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INFORMAÇÃO / HORA DA MÚSICA

ORLANDO SILVA
publicado em: 16/05/2018 por: Lou Micaldas

Então, cante com Orlando Silva, o cantor das multidões

Orlando Garcia da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 3 de outubro de 1915. O pai, José Celestino da Silva, tocou violão em uma das formações do conjunto "Oito Batutas" e era operário das oficinas da Estrada de Ferro Central do Brasil, no subúrbio de Engenho de Dentro; morreu da gripe espanhola, deixando o filho com três anos.

Estudou nas escolas Padre Antônio Vieira, Visconde de Caxias e depois na Nossa Senhora das Dores, mas logo precisou trabalhar para continuar os estudos. Dos 14 aos 16 anos, foi aprendiz de cortador de sapatos e trabalhou no comércio. Mais tarde, conseguiu empregar-se como cobrador de ônibus. Desde pequeno, gostava de cantar e sempre carregava folhetos de modinhas, no bolso ou dentro dos cadernos de escola.

Nunca chegou a estudar música ou canto. Em 1934, o compositor Bororó apresentou-o a Francisco Alves, que o convidou a cantar em seu programa na Rádio Cajuti. Nesse ano gravou seu primeiro disco, na Columbia, com o samba "Olha a baiana" (Kid Pepe e Germano Augusto) e a marcha "Ondas curtas" (Kid Pepe e Zeca Ivo), músicas lançadas no Carnaval de 1935. Em março de 1935, passou a atuar na Rádio Transmissora.

No mesmo ano, por intermedio de Francisco Alves, assinou contrato com a Victor, onde seu primeiro disco trazia "No quilometro 2" (J. Aimbere) e o samba "Para Deus somos iguais" (J. Cascata e Jaime Barcelos).

Nesse mesmo ano, já havia gravado as músicas "Lagrimas" e " Última estrofe" (ambas do compositor Índio), que foram lançadas num disco de numeração posterior. Nessas gravações, foi acompanhado por um conjunto regional integrado por Pereira Filho (violão), Luís Bittencourt (violão) e Luperce Miranda (bandolim).

Em 1936 participou do filme "Cidade-mulher", da Brasil-Vita, interpretando a marchinha de Noel Rosa que deu titulo ao filme. Também em 1936, participou da inauguração da Rádio Nacional, interpretando, com sucesso, "Caprichos do destino" (Pedro Caetano e Claudionor Cruz).

Foi o primeiro cantor a ter um programa exclusivo nessa emissora, com o qual obteve enorme popularidade. De 1936 são suas gravações de "Chora, cavaquinho" (Dunga), "Orgia" (Valdemar Costa e Valdomiro Braga), "Dama do cabaré" (Noel Rosa), entre outras.

Em 1937 foi a São Paulo pela primeira vez e apresentou-se na sacada do Teatro Colombo, no bairro paulista do Brás, onde se reuniram 10 mil pessoas para ouvi-lo. Foi nessa ocasião que o locutor Oduvaldo Cozzi lhe atribuiu o cognome de "O Cantor das Multidões".

Nesse mesmo ano, gravou na Victor um de seus grandes sucessos, "Lábios que beijei" (J. Cascata e Leonel Azevedo). Foi o primeiro cantor a interpretar "Carinhoso" (Pixinguinha, com letra que João de Barro colocou para ele gravar).

Também em 1937 lançou a valsa "Rosa" (Pixinguinha), "Boêmio" (Ataulfo Alves e J. Pereira), "Juramento falso" (J. Cascata e Leonel Aze- vedo), o samba "Rainha da beleza" (Ataulfo Alves e Jorge Faraj), o fox "A ultima canção" (Guilherme A. Pereira), "Alegria" (Assis Valente e Durval Maia). Em 1938 participou do filme "Banana da terra", dirigido por J. Rui, interpretando a marchinha "A jardineira" (Benedito Lacerda e Humberto Porto), que foi grande sucesso no Carnaval de 1939. Para o Carnaval de 1938 lançou "Abre a janela" (Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti).

Entre outras, ainda em 1938, gravou "Não beba mais" (Roberto Martins e Bide), o samba "Meu romance" (J. Cascata), a valsa "Musa" (Antônio Caldas e Celso de Figueiredo), o samba "Eu sinto uma vontade de chorar" (Dunga), "Página de dor" (Índio e Pixinguinha), o samba "Agora é tarde" (Sinval Silva) e o fox-canção "Nada além" (Custodio Mesquita e Mário Lago), que obteve grande êxito.

Quatro lançamentos seus receberam prêmios em 1939: "A jardineira", "Meu consolo é você" (Nássara e Roberto Martins), "História antiga" (Nássara e J. Cascata) e o samba "O homem sem mulher não vale nada" (Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti). Do mesmo ano são a valsa "Número um" (Benedito Lacerda e Mário Lago) e o tango "Por ti eu me rasgo todo" (versão de Osvaldo Santiago).

No Carnaval de 1940, lançou a marcha-rancho "Mal-me-quer" (Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar), e gravou, na Victor, inúmeras canções, entre as quais "Perdoar é para Deus" (Ari Frazão e Sebastião de Figueiredo), "Coqueiro velho" (Fernandinho e José Marcílio), a marcha "Carioca" (Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti), o samba "A primeira vez" (Bide e Marçal), "Desilusão" (J. Cascata e Leonel Azevedo) e o fox "Nana" (Custódio Mesquita e Geysa Bôscoli). Em 1941 gravou "Sinhá Maria" (Rene Bittencourt), "Lagrimas de homem" (J. Cascata), "A voz do povo" (Francisco Malfitano e Frazão), e, em 1942, "Rosinha" (Heber de Bôscoli e Mário Martins), e também gravou, para ser lançado no Carnaval, "Lero-lero" (Benedito Lacerda e Roberto Roberti).

Nesse ano gravou ainda "Aos pés da cruz" (Marino Pinto e Zé da Zilda), "Mágoas de caboclo" (J. Cascata e Leonel Azevedo) e "Quero dizer-te adeus" (Ary Barroso), e foi a Fortaleza, onde participou da inauguração das ondas curtas da Ceará Rádio-Clube.

Em 1943 transferiu-se para a Odeon, onde lançou "Podes mentir" (Georges Moran e Aldo Cabral), a valsa "Olhos magos" (Dante Santoro) e o samba "Noutros tempos... era eu" (Ataulfo Alves). Em 1944, afastou-se dos palcos, continuando a fazer programas de rádio no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Belo Horizonte. Nesse ano, entre outras, gravou o samba "Louco" (Wilson Batista e Henrique de Almeida), "Há sempre alguém" (Custódio Mesquita) e o samba "Atire a primeira pedra" (Mário Lago e Ataulfo Alves), que fez sucesso estrondoso no Carnaval. Em 1945, ainda na Odeon, gravou o hino "Canção do trabalhador brasileiro" (Abdon Lira e Léia Lira).

No ano seguinte, participou do filme da Atlântida "Segura essa mulher", dirigido por Watson Macedo, interpretando a marcha "Seja lá o que Deus quiser" (J. Cascata e Leonel Azevedo). Também nesse ano, realizou varias gravações na Odeon, entre as quais as das músicas "Um pracinha na Itália" (Pedro Caetano e Claudionor Cruz) e "Só uma louca não vê" (Lauro Maia e Humberto Teixeira).

Ainda em 1946 deixou a Rádio Nacional. Em 1947, ano de seu casamento, lançou pela Odeon, entre outras gravações, a marcha "Argentina" (Newton Teixeira e Wilson Batista), a marcha "Mulher-sensação" (José Batista e Irani Ribeiro), "Abigail" (Wilson Batista e Orestes Barbosa) e "Saudade" (Dorival Caymmi). Em 1948 e 1949, gravou, na Odeon, a valsa "Maldito amor" (Georges Moran e Cristóvão de Alencar), "Flor-mulher" (Alfredo Ribeiro e Paulo Barbosa), "Recordação... saudade" (Dorival Caymmi), o bolero "Pecadora" (versão de Geber Moreira), o samba "A que ponto chegaste" (J. Cascata e Leonel Azevedo).

Em 1951 transferiu-se para a Copacabana, gravadora em que permaneceu ate 1955. Em 1951 gravou, entre outras, a marcha "Não me importa que a tábua rache" (Lis Monteiro e J. Piedade), o fox "Sempre te amei" (Maugeri Sobrinho e Maugeri Neto) e "Tenho ciúme" (Rene Bittencourt). Em 1953, um concurso da Revista do Rádio o elegeu Príncipe do Disco.

Nesse mesmo ano, lançou "Aquela mascarada" (Ciro Monteiro e Dias Cruz), "Exaltação à cor" (Ataulfo Alves), "Risque" (Ary Barroso) e "Escravo do amor" (J. Cascata, Leonel Azevedo e Lilian Fernandes).

Em 1954 conquistou o titulo de Rei do Rádio. Nessa época, fazia o programa "Doze Badaladas", levado ao ar ao meio-dia, com grande audiência. Em 1955 retornou a Odeon, na qual permaneceu ate 1959. Obteve sucesso no Carnaval de 1958 com "Eu chorarei amanhã" (Raul Sampaio e Ivo Santos).

Reconquistou definitivamente a popularidade com o lançamento pela Victor do LP Carinhoso, revivendo todos os antigos sucessos. Gravou, ainda em 1959, o LP "Última estrofe". Em 1960, novamente na RCA Victor, lançou o LP "Por ti" e, no ano seguinte, o LP "Quando a saudade apertar". Em 1962 gravou o LP "Sempre sucesso". Incluindo músicas de Taiguara, Antônio Carlos e Jocafi, Edu Lobo, Torquato Neto e Gilberto Gil, em 1975 lançou pela RCA Victor o LP "Hoje", completando 40 anos de carreira artística.

Em 1995 a BMG lançou caixa com três CDs, Orlando Silva, o "Cantor das Multidões", com gravações originais de 1935 a 1942. Faleceu no Rio de Janeiro em 7 de Agosto de 1978.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira Art Editora e PubliFolha 

 

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