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INFORMAÇÃO / HORA DA MÚSICA

CLARA NUNES
publicado em: 16/03/2017 por: Lou Micaldas

Eu sou uma cantora popular que canto as músicas do meu país. Tudo o que for autêntico, eu estou aí. Samba-canção, samba, modinha, valsa, não existe nada que eu não goste. Sou meio bobona com a Música Popular Brasileira, com os compositores. Gosto de tantos... É uma gente maravilhosa que sabe dizer música e letra ao mesmo tempo, de tal maneira que prende a gente a noite inteira, só cantando, só escutando. Clara Nunes
 
Clara nasceu em Caetanópolis, a 3 quilômetros de Paraopeba, oeste de Minas Gerais, onde viveu até os catorze anos. Filha do violeiro Mané Serrador, cantador de Folia de Reis, de quem herdou o gosto pela música e uma alegria imensa de viver. Era a caçula entre sete irmãos. Participou das aulas de catecismo na matriz, da Cruzada Eucarística, cantou ladainhas em latim, no coro da igreja e aprendeu a tecer fios.

Clara mudou-se para Belo Horizonte em 1958, onde já moravam Joaquim e Vicentina, seus irmãos. Trabalhava como tecelã de dia, fazia o curso normal de noite e nos finais de semana, participava dos ensaios do Coral Renascença, na igreja do bairro onde morava.

Em 1960, cantando "Serenata de Adeus", de Vinícius de Moraes, venceu a etapa mineira do concurso A Voz de Ouro ABC, mas ficou em terceiro lugar na finalíssima realizada em São Paulo. Logo foi contratada pela Rádio Inconfidência de Belo Horizonte. Também foi crooner de boates e escolhida, durante três anos seguidos, a melhor cantora de Minas Gerais. Clara foi a primeira cantora a ter um programa só seu - Clara Nunes Apresenta, com duração de 1 hora na TV Itacolomi.

Chegou ao Rio em 1965 e, antes de aderir ao samba, cantou muito bolero. Percorria rádios, programas de auditório, clubes, escolas de samba e casas noturnas de subúrbios. Seu primeiro LP, A Voz Adorável de Clara Nunes, foi lançado, em 1966, pela Odeon - a única gravadora de sua carreira - e produzido por Adelzon Alves. Depois vieram mais dezesseis discos até 1982. De acordo com dados da gravadora, o LP Claridade, lançado em 1975, bateu o recorde vendendo 401 mil cópias.

Clara gravou "Alvorecer" de D.Ivone Lara, "O Mar Serenou" de Candeia, "Quando Eu Vim de Minas" de Xangô da Mangueira, "Alvorada no Morro" de Cartola. Mas não parou por aí; cantou também outros gêneros: "É Doce Morrer no Mar" de Caymmi, "Feira de Mangaio" de Glorinha Gadelha e Sivuca, "Coisa da Antiga" e "Candongueiro" de Wilson Moreira e Ney Lopes, "Morena de Angola", grande sucesso de Chico Buarque, além de "Nação" de João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, seu canto derradeiro.

Clara também compunha músicas; sua estreia foi em 1977, com "A Flor da Pele", ao lado de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, que fez parte do Lp "As Forças da Natureza". Ela pesquisou a música popular brasileira, os ritmos e o folclore; foi à África, aprendeu danças e tradições afro-brasileiras; descobriu o samba forte através da Portela e se converteu ao Candomblé.

Fez sucesso na América Latina, Espanha, Portugal, Israel, Alemanha, Japão, mas era com Angola que ela se identificava. Para ela, os três maiores estadistas do Terceiro Mundo eram Agostinho Neto- poeta e líder revolucionário angolano, Fidel Castro e Juscelino Kubitschek. Clara nunca escondeu sua origem simples, sua coragem para lutar e enfrentar a vida, sua segurança e clareza de ideias.

Clara Nunes morreu em 1983 no Rio de Janeiro, mas sua alegria e sua voz continuam gravadas na memória dos brasileiros.
 
O MAR SERENOU
 

CONTO DE AREIA

 

Fonte: www.geocities.com/SouthBeach/Bay/2796

 

 

 

 

 

 


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