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INFORMAÇÃO / HORA DA MÚSICA

CUSTÓDIO MESQUITA
publicado em: 24/03/2017 por: Lou Micaldas

Custódio Mesquita Pinheiro, filho de família com posses, o segundo de uma série de três irmãos, nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de abril de 1910.

Não quis seguir carreira universitária, e desde menino sua paixão era a música, revelando-se um exímio baterista. Conheceu o piano, e com a ajuda de bons professores tornou-se um excelente pianista, capaz de executar Ernesto Nazareth com perfeição, e muitas vezes dava "canja" no rancho carnavalesco Ameno Resedá, recebendo demorados aplausos dos dançarinos.

Ingressou na Escola Nacional de Música, onde aprimorou seus dotes musicais e se diplomou regente. Para resgatar seu orgulho e amor-próprio feridos num episódio anterior, compareceu ao Teatro Municipal levando seu diploma de regente, pois antes sua batuta fora recusada pelos músicos e professores da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal por não ser diplomado. Graças a esse feito, Custódio Mesquita tornou-se bem aceito, vindo a exercer o papel de mediador entre os músicos e a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) por longos anos.

Aos 24 anos era bonito, alto, elegante, vaidoso, e vestia-se bem, com finas camisas de cambraia e terno de linho S-120, o chique da época. Amante da vida noturna, aos primeiros sinais da palidez e fraqueza provocadas pela vida boêmia que levava, procurou escudar-se numa alimentação constante (comia e beliscava a noite inteira), mas jamais renegou a vida boêmia que o satisfazia.

Suas composições iniciais datam de 1930, e sua primeira gravação, o fox-canção Dormindo na Rua, de 1932. Seu primeiro parceiro foi Noel Rosa, e numa única música: Prazer em conhecê-lo.

Tocando piano em uma escola de dança conheceu Floriano Faissal, e após breve passagem por São Paulo, Custódio Mesquita iniciou sua carreira de sucessos. Se a lua contasse, na voz de Aurora Miranda, alavancou sua carreira quando foi cantada por Ramon Novarro, o primeiro astro hoolywoodiano a visitar o Brasil, isso em 1934.

Levado para o teatro por Mário Lago, ali Custódio Mesquita encontrou o seu ambiente musicando peças teatrais que também foram as portas para o sucesso e lançamento no meio teatral de muitos nomes, entre os quais Deise Lúcidi e Natália Thimberg. Em parceria com Mário Lago, em 1938, as composições antológicas, Nada além e Enquanto houver saudade, na voz de Orlando Silva, passaram a ser ouvidas em todo o Brasil.

A grande inspiração musical de Custódio Mesquita jorrava abundantemente e dentre as parcerias famosas pode-se enumerar com Sady Cabral (Velho Realejo, Mulher), Joracy Camargo (Quem é?), Luiz Peixoto (Casa De Caboclo), Geysa Bôscoli (Naná), David Nasser (Mãe Maria, Algodão, Linda Judia), Jorge Faraj (Preto Velho), Orestes Barbosa (Cansei de Sofrer, Flauta, Cavaquinho e Violão). Esses foram apenas alguns de seus inúmeros sucessos cantados por Carmen Miranda, Carlos Galhardo e Orlando Silva, as vozes da época..

Evaldo Ruy foi o seu maior parceiro e dessa dupla saíram obras-primas da música romântica, as inesquecíveis melodias: Como os rios que correm pro mar, Feitiçaria, Gira...gira...gira..., Nossa comédia, Noturno, Promessa, Rosa de maio, Valsa do meu subúrbio e Saia do caminho.

Considerada um de seus maiores sucessos, Saia do caminho foi lançada um ano após sua morte e gravada inicialmente por Dalva de Oliveira, foi regravada em várias interpretações de Ângela Maria, Gal Costa, Nana Caymmi e Miúcha. A composição Mulher (com Sadi Cabral) já foi trilha sonora de dois filmes e tema de abertura do seriado "Mulher", da Rede Globo.

A época de 1937 a 1945 foi da mais intensa produtividade, mas não há registro do número exato de composições assinadas por Custódio Mesquita, estimando-se em cerca de duzentas músicas.
Suas incursões pelo cinema, graças ao tipo de galã, ficaram marcadas no papel principal do filme "Moleque Tião", onde atuou com Grande Otelo, e no teatro no papel de D. Pedro I, ao lado de Jaime Costa na peça "Carlota Joaquina", de Magalhães Júnior.

Também marcou presença como autor teatral, escrevendo cerca de 30 peças, como "Mamãe eu Quero" e "Rumo ao Sucesso".

O excesso de trabalho, boemia, mulheres e medicamentos resultaram na doença hepática que o levou em 13 de março de 1945, precocemente, aos 34 anos de idade.
Após sua morte, ao longo dos anos, entre algumas das homenagens que lhe foram prestadas, foi tema do desfile do Império da Tijuca, em 1985, com o título "Se a Lua Contasse - Vida e Obra de Custódio Mesquita".

 

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