Logomarca Velhos Amigos
INTERAÇÃO / NOSSAS VIDAS

PAI DE SANTO DE ARAQUE
publicado em: 21/12/2015 por: Netty Macedo

Quando me aposentei, logo procurei outras atividades. Uma delas foi a de fotógrafo, pois na cidadezinha em que morava não dispunha de ninguém que suprisse a necessidade de ser fotografado. Na ocasião tinha uma empregada, que vivia se queixando que dois filhos já homens e uma filha não trabalhavam, por mais que ela reclamasse.

Como tinha em minha casa um quartinho, escureci-o para revelar filmes. Disse à pobre senhora que eu era pai de santo, especializado em arranjar empregos.

Marquei uma sexta-feira e nos reunimos.
Depois de uns tragos (todos beberam), dei o primeiro conselho: como ele era flamenguista, mandei que amarrasse no pulso esquerdo duas fitas de meio metro, uma preta e outra vermelha.

Que saísse de casa na segunda-feira e fosse na primeira obra que encontrasse no caminho. Não deu outra: ficou empregado. Empregos havia, mas a preguiça era maior.
Para a filha, a mesma coisa. Logo arranjou emprego de babá.

O terceiro estava mais difícil, pois era um alcoólatra inveterado. Então criei um clima sério e ofereci um trago de cachaça para o rapaz.

Ele ficou todo alegre. Aí eu falei com voz de pai de Santo:
- Agora tomou o primeiro gole. Amanhã, vai tomar mais um.
Fiz uma pausa prolongada e disse para o cara, que já estava com os olhos esbugalhados:
- No terceiro gole eu te mato, "fio da puta".
Na sexta-feira seguinte, na porta de minha casa havia uma enorme fila.

Achavam que eu era o maior pai de santo, pois fiz dois vagabundos notórios trabalhar e o bêbedo deixar de beber.

Pior foi convencer o pessoal que tudo tinha sido uma brincadeira. Pelo que me contam, eles continuam trabalhando e o cara deixou mesmo de beber. Não teve coragem de beber a terceira dose "mortal".

Autor(a): Ney Serzedello Alonso

 

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA