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OSCAR GUEDES SOBRAL
publicado em: 10/11/2016 por: Lou Micaldas

Oscar Guedes Sobral é um paraibano de boa cepa, acabou de completar 95 anos em fevereiro e nos concede esta entrevista:

Lou: Você parece estar sempre de bom humor, nesta foto você está dançando...
Oscar: Ah! isto foi no carnaval e este é o meu sobrinho Antônio Firmino Neto, o Toinho que é como um filho pra mim.

 

Lou: Você é descendente de famílias tradicionais, tanto por parte de pai, como de mãe. Quem eram eles?
Oscar: Meu pai era paraibano da cidade de Areia se chamava Joaquim Guedes Sobral, proprietário do Engenho Pindoba, onde residia com a família e minha mãe Francisca Cabral de Mello Sobral era pernambucana de São Lourenço da Mata, nascida no Engenho Taboca, que era de propriedade do seu pai, Comendador Francisco Antonio Cabral de Mello Azedo e Ângela Felícia Cabral de Mello Azedo, tradicional família pernambucana.

Lou: Tem um ramo ilustre da sua família que mora ou morou no Rio de Janeiro?
Oscar: Sou primo do escritor e poeta João Cabral de Mello Neto, nascido em Recife e falecido no Rio de Janeiro, onde morava. Nós éramos sobrinhos do Desembargador Diogo Cabral de Melo, também pernambucano que estudou e morou por toda a vida no Rio de Janeiro, onde faleceu aos 91 anos de idade, totalmente lúcido.

Lou: Onde você nasceu?
Oscar: Nasci no Engenho de Pindoba, município da cidade de Areia, no dia 6 de fevereiro de 1907, e faço parte uma prole de oito filhos, assim chamados: Maria Anunciada Guedes Sobral, Deolinda Guedes da Nobrega, Maria Júlia Guedes Sobral, Maria de Jesus Guedes Sobral, Maria Ângela Guedes de Vasconcelos já falecidos e Maria Otília Guedes Sobral Brasileiro, esta faleceu em julho de 2001 aos 100 anos, e Teotônio Guedes Sobral.

Lou: Onde você passou a sua infância?
Oscar: Vivi esta fase da vida entre o Engenho de Pindoba, de propriedade dos meus pais, e a cidade de Areia, onde estudava com a professora Júlia Leal e morava no internato do Monsenhor Francisco Coelho. Foi neste internato que fiz primeira comunhão.

Lou: Você tem boas recordações daquele tempo, lembra de alguma peraltice que te faça rir sozinho?
Oscar: Fui uma criança e um adolescente normal e fazia as minhas peraltices. Uma delas foi quando estava enamorado de uma bela moça a quem os pais não permitiam o namoro. Então, subi na torre da igreja, que ficava defronte da casa da moça, e de lá arremessava cascas de banana na sala da residência dela. Há outra passagem engraçada: Por ocasião de uma feira em que acompanhava meu pai, coloquei um cigarro aceso no ouvido de um cavalo que estava com uma carga de louças de barro... O Vigário de Areia, Francisco Coelho veio me pedir explicação sobre o episódio, e prontamente respondi que nada fizera... "Apenas cochichei no ouvido do animal: "cavalo, sua mãe morreu" e o animal saiu pulando desenfreado...

Lou: Sua família era de fazendeiros, você quis seguir o mesmo caminho, ou tinha outra vocação?
Oscar: Comecei a trabalhar, aos doze anos de idade. Meu pai era dono de fazenda de café, mas deu broca nos cafezais, que são larvas e lagartas, que atacam produtos armazenados, sobretudo sementes, raízes e outras partes das plantas. Perdemos toda a plantação. Meu pai ficou muito abatido e então saí do colégio para lhe ajudar, dar-lhe uma força para iniciar a plantação de cana e algodão. Quando a situação ficou melhor, pude voltar a estudar, mas aí já não era mais interno, voltava todos os dias pra casa.

Lou: E os negócios com a cana ?
Oscar: A plantação de cana também teve seu declínio. Depois de 1930, a família resolveu se mudar para São Lourenço da Mata, terra de minha mãe. Ali, retomei os estudos e comecei a trabalhar no serviço público. Naquele tempo não havia concurso, a família de minha mãe era muito bem relacionada em Recife e eu fui nomeado para trabalhar na parte administrativa da Escola Correcional de Garanhuns com cento e tantas crianças. Era uma escola agrícola que amparava as crianças abandonadas daquela época. Hoje a escola já não existe mais.

Mais tarde fui trabalhar em Recife, na Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado de Pernambuco por concurso público, onde passei por vários cargos públicos , até me aposentar em 1966, como tesoureiro, no Departamento de Saneamento do Estado de Pernambuco, onde trabalhei, assiduamente, durante 35 anos e 25 dias, sem registrar uma falta ao trabalho.

Lou: Foi por causa disso que você ganhou o título de "Homem de Bem"?
Oscar: Um dos meus colegas do Departamento, o jornalista e advogado Egídio Maranhão, numa homenagem especial a mim, publicou uma nota no jornal Tribuna Municipal em que enfatizava as minhas qualidades e acima de tudo a minha honestidade e assiduidade ao trabalho. O texto recebeu o título "Um Homem de Bem".

Lou: Depois de aposentado você continuou trabalhando?
Oscar: Trabalho até hoje, tenho um escritório que presta serviços a empresas, não só em Pernambuco como em vários outros estados. Faço toda a parte administrativa e financeira.
A assessoria jurídica está a cargo de minha sobrinha Fátima Nóbrega que é meu braço direito e do meu sobrinho Jurandir irmão dela.

Lou: Você não teve filhos?
Oscar: Tive dois filhos, mas faleceram ainda novos.

Lou: Como é sua rotina?
Oscar: Trabalho 8 horas, por dia, no escritório. Acordo diariamente às 5 horas e vou dar a minha caminhada, pela orla marítima, são 6 km. Depois, saio às sete e meia de casa e só volto às cinco horas da tarde, pra casa. Quando viajo, sempre arranjo um jeito, um lugar para fazer minha caminhada, aqui, nesta foto, foi no Engenho de Pindoba, que pertencia a minha família e onde nasci.

Lou: E onde você almoça, você tem alguma dieta?
Oscar: Almoço na cidade, diariamente de segunda a sexta. Como de tudo, não faço nenhum regime. Graças a Deus sou muito saudável, não sofro de nenhuma doença, só mesmo um pouco de surdez no ouvido direito. Mas escuto bem, ouço o jornal televisado diariamente. Em 90, fiz uma cirurgia de catarata, com ótimo resultado. Hoje, leio O Diário de Pernambuco, todos os dias, tenho assinatura. Gosto muito de ler e meu livro de cabeceira é a Bíblia. Leio a olho nu, não uso óculos para nada, só para sol.

Lou: A que horas você dorme?
Oscar: Só vou dormir diariamente entre dez e meia e onze da noite, depois de rezar meu terço.

Lou: Você adora uma festa, reunir seus parentes e amigos...
Oscar: Gosto muito de estar sempre reunido com a família, me faz muito bem as viagens que faço a João Pessoa onde sou muito querido pelos sobrinhos e amigos que lá residem.

Esta foto foi em Campina grande, na formatura de Márcio Alexandro, filho de Glória, minha sobrinha querida, que está de vermelho, ao lado do marido Geraldo, a de verde, sentada a meu lado, é a Fátima, a de branco é a Anália, mãe de Glória.

Lou: Você é vaidoso?
Oscar: Não me acho vaidoso, gosto de estar sempre bem arrumado, vou para o trabalho de paletó e gravata, gosto por demais de perfume, e só do bom. Depois do banho não dispenso uma colônia francesa.

Lou: E como você costuma passar os fins de semana?
Oscar: Aos sábados, quando não viajo, saio sozinho bem cedo para fazer a feira da semana, no mercado público e supermercado, e todos os domingos, vou à missa. Sou Terceiro Franciscano e Membro da Mesa Regedora que se reúne todo 2º domingo do mês, das nove ao meio dia, na Venerável Ordem III de São Francisco do Recife.

Lou: Você sai sozinho?
Oscar: Aos domingos, minha sobrinha Fátima, gosta de dormir mais um pouco, então, faço meu café, pego o carro e dirijo até a igreja. Ela não gosta, fica preocupada, porque acha que corro muito... ( risos)

Lou: Pra onde você costuma viajar?
Oscar: Nos fins de semana, viajo, principalmente para João Pessoa. Esta foto foi de um passeio que fiz com meus amigos Mabel de Holanda Caldas, seu filho Rodrigo e a esposa Andrea e minha sobrinha Fátima, ao Município de Gravata, zona serrana de Pernambuco.

Lou: Chegar aos 95 anos, assim tão bem disposto, cheio de garra, pra trabalhar, caminhar diariamente, viajar nos fins de semana, qual a sua receita de vida?
Oscar: Vivo cercado da minha família, de amigos, nunca me sinto sozinho. Dou e recebo muito amor. Durmo e acordo cedo, faço caminhadas, como pouco, não fumo, não bebo, não passo a noite em farras, nem outras estravagâncias.
Nunca deixei de trabalhar, nunca deixei de viajar, de ir à missa, de aproveitar a vida! Com certeza, deve ser esta a receita de vida longa...Risos.

Lou: Posso considerar isso um recado seu para o "Velhos Amigos"?
Oscar: Então, pode acrescentar : ser leal aos seus amigos, jamais, desanimar, aprender a recomeçar, apesar das dificuldades; jamais se deixar arrastar pelo desânimo, firmando sempre a vontade de vencer, mas respeitando sempre os princípios éticos, morais e religiosos.

Esta foto foi tirada no dia do meu aniversário de 95 anos, em 06 de fevereiro de 2002.
Estou no centro ao lado de Frei Paulo Prior do Convento de São Felix, no Pina-Recife, juntamente com Pe Geraldo Oliveira, meu amigo pessoal.

A sobrinha Fátima Nóbrega, citada por Oscar, como seu braço direito, encerra esta entrevista, com chave de ouro, falando sobre ele:
- "O seu nome OSCAR, tem origem teutônica e significa "Lança de Deus"; e SOBRAL, é um nome derivado de Sobreiro (denominação popular do carvalho, madeira distribuída pela região mediterrânea, em Portugal). Pois bem, é o carvalho, símbolo do vigor, conhecido pela sua longevidade e majestade, representando força e resistência. É assim que se apresenta este homem, forte como um sobro e certo como a lança de Deus. A própria exegese do seu nome demonstra isso.

Precisamos acima de tudo, dos ensinamentos do mestre e da compreensão do grande amigo. Enfim, ter sorte, é ter o tio Oscar aqui, nesta vida, conosco."

Lou: Muito obrigada, "Tio Oscar", por esse papo tão gostoso e pelo seu exemplo de vida.
E nosso especial agradecimento a Fátima pela sua carinhosa participação.

Maria de Lourdes Micaldas
Participação de Fátima Nóbrega
Contato: Eurico Dubeux

 

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