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INFORMAÇÃO / HORA DA MÚSICA

GERALDO VANDRÉ
publicado em: 27/06/2017 por: Lou Micaldas

Geraldo Vandré, nome artístico de Geraldo Pedrosa de Araújo Dias (João Pessoa, 12 de setembro de 1935) é um advogado, cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro, um dos nomes mais célebres da música popular brasileira. Seu sobrenome é uma abreviatura do sobrenome do seu pai, o médico otorrino José Vandregíselo.

Foi o primeiro filho do casal José Vandregíselo e Maria Martha Pedrosa Dias.
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1951, tendo ingressado em 1957 na Universidade do Distrito Federal, pela qual se formou em 1961, quando esta passou a se chamar Universidade do Estado da Guanabara. Militante estudantil, participou do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Conheceu Carlos Lyra, que se tornou seu parceiro em canções como "Quem Quiser Encontrar Amor" e "Aruanda", gravadas por Lyra e por Vandré. Gravou seu primeiro LP, "Geraldo Vandré", em 1964, com as músicas "Fica Mal com Deus" e "Menino das Laranjas", entre outras.

Em 1966, chegou à final do Festival de Música Popular Brasileira da TV Record com o sucesso "Disparada" (parceria com Théo de Barros), interpretado por Jair Rodrigues. A canção arrebatou o primeiro lugar ao lado de "A Banda", de Chico Buarque.

Em 1968, participou do III Festival Internacional da Canção da TV Globo com "Pra não Dizer que não Falei das Flores", também conhecida como "Caminhando". A composição se tornou um hino de resistência do movimento estudantil que fazia oposição à ditadura durante o governo militar, e foi censurada. O refrão "Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, / Não espera acontecer" foi interpretado como uma chamada à luta armada contra os ditadores. No festival, a música ficou em segundo lugar, perdendo para "Sabiá", de Chico Buarque e Tom Jobim. A música "Sabiá" foi vaiada pelo público presente no festival, que bradava exigindo que o prêmio viesse a ser da música de Geraldo Vandré.

Hoje, Geraldo Vandré reside no centro da cidade de São Paulo. Casado com Bianca Beatriz, sempre viaja para o Rio de Janeiro. Em 12 de setembro de 2010 (dia de seu aniversário de 75 anos), Vandré concedeu no Clube da Aeronáutica no Rio de Janeiro uma polêmica entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto, na qual critica o cenário cultural brasileiro desde os anos 70 e afirma que seu afastamento da música popular não foi causado pela perseguição sofrida pela ditadura, mas sim pela falta de motivação para compor ao público brasileiro, vítima do processo de massificação cultural e histórica.

Censura - AI 5

Ainda em 1968, com o AI-5 (Ato Institucional 5), Vandré foi obrigado a exilar-se. Depois de passar dias escondido na fazenda de Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, viúva do escritor Guimarães Rosa, falecido no ano anterior (setores da imprensa afirmam que ele também teria sido escondido pelo governador de São Paulo Abreu Sodré no Palácio dos Bandeirantes), o compositor partiu para o Chile e, de lá, para a Argélia, Alemanha, Grécia, Áustria, Bulgária e França. Voltou ao Brasil em 1973, onde gravou apresentações para o programa de Flávio Cavalcanti e para o Fantástico, da TV Globo, mas foram censuradas. Até hoje, vive em São Paulo e compõe.

Muitos, porém, acreditam que Vandré tenha enlouquecido por causa de supostas torturas que ele teria sofrido pelo governo militar. Porém, na entrevista concedida ao jornalista Geneton Neto, essas especulações foram desmentidas pelo cantor, dizendo que só não se apresenta mais porque sua imagem de "Che Guevara Cantor" abafa sua obra.

Canções após o exílio

Após o exílio, Vandré foi vigiado de perto pelos militares, sem poder expressar o retrato do Brasil à época. Logo após o retorno ao Brasil, Vandré compôs a canção "Fabiana", em homenagem à Força Aérea Brasileira.

Geraldo Vandré abandonou a vida pública e se afastou do mundo artístico, atuando como advogado e servidor público. Tal afastamento foi alvo de inúmeros boatos que vinculavam sua suposta descrença na esquerda, sua mudança ideológica e seu abandono da vida artística aos atos de tortura supostamente sofridos.

Em 1982, em Presidente Stroessner, Paraguai, apresentou-se em um show, rompendo o silêncio de 14 anos.

Em março de 1995, apresentou-se no Memorial da América Latina, em São Paulo, no concerto realizado pelo IV Comando Regional (CONAR), em comemoração a Semana da Asa. Na ocasião, um coral de cadetes lançou sua música "Fabiana", uma homenagem à FAB.

Em 1997, o Quinteto Violado lançou o CD Quinteto Violado canta Vandré (selo Atração), incluindo antigos sucessos e apenas uma música inédita: "República brasileira". No mesmo ano, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho regravaram Disparada e Canção da despedida no CD Grande encontro 2.

Em 2009, alunos de jornalismo da PUC-SP produziram o documentário "O que sou nunca escondi" sem fins lucrativos com depoimentos sobre Vandré.

Em 2014, Geraldo Vandré voltou a subir ao palco depois de 40 anos com a cantora Joan Baez, que em 1981 foi proibida de cantar no Brasil pela ditadura militar. Segundo reportagem do jornal Estadão foi o próprio Vandré quem tomou a iniciativa de fazer contato com a cantora por intermédio de um amigo em comum com a proposta de gravar um disco em espanhol. Vandré e Baez se encontraram pela primeira vez no domingo, 23 de março, poucas horas antes do show da também ativista dos direitos humanos. Baez insistiu para que Vandré cantasse, mas este não cedeu: “Eu vou convidar para subir ao palco um mito. Ele não gosta disso, prefere ser somente um homem. Ele virá aqui, mas não vai cantar, vai ficar do meu lado”, disse Joan Baez.

Em 2015, em homenagem aos 80 anos do compositor, foram lançadas as biografias "Geraldo Vandré - Uma canção interrompida" (do jornalista Vitor Nuzzi) e "Vandré: o homem que disse não" (do jornalista Jorge Fernando dos Santos).

No mesmo ano, Vandré foi homenageado no Festival Aruanda em João Pessoa por seu trabalho na trilha sonora do filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga de 1966, baseado na obra de Guimarães Rosa. Esta foi a primeira vez, após 20 anos, que ele retornou à terra natal.

Estilo

Com estilo erudito, Vandré sempre se expressou e por poucos foi compreendido. Em sua entrevista com Geneton, ele foi questionado várias vezes quanto à caricatura que fizeram da sua vida e mais uma vez tentou mostrar a mesma realidade que tentara no passado, mas parece que mais do que nunca permanece incompreendido.

Discografia

Álbuns de estúdio
1964: Geraldo Vandré
1965: Hora de Lutar
1966: 5 Anos de Canção
1968: Canto Geral
1969: Geraldo Vandré no Chile
1973: Das Terras de Benvirá

Participação em trilhas sonoras
1965: A Hora e a Vez de Augusto Matraga

Filmografia
1969: Quelé do Pajeú .... Cangaceiro

ENTREVISTA DE GERALDO VANDRÉ PARA O JORNALISTA GENETON MORAES NETO

"Consegui ser mais inútil do que qualquer artista"
Geraldo Vandré quebra o silêncio em que mergulhou desde 1973

Desde que voltou do exílio, em 1973, Geraldo Vandré mergulhou no silêncio. Num fim de tarde, no Clube da Aeronáutica, no Rio, quebrou o jejum, em entrevista que foi ao ar na Globonews. Era 12 de setembro, dia de seu aniversário de 75 anos.

O GLOBO: O que aconteceu com Geraldo Vandré?
GERALDO VANDRÉ: Ficou fora dos acontecimentos. Melhor para ele. Quando terminei o curso de Direito e fui me dedicar à carreira artística, já sabia que a arte é inútil. Mas eu consegui ser mais inútil do que qualquer artista. Sou advogado num tempo sem lei.

O GLOBO: Você faria uma temporada comercial?
GERALDO VANDRÉ: O que quero fazer é terminar uma série de estudos para piano, para compor um poema sinfônico. Nada mais subversivo do que um subdesenvolvido erudito.

O GLOBO: O que o faria voltar?
GERALDO VANDRÉ: O único projeto é a canção da Força Aérea, “Fabiana”. Nasceu na FAB, em sua honra e em seu louvor. Nunca fui antimilitarista.

O GLOBO: O que você acha do fato de “Caminhando” ter se tornado um hino de protesto?
GERALDO VANDRÉ: Não fiz canção de protesto. Fazia música brasileira.

O GLOBO: O Brasil de 40 anos atrás era melhor?
GERALDO VANDRÉ: Eu fazia música para aquele país. Hoje o Brasil é outro. O que existe é cultura de massa. Não é arte.

O GLOBO: Nada chama a sua atenção?
GERALDO VANDRÉ: Tiririca (risos). Eu estou exilado até hoje. Ainda não voltei.

O GLOBO: O que sente quando se lembra do Maracanãzinho cantando “Caminhando”?
GERALDO VANDRÉ: Foi bonito. Pena que sumiram com o VT.

O GLOBO: Recebe direitos autorais?
GERALDO VANDRÉ: Nunca dependi de música para viver. Sou servidor público aposentado.

O GLOBO: E os direitos autorais?
GERALDO VANDRÉ: Pagam o que querem.

O GLOBO: Duas músicas que você compôs são conhecidas até hoje: “Disparada” e “Caminhando”. Qual é melhor?
GERALDO VANDRÉ: “Disparada” é mais brasileira, moda de viola. “Caminhando” era uma crônica da realidade. Deu no que deu.

O GLOBO: Se fosse escrever um verbete numa enciclopédia sobre você, qual seria?
GERALDO VANDRÉ: Criminoso. Anistia é para criminoso. Fui demitido do serviço público por causa das canções. Briguei, briguei.

O GLOBO: Você foi constrangido a gravar, em 73, o depoimento em que negava a militância?
GERALDO VANDRÉ: Nunca fui constrangido a declarar nada. Nunca tive militância político-partidária. Nunca fui engajado.

O GLOBO: Gravar o depoimento era parte do acordo para voltar ao Brasil?
GERALDO VANDRÉ: Queriam que eu fizesse uma declaração. Eu disse coisas que poderia dizer, a verdade. A Globo deve ter o VT.

O GLOBO: Não encontramos.
GERALDO VANDRÉ: Pois é: sumiram com tudo. Veja se acha o VT do Maracanãzinho? É o que tem o Tom Jobim. A minha parte sumiu. Fizeram uma retrospectiva do festival: Tom, Chico, todo mundo. Mas, na hora de botar o Geraldo Vandré, usaram um filme feito na Alemanha.

O GLOBO: O que aconteceu depois da volta do exílio? Você foi maltratado fisicamente?
GERALDO VANDRÉ: Não. Não.

O GLOBO: Por que se afastou?
GERALDO VANDRÉ: Falta de razão para cantar.

Autor: Geneton Moraes Neto - Especial para O GLOBO

HOMENAGENS A VANDRÉ

 


 

Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Geraldo_Vandr%C3%A9

 

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