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INFORMAÇÃO / HORA DA MÚSICA

DOLORES DURAN
publicado em: 14/03/2017 por: Lou Micaldas

A NOITE DO MEU BEM
 
Dolores Duran, a moça pobre, nascida num subúrbio do Rio de Janeiro em 1930, cuja voz encantou e mereceu elogios de Ella Fitzgerald e Charles Aznavour, desde muito cedo garantiu seu lugar no meio artístico.

Iniciou sua carreira aos 5 anos como o anjo-cantor das pastorinhas, percorreu programas de calouros arrebatando prêmios até atingir o posto de crooner nas noites cariocas, cantando em vários idiomas.

Interpretando Fernando Lobo, Ismael Silva, Billy Blanco, Antonio Maria e Ismael Neto, já consagrada uma estrela fez turnês com outros artistas famosos pela América do Sul, Europa e União Soviética, ente 1955 e 58.

Fez sua primeira gravação em disco em 1953, mas só três anos mais tarde a letrista Dolores Duran teve sua grande chance numa parceria com Vinícius de Moraes e Tom Jobim:
"Ah? Você está vendo só
Do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou..."

Diz-se que Vinícius rasgou os versos feitos por ele, preferindo a letra de Dolores Duran. E todo o mundo cantou o Por causa de você.

Despontou então a cantora-compositora em várias parcerias, uma das mais famosas com um velho conhecido da época de 1950 - o pianista Ribamar. Sem sombra de dúvida foi Ribamar o seu maior intérprete.
Mas suas melhores composições não tiveram parceria: Castigo, Fim de caso, Solidão, A noite do meu bem, Não me culpe.

Sua ânsia de viver transmitida no cantar levou-a à exaustão muito cedo:
- Não me acorde. Estou muito cansada.

Em suas andanças noturnas Dolores Duran ia compondo e a cantora Marisa, a Gata Mansa, sua grande amiga, foi a responsável pela divulgação de duas jóias musicais após sua morte, em 1959: Quem foi, e Ternura Antiga, ambas musicadas por Ribamar. Ternura Antiga obteve o segundo lugar no festival "As dez mais lindas canções de amor", patrocinado pela extinta TV Rio, no ano de 1960. Conferiu a glória póstuma a Dolores Duran, que definitivamente cantou o amor, a dor de cotovelo, a nostalgia e o romantismo de sua época.
 
POR CAUSA DE VOCÊ
 
Ah, você está vendo só
Do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou

Uma tristeza tão grande
Nas coisas mais simples
Que você tocou

A nossa casa, querido
Já estava acostumada
Aguardando você
As flores na janela sorriam, cantavam
Por causa de você

Olhe, meu bem
Nunca mais nos deixe, por favor
Somos a vida, o sonho
Nós somos o amor

Entre, meu bem, por favor
Não deixe o mundo mau
Lhe levar outra vez
Me abrace simplesmente
Não fale, não lembre

Não chore, meu bem.
 
A música do então principiante Tom Jobim teria letra de Vinícius de Moraes, mas, logo que Dolores escutou a belíssima melodia, encantou-se e fez, de pronto, o poema. O instrumento que tinha nas mãos para escrever e não perder o momento de inspiração era um lápis de sobrancelha. O "Livro de Ouro da MPB", de Ricardo Cravo Albin, cita outra curiosidade sobre o episódio. Ao final deste encontro casual entre ela e Tom, Dolores escreve a Vinícius: "Esta é a letra que fiz para esta música, se não concordar, é covardia". O poeta, então, admitiu que a letra de Dolores era melhor e aceitou-a.
 
"Por causa de você" recebeu diversas regravações. Entre as versões produzidas estão gravações de Elizeth Cardoso e Ângela Maria, de 1958. Dois anos depois, Silvia Telles gravou uma versão em francês, intitulada de "Gardez moi pour Toujours" (em português: "Guarde-me para Sempre"), com letra de Serge Rodhe. Em 1971, sob forte influência da Bossa Nova, Frank Sinatra faz uma versão em inglês, com o título de "Don´t ever go Away" ("Nunca se Vá", em português).

 

 

 

 

 

 


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