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INTERAÇÃO / HORA DA MÚSICA

PIXINGUINHA
publicado em: 16/08/2018 por: Lou Micaldas

Alfredo da Rocha Vianna Filho, nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1897. Foi o décimo-quarto filho de uma família musical. Seu pai era músico e vários de seus irmãos também, e foi pela flauta que Pixinguinha começou sua ligação mais séria com a música, depois de ter aprendido um pouco de cavaquinho.

O apelido de Pixinguinha veio da junção de dois outros apelidos: Pizindim (pequeno bom) como a avó africana o chamava, e bixiguinha (por ter tido a doença).

Sua primeira composição, o choro "Lata de Leite", inspirado nos chorões - músicos boêmios que depois de noitadas regadas a bebidas e música, tinham o hábito de tomar o leite alheio que ficava nas portas das casas - foi composto aos 12 anos. Aos 17 já produzia "Rosa" e " Sofres Porque Queres".

Muito cedo começou a tocar em orquestras, choperias, peças musicais e a participar de gravações. Rapidamente criou fama como flautista graças aos improvisos e floreados que tirava do instrumento, que causavam grande impressão no público quando aliados à sua pouca idade.

Seus primeiro choros, polcas e valsas ainda na década de 10, o levaram a formar seu próprio conjunto, o Grupo do Pixinguinha, precursor do famoso Os Oito Batutas. Com os Batutas fez uma excursão pela Europa no início dos anos 20 divulgando a música brasileira, o choro e o samba entusiasmaram os europeus, os franceses especialmente. A fama internacional não se fez esperar.

Os conjuntos liderados por Pixinguinha tiveram grande importância na história da indústria fonográfica brasileira. Com o compositor Donga (mais do que parceiro, seu amigo de toda a vida), participou de várias gravações para a Parlophon, numa época em que o sistema elétrico de gravação era uma grande novidade. Liderou também outros grupos de sucesso como os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Colúmbia de Pixinguinha.

Nos anos 30 e 40, em dueto com o flautista Benedito Lacerda, realizou históricas gravações como flautista e saxofonista, entre elas "Segura Ele", "Ainda Me Recordo", "1 x 0", "Proezas de Solon", "Naquele Tempo", "Abraçando Jacaré", "Os Oito Batutas", "As Proezas do Nolasco", gravadas mais tarde por intérpretes de vários instrumentos.

Graças a indicação de Villa-Lobos em 1940, selecionou os músicos populares que participaram de uma célebre gravação para o maestro Leopold Stokowski, que divulgou a música brasileira nos Estados Unidos. Entre esses músicos incluiu Donga, João da Baiana, Cartola e outros bambas da época.

Como arranjador, atividade que começou a exercer na orquestra da gravadora Victor em 1929, incorporou elementos brasileiros a um meio bastante influenciado por técnicas estrangeiras, mudando a maneira de se fazer orquestração e arranjo. Somente em 1946, por problemas de embocadura para a flauta, tornou o saxofone instrumento definitivo em sua carreira.

Em 1954 o Festival da Velha Guarda trouxe de volta as famosas interpretações de chorinhos e sambas, mas o advento da bossa nova, na década de 60, proporcionou a Pixinguinha uma de suas melhores parcerias com Vinícius de Morais - o samba-canção Lamento.

Sofreu um primeiro enfarte em 1964, o que o obrigou a permanecer 20 dias no hospital. Ao sair do hospital, seu repertório estava bem maior: músicas com títulos "de ocasião", como "Fala Baixinho", "Mais Quinze Dias", "No Elevador", "Mais Três Dias", "Vou pra Casa". Continuou compondo até 1973, quando faleceu.

Em 1988 e 98, quando completaria 90 e 100 anos, foi alvo de grandes homenagens em discos e shows e até de lançamento de um selo nos Correios.

Algumas músicas de Pixinguinha ganharam letra antes ou depois de sua morte, sendo a mais famosa "Carinhoso", composta em 1923, gravada pela primeira vez em 1928, de forma instrumental, e cuja letra foi escrita por João de Barro (o Braguinha) em 1937, sendo gravada inicialmente por Orlando Silva. Outras que ganharam letras foram "Rosa" (Otávio de Souza) e "Isso É Que É Viver" (Hermínio Bello de Carvalho). "Lamento" só ganhou a letra de Vinícius de Moraes 30 anos após ser composta.

Pinxinguinha não foi somente um músico capaz. Reconhecido até hoje como um exímio flautista, foi maestro, arranjador e intérprete. Misturou a sua formação erudita basicamente europeia com os ritmos negros brasileiros e a música negra norte-americana, contribuindo de forma marcante para os rumos da música brasileira.

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