que ele quiser. E morreu realmente na miséria. Deixou minha família assim sem ter onde dormir... quem teve 35 casas, palácio e tudo. Meu pai era jogador mesmo, e eu não perdôo. Aí, peguei e vim embora pro Rio, porque eu fiquei com vergonha de ficar na minha terra, vim embora pro Rio e comecei a batalhar. E aqui já começa uma outra história.

Lou - Então, conta. Você chegou ao Rio de Janeiro e ...

Lady - Eu cheguei, no principiozinho de 73. Mas, aqui, eu sofri muito. Porque eu vim com a cara e a coragem. Fui assaltada. Na primeira semana, me levaram tudo que eu tinha na Rua Miguel Lemos e, aí, eu fui levando uma vida ... batalhando, sabe?

Foi muito difícil. Dormi na praia 15 dias, não tinha mais onde dormir, passei fome 15 dias, mas aí eu não queria mais voltar pra minha terra, né? Não dava pra voltar... Consegui morar numa pensão, na casa de uma dona, ali na Miguel Lemos.

Ela me botou no quarto de empregada. Eu que morava num palácio, tive que morar num quarto de empregada, num beliche, na parte de cima. Na parte de baixo, dormia uma mulata, que era menina de programa. A mulher, dona da pensão, fechava a porta; a gente tinha que entrar só pela porta da cozinha.

Ela botava café com leite, pão com margarina e eu odeio todas as duas coisas, mas aí, eu fui levando tudo como experiência, pesou muito, mas minha vida é muito rica em informação e, aí, eu fui conseguindo.

Lou - Você foi vencendo...

E O SUCESSO CHEGOU

Lady - Entrei, depois, no Flávio Cavalcanti. Ele tava retornando na TV Tupi . Ele me chamou e eu estourei de cara, no programa, na volta dele. Ele ficou eufórico, foi uma pessoa linda, foi um grande amigo que eu tive.

Lou - Antes de ir ao Flávio Cavalcanti você chegou a tentar outras televisões?

Lady - Eu inaugurei televisão em Belo Horizonte eu fui pioneira...

Lou - Ah, então me conta como foi. Como você surgiu na arte?

Lady - A minha vida é tão grande pra contar tudo assim... Comecei com 9 anos. Cantava na Rádio. A Rádio inaugurou a TV Itacolomi. Eu fui pioneira. Eu e o Dr. Juscelino Kubitschek.
Eu era garotinha e lá eu tive programa infantil; depois tive programa de society; depois eu fiz todos os teleteatros; inaugurei as telenovelas. Daí eu inaugurei a TV Globo de lá. Eu participei de todos os canais.

Lou - Você largou tudo e veio pro Rio pra começar do zero?

Lady - Do zero. Aí, que eu fui na Tupi e o Flávio me colocou na televisão e eu estourei. Depois, eu fiz uma outra novela, Jerônimo, o Herói do Sertão e depois eu fui para a TV Globo.

Lou - E o programa do Flávio Cavalcanti qual era? Você lembra?

Lady - "Um Instante, Maestro" ou "A Grande Chance". Ele tinha dois programas.

Lou - E em novela?

Lady - Fiz "Jerônimo, o Herói do Sertão". Foi muito bonita. Aliás, os participantes quase todos já morreram. O pessoal que fez essa novela já tá tudo no segundo andar. Depois, a TV faliu e eu fui pra Globo. E na Globo, eu fiquei até agora, há pouco tempo.

Lou - E na Globo você fez muito sucesso!

Lady - Fiz. Fiz muito sucesso mas, sucesso é um negócio meio bobo, sabe? Eu gosto muito da minha carreira. Ela é considerada sinônimo de sucesso, mas é mentira. Todas as carreiras são sinônimos de sucesso. A nossa é porque a gente expõe mais um pouco a imagem, mas é tudo igual. Eu, graças a Deus, tenho a cabeça muito no lugar.

O sucesso realmente pra mim é eu estar trabalhando; isso que é o mais importante. Quando eu não tô, eu acho que é horrível a vida da gente. Mas, eu fiz várias novelas de sucesso e teve uma que foi muito bonita, que eu viajei o mundo inteiro atrás do chamado sucesso dela que foi "Louco Amor", do Gilberto Braga. Eu fiz uma mulher esteticista que se apaixona pelo José Lewgoy, que é um ator maravilhoso, e a gente fez um grande sucesso.

Lou - E você cuidava dele...

Lady - Não, cuidava das mulheres. Ele me conheceu assim e se apaixonou por mim.

Lou - Foi nessa novela que você recebeu mais de mil convites pra casamento?

Lady - Foi. A velharada toda queria casar comigo.

Lou - Porque a paixão dele por você foi contagiante e o seu papel foi encantador.

Lady - É, foi lindo - Um amor verdadeiro. E aí, fiz outras boas, fiz a "Barriga de Aluguel", que eu adorei fazer; fiz "O Amor Está no Ar". Agora, as novelas são meio bobas, mas enfim...teve muita novela boa na Globo.

Lou - E ultimamente, o que você está fazendo?

Lady - Ultimamente eu tô com uma peça há 6 anos, que chama Os Dálmatas - O Musical, que é uma peça infantil que é um grande sucesso mesmo. Um sucesso estrondoso. Eu tava fazendo a Rádio Globo, até há pouco tempo, com Haroldo de Andrade, mas ele saiu da Rádio, depois de 43 anos de Rádio. Tem uma semana ou duas que ele saiu.

Lou - Essa peça, Dálmata, fez muito sucesso, é um musical infantil e as crianças ficaram apaixonadas por você...

Lady - Está até hoje, porque eu estou fazendo ainda.

Lou - Ah, e onde está a peça?

Lady - A peça ficou seis meses no Teatro Ipanema. Agora em agosto a gente está indo pra Vitória. No mês de outubro, novembro e dezembro, a gente vai pra São Paulo.

Lou - Bom, então me conta do seu livro?

Lady - Já falei algumas coisas. Mas não quero contar muito, não. Escrevi meu livro, que aliás tô até procurando um ghost writer, pra eu poder procurar uma editora pra editar, que é meu sonho editar esse livro. Sabe, sou um livro aberto, conto a minha vida de cabo a rabo. Acho que vai ser muito legal pra quem for ler.

Lou - Fale mais detalhes, só pra abrir o apetite...

Lady - Vou contar meu casos amorosos, vou contar todas as coisas que eu passei no Rio, toda a minha vida que eu tive com meu pai e com minha mãe, vou contar do meu amor pelos animais que é uma coisa muito preciosa, harmoniosa. É uma afinidade muito grande. Eu entendo a linguagem muda deles. É assim um negócio inexplicável. Como a gente tem afinidade...

UMA AMANTE DOS ANIMAIS

Lou - E você cria animais?

Lady - Eu crio, eu tenho doze animais na minha casa.

Lou - Doze?!

Lady - Eu tenho gato, cachorro, papagaio, maritaca, dois urubus que vivem comigo há oito anos, tenho cágado, tenho porquinho da índia, tem tudo na minha casa.

Lou - É apartamento ou casa?

Lady - É apartamento.

Lou - E eles convivem numa boa? Um não come o outro? Quer dizer no bom sentido, com todo respeito.

Lady - Não, não come não...Convivem muito bem...

Lou - Interessante... cachorro e gato! Foram criados com muito amor, não é? E tem os urubus?!

Lady -Tem dois : o Pelé e o Bené. O amor é que domina a vida do ser humano racional e irracional. Então, os urubus, é claro, só vivem comigo, porque eles vivem na parte de cima, na piscina...

Lou - Ah, que engraçado.

Lady - Agora, se você chegar lá, eles atacam. Só a mim que eles não atacam, a mim e a minha filha. Qualquer outra pessoa, eles atacam. Mas eles passam comigo o dia, de noitinha eles vão pra mata, que é do lado e, de manhã, eles voltam.

Muito lindo, né? Uma vez quando eu fiquei doente, não subi, e aí deu uma tempestade. E cobertura é ruim que sempre vaza. Eu falei: - Vou ver se tá vazando lá em cima e ver se tá aberto. Quando eu cheguei, assim, tinha um na grade da piscina , o vento batendo, e ele balançando, desesperado, encharcadinho. Quando ele me viu, eu disse: - Oh, Pelé, vai embora! Você acredita que ele veio andando até perto da porta de vidro? E eu passei a mãozinha nele e ele foi embora pra mata.

Já tinha duas semanas que ele não me via. Meu olho se enche d'água, quando eu conto; é um negócio... Eu não vivo sem bicho!

NÃO GOSTO DE SEXO

Vivo sem homem, né? Já faz 14 anos que eu não tenho ninguém por opção minha, porque eu não gosto de sexo, impressionante, né. Não gosto mesmo. Descobri, depois de ter transado com um punhado de gente, que realmente não é o meu ato preferido na vida e resolvi parar com muita personalidade. No princípio eu tinha vergonha. Eu falava: não eu vou sair hoje com uma pessoa. Mas era mentira, sabe? Eu tinha vergonha de falar que eu não tava querendo. Depois assumi e agora pronto. Aí o pessoal brinca comigo: - Você tá com amnésia, você saiu ontem, você saiu ontem. Eu digo: é tô com amnésia. (risos)

Lou - É muito bom você assumir suas preferências e não se importar com os julgamentos, com as imposições, as cobranças dos outros.

Lady - De repente pode aparecer uma pessoa. Mas é muito difícil, porque eu não tenho mais tolerância com homem. O pé me aborrece, aquela coisa grande chegando, derrubando tudo e coisa jogada de um lado. Não tenho mais paciência pra isso. Não gosto.

Lou - Você transferiu sua carga afetiva para os animais...

Lady - E para as plantas! Noutro dia, minha filha disse: - Mãe, vai ver tua planta que tamanho que tá. Eu adoro hibisco, ela dá o ano inteirinho. Tava desse tamanho e branca. Quando eu cheguei eu disse: - Não acredito! Você é linda. A planta faz assim, ela ri pra gente... Sou apaixonada por planta. Hoje eu já beijei todas. Eu fico com vergonha, vou lá beijo, fico olhando pra ver se alguém tá vendo eu beijar, sabe? Aí eu beijo as plantas, beijo os bichos... Meu papagaio esteve doente. A Amil tem um veterinário de papagaio que é único aqui, é o Dr. Marcelo Levi, impressionante, você conhece?

Lou - Conheço de nome.

Lady - Ele foi lá e achou o papinho dele assim meio ruim; ele tinha vomitado.
Ele me peguntou: Como é que pegou isso? Eu fiquei pensando, pensando...
- Como é que pega? Algum pássaro que entrou por aqui, não sei, respondi. Aí ele perguntou:
- E a mãe que fica beijando a boca dele não pega nada não? Você beija o papagaio, dona Lady? Eu falei:
- Beijo.
- Deve ter passado algum fungo pra ele. Aí tive que dar remédio terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. Domingo eu acabei de dar o remédio pra ele e tava limpando a gaiola dele e na hora que eu fiz assim, ele ficou com raiva que eu dei remédio quatro vezes por dia, ele pegou meu olho com o bico, pegou daqui pra aqui. Eu uso lente de contato só nesse, esse aqui não.

Lou - Por quê?

Lady - Nesse aqui eu enxergo bem, essa aqui eu não enxergo. Aí ele pegou aqui e a lente saiu no bico dele e eu achei que tava cega. Aí eu fiquei louca, meu olho ficou desse tamanho.

"ACHO A VELHICE UMA SACANAGEM"...

Lady - Eu acho uma sacanagem o que a velhice faz com a gente. Agora, eu tava ouvindo uma música chamada Epitáfio, essa música é boa demais, é dos Titãs. Eu tava fazendo alongamento e a professora botou essa música. Eu falei bota de novo! Eu não tinha ouvido direito. Eu devia ter tido mais tempo de fazer mais isto, mais tempo de fazer aquilo. A música foi feita por aquele rapaz que morreu (Renato Russo).

Eu achei aquilo o máximo, porque a gente não vive o importante da vida. Eu já vivo um pouco mais que as pessoas normais, porque de manhã eu converso com as plantas, eu cumprimento o sol, uma coisa chamada de louca; eu gosto de tomar banho de banheira, com aquele negócio tremendo lá ( é a hidromassagem). E a minha vida deu uma mudada agora. Ultimamente, eu dou valor a muitas coisas, eu cuido do meu corpo. Agora, é verdade que eu sou muito emotiva e às vezes esse meu lado explosivo assim me ataca um pouco o estômago, porque eu tô triste vai pro estômago, tô alegre, vai pro estômago. Quando o papagaio ficou doente e a minha cadela morreu, o estômago começou a doer. O estômago é o meu lado fraco.

Lou - Porque você é muito intensa.Tudo você vê com lente de aumento.

Lady - É eu sou. Tudo é muito exagerado. Pra tudo eu sou assim. Sou estabanada e minha filha reclama. Eu falei pra ela parar de me chamar atenção. No dia em que eu não for estabanada, aí sim, pode me chamar atenção. Tá acostumada comigo o tempo todo assim.

Ela fica preocupada comigo porque eu levanto 5 e meia, seis horas e já levanto ativa e ela exausta. Ela trabalha o dia inteirinho. Aí ela já levanta pra ir trabalhar e eu já começo a falar: aconteceu isso, aconteceu aquilo..., contando. E ela : Mamãe, menos, deixa eu acordar, mãe você é muito agitada! Eu disse: - Andréia, você gostaria que eu fosse uma velha com bengala, ali na cadeira de balanço, esperando você me trocar pra depois você ir trabalhar? Você gostaria que eu fosse desse jeito? - Ah, não, assim mesmo! Respondeu.

- Então eu vou trocar o pneu que tá furado. Aí, desci pra trocar o pneu. Aí, mostrei pra ela que é mais importante uma mãe assim do que uma mãe que precisa de apoio, né?

Lou - Ainda bem que ela falou, porque muitos filhos gostariam que as vovós fossem aquelas velhinhas de bengala...

Lady - Gostariam? Ai, que horror!

Lou - Seria mais cômodo. Os filhos traziam as crianças pra casa dos pais, enchiam a casa de netos,todo mundo comia e, depois, os avós ficavam com a criançada e o pessoal se mandava, não é? Agora não, cadê a vovó? Tá na academia de ginástica (risos). Cadê a vovó? Tá lindona aí, maravilhosa, fazendo foto. É assim... é agitada, tem aquela energia pra aproveitar a vida.

Lady - Tem até mais pique. As mulheres tão mais vivas, mais espertas, muita informação, né? No meu alongamento tem duas mães, com duas filhas, as mães são mais elásticas do que as filhas, é impressionante.

Lou - E a animação pra dançar também. Na aula de dança, a terceira idade tá lá dançando, soltinha...

Lady - A minha irmã, que é a primeira da minha mãe, eu acho que tem 82, ela também não fala a idade. Você dá pra ela uns 55 anos. Ela é a cara da Elizabeth Taylor, igualzinha, mas essa mulher é diferente de mim, nossa, não temos nada igual. Primeiro que eu sou muito emotiva e se uma pessoa tá doente, uma família, eu me dou inteirinha até a pessoa melhorar.

Ela, não, ela é do tipo assim: a mãe tava doente e morreu. Ela dormiu, na hora do enterro levantou e foi toda arrumadinha, limpinha, descansada... ela é desse tipo, ela gosta mais dela do que de qualquer outra pessoa. Dança 3, 4 vezes por semana. Ela vai dançar, porque ficou viúva. Não incomoda os filhos porque mora na casa dela, sozinha. Mas se precisar, os filhos correm, são 5 filhos.

Lady - A outra irmã é de Nova York, ela é bem diferente, é mais clássica... ficou viúva há dois meses, e eu morro de pena, adorava o meu cunhado... ela é toda intelectual, toda cheia de cerimônia. Se quiser visitar, você tem que avisar, por telefone, vai, não sei quê, se pode receber. Na minha casa, deixo a porta aberta, você pode entrar a hora que quiser, qualquer pessoa. Meu temperamento é esse. Ela tá certa, eu que tô... eu sou mineira, caipira, né? É outra coisa.

Lou - Mas o mineiro é assim, gosta de receber, mesa farta, é uma maravilha.

Lady - É. Eu gosto de ser assim. Na hora em que eu vim prá cá, tinha dois porteiros comendo na minha casa. Eles chegaram lá e perguntaram: Dona Lady, a senhora tem um alho aí? Eu falei: come aí rapaz! Vai fazer sua comida, não. Aí saí, vim pra cá e eles ficaram comendo. Mas eu sou assim. E eles me defendem menina, defendem pra chuchu.Tenho dois protetores.

UMA CARREIRA DE MUITOS PRÊMIOS

Lou - Você não me falou dos teus prêmios. Conta aí.Melhor atriz?

Lady - Eu ganhei todos. Melhor atriz, melhor revelação. Já ganhei todos os prêmios de rádio, televisão, cinema.

Lou - Melhor atriz foi quando?

Lady - Sei, foi com o "Crime do Zé Bigorna", foi "Lúcio Flávio - Passageiro da Agonia", "Os Rapazes da Calçada". Depois, no teatro, ganhei vários prêmios. Ganhei vários prêmios na rádio. Essas coisas a gente ganha um monte de prêmios, a gente não guarda muito as datas, porque a gente vai ganhando. O bom é ganhar.

Lou - E essa peça que você fez que teve a história da moça do aborto.

Lady - "Além da Vida". O "Além da Vida" foi assim: o Vanucci, que já faleceu, quis homenagear o Chico Xavier que era nosso amigo de infância, e amigo do meu pai, desde que morávamos em Pedro Leopoldo. E aí o Chico falou que gostaria que eu participasse da peça e o Vanucci também pediu que eu fizesse. Eu fiz, mas foi uma peça. Eu fiz quase dois anos. Mas a peça durou 14 ou 15 anos, sei lá.

Acontece que essa peça começou a mexer muito comigo porque a gente mexia muito com essas coisas de vidas passadas, né? E eu fazia uma mulher que tinha feito aborto, uma espanhola que tinha abortado, eu fazia uns três ou quatro personagens, Lúcio Mauro, outros, Carone, que já morreu, entre outros. E, no final da peça, as pessoas ficavam assim tão impressionadas que achava que a gente podia realmente trazer mensagem dos filhos.

Era uma coisa assim meio angustiante. E eu comecei a me sentir muito mal, eu vomitava muito, eu evacuava... eu fiquei tão magra, tão magra, que eu tive que sair da peça. E uma vez uma mulher gritava: ai, ai, eu fiz tantos abortos. Ela me contou que fez muitos abortos. Ela me contou que fez muitos e não sabia que as pessoas sofriam. Bom, em cada religião é uma história. Ninguém bate palma em religião nenhuma, todo mundo condena o aborto.

Eu já fiz aborto também. Eu não condeno o aborto de estupro, de criança que vai nascer toda infeliz, com doenças; eu acho um absurdo você botar um filho que vai ficar trinta, quarenta, cinqüenta anos, vegetando, isso não é amor, eu não acho isso amor. Por isso é que às vezes eu sou polêmica nas minhas atitudes, sabe?

Lady - Acho que a mulher pobre, que não tem como sustentar, devia ter o bebê e mandar fazer aquela ligadura nela, porque pobre não pode ter 10, 20 filhos, como tá tendo agora. O pessoal mais rico tá tendo 1,2 e essas idiotas só sabem abrir as pernas, ganham salário família quando ganham o bebê e fica aí tudo morrendo às mínguas. Abortar assim, sadiozinho, não, né? Se a menina é jovem, como essas idiotas que estão tendo com 10, 11, 12 anos, aí não. Eu, se fosse alguma autoridade, eu colocaria uma lei para que o pobre, não passasse de dois, três filhos. O rico podia ter o que quisesse, mas o rico já pensa.

Lou - Na verdade elas fazem aborto, correndo risco de vida...

Lady - Elas botam talo de couve. Uma que trabalhava lá em casa, botou talo de couve pra abortar. Então, elas não sabem nem como fazer, né?

Lou - Podia morrer na sua casa.

Lady - Podia, mas não morreu, nem a neném. Depois desse nenem que ela teve, ficou comigo uma temporada, depois saiu. Antes de sair, já tava grávida de outro. Elas não têm vergonha na xoxota, nem na cara, né?

Lou - (Risos) Ah, Lady Francisco...

Lady - Já que você pesquisa tanto, o que você acha dos hormônios?

Lou - A reposição hormonal é indispensável pra mulher, porque combate os problemas da depressão, cansaço, melhora a pele, protege a parte cardíaca...

Lady - Pra quem gosta de transar, melhora...

Lou - Melhora muito a lubirificação vaginal, aumenta a libido. Quando veio essa pesquisa, que ainda não foi consagrada, porque foi um estudo apenas com poucas mulheres, houve uma grande...

Lady - Uma bomba na cabeça...

Lou - Uma bomba na cabeça do mundo. Mas alguns médicos estão mantendo a reposição. Apenas as mulheres que trazem problema genético de câncer na família, se tiverem necessidade da reposição hormonal , porque algumas nem precisam. Elas devem fazer esses exames preventivos de três em três meses e seguirem as determinações do médico.

Lady - Sei, sei.

Lou - Quem não tem problema genético, faz exames de 6 em 6 meses. É uma linha; tem outros médicos que preferem adotar a linha dos fitoterápicos. A Medicina está todo dia trazendo novos rumos e a gente tem que acompanhar.

Lady - Eu acho que quem tem diabetes, essas coisas, não deve tomar, é meio complicado. Eu vi um médico falando isso. Eu liguei pro meu médico, lá em Belo Horizonte. É o único que eu abro as pernas, desde jovenzinha, nunca tive outro médico. Morro de vergonha.

Lou - Quando você precisa de ginecologista, você vai lá?

Lady - Vou de 6 em 6 meses. Já tá marcado, só vou nele. Depois, ele parou um pouquinho, eu fui na mulher dele que também é médica. Eu falei: desculpa Dra. Norma, abrir perna pra mulher não consigo não. Aí, fiquei com o filho dele, que é igualzinho a ele. Aí eu liguei pra ele apavorada e ele disse:
- Oh, Lady, você olha os benefícios todos que você tem. Eu faço mamografia todo ano e ultrasonografia e o negócio, lá embaixo, de 6 em 6 meses.

Lou - Muitos médicos escolheram a isoflavona, que é a base de soja. E tem gente que se dá bem com isso. Muita coisa é emocional. Eu tomo comprimidos de isoflavona e me sinto muito bem.

Lady - Eu nunca senti calor, nunca suei, nunca senti nada. Eu só sentia coceira lá embaixo seca, me incomodava, ficar coçando toda hora lá embaixo? Aí eu falei pro Doutor, que eu tô coçando toda hora, tô seca, e o que mais que eu sentia?

Não tenho depressão que é uma doença grave, sabe? Eu tenho angústia, muita angústia. Mas de repente eu tô cantando! Às vezes eu levanto, insatisfeita, tá faltando coisa na minha vida, eu agradeço minha saúde que é muito boa.

Quando eu tô na academia, tá tudo bem, eu passo três horas lá, três vezes por semana. De repente eu tenho sonhos de jovem. Eu tô vendo que tá saindo pelos dedos e eu não tô conseguindo realizar ainda. Personagens que eu quero fazer e tá passando o tempo e eu não consegui ainda, porque eu dependo que me chamem, eu não tenho um canal pra trabalhar, eu não tenho um teatro meu pra trabalhar, eu dependo de um produtor, eu não tenho dinheiro pra montar um espetáculo, porque esses espetáculos do Rio são um monopólio.

Quando você pede uma ajuda ao governo, quem ganha é beltrano, cicrano, não adianta. São as mesmas pessoas. Quer dizer, então, que você não pode fazer um teatro legal, você tem que ter um produtor, você fica minguando um apoiozinho aqui, ali.

Quando eu comecei era muito mais fácil. Atualmente, todo mundo quer ser ator, qualquer pessoa quer ser ator ou atriz.
Às vezes eu tô na banca, e a pessoa passa: oi Lady, sou sua fã, como é que a gente faz pra ser atriz? Eu falo: bota silicone na bunda, no peito, vai lá pra TV que você ganha. Como quer ser atriz? A gente trabalhou, estudou , batalhou e agora todo mundo quer ser ator e atriz.

Fica mais difícil você conseguir, mesmo com nome. Eu sei que tenho nome, sou respeitada, eu moro aqui no Rio e não tem um dia que eu não dê, três, quatro, cinco autógrafos na rua, num períodozinho que ando à pé. As pessoas choram quando me vêem. Então eu já criei, eu já sou uma personalidade, mas eu tenho meus momento de tristeza..., pôxa vida, o tempo passando, e eu precisava...

Lou - E você com tanta coisa pra mostrar...

Lady - Mas eu tenho vergonha de chegar na televisão e dizer: gente eu tô precisando trabalhar... Eu tenho vergonha. É minha timidez de mineira.

Lou - Você foi muito reprimida na infância?

Lady - Fui, meu pai, Nossa Mãe! Muito reprimida. Eu escolhi ser atriz pra liberar um pouco, se eu não tivesse sido atriz eu era uma menina assim de trancinha, encostada no canto. Meu pai me reprimiu demais da conta, nossa mãe! Só de falar eu suo, até hoje.

Lou - Muito castigo?

Lady - Me batia. Se eu dançasse assim junta de um rapaz ele ía lá no salão e me tirava da dança e ficava tomando conta. Meu pai foi muito repressor. Depois tive um marido idiota que era muito repressor. Em 5 anos de casada, eu devo ter tido umas dez relações com ele.

Lou - Por quê?

Lady - Porque não sei, não perguntei.

Lou - Você já não gostava de fazer sexo?

Lady - Não, nessa época eu tava bem assanhada. Como eu nunca gozei, nessa época eu vivia bem ansiosa, arf, arf. Ele dizia: Isso não é arroz e feijão, não. Ele foi muito grosseiro.

GOSTARIA DE TER SIDO SÓ DE UM HOMEM

Lou - Você tentou outros relacionamentos?

Lady - Depois dele, quando eu separei, eu tive várias pessoas, mas é que talvez a repressão do meu pai e do meu marido... e eu sou tímida quando vou ter relação. Posso ter saído com dez homens, e não sei nem como é a cara deles, nem como é o pênis deles, porque nunca olhei.

Então, nem adiantou, porque que eu ia ficar me machucando? Eu na verdade, na verdade, gostaria de ter tido de um homem só, que ele envelhecesse comigo, conhecendo meu corpo, sabe como é? Não sou pura não, mas gostaria de ter tido um monte de filho. Não precisava ficar trocando de homem pra encontrar a felicidade. Porque no fundo sexo é tudo igual. Agora, um homem inteligente, educado, isso que é ideal pra uma mulher.

Quando elas largam os homens por causa de sexo, eu digo: gente faz isso não, a vida é melhor do que isso, sexo acaba, é tudo igual, é um segundo: depois, um vira prum canto, outro vira pro outro... Um cara educado, que te respeita, te valoriza, pô.

Lou - Você valoriza mais o amor, o afeto, família...

Lady - Ah, valorizo. Família, pra mim é o amparo de tudo, eu acho que quem não tem família, pode ser a pessoa mais rica do mundo, que é a pessoa mais desgraçada. Porque compra com o dinheiro o que ela puder comprar com dinheiro, mas a família não compra... O meu irmão quando ficou doente, há um tempo atrás, eu daqui liguei pra minha irmã e meu irmão que moram em Nova York. Liguei pra minha filha que tava lá em Paris e , todos no mesmo dia, já estavam unidos para ver o que o menino tinha.

Família é isso, todos preocupados, todos se protegendo. Eu achei isso bonito.

Lou - Está comprovada pela ciência que as pessoas que têm família...têm a vida mais longa. Por causa desse amor, desse afeto.

Lady - Eu vou te contar uma coisa, tem um segredo, eu tenho o meu imperiozinho. Eu tenho o homem da farmácia, eu chamo ele até de Doutro, mas não é não, ele é um baixinho moreninho, o Lopes, e a menina da farmácia e o cara que entrega, o rapaz do açougue, são os empregados, o rapaz do armazém, onde eu vou, eu falo armazém, mas é o supermercado, o homem do posto de gasolina. Eu fiz o meu império, eu vou todo dia, beijo eles todos, quando a minha cadela tava mal, ele tava na porta do açougue, o empregado, eu parava, chorava no ombro dele, ele passava a mão no meu cabelo.

Então eu fiz uma família com estranhos, entende? Isso me faz falta, porque eu tô praticamente aqui, e todo mundo me quer bem eu compro no açougue fiado, eu compro na padaria fiado, eu compro em todo lugar fiado, mas claro que eu pago tudo direitinho, certinho, mas é só pra você ver como é a amizade que eu nem olho eu falo vou pegar isso e nem vejo o que ele tomou nota, porque eu confio nele e ele confia em mim, mas é isso e quando eu tô triste eles telefonam e perguntam: D. Lady a senhora melhorou? Isso é lindo né?

Lady - Tem gente que é muito esquisita não gosta de abraço, de carinho. Mineiro, fica beijando, pegando, sei lá. Abraça, beija toda hora, mineiro é diferente mesmo. Não adianta não.

Lou - Cada pessoa é diferente da outra. Pode ser carinhosa, sem demonstrar. Às vezes, te adora, mas não consegue se expressar. Eu te adoro e estou feliz por ter a oportunidade de lhe falar isso.

Lady - (Risos).

Lou - Às vezes não se expande, se guarda, fica guardado. Quantas vezes as pessoas se arrependem em não ter demonstrado o amor.

Lady - Pois é essa música Epitáfio, você conhece, no dia que você ouvir, você lembra de mim, ela fala isso. Todas essas coisas.

Lou - Me fala dos seus bichos.

Lady - Uma se chama Lady Di, uma coker spanish preta e branca; tem o Wolf Maia Jr, em homenagem ao diretor da Globo, nasceu no dia do aniversário dele, ele tava lá em casa, por acaso. O Wolf é um cachorro que não gosta de quase ninguém, mas é apaixonado pela empregada. A Cicciolina, que era minha paixão, foi embora. Nossa! Essa foi uma pancada na minha cabeça. Tem o Bené e Pelé, que são os dois urubus; tem o cágado, que se chama Haroldo de Andrade; tem o Jô Soares, que é a maritaca, igual a ele gordinho, pequititinho; tem o Zé, que é meu papagaio, que é a coisa mais linda, falante. A essa hora, assim, por volta de 4 horas, ele tá cantando. Ele canta trinta músicas, declama. Ele é muito lindo, me faz cada carinho, ele fala cada coisa comigo... tem um porquinho da índia, que é uma gracinha, ele fica aqui no meu peitinho com aqueles dois olhinhos me olhando.

Lou - Quando você viaja, você deixa alguém pra cuidar deles?

Lady - Claro. Quando eu viajo fica roupa minha assim junto com os cachorros pra eles cheirarem... O papagaio ouve música o dia inteiro; tem que ligar o rádio só pra ele.

Lou - Vai alguém lá fazer isso?

Lady - Não, minha filha mora comigo, uai. A empregada não sai, dorme comigo, dorme lá em casa. Eu não quero nem que arrume casa, deixa que depois eu resolvo com diarista, eu quero que fique com meus bichos. Sete e meia da manhã, os cachorros vão pra praça até às 10 horas; de tarde, vão pra praça às 4 horas, voltam 6, 7 horas da noite.

O cachorro é cego, mas adora... não entendo, acho que é o cheiro do mato e aquele lugar é lindo, tem o gato, e assim eu vou levando minha vida. Agora, eu vou todo dia no pet shop ficar brincando com cachorrinho da vitrine, pode? Eles me beijam, tem sempre um menininho ali perto, a gente bate papo...

Lou - Você também é muito querida pelo público infantil.

Lady - Eu adoro criança e bicho. Eu sou feliz. Eu não preciso muita coisa pra ser feliz. Eu não preciso de navios, aviões, mercedes, eu tô muito bem tendo o essencial pra ter conforto. Não me interessa roupa de grife, não interessa essas coisas.

EU SOU UM POUCO PERUA

Eu sou feliz do jeito que eu sou . A filha fala: mãe, você vai sair assim? Você tá perua. Faz mal não, filha, eu tô legal. Porque minha filha é toda chiquinha, sabe? Ontem ela foi jantar com o amigo dela de Nova York . Ela botou a roupa preta com um negócio marron e perguntou: "mamãe tô bonita"? Disse: tá horrorosa, parece uma velha. Ela fica danada. Ela diz: mãe sou eu que vou sair, não é você.

Lou - E você, se acha perua?

Lady - Eu me acho um pouquinho. É meu estilo.

Lou - Tem que respeitar.

Lady - Ontem eu fiz três sacos de roupa, peguei minhas roupas todas, até as que a minha irmã me deu, aquelas roupas de inverno, peguei elas todas. Tem três sacos que vou levar prum asilo, pra que que eu quero aquelas roupas todas? Roupas até caras, de griffe e tudo, mas tailleur não combina comigo.

Lou - Fala do seu livro.

Lady - Eu queria que você colocasse no site que eu tô procurando uma editora pra publicar meu livro. Uma editora que queira editar minha autobiografia, que é minha vontade. Mas eu preciso de uma mulher pra escrever pra mim. Eu só tenho os fragmentos, eu tenho que unir pra fazer o livro. Eu quero uma mulher ou um homem que tivesse este meu jeitinho de falar e de ser pra me ajudar a fazer o livro.

Lou - O livro já tem nome?

Lady - Tem. O livro vai ser mais ou menos assim. " Em pé ou morta! De joelhos, nunca!"

Lou - Muito bonito. É idéia sua?

Lady - Eu já falo isso há muito anos e foi copiado por uma cantora que fez um livro e botou essa frase no livro dela. Eu tava na Hebe Camargo e ela disse: Lady essa frase sua é ótima. Depois, quando eu vi ela tinha posto a frase no livro dela. Mas a frase é minha há muitos anos.

Lou - Você é cheia de garra. Toda sua beleza, o brilho dos seus olhos, refletem esta sua energia.

Lady - Vê se arruma uma editora.

Lou - Agora, as pessoas estão editando livro de forma independente. Não sai tão caro assim.

Lady - Mas editora grande é bom que tem mais divulgação.

Lou - Será? Geralmente elas divulgam Paulo Coelho, Jorge Amado... Mas novos escritores recebem pouca ou nenhuma divulgação, nem a mídia dá espaço.

Lady - Mas pra mim dá. Eu já tô falando assim, porque eu resolvi isso ontem.

Lou - Depois desta entrevista publicada, pode aparecer alguém, mandando um recado pra você. Vamos torcer!

Lady - Pois é.

Lou - Vamos fazer um lanche? Agora, manda um beijo para os nossos Velhos Amigos.

Lady - Olha meus Velhos Amigos, espero que essa minha entrada agora na vida de vocês, seja o início de uma grande amizade verdadeira. Que esses Velhos Amigos possam ser meus também né, mas verdadeiros! Que mineiro é fogo heim! Sô! Né assim não heim? Mineiro come pelas bordas e quer comer tudo, já imaginou? Mineiro quer amizade integral, não quer pedacinho não...

Lou - Valeu! Nós também queremos amizade verdadeira.Muito obrigada, Lady Francisco.

Entrevista concedida a Lou Micaldas
Revisão: Anna Eliza Fürich
Webdesigner: Lika Dutra

Autor(a): Lou Micaldas

 

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