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VERA FISCHER
publicado em: 13/07/2017 por: Lou Micaldas

Eleita Miss Brasil em 1969, Vera Fischer estreou na Globo em Espelho Mágico (1977). Foi protagonista das novelas Brilhante (1981), Mandala (1987) e Laços de Família (2000). 

“O convite (para Laços de Família) partiu do Manoel e do diretor Ricardo Waddington. Foi uma Helena encantadora como profissional, mãe, mulher.”

Vera Fischer em Laços de Família, 2000. Acervo/Globo

Uma das brincadeiras preferidas de Vera Fischer na infância era cortar tecidos para a costureira lhe fazer vestidos novos e diferentes. Nascida em 27 de novembro de 1951, ela morava em uma casa de três andares em cima da loja de utilidades da família, em Blumenau, Santa Catarina.

Filha do alemão Emil Fischer e da brasileira Hildegard Berndt, a menina não sabia qual profissão seguir, mas sempre quis conquistar a independência. Ao ser convidada para participar do Miss Brasil, não hesitou. “Vou fazer minha vida sozinha e tenho que vencer, porque senão vou voltar fracassada e de cabeça baixa pra casa dos meus pais, o que é um vexame”, lembra a vencedora do concurso de 1969.


Vera Fischer em "Espelho Mágico"

Após cumprir a agenda de Miss e se tornar ícone de beleza no país, Vera fez parte do júri de atrações como o "Programa Flávio Cavalcanti", da TV Tupi, e atuou em alguns filmes de pornochanchadas. Em 1975, o longa "Intimidade", de Michael Sarne e Perry Salles, mudou sua vida. A atuação da catarinense impressionou Lauro César Muniz e, aos 26 anos, a loira estreou em "Espelho Mágico", da Globo. “A novela estourou e a segunda que fiz foi "Sinal de Alerta", do Dias Gomes. Eu fazia uma mocinha recatada, virgem. O meu noivo era o Paulo Gracindo. Depois dessa novela, veio "Os Gigantes", que também era do Lauro César Muniz”. Desde então, a atriz participou de mais de 25 programas da emissora, entre novelas, minisséries e séries.

Brilhante

"Coração Alado" (1980) foi a primeira novela a apresentar cenas de violência sexual. “O Ney era um cara apaixonado por mim, mas muito violento. Não ensaiamos a cena do estupro. A gente quebrou mesa, cadeira, cama. Minha cabeça batia na parede e ele caía no chão. Ficamos destruídos, mas felizes porque ficou boa”, lembra.


Vera Fischer em "Brilhante"

Em seguida, a atriz lançou moda com o lencinho no pescoço usado por Luiza, em "Brilhante" (1981). O acessório foi a solução encontrada pela figurinista Marília Carneiro para disfarçar o cabelo curto da atriz, que não agradava ao público. “Parecia a cabeça de um carneiro. O lenço não disfarçava o cabelo, mas chamava atenção. E foi uma febre. Todas as pessoas quiseram usar esse lencinho”, comenta.

Censura

Felipe Camargo e Vera Fischer em "Mandala"

Vera foi convidada por Roberto Talma para viver Jocasta em "Mandala" (1987). A novela teve duas fases e foi inspirada na tragédia "Édipo Rei", de Sófocles. "Mandala" enfrentou uma série de problemas com a Censura Federal, que proibiu um beijo entre Jocasta e Édipo (Felipe Camargo). “Eles interferiam tanto que puseram o Nuno Leal Maia fazendo o Carrado. O Nuno é meu amigo e ele entrou nessa história falando: ‘Ô, minha deusa!’”. O tema da personagem era "O Amor e o Poder", interpretado pela cantora Rosana.

Vera Fischer em "Desejo".

Em 1990, a atriz fez duas minisséries marcantes: "Desejo", de Gloria Perez, e "Riacho Doce", de Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzohn. Baseada em fatos, "Desejo" narrava a história de amor que culminou no assassinato do escritor Euclides da Cunha. “Gloria fez um trabalho deslumbrante. Foi o meu primeiro papel dramático, quase trágico e profundo”. Gravada em Fernando de Noronha, Pernambuco, "Riacho Doce" era uma adaptação da obra de José Lins do Rêgo e tinha muitas cenas debaixo d’água. “Venci meu medo do mar”, comemora.

Depois de viver a forasteira Eduarda, Vera interpretou a Cidinha de "Perigosas Peruas" (1992), a Alice de "Agosto" (1993) e a Lídia de "Pátria Minha" (1994). Na trama de Gilberto Braga, Vera foi novamente par de Tarcísio Meira. “Quando a gente estava fazendo "Pátria Minha", Tarcísio falou: ‘Vera, não adianta, você é a minha companheira de novelas! É mais que a Glória! Glória fica até com ciúmes’”, conta aos risos.

Antonio Fagundes e Vera Fischer em "O Rei do Gado".

Em 1996, a atriz atuou na primeira fase de "O Rei do Gado". Ela fez a Nena Mezenga, mulher de Antônio Mezenga (Antonio Fagundes) e mãe de Henrique (Leonardo Brício). “Eu vivia na cozinha. Então, tive que aprender a moer café naquelas máquinas antigas. Aprendi a cortar verduras, legumes, lavar roupa na tábua, varrer. Enfim, mil coisas que eu nunca tinha feito antes. E foi muito rico”.

Laços de Família

Vera Fischer em "Laços de Família".

Um dos papeis marcantes da carreira da catarinense aconteceu no ano 2000. Em "Laços de Família", Vera Fischer deu vida à quinta Helena de Manoel Carlos. “O convite partiu do Manoel e do diretor Ricardo Waddington. Foi uma Helena encantadora como profissional, mãe, mulher”. Na trama, Helena namora Edu (Reynaldo Gianecchini), um rapaz mais novo, e é mãe de Camila (Carolina Dieckmann) e Fred (Luigi Baricelli). A vida da empresária mudou quando a filha se apaixonou por Edu e, em seguida, descobriu que tinha leucemia. “Foi uma comoção geral. O Projac inteiro chorava. Foi uma novela rica em todos os sentidos”.


Vera Fischer em "Caminho das Índias"

Após interpretar a sedutora Yvete de "O Clone" (2001) e a afetuosa Antônia de "Agora É Que São Elas" (2003), a cortesã Lola de "Amazônia" - De Galvez a Chico Mendes (2007), Vera fez a charmosa e ciumenta Chiara de "Caminho das Índias" (2009). “A novela é linda. Fiquei mais de dois meses na Índia e sei como o país é. Tem aquele colorido mesmo, som, aquela música, o ‘arebaba’”. Na história, Chiara era dona de um centro de estética com a amiga Ilana (Ana Beatriz Nogueira). Três anos depois, a atriz repetiu a parceria com a autora Gloria Perez e fez a Irina de "Salve Jorge". A mau-caráter era gerente da boate das mulheres traficadas na trama e cúmplice dos vilões Lívia (Claudia Raia), Wanda (Totia Meireles) e Russo (Adriano Garib).

Outros trabalhos

Ao longo da carreira na Globo, Vera Fischer fez participações especiais em novelas, como "Pecado Capital" (1998), "Senhora do Destino" (2004), "América" (2005), "Duas Caras" (2007), e "Insensato Coração" (2011); programas como "Casseta & Planeta", "Urgente!" (1997), "Você Decide" (1998) e "Tá no Ar: a TV na TV" (2016); e seriados como "Casos e Acasos" (2008) e "Afinal, o que querem as mulheres?" (2010).

No teatro, a atriz participou de grandes produções como "Gata em Teto de Zinco Quente" (1998) e "A Primeira Noite de um Homem" (2004). “Eu e Miguel ficamos tão amigos em "Agora Que São Elas" que depois disso fizemos "A Primeira Noite de um Homem", que ele tinha visto na Broadway. Miguel falou que o papel era perfeito pra mim”.

[Depoimento concedido por Vera Fischer ao Memória Globo em 12/05/2016.]

Fonte: http://memoriaglobo.globo.com/perfis/profissionais/vera-fischer.htm
Colaborador(a): Rita Aguiar

 

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