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Mito maior do cinema americano do século XX, hiperbólico em seu talento, suas atitudes e beleza na juventude, Marlon Brando ganhou 16 prêmios. Foi oito vezes indicado ao Oscar e recebeu a estatueta por dois filmes. O ator influenciou grandes alguns atores das gerações que lhe sucederam, entre eles Al Pacino, Robert De Niro e Jack Nicholson.

- Ele representava uma versão contemporânea do americano livre - disse certa vez a crítica de cinema Pauline Kael. - Havia uma sensação de perigo em sua presença. Mas, talvez, o apelo especial de Brando tivesse um conceito simples: a ideia dos sujeitos durões.

Nascido Marlon Brando Jr., no dia 3 de abril de 1924, na cidade de Omaha, no estado americano de Nebraska, o ator era o caçula de três filhos de Dorothy e Marlon, um casal de notórios alcoólatras, um vendedor e uma atriz.

Expulso de várias escolas, Brando chegou a trabalhar como ascensorista. Entre 1943 e 1944, frequentou as aulas de teatro do New School, em Nova York, onde aprendeu técnicas de Stanislavsky, em que o ator busca se identificar psicologicamente com o personagem. Em seguida, partiu para o Actor's Studio, onde estudou com Lee Strasberg e Stella Adler, escola que também seguia o método Stanislavsky, que, de tão popular, acabou sendo conhecido apenas como "O Método".

- Marlon nunca teve que aprender a atuar. Ele já sabia - disse uma vez Stella Adler. - Nada que fosse humano lhe era estranho.

O primeiro papel importante de sua carreira no teatro veio com "I remember Mama", de 1944. Depois o ator acumulou vários sucessos, inclusive sua performance na Broadway, como o irascível Stanley Kowalski, em "Um bonde chamado desejo", de Tennessee Williams, em 1947.

A estreia no cinema aconteceu em 1950, em "Espíritos indômitos", de Fred Zinnemann. Brando passou um mês num hospital para viver o papel de um homem amargurado pela paraplegia. No ano seguinte, o ator repetiu o papel de Kowalski na versão para o cinema da peça de Williams dirigida por Elia Kazan. Em seguida vieram sucessos como "Viva Zapata!" (1952) e "O selvagem" (1953). No início dos 60, já um astro, fez uma investida na carreira de diretor, no western "A face oculta" (1961).

Uma trajetória marcada por polêmicas e tragédias

Marlon Brando recebeu o prêmio pelo papel de
Don Vito Corleone, em 'O Poderoso Chefão'
(Foto: Flickr)

Sua vida foi marcada por polêmicas e tragédias. No início dos anos 70 pediu a reposição do Oscar ganho em 1955 por "Sindicato de ladrões", alegando que a estatueta lhe fora roubada. Em 1973, recusou o prêmio da Academia por sua atuação em "O poderoso chefão", enviando à cerimônia a atriz e ativista indígena Sacheen Littlefeather. Ela subiu ao palco e disse que Brando não poderia receber o prêmio, em protesto contra o extermínio dos povos nativos americanos.

Em 1990, Christian, seu filho mais velho com a atriz Anna Kashfi, assassinou Dag Drollet, o namorado de sua meia-irmã Cheyenne, que em 1995 se matou, aos 25 anos.

Nas telas, além dos papéis de rebeldes como em "O selvagem" (1954), tipos excêntricos como o Coronel Kurtz, de "Apocalipse", Brando incomodou conservadores em "O último tango em Paris", de Bernardo Bertolucci, numa antológica cena de sexo com a atriz Maria Schneider, que teria sido sugerida por ele mesmo.

Brando, que em 1978 recebeu US$ 14 milhões, o maior salário hollywoodiano da época, para viver o pai de "Superman", fazia afirmações paradoxais sobre o cinema. Certa vez, disse que trabalhava pelo dinheiro e que atuar era uma profissão vazia e inútil. Ao mesmo tempo, criticava Hollywood por ser dominada pelo medo e pelo amor ao dinheiro.

- Mas Hollywood não pode me dominar, porque não tenho medo de nada e não amo o dinheiro.

Os últimos anos de sua carreira foram marcados por aparições esporádicas, como em "Um novato na máfia" (1990), em que fez uma paródia de Don Vito Corleone, "Don Juan DeMarco" (1995), "A ilha do Dr. Moreau" (1996), e "A cartada final" (2001), seu último trabalho. Obeso, ainda assim o ator mantinha sua aura de grande astro.

Brando planejava começar as filmagens de "Brando and Brando", longa escrito e dirigido pelo franco-tunisiano Ridha Behi, em que o ator faria o papel de si mesmo.

- Ninguém vai tomar seu lugar - disse Behi, que fará o filme, sem colocar outro ator no papel de Brando.

Um jornal inglês noticiou que Brando estava falido. A notícia se baseava na biografia "Brando in twilight", de Patricia Ruiz. Hábitos de consumo caros e as dívidas contraídas para pagar os advogados de seu filho teriam causado a decadência financeira. O ator estava sendo processado por Cristina Ruiz, sua ex-amante, que cobrava dele uma indenização de US$ 100 milhões por pensões não pagas.

Marlon Brando, que também foi casado com a atriz mexicana Movita Castenada, e com a taitiana Tarita Tariipia, foi pai de nove filhos. O ator morreu em 01 de julho de 2004, no Centro Médico da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, para onde havia sido levado no dia anterior, com insuficiência respiratória. Segundo seu advogado, David J. Seeley, as causas de sua morte não foram divulgadas porque Brando "era um homem muito reservado". Tampouco foram comunicados os detalhes do funeral.

Fonte: acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/2019/06/28/369332-marlon-brando-um-icone-do-cinema-americano-que-brigou-com-hollywood
Colaborador(a): Neide Fonseca

 

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