Logomarca Velhos Amigos

SUPERMÃE
publicado em: 28/11/2017 por: Lou Micaldas

São essas pessoas que vivem se lamentando da ingratidão dos filhos, genros e noras.

A mulher tem uma necessidade inata de se sentir útil.

Quando os filhos crescem, cresce nela um susto: de que sirvo, agora? A ansiedade e a preocupação exagerada são os alicerces da supermãe. 

A supermãe, em regra geral vira super-sogra. Se o “filhinho” conseguir se casar... 

É claro que as coisas estão mudando. Hoje as sogras modernas estão interessadas em si mesmas, frequentam cursos, conferências, spas, navegam na Internet e não lhes sobra tempo para serem “sogras”. 

Mas infelizmente ainda existem umas por aí infernizando a vida dos casais. 

Vou contar dois casinhos engraçados resultantes desses conflitos: 

1)    A velha senhora, mãe de vários filhos e filhas, dava brilho nos botões da farda de seu filho caçula, que se formara oficial. Quase todos já haviam casado, e só restava o rapaz em questão e duas mocinhas. 

A senhora distraída, sem se lembrar de que estava na presença de uma nora, diz com azedume: 

- Pois é, agora que o rapaz está formado, qualquer dia vem aí uma sirigaita pegar o meu tenente... 

E foi aí que a nora cortou: 

- Mas a senhora não gostaria que viessem aí uns tenentes buscar suas sirigaitas?... 

2)    Duas amigas que não se viam há tempos, encontraram-se e começaram a trocar indagações: 

- Como vão seus filhos, já devem estar crescidos... 

- Claro – exclama a outra – já estão até casados! 

- Não diga!... 

- Digo! Minha filha já tem um ano de casada! 

- E estão bem? 

- Olha, minha filha casou-se divinamente bem, meu genro é um santo! Você nem imagina: logo de manhã é ele que leva o café para ela na cama! 

- Oh!! – faz a outra. 

- É. Nunca vi tão bom! Minha filha tem tudo, tudo! Sabe como são estas moças, estão sempre querendo comprar, pois ele não nega nada. Ela já tem dois casacos de pele, mas quis lá um que viu não sei onde, pois ele foi e comprou. É joia, é roupa, é carro, é tudo e não quer que ela arrede uma palha. Diz que gosta de mulher com mãos de seda... Tem empregada pra fazer tudo... Só faz se divertir... mais nada! 

- Que maravilha! – diz a outra - E seu filho? Também está bem casado? 

Ela baixou o tom, a cabeça, o entusiasmo: 

- Nem tanto... Ele, coitado, não teve lá muita sorte, não. Imagine que a mulherzinha dele é uma preguiçosa, dorme até tarde e ainda quer lhe leve o café na cama... Veja! 

Depois, não é nada econômica, meu filho sua bastante a camisa para dar tudo que ela quer... Ela é desse tipo que tudo que vê quer comprar... e não gosta de fazer nada, nada... 

Estas são as figuras desagradáveis e mal chegadas. 

Certamente, não são recebidas de braços abertos. 

Quando se despedem, é um alívio! 

São essas pessoas que vivem se lamentando da ingratidão dos filhos, genros e noras. Não enxergam que são elas próprias que estão cavando o poço fundo da solidão. 


Inspirada nas desavenças das noras e sogras fiz esta trova: 

Minha sogra, aquela bruxa, 
Num Corsa, mandando brasa... 
E eu fico pensando; puxa! 
Com tanta vassoura em casa!...

Magdalena Léa 
Poetisa e Escritora, Autora do livro 
"Quem Tem Medo de Envelhecer?"

Autor(a): Magdalena Léa

 

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUA OPINIÃO SOBRE ESTA MATÉRIA

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA