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INFORMAÇÃO / GENTE EM FOCO

WILSON SIMONAL
publicado em: 02/03/2017 por: Lou Micaldas

26/2/1939  -  25/6/2000
Carioca, Simonal começou cantando calipsos e rocks em inglês. De baile em baile, foi descoberto pelo compositor Carlos Imperial, que o levou para o seu programa de TV, "Os Brotos Comandam".

Seu primeiro compacto foi o chá-chá-chá “Teresinha”, de Imperial. De boate em boate, foi parar no templo da bossa-nova, o Beco das Garrafas, levado por Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli. Em 1963, Simonal lançou seu primeiro LP, que estourou a música “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi. Depois de excursionar com o Bossa Três pelas Américas do Sul e Central, lançou o LP “A Nova Dimensão do Samba”, de bossa nova (destaque para "Nanã" e "Lobo Bobo").

Em 1966 e 1967, apresentou na TV Record o Show em Si Monal. A melhor fase de sua carreira chegaria em seguida, com uma série de sucessos dançantes como “País Tropical”, “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, “Meu Limão, Meu Limoeiro” e “Sá Marina”, que deram origem a um estilo suingado conhecido como Pilantragem.

Pertencia a uma geração de artistas altamente profissionalizados e iniciou a carreira cantando versões dos sucessos de Elvis Presley. Simonal se destacou na música brasileira com uma mistura de samba com jazz, soul, funk, rock e jovem guarda. Ao contrário da maioria dos artistas da sua época, não tinha nenhuma ideologia e, por isso, cantava desde as canções de protesto de Geraldo Vandré e Chico Buarque até os sambas-canções direitistas de Flávio Cavalcanti.

Ele tinha um talento raro como cantor e tornou-se conhecido como rei do swing, hipnotizando platéias e levando-as ao delírio. Os fãs lotavam o Maracanãzinho e o acompanhavam nas melodias, cujos êxitos estrondosos eram alcançados através de sua voz.  O “rei da pilantragem” foi o primeiro negro a se apresentar no fechadíssimo Country Club do Rio de Janeiro. Em 1966, lançou Tributo a Martin Luther King, um hino de louvor à raça negra e, no auge da carreira, lançou sucessos como "Meu Limão, Meu Limoeiro" (1966), "Os Escravos de Jó" (1967), "Eu Fui no Tororó" (1969), "Está Chegando a Hora", "A Praça", "Carango", "Açúcar Ni Mim", "Sá Marina", "País Tropical" e "Vesti Azul".

Tal era a popularidade que Simonal chegou a reger um coro de 15 mil vozes no show de encerramento do IV Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho. Encontrou sua derrocada em 1972, quando foi acusado de ser o mandante de uma surra, dada por dois policiais, no contador de sua firma, que o teria roubado.

Denunciado, Simonal foi condenado – e durante o inquérito, um agente do Dops ainda revelou que o cantor tinha sido informante do órgão. Nada foi provado, mas a esquerda tachou-o de dedo-duro e ele foi repudiado pelos companheiros de profissão, tendo seus discos quebrados pelos radialistas.

Com essa acusação de dedurismo em plena ditadura militar, Simonal passou para o completo ostracismo, só encerrado em 1994, quando foi lançada em CD a coletânea “A Bossa de Wilson Simonal".

Dez anos mais tarde, ele afirmou: Fui envolvido na maior farsa que um homem de bem pode merecer. Fui acusado, julgado e subjugado pela lei e por algumas pessoas precipitadas que não se preocuparam em apurar a verdade dos fatos. Parece que houve um grande interesse em me desmoralizar. Muita gente, inclusive, acredita que a razão fundamental dessa campanha está toda calcada numa certa dose de racismo. Até comentários maldosos por ter-me casado com uma branca já ouvi. Nessa década de boicote, fiz muita força para superar uma terrível crise em família. Foram quase oito anos de tratamento psiquiátrico e internamentos de minha mulher em sanatórios; os problemas psicológicos de meus filhos.

Nenhum artista reclamou de ter sido prejudicado politicamente por Simonal, mas ele carregou a acusação de dedo-duro para o resto de sua vida. Em 1991, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República emitiu um habeas data informando que não havia nenhuma documentação deixada pelo extinto Serviço Nacional de Informações que apontasse o cantor como um delator.

Para Wilson Simonal de Castro sobraram apenas acanhadas apresentações em boates. O desgosto levou-o ao alcoolismo. Em sua carreira, Simonal lançou 36 discos. O último, Brasil, foi lançado em 1994. Seus dois filhos, Wilson Simoninha e Max de Castro, seguiram carreira artística. Teve ainda uma outra filha, Patrícia de Castro. Wilson Simonal faleceu aos 62 anos, em 25 de junho de 2000.

O LADO HUMANO DO SIMONAL
(Artigo da Revista "O Cruzeiro" - 15/09/1970) - Simonal foi um menino pobre. Deu duro, foi tudo na vida, até cobrador fantasiado de vermelho pelas ruas. Hoje, Wilson Simonal é artista famoso e o seu nome lota estádios. Simonal é um artista caro. Quem o contrata sabe que vai ganhar dinheiro, muito dinheiro. Êle paga o seu conjunto musical, os Simonautas, constituído de excelentes músicos.

Mas, quando se publica que o cachê de Simonal é de 30.000 cruzeiros, há o espanto! O que não se diz, o que não causa espanto, é que Simonal, sendo um artista caro, é também uma excelente figura humana, apresentando-se sem ganhar um centavo, quando se trata de cantar para os que precisam. E queremos aqui dar o nosso testemunho, de público.

Procuramos Simonal para fazer um número - um só número - no Programa Flávio Cavalcanti. Simonal impôs condições: - Só se fôr um show de quarenta e cinco minutos, sem interrupção, produzido pela minha própria agência, a Simonal Produções. Sairá um espetáculo da pesada... - Tá bem, Simona, mas quanto vai custar isso tudo? - Precinho camarada, de amigo: 30.000 cruzeiros... A equipe de produção estremeceu. Não havia essa verba. Estava estourada. Mas aí entrou a Shell. Deu o dinheiro a Flávio Cavalcanti para pagar ao Simonal. Simonal recebeu o dinheiro e devolveu a Flávio Cavalcanti: para a Casa dos Meninos de Petrópolis. Oitenta crianças desvalidas foram beneficiadas por Wilson Simonal.
Os artistas que ganham muito, que ganham bem, que ganham o que realmente merecem, também têm dessas coisas. Mas o silêncio é profundo. Mas Deus acaba sabendo de tudo.

PS: O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva
 
APRESENTAÇÕES DO ARTISTA:
 
Wilson Simonal e Sarah Vaughan - Histórico !!!
 

Tributo a Martin Luther King

 

 

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