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INTERAÇÃO / HORA DA MÚSICA

VINÍCIUS DE MORAES...
publicado em: 19/10/2018 por: Lou Micaldas

Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913. Vindo de família culta mas financeiramente decadente - pai poeta, violonista amador, e mãe pianista - nasceu no bairro da Gávea, RJ, mas mudou-se para a Ilha do Governador, onde suas fugas noturnas para a praia foram mais tarde descritas em tom de poesia: 

"Acomodava-me na areia como numa cama fofa e abria as pernas aos alísios e ao luar; e em breve as frescas mãos da maré cheia vinham coçar meus pés com seus dedos de água". 
Foi criado em ambiente poético-musical, ouvindo Olavo Bilac (amigo de seu pai), e Bororó, o compositor, entre outros. Se interessou pela poesia desde muito cedo, e ao ingressar na Faculdade de Direito teve sua vocação literária incentivada pelo romancista Octávio de Faria.

Entre suas 10 primeiras composições, só o fox Loura ou Morena tornou-se conhecido, feito em parceria com Haroldo Tapajós, e só gravado em 1932. A carreira de compositor foi deixada de lado, e em 1933 publicou seu primeiro livro de poesias - O Caminho para a Distância. Nessa época conheceu e tornou-se amigo de Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Mario de Andrade. 

Em 1935 ganhou o prêmio Filipe d'Oliveira com o livro Forma e Exegese, numa disputa acirrada com nada menos que Jorge Amado.

Por volta de 1936 trabalhou como censor cinematográfico e dentre suas curiosidades jurava que nunca censurou nada, ao contrário, ainda brigava com os colegas que queriam cortar os filmes.

Em 1938, por conta de uma bolsa de estudos, foi para a Universidade de Oxford, quando conheceu a fundo a língua e a literatura inglesa. Os sonetos de Shakespeare, tema de sua tese, tiveram influência definitiva em sua trajetória literária.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, retornou ao Rio de Janeiro, sobrevivendo no exercício de alguns cargos burocráticos. Orientado por Oswaldo Aranha, ingressou no Itamaraty em 1943 e em 1946 iniciou sua carreira diplomática como vice-cônsul em Los Ângeles, EUA.

Lá ele pode complementar sua formação acompanhando Orson Welles (o famoso produtor cinematográfico) nas filmagens de A Dama de Xangai e Macbeth, com Rita Hayworth.

Por outro lado, o jazz de Dizzy Gillespie e Louis Armstrong, a companhia de Carmen Miranda e sua irmã Aurora, o Bando da Lua e Aloísio de Oliveira estimulavam sua veia musical, e Vinícius voltou ao Brasil.

Seu lado boêmio emergiu desfrutando a companhia constante de Paulinho Soledade, Fernando Lobo, Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso e Ary Barroso, por dois anos, quando o diplomata então foi enviado a Paris.

Em contrato mal firmado com Sacha Gordin, um cineasta francês, fez uma história que virou sucesso mundial como um filme francês - Orfeu Negro - dando um lucro estimado de 20 milhões de dólares aos produtores.

Vinícius não se deu por vencido, e no Brasil encenou Orfeu da Conceição, no Teatro Municipal, peça premiada em 1954 no concurso de teatro do IV Centenário de São Paulo, inaugurando sua parceira com Antonio Carlos Jobim (Lamento do morro, Se todos fossem iguais a você, Um nome de mulher, Mulher, sempre mulher, Eu e o meu amor, etc). Mais tarde, quando realizado o filme, novas canções da dupla foram incluídas na trilha sonora destacando-se o retumbante sucesso da música A felicidade.

Esse evento cinematográfico, em 1957, marcou o início da fase mais importante da carreira musical de Vinícius de Moraes. Paralelamente sua carreira diplomática estendia-se por Paris até 1958, Montevideo até 1960, e como membro da UNESCO em Paris até 1964. Em 1968 foi punido pelo AI-5 com aposentadoria compulsória do Itamaraty, depois de 26 anos de serviços prestados.

No período de 1957 até 60, a interpretação da música brasileira sofria influências do jazz e começava a soar diferente com Johny Alf, Lúcio Alves, Dick Farney. Então João Gilberto descobriu uma nova batida no violão, e Tom Jobim e Vinícius de Moraes partiram pra revolução: a bossa nova estava chegando (Chega de saudade, Insensatez, e muitas outras). "Garota de Ipanema", de 1962, é a música brasileira mais gravada no mundo até hoje, competindo com My Way, de Frank Sinatra.

Em 1961 começou a parceria com Carlos Lyra (A primeira namorada, Você e eu, Minha Namorada, Marcha da quarta-feira de cinzas) e Baden Powel, um dos que mais renderam juntos (Canto de Amor e Paz, Samba em prelúdio, Canto de Ossanha, Berimbau, Samba da benção, Apelo, e tantos outros). 
Ainda outros parceiros famosos foram Ary Barroso (Rancho das Namoradas), Pixinguinha (Mundo Melhor), Francis Hime, Vadico, Moacyr Santos, Vadico, Edu Lobo, para citar alguns.

Cada samba tem sua própria história, por exemplo, os primeiros da dupla Vinícius e Baden foram feitos num embalo só, os dois trancados em casa de Vinícius por vários dias, com muito uísque. 
Outro fato envolveu o Samba da Benção, quase terminando em querela judicial. O produtor Pierre Barrouh, usou o Samba da Benção no filme "Um homem uma mulher", o que a princípio fez crescer o ego de Vinícius, convidado para a première em Paris.

Logo ele percebeu que nem seu nome nem o do parceiro foram citados no filme, mas após evasivas desculpas do produtor e ameaça de ação judicial um acordo com jeitinho brasileiro acomodou tudo e foram incluídos nos créditos.

O escritor, poeta, e compositor Vinícius de Moraes, que compunha versos e editava livros de poesia em seu período como diplomata, teve sua participação áurea na música popular brasileira entre 1963 e 1967 (62 composições) e a partir daí, mesmo sem abandonar sua produção musical, Vinícius entrou em nova fase escrevendo crônicas para jornais e participando de shows pelo Brasil afora.

Em 1969, tornou-se parceiro de Toquinho, e, em 1970, com Marília Medalha. Nesse ano lançou o livro Arca de noé, que em 1980 seria transformado em dois programas especiais da TV Globo.
A vastíssima produção de musical de Vinícius de Moraes se encerrou com sua morte em 1980.

Do ponto de vista literário a sequência de sua obra permite uma visão clara de seu pensamento, evoluindo da angústia da oposição entre matéria e espírito notados em seu primeiro livro (O Caminho para a distância) ao fortalecimento dessa união simbolizada na mulher (Forma e exegese). No livro "Ariana, a mulher" - constituído de um único longo poema - e em "Novos Poemas" já são detectados os primeiros sinais de sensualismo e erotismo, característicos de suas obras posteriores.

Enfim, a linguagem rebuscada de suas primeiras produções vai aos poucos se tornando mais comunicativa, atingindo o cotidiano, buscando intimidade, e resultando na expressão musical de porte do consagrado autor.

Vinícius foi reeditado na Itália, na França, e suas letras compiladas em verdadeiras antologias poéticas atravessam o mundo. Interpretações em línguas as mais diversas eternizam a obra do nosso mais amado poetinha, o que mais cantou o amor.

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