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SUBLIMAÇÃO
publicado em: 28/11/2017 por: Lou Micaldas

Há sempre alguém ou algo que podemos amar! 
O coração não sabe bater vazio!

"O amor faz mudanças radicais na atividade do cérebro." assim falaram os neurologistas britânicos Andreas Bartels e Semir Zeki. 

Dezessete voluntários que se diziam apaixonados, foram submetidos a exame de ressonância magnética. 

Só de verem a foto da pessoa amada a atividade do cérebro ficou estimulada em 4 regiões distintas. Uma delas é responsável pelo "frio na barriga" e está associada à coragem. 

Uma outra faixa é a mesma que reage a drogas que estimulam a euforia, e as outras duas provocam o aumento da atividade com experiências gratificantes, compensadoras. 

Apenas numa outra área, geralmente hiperativa em pacientes deprimidos, houve uma redução na sua atividade. 

"O amor é uma química que vem do cérebro", disseram os pesquisadores. 

Essa experiência é muito nova, para o mundo. E este foi o primeiro estudo a analisar as manifestações do cérebro em relação ao amor. 
Mas a força e o poder do amor são tão antigas quanto a humanidade. 

E na falta de um amor recorre-se à sublimação. 

O que é sublimação? 

Na psicologia é a forma de canalizar a energia sexual - a libido - para atividades espirituais e culturais. 

Na velhice, a redução das atividades, principalmente as profissionais, deixa tempo sobrando, quando não totalmente vazio.

A disponibilidade de energia aumenta o interesse e a necessidade sexual, fazendo crescer a angústia daqueles que por pudor, preconceito, ou falta de companheiro, se vêem sozinhos.

E que se há de fazer de toda uma energia acumulada? 

Claro está que isto não acontece somente no envelhecimento, se bem que seja no avançar da idade que vão diminuindo as atividades do indivíduo.

Mas também, quando se é moço, e grande carga de energia vital não é de todo consumida em trabalhos e atividades diversas, como esportes ou diversões, a sobra dessa energia volta-se para as atividades sexuais, tantas vezes difíceis de serem realizadas por falta de parceiros. 

E ainda existem os que, em virtude da vocação religiosa abstêm-se da prática sexual. 

Sendo a libido uma energia, vamos compará-la a um rio caudaloso, cujo curso pode ser mudado. 

As vias de sublimação são muitas, qualquer coisa que nos empolgue, nos apaixone, nos absorva. 

Quantas pessoas se dão de corpo e alma a esta e àquela obra? Isto é sublimação. Infelizmente, sublimação não é receita que se avie nas farmácias.

É um apelo de dentro para fora, uma autodefesa do EU, que instintivamente, intuitivamente, canaliza a energia disponível, substituindo interesses. 

Não se pode ordenar a ninguém - "Sublime!". É um processo inconsciente, a canalização do impulso sexual para uma atividade que preencha as necessidades emocionais. 

Mas o indivíduo pode procurar, em si mesmo, inclinações latentes que se tornarão manifestas. A busca destas tendências pode causar vivas surpresas na descoberta de vocações, interesses até então desconhecidos, ou simplesmente postos de lado, quando a luta pela vida absorvia toda a capacidade de interesse e ação. 

Uma vez disponível esta capacidade, podemos escolher outros campos e, por um desejo consciente, mobilizá-la na direção de um ideal. 

TUDO POR UM IDEAL 

Sobre a palavra ideal, vale lembrar aquela estorinha: Rita Hayworth, a bela estrela cinematográfica, visitava um hospital de sangue, durante a guerra, e, ao ver uma enfermeira tratando uma ferida, exclamou: 
- Deus do Céu! Que coisa horrível! Nem por um milhão eu faria isso... 

- Também eu por um milhão não o faria... Mas faço-o por um ideal - respondeu a enfermeira. 

Goethe assim dizia a sua amada Carlotta: "se te amo, que te importa?" A ele importava amá-la, sem nada pedir em troca. 

Amar é querer bem. Ninguém nos pode tirar o direito de sentir. É dar de si sem nada cobrar. É despir-se, pois, dos impulsos egoístas. 

Numa peça teatral a que assisti a algum tempo, havia esta fala: "Mais vale beijar a mão da mulher amada que dormir com todas as outras." Um indivíduo realmente apaixonado pensa assim. E isto é sublimação dentro do próprio campo amoroso. 

Chopin, em carta à mulher amada, dizia: "A inspiração, as ideias novas só me acodem quando estou muito tempo afastado das mulheres". 

E adiante: "Desta forma, as energias que servem para fecundar a mulher, isto é, para criar o homem e para criar uma obra de arte são as mesmas". 
E concluiu: "É esse princípio fecundador, tão precioso, que o macho troca por um instante de prazer!" A carta é de 1830. 

Aí está um conceito freudiano que se antecipava a Freud, pois só no fim do século, o Mestre estudaria este impulso a que chamou Sublimação. 

A energia sexual é algo tão poderoso que sua sublimação tem sido responsável por grandes progressos alcançados pela humanidade: na arte, nas investigações científicas, nas religiões, na filantropia, que é um trabalho em benefício do próximo. 

É evidente que isto não está ao alcance de todos. Deve-se ter vocação, paixão para se dar por inteiro a tal ou qual obra. 

Será sem dúvida uma fuga dos instintos, recompensada pela descarga da tensão libidinal, sem ferir as regras moralistas. 

O desejo do amor não cessa no indivíduo por nenhum decreto jubilatório. Amor é desejo da alma que acompanha o corpo até o fim. 

Velhice não quer dizer renúncia ao AMOR. É, em verdade, a fase da vida em que mais amamos e que também sentimos mais necessidade de sermos amados. 

Na idade avançada a capacidade de amar se desenvolve com mais intensidade e mais desprendimento, porque é a idade da cultura, do mais alto aperfeiçoamento moral. 

A sublimação se faz no plano psíquico. Não é fácil! Nem impossível! 

Quantas pessoas de idade pensam que não servem para mais nada, e este pensamento negativo só as torna dolorosamente infelizes, deprimidas! 

Queixam-se de solidão! Esquecem-se daquela cantiga: "Só tem amor quem tem amor para dar." 

"Um homem vivia sozinho e envelhecendo. Já em solidão, descobriu que, bem ali pertinho de sua casa, havia um orfanato de crianças, que não tinham quem lhes ensinassem jogos, esportes e diversões. 

Então o homem comprou bolas, redes, raquetes e levou tudo para os meninos. Cada dia ele levava mais coisas e brincava com as crianças. 

E ao dá-las àqueles órfãos, ganhou mais de cem netinhos, para alegria de sua velhice. 

Sublimar é uma defesa. Mas não se vá pensar que eu esteja sugerindo a sublimação como único meio de substituir a falta de um companheiro, para a satisfação sexual. 

"A masturbação é uma forma de satisfação que substitui o ato sexual quando este é impossível e nada tem de errado, pois é apenas uma resposta a uma necessidade físico-emocional" - aconselha o Dr. David Reuben. 

Procure dentro de si mesmo a sagrada chama do amor. Pensa que acabou? Mas não acabou. 

Sopre as brasas, mesmo sob as cinzas, e você verá que elas irão reacender. O amor está em nós. Ele é a nossa própria alma. 

Ninguém vive sem amor. Que seja uma atividade religiosa, artística, um animalzinho. Há sempre alguém ou algo que podemos amar! O coração não sabe bater vazio!

Magdalena Léa 
Poetisa e Escritora, Autora do livro 
"Quem Tem Medo de Envelhecer?"

Autor(a): Magdalena Léa

 

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