Logomarca Velhos Amigos
INFORMAÇÃO / MAGDALENA LÉA

MAGDALENA LÉA EM FOCO
publicado em: 07/12/2015 por: Netty Macedo

Magdalena Léa desde menina, já se insurgia contra as severas regras daquela época, cheia de preconceitos.

Filha de Militar, teve uma educação rígida.

Entre tantas proibições havia uma que ela jamais se submetia: era a leitura dos livros impróprios para as meninas.

Matéria publicada em 1999

Escondia-se na biblioteca do pai em busca de livros, ávida por saber e ler os grandes autores.

Embevecida com a literatura, não conseguia entender nem aceitar que houvesse qualquer impropriedade naquelas belas obras.

Nasceu em 30 de agosto de 1913, em São Cristóvão.

As meninas daquele tempo eram preparadas para se tornarem boas esposas, prendadas, para bem servirem aos seus maridos e senhores.

- "Mulher precisava apenas saber bordar, cerzir meias..."

Aprendeu tudo isso com muito esmero, sabia costurar e confeccionava os próprios vestidos.

Mas não se limitou às regras estabelecidas, sentia que sua cabeça era outra.

Estudou nos colégios Sacrée Coeur de Jesus, Imaculada Conceição e Sion, no Rio de Janeiro.

- "Não tenho boas recordações dos tempos colegiais. Como poderia suportar tomar banho de camisola?"

- "Ficar nua para tomar banho, ou trocar de roupa era pecado. Não concordava com aqueles preceitos religiosos, nem suportava os castigos."

Casou-se no dia 7 de abril de 1934, na Cidade de Campo Grande, Matogrosso, com o então tenente do Exército Micaldas Corrêa, mais tarde General, Professor Catedrático de Literatura e da Língua Portuguesa do Colégio Militar, com quem viveu e festejou as Bodas de Diamante.

- "As primeiras 5 medalhas conquistadas foram meus 5 filhos" - Declara vaidosa (aos 27 anos, já exibia esses troféus).

- "Quando vi meus filhos criados, comecei a pensar nas coisas que gostaria de fazer."

- "Naquele tempo eu tinha 40 anos e pra sociedade já era considerada velha, mas não era assim que me sentia".

- "Tinha planos, queria aprender, fazer tantas coisas!"

- "Em 1953, iniciei os estudos de psicologia, como discípula do Professor Emílio Mira Y Lopes, nos diversos cursos promovidos pelo I.S.O.P. (Instituto de Seleção e Orientação Profissional)".

- "Me apaixonei pela psicologia à primeira vista, com o tempo percebi que pouca gente, ligada à área se interessava pelo problema do amadurecimento. Fiquei fascinada pelo assunto e mergulhei fundo."

Magdalena Léa, depois de perceber a tristeza em que viviam muitos idosos, que não encaravam de maneira produtiva o passar dos anos, resolveu contribuir para mudar todos os conceitos e preconceitos sobre a velhice.

Participou, como Relações Públicas do Congresso de Psicologia, em 1960, organizado pelo Professor Mira Y Lopes, então Diretor do I.S.O.P. ao qual compareceram representantes de todos os países das Américas do Sul, Central e do Norte.

Foi aí o seu primeiro e decisivo encontro com os grandes mestres no campo, até então pouco explorado, da psicologia do amadurecimento e do envelhecimento.

Traduziu a obra de Mira Y Lopes - "Hacia una Vejez Joven", lançado pela Editorial Kapelusz S.A, de Buenos Aires, que em português se intitulou "Arte de Envelhecer", lançado no Rio de Janeiro, no mesmo ano, pela Editora Civilização Brasileira.

Participou ativamente da organização da Sociedade Brasileira de Eugenia, sob a direção do Professor Mira Y Lopes à frente de uma comissão organizadora sob a presidência do então Senador Atílio Vivacqua.

As suas concorridas palestras começaram a fazer sucesso, conseqüência natural dos estudos e do seu empenho em provar, que mais importante do que lutar contra o envelhecimento, é possuir a sabedoria de envelhecer.

Magdalena Léa foi à Romênia, em 1973, conhecer a Clínica Otopeni, criada e comandada pela Dra. Ana Aslan.

Além de conhecer na própria pele o tratamento de regeneração celular, teve a oportunidade de ficar frente a frente com a Doutora, que lhe concedeu uma entrevista.

- "Fui à Romênia com duas finalidades: buscar condições para envelhecer com saúde e felicidade e adquirir subsídios para minhas conferências. Voltei feliz porque consegui meus objetivos".

- "Sempre que se fala em velho as pessoas imaginam um ser abandonado, cheio de privações que, conformados, limitam-se a esperar a proteção divina..."

- "É preciso construir um novo velho, fazer uma revolução, olhando a velhice de forma positiva, pois a vida é um bem".

- "Quem se diz um caco, é um caco. Ao invés de se glorificar pela avançada idade, sente-se destruído".

- "Se alguém de 80 anos em vez de reclamar da vida, conversasse sobre as coisas que viu e viveu, contasse suas histórias e passasse suas experiências de vida, não seria ótimo?"

- "A personalidade, aberta às mudanças e aos sentimentos positivos, jamais envelhece".

- "É muito importante que os velhos se integrem na vida atual, sem se deixar marginalizar pelos moços, QUE NÃO SABEM QUE ELES UM DIA TAMBÉM SERÃO VELHOS, e que talvez dêem continuidade aos mesmos erros que hoje são cometidos".

- "Vamos viver nossa maturidade com alegria e procurar acabar com o preconceito de que velho alegre, que ri, que canta e dança, que ama, é uma gracinha, é fora de série e merece aplauso. NÃO! Parem com isso! Ser alegre é coisa natural, rir e se divertir faz parte da vida normal, não tem nada de especial que mereça um OH! de espanto".

Cheia de entusiasmo , valoriza tudo que a vida lhe dá.

Sente-se premiada em poder ver, de sua extensa varanda, o nascer e o pôr do sol.

Também vibra com suas flores, que cultiva nos vasos, muito bem distribuídos pela varanda, onde tem uma rede, na qual costuma tirar uma soneca depois do almoço.

Na sala de Magdalena Léa há quadros na parede pintados por ela, um aparador cheio de troféus e trovas premiadas; nas estantes e mesinhas, vê-se porta-retratos e álbuns com as fotografias da sua grande família: com destaque para o marido, os 5 filhos, 12 netos e 8 bisnetos.

Seu cotidiano é preenchido com a leitura de dois jornais, revistas e livros, gosta de reler os clássicos da literatura, mas está sempre por dentro dos novos lançamentos.

O livro "Quem Tem Medo de Envelhecer?", lançado em 1978, esgotado na 5ª edição, é resultado de um feixe das suas palestras ministradas durante 20 anos, por todo o Brasil.

O sucesso de suas palestras se devia ao fato de Magdalena Léa analisar psicologicamente, numa linguagem divertida e simples, o sofrimento moral daqueles que temem e repudiam o envelhecimento.

- "Nas minhas palestras há muito humor. No começo há o espanto, depois a platéia descontraída se esbalda de tanto rir".

O interesse que o tema desperta e ainda aquela disposição de espírito, aquela postura informal, fora dos moldes da época, fizeram com que ela viajasse por todo o Brasil, solicitada a transmitir seus conhecimentos.

Eis aqui apenas algumas das entidades, no Rio de Janeiro: L.B.A (Legião Brasileira de Assistência), Casa de Máter, Instituto de Resseguros do Brasil, Hospital Mario Kröeff, Clínicas Geriatras e Casas de Repouso para Idosos, Asilo São Luiz para a Velhice, Centro Geriátrico da Aeronáutica, Associação Fluminense de Jornalistas de Niterói, Eletrobrás, Banco Central, nos auditórios do O Globo, do Diário de Notícias, da ABI - Associação Brasileira de Imprensa, Associação Médica Fluminense, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Universidades Gama Filho, P.U.C (Pontifícia Universidade Católica), Cândido Mendes, Santa Úrsula, etc., Clubes e Colégios.

De Norte a Sul, levando a sua sabedoria de vida, Magdalena Léa passou pelas principais capitais e importantes cidades deste país.

Em 1975, por ocasião de uma excursão turística ao Caribe, foi solicitada pelo comandante do navio "Eugênio C", por carta, para atender a pedido geral dos companheiros turistas, para fazer uma conferência a bordo.

Foi interrompida inúmeras vezes por aplausos calorosos, não só de idosos, mas também dos jovens.

Em 1990, em Nova Friburgo, no 40º aniversário da formatura na Faculdade Nacional de Medicina, houve o encontro dos Médicos para o qual foi convidada a fazer uma conferência, levando a platéia às gargalhadas com sua maneira irreverente, mas sábia, de abordar de forma espirituosa problemas tão sérios e profundos, contando casos engraçados que permeavam suas palestras. Foi aplaudida de pé pelos doutos senhores.

Em 1990 foi homenageada com um festivo chá no Maxim's do Rio de janeiro em comemoração a sua milésima palestra, estava com 77 anos e decidiu se aposentar nesse ofício de conferencista.

Sua longa e rica experiência traz na bagagem dois livros de poesia infanto-juvenis "A Criança Recita" (quatro edições, sendo a primeira em 1955) e "Ciranda" (1962) com os quais participou do II Festival do Escritor Brasileiro, realizado, no Rio de Janeiro.

É filiada à União Brasileira de Escritores, desde 1961, também pertence à UBT (União Brasileira de Trovadores).

Como trovadora conquistou muitos prêmios nos Concursos "Jogos Florais", pelo Brasil, tendo lançado dois livros: "Trovas Que Eu Vivo a Cantar" e "Trovas Escritas na Areia".

Seu primeiro livro foi um romance intitulado "FEIA" escrito em 1950. É um romance de época cheio de lirismo e amor, elogiado pela grande escritora Rachel de Queiroz em carta escrita de próprio punho.

O livro estava engavetado por todos estes anos, porém, acabou de ser editado de forma independente e será lançado no dia de seu aniversário, no próximo dia 30 de agosto.

Este será o seu presente surpresa.

Quando alguém pergunta a Magdalena Léa qual o seu segredo de bem viver, ela ensina:

- "É preciso viver cada dia como se fosse o último e planejar a vida como se não tivesse fim, e isto é pra gente de todas as idades. A vida é bela e merece ser vivida".

E acrescenta:

- Perguntemos como Lucrécio, filósofo grego: "Por que não sair do banquete da vida como um conviva saciado?"

E conclama:

- "Meus amigos, ponham a vida numa bandeja e sirvam-se".

E finaliza com esta oferenda:

ORAÇÃO PARA ENVELHECER
(Autor inglês desconhecido)
Adaptação de Magdalena Léa

Meu Deus,

Você sabe, melhor do que eu, que já estou envelhecendo e que breve serei mesmo velho.

Livre-me, pois, do mau-hábito de querer resolver o problema dos outros.

Livre-me, também, do mau-hábito de pensar que, porque sou mais velho, sei mais que os outros.

Mantenha-me inteligente, mas não prepotente, e que saiba aconselhar sem dar ordens.

É pena, realmente, que toda a sabedoria que eu acho que tenho, não possa ser aplicada, mas você sabe, meu Deus, como eu preciso manter meus amigos até o fim.

Livre-me de explicar as coisas com excesso de detalhes e dê asas à minha mente, para que ela voe ao ponto capital das questões.

Cale a minha boca de reclamar contra as minhas dores; o gosto de ensaiá-las a cada dia, em cada ano fica mais apurado.

Meu Deus, eu não peço a graça exagerada de sentir prazer ao ouvir as lamúrias do próximo, mas, apenas, dê-me um pouco de paciência para aturá-las.

Não me deixe esquecer a lição de que eu possa estar errado com muita freqüência.

Mantenha-me mais ou menos de bom-humor, mas não quero ser santo, pois os santos são difíceis na comunicação com os humanos.

Porém um velho azedo é obra mesmo do diabo.

É, meu Deus, dê-me a graça de ver boas coisas em todas as coisas e saber apreciá-las. Amém.

Parabéns! Mamãe,
Deus ouviu suas preces; você é esta velhinha querida e sábia que escolheu ser, quando fez esta oração. Muito obrigada!

Suas filhas: Maria Tereza, Maria Luiza,
Maria José e Maria de Lourdes

 

Em 30 de agosto de 1993, no seu aniversário de 80 anos, a amiga e filha de coração, Wanda Cotelo, prestou-lhe uma homenagem glossando seu poema intitulado "Brasília".

MADALENA

Eu conheci Madalena
A mulher menina
A mulher criança
A mulher conselheira
A mulher esperança

Eu conheci Madalena
A mãe sempre pronta
A escritora, a artista
A quase sogra benquista
A trovadora, a pintora
E tanto “mais” sem conta

Eu conheci Madalena
E com ela aprendi
Que pra viver é preciso
Brincar, sorrir, amar, sofrer e perdoar
E a todo instante pensar
Sejam homens ou mulheres
O importante é se dar.

Eu conheci Madalena
E fico feliz em poder
Junto aos que estão aqui
Neste seus 80 anos
Abraçá-la e dizer:
Parabéns, Madalena
Menina, mulher
Artista, criança
Mãe, amiga
Pessoa, esperança.

Um feliz aniversário, com muita saúde e carinho, é o desejo dos amigos,
Fernando, Márcia, Lino e Wanda.
PS. Madá, desculpe-me a carona em seu poema "Brasília"...

 

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUA OPINIÃO SOBRE ESTA MATÉRIA

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA