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REI MIDAS
publicado em: 15/03/2018 por: Lou Micaldas

O MITO

Midas era um rei completamente apaixonado por dinheiro e, apesar de milionário, queria ter sempre mais para ser a criatura mais rica do planeta. Quando Baco lhe ofereceu a realização de um desejo, como recompensa por ele ter cuidado de um amigo, Midas pediu o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse. Baco percebeu que esse desejo significava a destruição de Midas, mas, como havia prometido realizar qualquer desejo, cumpriu a palavra.

Midas voltou a seu reino e resolveu testar se realmente havia ganhado esse poder. Durante a viagem, tocou uma pedra e imediatamente ela se transformou em uma enorme pepita de ouro. Logo adiante encontrou um galho de árvore e, ao segurá-lo, percebeu que ele se transformara numa barra de ouro. Tudo o que ele tocava virava ouro. Não demorou a perceber que poderia ser o homem mais rico da Terra. Seus cavaleiros ficaram sobrecarregados de tanto transportar ouro.

Chegando ao palácio, mandou servir um jantar delicioso, com todo o requinte. Então levou um choque. A realidade mostrou-se cruel. Todo alimento que seus lábios tocavam viravam ouro. O pão transformava-se em ouro, assim como qualquer alimento. E, para seu desespero, a água que quis beber, quando tocada por seus lábios, também se transformou em ouro. Percebeu, então, toda a loucura de seu desejo. Não conseguia mais se alimentar, não poderia dormir num leito macio nem tomar banho numa banheira cheia de água morna.

O rei Midas voltou a procurar Baco e pediu-lhe que tirasse dele esse poder. Baco orientou-o para que se lavasse nas águas do rio Pactoros e, com efeito, depois de ter tomado banho naquele rio, ele perdeu o poder de transformar tudo em ouro. A consciência dessa transformação fez com que Midas abandonasse sua ambição material e passasse a viver de maneira mais simples e afetiva.

Os Midas modernos: a infelicidade por falta de amor

O mito do rei Midas é vivido por homens e mulheres que desejam ter o poder de transformar em ouro tudo aquilo que tocam. Se forem donos de uma empresa, ela será uma mina de lucros. Se forem líderes de um departamento, este produzirá resultados maravilhosos. Os projetos que administrarem sempre serão bem-sucedidos.

Esse modelo de infelicidade é semelhante ao que ocorre com uma pessoa que passa a vida inteira andando de avião. Ela pensa que conhece todas as cidades, seus povos, costumes e paisagens. Mas, na verdade, o que ela conhece são aeroportos, hotéis, escritórios e salas de convenções.

Como o rei Midas, as pessoas que vivem esse tipo de infelicidade são ricas e poderosas, mas não desfrutam suas conquistas. São pessoas fascinantes, com muitos amigos, mas que nunca têm tempo para cultivar e usufruir essas amizades. Têm casamentos sólidos, seus companheiros são apaixonados, mas não percebem o amor que lhes é dedicado. São amadas pelos filhos, mas não desfrutam esse amor.

Os Midas modernos nem sempre se preocupam em acumular riquezas materiais, imaginam-se reis, embora se vistam como mendigos. Alguns procuram acumular poder através de cargos ou títulos e se tornam arrogantes porque detêm muitos conhecimentos. Os venenos são diferentes, mas o efeito é o mesmo!

É triste ver pessoas que chegam aos cinqüenta anos e descobrem que passaram a vida inteira correndo atrás de bens vazios, sem nenhuma essência. A ambição desmedida faz com que essas pessoas não aproveitem um leito macio para dormir, embora freqüentem muitos hotéis elegantes e sofisticados.

O sucesso profissional, quando é conquistado em vínculos afetivos, leva muitos Midas a viver na solidão. Esse é o preço que pagam por transformar tudo em ouro.

Os Midas modernos vivem uma infelicidade dourada. São pessoas carentes em meio a aplausos, dentro de carros maravilhosos, durante jantares magníficos e, principalmente, na solidão de suas gaiolas de ouro. Podem comprar qualquer coisa que o dinheiro permita, mas não conseguem se sentir em paz e criar relacionamentos duradouros.

Vivem acusando, reclamando e dando desculpas para sua solidão. Acusam as pessoas com as quais convivem de ser culpadas por sua infelicidade. Como se sentem superiores aos demais, estão sempre fugindo da responsabilidade da vida afetiva.

Mas atenção! Nem todos os ricos agem como Midas. Para muitas pessoas de sucesso, o dinheiro é apenas o passaporte para a felicidade, e essas são modelos de alegria.

Autor(a): Roberto Shinyashiki - Médico Psiquiatra - Ed. Gente
Fonte: Transcrito do livro: O sucesso é ser feliz - Editora Gente

 

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