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TITE É DO BRASIL!
publicado em: 05/07/2018 por: Lou Micaldas

TITE É DO BRASIL!

PROFESSOR? PREGADOR? SAIBA COMO A IMPRENSA MUNDIAL VÊ AS ENTREVISTAS DE TITE

 

TITE É DO BRASIL!

Adenor Leonardo Bacchi, mais conhecido como Tite, nasceu no dia 25 de maio de 1961. Com 55 anos atualmente, Tite iniciou como jogador no Caxias, em 1978. Em 1984, foi vendido para o Esportivo de Bento Gonçalves. Em 1985, estava na Portuguesa. No ano seguinte, o atleta foi para o Guarani, onde alcançou seu auge como jogador. No entanto, logo depois, Tite teve de encerrar sua carreira de atleta prematuramente, pois, com apenas 28 anos, adquiriu uma série de lesões nos joelhos, teve ruptura de ligamento e perdeu a mobilidade plena de uma das pernas.

Alguns anos depois, começava a carreira de Tite como treinador. O ex-atleta se formou em Educação Física e, em 1990, assumiu o comando do time do Guarany de Garibaldi. Tite treinou diversos times gaúchos, também assumiu o Ypiranga de Erechim e o Juventude. Porém, sua carreira como técnico ganhou notoriedade em 2000, no Caxias, quando o time foi o vencedor do Campeonato Gaúcho, derrubando o Grêmio, que na época contava com Ronaldinho Gaúcho.

Tite, então, acabou sendo contratado pelo próprio Grêmio e iniciou-se uma notória carreira de técnico, passando por times como Atlético Mineiro, em 2005, Palmeiras, em 2006, Al Ain dos Emirados Árabes, em 2007, Internacional, em 2008. No Corinthians, Tite foi o técnico mais vitorioso em número de títulos da história do time. No clube, ele teve três passagens: de 2004 a 2005, de 2010 a 2013 e de 2015 a junho de 2016. Nesses períodos, o técnico levou o time a ser hexacampeão brasileiro e campeão paulista de 2013, a conquistar a primeira Copa Libertadores da América e ser campeão mundial.

O atual treinador da Seleção Brasileira também já ganhou alguns prêmios individuais: Melhor treinador da Libertadores 2012, Melhor treinador do mundial de clubes 2012, Prêmio Craque do Brasileirão de melhor técnico do Campeonato Brasileiro 2015, entre outros.

Nos últimos anos, o nome de Tite para comandar a seleção já havia se tornado quase unanimidade entre torcedores. Entretanto, ele não treinará o time brasileiro na Olimpíada do Rio de Janeiro, em agosto deste ano. Para esta competição, o lugar de técnico será ocupado por Rogério Micale, que dirige a seleção sub-20, conforme informou nesta semana a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Fonte: http://www.gazetadacidade.com/brasil/conheca-a-carreira-de-adenor-leonardo-bacchi-o-tite-novo-tecnico-da-selecao-brasileira/

PROFESSOR? PREGADOR? SAIBA COMO A IMPRENSA MUNDIAL VÊ AS ENTREVISTAS DE TITE

Entrevistas coletivas do técnico do Brasil chamam atenção e fogem ao padrão

O tempo já tinha se esgotado. O assessor de imprensa da Fifa avisou: "Última pergunta". Mas, depois da que seria a derradeira resposta, surge um clamor entre os jornalistas por mais um questionamento. Mesmo com a negativa do condutor da coletiva, usando como argumento o cronômetro da programação de véspera de jogo, o técnico Tite permitiu ser sabatinado por mais alguns minutos. Um "atentado" à rigidez da Fifa que mostra um pouco como funciona a relação do técnico com os jornalistas. Na Copa do Mundo, a "Titebilidade" ganhou uma vitrine que chega ao "mercado" estrangeiro. Não só em relação às preferências táticas do treinador, mas também no comportamento com a imprensa e no discurso adotado em solo russo.

A "prorrogação" nas coletivas já aconteceu pelo menos duas vezes. Tite é simpático, pedes desculpas, agradece no fim, e os "soldados" da Fifa acabam baixando a guarda. Por mais que a tradução das respostas muitas vezes não venha completa, a mesma estratégia de encantar também alcança os repórteres estrangeiros que acompanham a seleção brasileira.

— Ele é muito bom em responder uma pequena parte da pergunta e aí inserir o ponto de vista dele. Já ouvi um jornalista inglês dizer que Tite tem a imprensa brasileira na palma da mão. Não sei se é tanto assim. Mas não acho que isso seja por acidente. Ele tem um charme. E não precisa ser charmoso em inglês — comenta o irlandês Joe Callaghan, que foi correspondente do britânico Daily Mail em 2014, no Brasil, e cobre o Mundial da Rússia para o jornal Toronto Star, do Canadá.

Em um artigo publicado no jornal inglês The Guardian, o jornalista Barney Ronay pontuou, com alta dose de ironia, que Tite fala "por tanto tempo e de forma tão apaixonada, que depois de alguns instantes você começa a se perguntar sobre o fechamento do metrô ou do crescente perigo de desidratação". Barney ainda citou a disposição de Tite para responder as várias dobradinhas feitas pelos brasileiros. De fato, são muitas "duas em uma".

Muita coisa no jeitão de Tite é novidade para a imprensa estrangeira. Há um certo tom crítico a respeito da relação, talvez, amistosa demais com os jornalistas brasileiros. Mas há elogios, principalmente à proposta de colocar assistentes técnicos, preparadores físicos e também os médicos na roda de perguntas.

— Para mim, a diferença maior é a presença dos auxiliares para falar de diferentes assuntos. É muito interessante. Se falamos da saúde de um jogador, tem o médico. Se fala sobre o 4-4-2, tem o auxiliar. É bom. Dá uma imagem de um treinador que se preocupa de mostrar a face das outras pessoas — diz Regis Dupont, que acompanha a seleção brasileira pelo francês L'Équipe.

Para Dupont, há traços no comportamento de Tite que lembram os de um técnico que é admirado pelo brasileiro: o italiano Carlo Ancellotti. O francês, que acompanha o futebol português e por isso domina o idioma, consegue captar uma linha similar a de um professor ou até de um pregador.

— É um pouco como um professor, sim. E até como um pregador. Ele tem um carisma. Não é o Dunga, por exemplo. O Tite poderia ser um evangelista de televisão. Deve ser muito impressionante a fala dele com os jogadores — completou.

Nos episódios recentes de Tite na Copa, ainda está viva na memória a forma com a qual o treinador se comportou diante das polêmicas envolvendo Neymar, especialmente após o jogo contra o México. Minutos antes da coletiva do Brasil, o técnico da seleção mexicana, Juan Carlos Osorio, tinha feito duras críticas ao jogo brasileiro, no aspecto comportamental, indiretamente dizendo que o camisa 10 tinha simulado muito. Tite, então, não permitiu que o melhor em campo na vitória brasileira pelas oitavas de final da Copa respondesse ao desabafo do lado derrotado.

'É pecado?': Tite sai em defesa dos dribles de Neymar

— Osorio, por exemplo, foi muito duro com o Neymar na coletiva dele, e estava certo. O Tite veio e desarmou a bomba. Pegou todos os fios e resolveu o problema. Para mim ele é uma das melhores figuras da Copa até agora — pontuou o polonês Pawet Wilkowicz, do site Sport, que já conhecia a fama o técnico brasileiro graças a um amigo torcedor do Corinthians.

Retrocedendo ainda mais nos episódios da Copa, Tite deixou explícita a estratégia quando o assunto é trabalhar a cabeça dos jogadores e amenizar o clima diante da imprensa. Foi assim na véspera da decisiva partida contra a Sérvia, a terceira pela fase de grupos. No momento de maior pressão, lá veio o treinador descontrair a coletiva — algo que ele mesmo admitiu —ressaltando que tira e coloca pilha nos jogadores quando necessário.

Esse traquejo com a parte psicológica do grupo já foi captada por quem nem o conhecia antes do Mundial.

— Ele é um personagem fascinante, sua dialética encanta e eu realmente gosto da relação direta e confidencial que ele tem com a maioria dos jornalistas. Eu também gosto muito de sua característica emocional: na minha opinião, no futebol moderno, um técnico deve, acima de tudo, saber administrar as relações humanas, entender seus jogadores, saber como se relacionar com a mídia. Tite faz tudo isso — comenta Francesca Benvenuti, do canal italiano Mediaset.

Mas por que os ventos sopram tanto a favor de Tite quando se trata do contato com a imprensa? Joe Callaghan tem um palpite:

— Ele tem um ótimo jeito de lidar com as coisas. Mas, no fim das contas, tudo tem a ver com os resultados.

O desfecho da Copa colocará tudo à prova.

Autores: Bruno Marinho / Igor Siqueira
Fonte: oglobo.globo.com/esportes/professor-pregador-saiba-como-imprensa-mundial-ve-as-entrevistas-de-tite-22849331

 

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