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INFORMAÇÃO / MAGDALENA LÉA

NUM PRESÍDIO
publicado em: 03/02/2017 por: Lou Micaldas

Por trás das grades, pobres condenados,
Que seus erros pagavam encarcerados,
Conversavam, em grupo, distraídos,
E talvez das desgraças esquecidos.


Dizia um, a voz toda inflamada,
Apontada uma página ilustrada:


- “A minha santa mãe eu lhe daria,
Esta casa. Foi feita para ela.
Quisera vê-la aqui nesta janela.
Sorrindo para mim com alegria.”


- “Já eu, pra minha velha, outro dizia,
Quero o carro, brilhando como espelho;
Quantos passeios ela então daria
Sem sentir reumatismo no joelho!”


Contentes a revista folheavam
E assim, de um em um, todos sonhavam
Fazer à mãe presentes fabulosos
De joias e palácios suntuosos.


Só um permanecia ali calado,
Causando aos camaradas estranheza.
- E tu, hein? A velhinha que adora?
Tantas lágrimas, tantas por ti chora,
Que darias a ela de surpresa?


Então ele, voltando o rosto, esconde
Um tristíssimo olhar, de estranho brilho,
E, com trêmula voz, assim respondeu:
- “Quisera dar-lhe apenas um bom filho!”

Autor(a): Magdalena Léa
Fonte: Transcristo do livro A Criança Recita, 1960

 

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