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INFORMAÇÃO / HORA DA MÚSICA

JAIR RODRIGUES
publicado em: 19/10/2017 por: Lou Micaldas

Primeiro rapper do Brasil

Jair Rodrigues de Oliveira nasceu em Igarapava, interior de São Paulo, em 6 de fevereiro de 1939. Depois de passar a infância e adolescência cantando em corais de igreja, começou a carreira profissional como crooner de casas noturnas, em 1957. No ano seguinte, participou de seu primeiro concurso de calouros.

Na década de 1960, mudou-se para a capital de São Paulo, onde trabalhou como engraxate, mecânico, servente de pedreiro e ajudante de alfaiate, enquanto tentava se estabelecer na música. Começou a se destacar cantando sambas.

Seu primeiro sucesso foi "Deixa isso pra lá", lançada em seu segundo disco, "Vou de samba com você", de 1964. Considerada a precursora do rap nacional, por conta do refrão falado, foi eternizada pela clássica coreografia que o cantor fazia com as mãos. Não à toa, nomes como Rappin Hood e Emicida lamentaram a morte "do primeiro rapper do Brasil".

Em 1965, Jair substituiu Baden Powell num show no Teatro Paramount, em São Paulo. Foi quando dividiu o palco pela primeira vez com a também estreante Elis Regina, que viria ser sua parceira profissional. Juntos, lançaram o disco "Dois na bossa". O sucesso do álbum levou os dois a formar a dupla Jair e Elis, que assumiram o programa “O fino da bossa”, da TV Record.

O canto poderoso e a simpatia garantiram sua popularidade nos anos seguintes, gravando discos e participando de festivais, além de fazer shows em países como Portugal, Alemanha, França, Itália, Estados Unidos e Japão. Com formação de crooner, versátil, passou por diversos gêneros, sem nunca se distanciar do samba, em álbuns como "Jair de todos os sambas" (1969), "Festa para um rei negro" (1971) e "Antologia da seresta" (1979), "Lamento sertanejo" (1991) e "A nova bossa" (2004).

Tim Maia costumava dizer que Jair Rodrigues era o "careta mais maluco que já viu". O crítico e pesquisador de música Ricardo Cravo Albim contou, em entrevista à Globonews, que o cantor tinha o apelido "Cachorrão", por ser um amigo muito fiel.

Em 2006, o artista foi o grande homenageado do Prêmio Tim de Música, numa festa no Teatro Municipal. Na noite, foram lembrados seus sucessos, cantados por duplas como Germano Mathias com Roberta Sá e Alcione com Diogo Nogueira. O tributo teve ainda "Zigue zague" com Rappin' Hood - com quem Jair gravara "Disparada" em versão rap no ano anterior - e "Deixa isso pra lá" em ritmo de tamborzão com Lulu Santos.

O último trabalho de Jair foram os CDs "Samba mesmo", volumes 1 e 2, lançados em março de 2014. No projeto, idealizado pelo filho Jair Oliveira, ele registra 26 canções que nunca tinha gravado, como "Fita amarela" e "No rancho fundo", além de apresentar três inéditas. Na mesma época, participou do DVD comemorativo dos 30 anos de carreira de seu filho.

Preocupado em contar sua história, Jair estava preparando sua biografia, com a ajuda dos filhos, os também músicos Jair(zinho) e Luciana Mello. Conforme contou para o "Diário de SP" em julho de 2013, ele descreveria no livro sua relação de amizade com Roberto Carlos nos anos 1960 e as baladas que frequentava quando solteiro, com figuras como Raul Seixas e Wando.

Atento à saúde, Jair costumava dizer em entrevistas que cuidava bem do corpo, sempre indo a médicos e praticando exercícios - não era raro vê-lo de ponta-cabeça, em uma das mais clássicas e complexas posições da yoga, em camarins e até no palco. Isso mesmo depois dos 70 anos. O cantor deixa também quatro netos (dois de cada filho) e a mulher Clodine.

O músico faleceu aos 75 anos na sauna de sua casa, em Cotia, na grande São Paulo. A causa da morte: infarto agudo do miocárdio. 

É JAIR...

Você partiu...
Em disparada, deixe que falem. 
E vão falar muito, porque deixa saudade
Pelo homem alegre, que só tinha amigos,
sempre de bem com a vida, não tinha tristeza quando 
Entrava no palco e nos brindava com sua voz
suas músicas que marcaram uma época..
Partiu no bloco solidão, 
depois de ver Vilma passar com seu estandarte na mão...
Festival....fino da bossa...arrastão...
Tantos sucessos...
Filhos que herdaram e seguiram seus passos...
Mas você foi único...
Partiu silencioso, para a espiritualidade
mudança de dimensão...
Com certeza está cantando,
brincando, alegrando os anjos...
Você se deixou levar pelo rio que passou em sua vida...
Que o manto azul e branco da portela te cubra 
nos deixa com saudades...muitas saudades...

Autora: Gilda Pinheiro de Campos
Enviado por: Yna Beta

Fonte: oglobo.globo.com/cultura/morre-cantor-jair-rodrigues-12419622

 

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