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INFORMAÇÃO / MAGDALENA LÉA

APELO DO FILHO QUE VAI SER GERADO:
publicado em: 14/02/2017 por: Lou Micaldas

Pai,
quero ser eu mesmo.
Eu só.
Eu puro, com meus impulsos pessoais.
Sou indivíduo,
não me divido em números equacionais.
Sou uno.
Sou único.
Sou um, sem divisões decimais. 

Não quero, pai, a herança de teus genes condicionados
de temores abismais.
Nem o espólio de tuas idiossincrasias
e do desgraçado atavismo de teus ódios raciais.

Quero ter meu próprio medo
daquilo que hei de temer.
Quero ter meu próprio ódio,
do âmago do meu ser.
Tuas emoções são tuas.
As minhas estarão intatas
para o gosto de prová-las.

E não quero as tuas regras,
as tuas normas-padrão,
que, de régua, de compasso,
vão medindo cada passo
no rumo, na dimensão.

Não quero teus pés cansados,
feridos e magoados
nas pedras dos teus caminhos.
Quero ir, com meus pés novos,
pisando em novos espinhos.

E quero meus próprios olhos.
Meus olhos, que hão te ter,
diante de si, tudo novo:
cada imagem – uma surpresa
para o olhar virgem de ver.

Quero meus próprios ouvidos
para o quanto hei de ouvir.
Recuso, pai, a herança
de teus ouvidos feridos
e tua boca de ferir.

Não quero teu sol quadrado,
que brilha através das grades
das implacáveis prisões
de tabus e preconceitos,
forjados nas tradições.

Pai, será redondo o meu sol!

Não quero herdar tuas dúvidas,
nem mesmo as tuas certezas,
nem tuas paixões políticas,
teu clube de futebol.

Não quero herdar erros teus,
prefiro meus próprios erros,
que têm de bom serem meus.

Hei de quebrar essa linha
que vem dando continuidade,
por séculos, por milênios,
aos erros da humanidade.

Pai, eu sou o Futuro.
Quero entrar no mundo novo,
novo que sou neste mundo.
quero desbravar a vida,
quero tê-la como virgem
em meu braço virginal.

E, descobrindo o Amor,
senti-lo na minha carne
em todo o seu potencial.
Amor com gosto de estreia.
Intocado, intocável,
Amor de dois sem plateia.

Quero entrar no mundo novo,
novo que sou neste mundo.

Pai,
abre-me largo o caminho,
e deixa-me caminhar,
e deixa-me ser eu mesmo.
Eu só.
EU!

Autor(a): Magdalena Léa - Rio, março 1978

 

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