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INFORMAÇÃO / HORA DA MÚSICA

ADONIRAN BARBOSA
publicado em: 18/11/2015 por: William Gambini

O artista, que também foi compositor e ator, era descendente de imigrantes italianos e nasceu em Valinhos, no interior paulista. Aos 22 anos mudou-se para São Paulo e sua música tornou-se referência da boemia paulista. Adoniran, batizado João Rubinato, faleceu aos 72 anos no dia 23 de novembro de 1982 e está sepultado no Cemitério da Paz, no bairro do Morumbi, em São Paulo. Adoniran gravou seu último disco em 1980, com participações de Djavan, Clara Nunes, Elis Regina e o grupo MPB-4.

Morre aos 99 anos o Arnesto do samba de Adoniran Barbosa

Morreu aos 99 anos, em São Paulo, Ernesto Paulelli, que serviu como personagem para a canção "Samba do Arnesto", composta por Adoniran Barbosa e lançada em 1953.

O Arnesto nus convidô, pru samba, ele mora no Bráz nóiz fumo e num incontremos ninguém nóiz vortemos cuma baita de uma réiva, da outra vez nóiz num vai mais nóiz num semos tatu... Ernesto era violonista e, no final da década de 30, chegou a tocar na rádio Bandeirantes durante um ano. Foi a convite da cantora e amiga Nhá Zefa que ele se apresentou junto a ela na Record - período em que conheceu Adoniran. Tendo corrigido o sambista dizendo que seu nome correto era Ernesto e não Arnesto, como Barbosa o havia chamado, plantou sem querer a ideia de uma canção na cabeça de Adoniran, que no momento brincou que comporia uma música com base naquela conversa.

Antes do encontro, Adoniran Barbosa havia apenas lançado seu primeiro disco de 78 rotações, "Agora Podes Chorar" (1936), e fazia pouco sucesso. A canção "Samba do Arnesto" veio a ser lançada quase duas décadas mais tarde. Segundo contou em entrevista à revista "Brasileiros" em 2008, Ernesto se emocionou e chorou abraçado à mulher, Alice, ao ouvir pela primeira vez a música feita em sua homenagem, em 1955, transmitida pela Rádio Bandeirantes. O reencontro com Adoniran só viria dois anos mais tarde, em uma gravação na TV Record, em que o compositor pediu a opinião de seu "muso" e disse que eles seriam compadres a partir daquele momento.

Antes de se dedicar à música, Ernesto chegou a trabalhar como engraxate, auxiliando seu pai que era sapateiro. Até 1922, morou no bairro do Brás, tendo se mudado posteriormente para a Mooca. Virou vendedor de chuchu e trabalhou no jogo do bicho. Tocou violão em diversas cantinas de São Paulo. Aos 60 anos se formou em Direito e trabalhou na área Civil durante três décadas.

João Rubinato, o sétimo filho de imigrantes italianos, nascido e criado em Valinhos, interior de São Paulo, em 1908, só passou a se chamar Adoniran Barbosa em 1937. Conheceu os mais diversos ofícios na luta pela sobrevivência, passando por vários empregos até chegar à Rádio Cruzeiro do Sul, sua porta de iniciação no mundo artístico.

De calouro "gongado" a intérprete de vários personagens de sucesso no rádio, criados especialmente para a fala de Adoniran Barbosa, misto de caipira e sotaque italiano dos imigrantes da época, o compositor manteve características dessa linguagem em todas as suas criações. Ao se fixar em S.Paulo, o bairro do Bexiga, onde morou, e toda a vida local foi tema permanente de suas composições. Fatos verídicos e personagens reais foram cantados em Saudosa Maloca e Samba do Arnesto (1955).

Sabe-se que o Samba do Arnesto enfrentou problemas para ser gravado. O "nóis vai, nóis vorta" e outras expressões tão encantadoramente caipiras não eram bem aceitas pelas gravadoras. Mas depois de gravado foi um estrondoso sucesso. Seguiram-se outros sucessos: Iracema, Progréssio, Abrigo de Vagabundos, Tiro ao Álvaro, e com a marcante interpretação do conjunto vocal Demônios da Garoa, o Trem das Onze em 1965.

Aracy de Almeida, sua grande amiga, lhe deu para musicar o poema Bom dia, Tristeza, e assim foi estabelecida a parceria Adoniran Barbosa-Vinícius de Morais.
"Se chegue, Tristeza. Se sente comigo aqui nesta mesa de bar. Beba do meu copo, me dê seu ombro, que é prá eu chorar. Chorar de tristeza. Tristeza de amar."

A produção musical de Adoniran Barbosa inclui mais de 200 obras, muitas feitas especialmente para o cinema, onde participou como ator de alguns filmes (O Cangaceiro, O Pif-Paf, e Caídos do Céu). Também participou de alguns programas humorísticos de televisão, entre os quais Papai Sabe Nada, ao lado de Renato Côrte Real.

Os dois maiores sucessos de Adoniran Barbosa - Saudosa Maloca e Trem das Onze - lhe permitiram construir a casa onde viveu tranqüilamente até 1982, com sua mulher. Ao sambista paulista a cidade de São Paulo prestou a mais justa homenagem batizando vários logradouros com seu nome.

Colaborador(a): Marly Santanelli

 

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