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INFORMAÇÃO / HORA DA MÚSICA

HERIVELTO MARTINS
publicado em: 06/10/2017 por: Lou Micaldas

O agente da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, Félix Bueno Martins, tinha o gosto pelo teatro e organizava espetáculos teatrais e bandas, num lugarejo chamado Rodeio, hoje, Paulo de Frontin.
A empolgação do velho Félix era tanta que empregava todo o seu salário nessa atividade. Seu filho Herivelto, aos cinco anos já participava não só dessas representações, mas junto com seus três irmãos vendia doces feitos pela mãe para suprir as necessidades domésticas.

Ao mesmo tempo Herivelto Martins aprendia os segredos da representação teatral e circense, o que de muito lhe serviu até firmar-se como artista e compositor.

Jamais esqueceu sua primeira experiência em um teatrinho infantil montado com irmãos e amigos da vizinhança, num palco no quintal de casa, onde até os adultos iam ver aquela "brincadeira de criança" por 200 réis.

Em 1932, já tendo passado por São Paulo, fixou moradia no Rio de Janeiro onde gravou sua primeira música "Da cor do meu violão" com o apoio de J.B. de Carvalho, o Príncipe Pretinho, um compositor de sucesso na época.

Da participação no grupo de Príncipe Pretinho, resultou uma parceria com Francisco Sena, a Dupla Preto e Branco, reeditada poucos anos depois com Nilo Chagas.

Já tendo Dalva de Oliveira por companheira, um dia Herivelto Martins teve a idéia de fazê-la cantar com a Dupla Preto e Branco, e as gravações desse ano de 1937 até 1950 fizeram o maior sucesso.

Uma apresentação de César Ladeira na Rádio Mayrink Veiga sagrou o nome Trio de Ouro.

A produção musical de Herivelto Martins estava a todo vapor: Acorda Escola de Samba, Duas Lágrimas, Se o morro não descer, Cabaré no Morro, Na Bahia, Ceci e Peri e tantas mais com diversas parcerias.

A pedido de Grande Otelo escreveu "Praça Onze" que arrebatou o primeiro prêmio em concurso de músicas carnavalescas em 1942.

"Caminhemos" e "Segredo" foram estrondosos sucessos de 1947. "Ave Maria no Morro" também é dessa época e pode ser considerado sua obra prima.

Desfeito o Trio de Ouro original em 1950, com a separação de Dalva e Herivelto, outras duas cantoras ainda mantiveram o grupo por algum tempo, até 1957.

A separação do casal provocou um racha no meio artístico. Ao lado de Herivelto ficaram Lupicínio Rodrigues, Nelson Cavaquinho e Wilson Batista, e a favor de Dalva ficaram Ataulfo Alves, Marino Pinto, Mário Rossi e Heitor dos Prazeres. Acabaram todos fazendo sucessos musicais em cima das desavenças do casal.

Herivelto passou a se apresentar em alguns festivais e a dirigir grupos de sambas. Mas a sua veia musical continuou a pulsar. "Pensando em Ti" foi um de seus sucessos posteriores a essa fase.

Em 1971 foi eleito presidente do Sindicato de Compositores do Rio de Janeiro, mas foi impedido pela ditadura militar de tomar posse, acusado de subversivo.

Em 1992, alguns meses antes de sua morte, os jornalistas Jonas Vieira e Natalício Norberto homenagearam o compositor com sua biografia no livro "Herivelto Martins: uma escola de samba".

Hoje, a par de inúmeras gravações e orquestrações internacionais, suas inesquecíveis composições têm em seu filho Pery Ribeiro um de seus maiores intérpretes.

 

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