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NEM ÓCIO NEM TÉDIO
publicado em: 07/11/2017 por: Lou Micaldas

E a questão não está só na monotonia, está em que a atividade, qualquer que seja, é uma condição para uma vida sadia.

Atividade é Vida

Está provado que atividade e longevidade guardam íntima relação de causa e efeito. A atividade mental e a atividade física equivalem-se em seus efeitos benéficos. Se deixamos inertes nossas forças físicas e mentais, elas degeneram.

Temos que descobrir o que podemos e gostamos de fazer e fazê-lo. É impossível que uma pessoa não tenha jeito para nada. 

O máximo que pode acontecer é que não tenha ela ainda experimentado seu jeito, em cada uma das inúmeras coisas que se podem fazer.

O trabalho protege-nos de grandes males, como os vícios e o tédio. Trace um plano de vida de acordo com suas possibilidades e adapte-se às condições e circunstâncias, sem covardia.

O medo pode ser confundido com a prudência, e a covardia com a resignação. E isto é mascarar um defeito e desvirtuar uma virtude.

Leio nos jornais que as mamães e as vovós estão voltando à escola. Nos cursos de madureza, 50 a 60 por cento da frequência são de mulheres casadas, mães e avós.

Mulheres que só tinham direito a uma profissão: doméstica. Quantas carreiras artísticas, políticas, cientificas etc, se perderam, entre fraldas e papinhas?

Com os filhos já criados, adultos, diziam num suspiro profundo: "Agora é tarde demais!" Quisessem ou não, tinham que ser "Amélia", que, pelo jeito, morreu de fome, pois achava "bonito não ter o que comer", e ainda cantava aquela frase besta: "Que é que se há de fazer?" Belo samba!

Ficará na história como o perfil da mulher que já está superada. As pessoas tornam-se grandes na medida em que ultrapassam as bitolas habituais, de dimensões mesquinhas, a que se vêem constrangidas a se adaptarem e, rompendo com velhas tradições, velhos conceitos e preconceitos, escandalizam o mundo.

É assim que a humanidade tem dado saltos para a frente e para o alto.

Com puritanos e fanáticos do tradicional, do "sempre foi assim", do "já que está, deixa ficar", onde estaríamos?

As leis são feitas para os costumes, mas os costumes se alteraram no tempo. Indivíduos chamados comedidos e prudentes nunca fazem nada errado, porque nunca fazem nada.

"Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que trabalhar é menos monótono do que vagabundear." Foi assim que Charles Baudelaire concluiu.

E a questão não está só na monotonia, está em que a atividade, qualquer que seja, é uma condição para uma vida sadia.

Contaram-me, outro dia, que um homem de 70 anos respondeu aos amigos que estranharam o seu interesse em cursar uma Faculdade, àquela altura da vida: - "Claro que vou, com os meus 70 anos. Se eu não entrar agora, com que idade vocês querem que eu entre?"

Meu caro amigo Oswaldo Justo de Aguiar Cavalcânti, com suas 87 primaveras, abrilhantou a turma de bacharelandos da Faculdade de Direito de Valença, de 1980. Foi o bacharelando mais idoso, não só de sua turma, mas do mundo.

E a Arte de Viver não era a única que ele cultivava. O amigo Oswaldo era Poeta, Trovador, Ator. Há anos vinha ele representando, magnífico, o Cardeal francês na peça de Júlio Dantas "A Ceia dos Cardeais".

Aos 89 anos, era o Presidente da Academia Valenciana de Letras.

"Parar de pintar? Trabalho é hóstia! Quem está velho e cansado é que pára de trabalhar. Eu sou jovem". Assim falou Yolpi, ao completar 80 anos.

Dele disse Iberê Camargo: "É o pintor mais jovem do Brasil". Jovem por sua singeleza, pela ingenuidade de seus temas.

Também octogenário, DI Cavalcanti, o famoso pintor de mulatas, só parou no fim da vida.

Freud dizia: "Não posso imaginar como é capaz de trazer qualquer espécie de conforto uma vida sem trabalho." Ele que trabalhou até quase a morte, aos 83 anos.

Simone de Beauvoir declarava "Minha defesa é meu trabalho." Trabalho que é ação, atuação, Vida.

Lucille Ball, na intimidade dos americanos apenas Lucy, era uma vedete ruiva e linda que eletrizava plateias de "meninos" de 8 a 80 anos, fez inúmeros programas na TV, nos Estados Unidos.

Mas ela não vinha, estes anos, nadando em mar de rosas, vinha capengando através de toda sua carreira artística, no cinema e na TV.

Desde criança, lutava com problemas nas pernas. Sofreu de artritismo na infância, que é "doença de velho", segundo a sabedoria dos ignorantes.

Já moça quebrou uma perna esquiando, e mais tarde sofreu um acidente de carro que a pôs numa cadeira de rodas por dois anos. Como se tudo ainda fosse pouco, no estúdio, durante uma filmagem, caiu da altura de nove metros.

Mas ninguém segurava Lucy. "E o espetáculo continuava." Lá ia ela, a eterna jovem, de muletas, de perna engessada, de cadeira de rodas ou botas ortopédicas, capengando ou não, mas lá ia ela.

Tornou-se presidente do estúdio onde começou com 50 dólares semanais. É conselho dela: "Não se deixe abater por uma maré de pessimismo." E ainda: "Cada dia é um novo começo pra mim." Confessava que adorava o começo das coisas: novos empregos, novas casas, novos lugares. "Todo começo" - completa - é um desafio, é uma oportunidade cheia de esperança e novos ensejos."

Mario Lago, aos 88 anos acumula um punhado de sucessos nas artes: é compositor, ator, produtor, poeta e diretor. E ele não quer deitar na fama! Vive cheio de planos .A meta pra 2001 é fazer um Talk show em parceria com Mario Lago Filho (o caçula), o violinista Jorge Simas e o cantor Chamon.

Quem não conhece a grande nadadora Maria Lenke, 85 anos e quase 80 de natação, Traz na sua bagagem nada menos que 7 medalhas de ouro, conquistadas no Mundial de Masters.

Aram Boghossian, aos 71 anos, abocanhou 7 medallhas no Mundial da Alemanha.

Jogar basquete aos 84 anos? Não é impossível pra Ruy de Freitas que pratica o esporte há 70 anos.

O incansável Altamiro, 75 anos, com 56 de carreira e mais de 100 discos, fitas e CDs gravados, não quer saber de aposentadoria, sua estrela continua brilhando no topo do sucesso.

Dercy Gonçalves: " Fiz 93 anos. Mas não sou velha. Velho é quem está caduco, velhas são as pessoas que não têm mais o que fazer, que ficam encostadas, incomodando. Mas uma mulher como eu que ainda trabalha, briga e raciocina... estou uma beleza eu sou uma beleza".

Braguinha, o Poeta do Carnaval, é um dos maiores e mais populares cantores da música popular brasileira. Está com 93 anos. Os tempos mudam, as músicas se renovam mas suas composições, cheias de amor e lirismo, nunca saem da moda. Ao contrário, continuam encantando e sendo cantadas por multidões de todas as idades.

Barbosa Lima Sobrinho, do alto de seus 103 anos, mantinha-se em plena atividade escrevendo para o Jornal do Brasil, até ás vésperas de sua morte. Foi Presidente da Associação Brasileira de Imprensa e Presidente da Academia Brasileira de Letras.

Note-se que a maioria das obras máximas, criadas pelos gênios o foram quando seus autores já poderiam ser chamados de "velhos". São de todos os tempos de todos os setores, onde a inteligência se faz presente.

Estabeleça, o mais honestamente possível, quais as coisas que você gostaria de fazer, e lute por fazê-las. A falta de objetivo na vida é um vazio que leva à inércia ou à revolta. Revoluções internas resultam no stress - desgaste inútil de nervos e forças.

Será melhor usar a energia colocando-a a serviço de nossos desejos, ao invés de desperdiçá-la a serviços de nossas frustrações.

Há muita gente que ainda não acredita no valor todo-poderoso da palavra dita por nós, ou para nós, contra ou a favor.

Ora essa, só por dizer que sou um caco é que estou um caco? Pois é.

A tecnologia aí está para provar isso. Um aparelho recém-inventado, medidor de emoções, cuja agulhinha dá saltos variáveis à simples menção de determinadas palavras dirigidas a um paciente, deixa bem claro e comprovado o efeito incontrolável do mecanismo estímulo-resposta, dando-nos a medida da força de nossa mente atuando nos processos bioquímicos do organismo.

Para um constante intercâmbio entre o indivíduo e o meio, são necessários os cinco sentidos como agentes de comunicação.

Quando a comunicação, transmitida é negativa, sua "agulhinha" dá aquele salto, no qual você, meu amigo, despende energia, desperdiçando-a e desgastando-se.

Eis a razão pela qual devemos combater as sentenças negativas.

A Dra. Irene Gore, cientista que se especializou no estudo do envelhecimento e pesquisa seus aspectos biológicos, costuma dizer:

"Se você, que tem mais de 25 anos, já disse alguma vez a respeito de qualquer atividade: sou muito velho para isso, preste bem atenção, pois você já está perigosamente descendo por um caminho que vai desgastar sua energia e seu entusiasmo. E isso, de acordo com os padrões sociais, é que é envelhecer."

"Sou muito velho para isso ou aquilo." "Agora não tenho mais tempo." "já estou no fim..."

Nestas frases, tantas vezes repetidas, que ouvimos a cada passo, está escondidinho o medo de não ter futuro.

Quem pode ter certeza do seu futuro? 

A pessoa de idade que queira iniciar seja o que for não deve ser desencorajada, nem impedida, a pretexto de que já está no fim da vida.

Quem pode saber se está no fim da vida?

Magdalena Léa
Poetisa e escritora Autora do livro 
"Quem tem Medo de Envelhecer?"

Obs: A autora deste artigo, estava com 87 anos e, talvez por modéstia, não incluiu seu nome entre os idosos que continuavam a brilhar em plena atividade.

Autor(a): Magdalena Léa

 

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