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PALÁCIO MONROE
publicado em: 20/10/2017 por: Lou Micaldas

O Palácio Monroe localizava-se na Cinelândia, no centro da cidade brasileira do Rio de Janeiro, no estado de mesmo nome.

História

Foi projetado para ser o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1904, ocorrida em Saint Louis, nos Estados Unidos da América. Conforme especificado pela Cláusula 1ª do Aviso nº 148 de 3 de julho de 1903:

"Na construção do Pavilhão se terá em vista aproveitar toda a estrutura, de modo a poder-se reconstruí-lo nesta capital."

Desse modo, o arquiteto e engenheiro militar, Coronel Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, concebeu uma estrutura metálica capaz de ser totalmente desmontada, erguendo-a, como previsto, em Saint Louis.

A imprensa norte-americana não poupou elogios à estrutura, destacando-a pela sua beleza, harmonia de linhas e qualidade do espaço. Na ocasião, o Pavilhão do Brasil foi condecorado com a medalha de ouro no Grande Prêmio Mundial de Arquitetura,[carece de fontes] o maior certame do gênero, à época. Naquela exposição universal, apenas um outro brasileiro, o pintor Eliseu Visconti, foi condecorado com a medalha de ouro por sua tela "Recompensa de São Sebastiâo".

Desmontado ao final do evento, a estrutura foi transportada para o Brasil, vindo a ser remontada na cidade do Rio de Janeiro em 1906, para sediar a Terceira Conferência Pan-Americana. O Barão do Rio Branco, por sugestão de Joaquim Nabuco, propôs que, ao Palácio de Saint-Louis, como era conhecido, fosse dado o nome de Palácio Monroe, em homenagem ao presidente norte-americano James Monroe, criador do Pan-Americanismo.

Entre 1914 e 1922, o Palácio Monroe foi sede provisória da Câmara dos Deputados, enquanto o Palácio Tiradentes era construído. Com a inauguração deste, durante as comemorações do primeiro centenário da independência, o Senado Federal passou a utilizar o Monroe como sua sede.

O Senado Federal esteve fechado durante o Estado Novo (1937-1945). Ao término da ditadura, serviu como sede provisória do Tribunal Superior Eleitoral, entre 1945 e 1946.

Em meados da década de 1950, o Palácio sofreu uma obra de ampliação que lhe acrescentou um pavimento e ocupou o espaço das duas rotundas laterais, que eram vazias e serviam apenas como varandas decorativas.

Com a mudança do Distrito Federal para Brasília, em 1960, o Monroe passou a exercer a função de escritório de representação do Senado no Rio de Janeiro.

À época do Regime Militar, foi transformado em sede do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA).

Em 1974, durante as obras de construção do Metrô do Rio de Janeiro, o traçado dos túneis foi desviado para não afetar as fundações do palácio. Nessa época o Governo Estadual decretou o seu tombamento.

Uma campanha mobilizada pelo jornal "O Globo", com o apoio de arquitetos modernistas como Lúcio Costa pediu a demolição do Palácio Monroe, sob alegações estéticas e de que o prédio atrapalhava o trânsito. O então presidente Ernesto Geisel, que também não era favorável ao edifício, sob a alegação de que prejudicava a visão do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, não concedeu o decreto federal de tombamento e, em março de 1976, o monumento foi demolido.

No terreno, assim desocupado, foi construída uma praça com um chafariz monumental, originalmente instalado na Praça Mahatma Gandhi (Rio de Janeiro).

Protestos

Houve aqueles que lutaram pela permanência do palácio. Na edição de 28/01/1976 do Jornal do Brasil (Primeiro caderno, página 7) era noticiada a tentativa de impedimento da demolição por meio de ação popular. Neste período, final de janeiro de 1976, o palácio já se encontrava sem janelas e cúpula. Segundo Durval Lobo, chefe da Divisão Técnica Especializada de Urbanismo do Clube de Engenharia, um mandado de segurança seria a única forma de salvar o prédio. Durante sua demolição, chegou a cogitar-se transformar o palácio em sede e museu do Instituto dos Advogados Brasileiros, por meio do deputado Jorge Arbage (ARENA/PA), como noticiado pelo Jornal do Brasil em 9/3/1976, pág.8.

No Diário de Notícias de 10/01/1976 (p.2), Louis de Souza Aguiar, filho do construtor do palácio, reafirmou, em protesto, sua decisão de doar ao governo norte-americano a medalha conquistada pelo seu pai no concurso mundial de arquitetura.

Lucro com a demolição

A demolição foi realizada pela Aghil Comércio e Indústria e de acordo com o jornal Diário de Notícias de 4/01/1976 p.9, a demolição foi orçada em Cr$ 191.108,00, em um trabalho a ser realizado pelo período de 4 meses. Na edição de 7/01/1976, p.9, o referido jornal anunciava que os quatro leões de mármore de carrara que adornavam o palácio haviam sido vendidos para o diretor de uma financeira e que este pretendia instalar os objetos em uma casa de fazenda localizada em Minas Gerais. Segundo a matéria, quem estava interessado nas obras era Juscelino Kubitschek. A firma contratada para a demolição afirmava que pretendia faturar o máximo com a venda de objetos de arte e material aproveitável do palácio, de forma a recuperar os 200 mil cruzeiros investidos. Os Anjos de Bronze que adornavam a cúpula estavam orçados em Cr$ 15 mil cada, fora os vitrôs de valor histórico ainda não orçados. Na edição de 11/01/1976, capa, apurava-se que apenas com a venda de 3 mil toneladas de ferro era possível arrecadar 9 milhões de cruzeiros.

Características

Com 1700 metros quadrados de área construída, os elementos de sua composição arquitetônica inscrevem-se na linguagem geral do ecletismo, num estilo híbrido, caracterizado por uma combinação liberal de diversas origens que marcou uma época de transição na arquitetura brasileira.

Fonte: pt.wikipedia.org
Colaborador(a): Angela Guedes

 

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