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DOIS HOMENS E UMA CIDADE
publicado em: 28/11/2017 por: Lou Micaldas

"Ai, o mundo de hoje!... devemos perder esta mania de repudiar o mundo de hoje. 

Se você não viver no "mundo de hoje", em que mundo viverá?"

Dois rapazes foram transferidos, em seus serviços, para uma cidade vizinha. Como não a conheciam, queriam saber sobre o lugar, a gente, as coisas, como iriam viver etc. Lá se foram, pois, em busca de informações. 

O primeiro a chegar, logo, à estação, viu um velho sentado num banco, pintando. Perguntou-lhe:

- O senhor é daqui?

- Sou. Tenho vivido nesta cidade toda a minha vida e aqui espero morrer.

- Por favor, então, diga-me como é esta cidade, pois vou ter de morar aqui, e o senhor deve saber tudo sobre ela. Que me diz? Vive-se bem?

E o velho respondeu-lhe com outra pergunta:

- Como vivia o senhor lá na sua cidade?

- Ah! - fez o moço - lá é horrível. Todo mundo é egoísta, ninguém ajuda ninguém. É uma fofocada dos diabos. É o fim. Eu já estava cheio daquela gente. 

- Olha, moço - foi dizendo o velho - aqui é igualzinho. Não tem alteração. Tudo ruim. O melhor é o senhor ficar lá mesmo. 

Aí chega o segundo homem. Vê o mesmo velho, tem a mesma ideia e a mesma indagação. Por sua vez, o velho também lhe faz a mesma pergunta, sobre como vivia ele em sua cidade. E respondeu:

- Ah! Lá é maravilhoso! Que gente bacana! Todo mundo se dá, todo mundo é amigo... Tenho tantos amigos que nem sei como hei de deixá-los. Já estou cheio de saudades... Vou sentir muita falta. 

E o velho lhe diz sorridente:

- Pode vir, meu filho, aqui é igualzinho.

Nossa sobrevivência, em boas condições de saúde mental e física, depende muito da rapidez da nossa adaptação aos novos mundos que se vão sucedendo, com suas alterações, mudanças, novas condições etc. 

"Ai, o mundo de hoje!..." devemos perder esta mania de repudiar o mundo de hoje. Se você não viver no "mundo de hoje", em que mundo viverá?

Um senhor de idade e de bom senso assim se defendeu de uma pessoa queixosa da vida. Quando ela começou:

- Depois de certa idade a gente nunca mais se sente bem...

Ele contou no mesmo tom:

É... Você perdeu sua oportunidade de morrer forte, sadia e em pleno vigor, aos quinze anos... Agora não tem mesmo mais remédio...

AMAR AO PRÓXIMO

Quando pensamos em amor ao próximo, imaginamos somente os parentes e amigos. Nunca pensamos que o desconhecido que está no banco a seu lado também é seu próximo. Todas as criaturas do mundo também são seu próximo. E então? Amar ao próximo não quer dizer amar somente as pessoas de nossa casa, de nossa família, mas amar todas as pessoas.

Há pessoas que só se relacionam em meios muito restritos. Consideram família, classe social, posição econômica, nível cultural, cor, credo. Considerando tudo isso, o saldo para o relacionamento é baixo. Fora de sua família, seu clã, todo mundo é clan... destino. Ninguém existe. As únicas pessoas que ficaram na peneira rigorosa de seus preconceitos tendem a desaparecer, na Vida e na Morte. 

E vem a solidão.

"Contatos humanos e convivência com seus semelhantes têm valor profilático para evitar doenças mentais e tornar a velhice mais prolongada" - assim afirmou o Prof. Silva Melo.

Relacionar-se com muita gente é enriquecer-se de conhecimentos, de simpatias, de ajuda moral ou material. "Amar ao próximo...", antes de beneficiar ao próximo, beneficia aquele que ama. Dar e receber, que seja um sorriso apenas. 

Orgulho de raça? Todos são filhos de Deus. Linhagem? Nobreza? Qual? Se pesquisarmos a árvore genealógica de um rei, que havemos de encontrar? Um homem comum a quem enfiaram uma coroa na cabeça. Você crê em sangue azul?

Newton, o grande matemático, tinha por hábito caminhar até a casa de um cavalariço, com quem conversava durante mais de uma hora, todos os dias. Um amigo seu, surpreendido, certa vez lhe perguntou: "Como pode o senhor, com toda a sua cultura, achar interessante conversar com um sujeito qualquer? Que assunto pode ter com ele? "Cavalos", foi a resposta.

Não há ninguém que tenha tanto, que não precise pedir; nem alguém que tenha tão pouco, que não possa dar.
Magdalena Léa 

Poetisa e Escritora, Autora do livro 
"Quem Tem Medo de Envelhecer?"

Autor(a): Magdalena Léa

 

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