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FÉRIAS E LAZER
publicado em: 11/10/2017 por: Lou Micaldas

Férias!
Bela palavra com cheiro de campo, de terra molhada, ou de mar, em pleno sol.
Muita gente tem casa de campo. Outros lotam os hotéis, em fins de semana, nos veraneios. Mas poucas são as pessoas que sabem gozar as férias.

Você sabe? Boas férias são programadas.

Primeiro, a escolha do lugar de acordo com o clima e as preferências de cada um pela paisagem.

Podemos gozar o verde das matas, ou o verde do mar. Podemos subir a serra (no bom sentido!), ou descer ao vale. Vale tudo.

O importante é que o programa seja de seu agrado, mas que seja também em benefício da sua saúde. Se você vai sozinho, tem menos problema na escolha, mas se vai com toda a família, já será preciso equilibrar sua preferência com a dos outros.

É terrível, tirar férias com alguém emburrado. O prazer deve ser geral.

Há muitas pessoas que vêm das férias precisando de férias. A dona-de-casa principalmente. Enquanto a turma goza as férias, ela está de Amélia-mulher-de-verdade.

Mas não exatamente aquela que "achava bonito não ter o que comer", pois seu problema é ter de comer, e não ter o quê.

Os veranistas, é claro, jogaram o relógio para o alto e, sem horário nem disciplina, sujam tudo, desarrumam tudo.

Os que ainda, persistem no infeliz vício de fumar, -botam cinzas de cigarro em todas as cumbucas que encontram ou, se não encontram, vai ao chão mesmo.

Copos ou restos de refrigerantes andam por todos os cantos e, como fundo musical desta infernização, um disco dessas bandas barulhentas, sem melodia. Tenha dó.

As férias devem ser para todos. Dêem folga às suas Amélias-do-ano-todo. Se não contam com bons empregados, que se faça a boa distribuição de tarefas.
Não vá cada um pensar só em si, e mamãe em todos. Ela deve gostar também de um mergulho na piscina ou no mar, ou daquele trotezinho a cavalo, e outras tantas diversões.

A solução é: ou todos trabalham, ou vai-se comer no restaurante.

Conheço gente que vende sua casa de veraneio, apesar de adorá-la, em seu pitoresco, bela vista e graça na decoração.

Não aguenta a trabalheira. Uma amiga contou-me que, enquanto o maridinho brincava de caçador, nas matas em volta da casa, ela caçava desesperadamente uma galinha para o almoço, que, com a onda de turista no lugar, era peça rara.

E havia sempre visitantes que se iam deixando ficar pelos fins de semana.

Donde se conclui que bom mesmo é veranear na casa dos outros.

Viagens ao estrangeiro também precisam ser bem planejadas. Esse tipo de excursão em que se metem no cardápio mais países do que podemos digerir não é bom.

Resultado: indigestão. Volta-se com certa frustração e muito cansaço. A impressão é de que ninguém viu, ao vivo, aqueles lugares todos, mas em postais, tal a pressa com que se passou por eles.

Além disso, há o complexo de caixeiro-viajante, que põe o viajante para comprar em desespero, correndo os magazines acumulando, com os pacotes, os problemas de preço, volume e peso.

Os dólares voam como passarinhos, e nos desgasta a preocupação, quando não a realidade, do zero-dólar.

Ora bem, que férias foram essas em que pouco se viu, muito se gastou e tanto se penou?

Ver novas terras, novas gentes, novos costumes é enriquecimento, mas sairá caro se transformamos o passeio em excursão a "serviço".

Turismo é um belo programa. Há turismo para todo mundo, podemos escolher reunindo o útil ao agradável.

Quem sofre do fígado ou tem úlcera, ou aquela colitezinha, não faça turismo para a Bahia, pois não comer seus quitutes é ir a Roma e não ver o Papa.

Outra coisa: nestas excursões corridas, dentro ou fora do país, não se tem hora para o repouso necessário. Ou se repousa, e perde-se o passeio, ou se passeia, e perdem-se as forças.

O ideal é seis países, ou cidades, para se distribuírem em 30 dias, com programações intercaladas de dias livres. E dia livre é dia de folga.

Umas voltinhas, sem compromisso de horário, e uma soneca depois do almoço. À tarde, um banho quentinho e demorado, e você estará em forma.

Algumas horas de silêncio e tranquilidade recuperam nossas forças melhor do que qualquer fortificante.

Férias! Bela palavra com cheiro de campo, de terra molhada, ou de mar, em pleno sol.

O homem da cidade, escravo do relógio, do trânsito, preso à fita dura e áspera do asfalto, precisa fugir para dar-se à tranquilidade das coisas naturais, ao bucolismo da paisagem verde.

Desligar-se dos centros urbanos e ligar-se aos campos e a toda a sua simplicidade. Roupas informais - jeans, camisetas, tênis ou botas.

Quadros novos, onde bichos, árvores, água nascente e a terra como Deus a fez valem mais que todos os tranquilizantes da farmacopeia mundial para pôr você nos eixos.

Prepara-se bem para não sofrer frio ou calor, nem tensões inúteis em preocupações estéreis.

A oferta do dia é ar puro, oxigênio para os seus pulmões. Aspire-o. Encha o peito. Mas não diga nada ao dono do hotel, para que ele não o debite em sua conta.

As férias podem ser longas, durante semanas ou meses, e também podem ser miniférias, que são os fins de semana.

Também pode ser o "feriadão", que pega as segundas-feiras, que pegam os feriados.

Aqui vai o exemplo do inglês, importante homem de negócios que recebe um telegrama ao sair para o seu fim de semana, e decide: "este telegrama vai chegar segunda-feira".

E, assim pensando, meteu-o por baixo da porta e foi gozar em paz suas miniférias de direito.

Esportes por Esportes não se deve confundir um bom exercício com competições esportivas.

No exercício, você está trabalhando seus músculos e descarregando energias, enquanto que na competição você estará tenso para vencer.

Quem gosta de perder? Aí você se cansa no esforço físico e mental, somando os dois esforços e as duas fadigas.

Assim é que muitos têm ganho a partida, e partido desta para melhor, comboiados pelo enfarte.

O tênis, a pelada, o basquete e outros esportes violentos não devem ser praticados por indivíduos de vida sedentária pelo ano todo e que, nas férias, querem ganhar títulos de campeões.

A sensação de cansaço é desagradável e é o aviso que a Natureza usa como sinal vermelho. Pare!

Andar a pé, nadar, passear de bicicleta ou a cavalo, tudo é bom, desde que não se canse e não cause choque.

Voltas de bicicleta, por caminhos limpos, sem o perigo de trânsito, será ideal para quem já esteja acostumado a fazer isto.

Um médico tcheco realizou verdadeiros milagres de rejuvenescimento com esta receita: "Bicicletai, meninos."

Claro está que, como cantava Vinicius de Moraes, não constava da receita de ninguém bater o recorde de velocidade.

Doutor Henri Aurenche, aos 62 anos tirou o primeiro lugar numa competição ciclística. Aviso aos navegantes ou pedalantes - devagar... e sempre.

Mas escute: compreender, realisticamente e na justa proporção, as nossas limitações é parte essencial da sabedoria adulta.

Adulto quer dizer dono do seu nariz e, logicamente, saber onde o tem. Nem covardias, nem imprudências. Boas Férias!
 
Poetisa e escritora Autora do livro
"Quem tem Medo de Envelhecer?"

Autor(a): Magdalena Léa

 

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